sábado, 24 de setembro de 2011

Um pouco de fofura pra salvar o dia

Não quero deprimir ninguém com minhas reflexões sobre envelhecimento, então vamos às novas com mais um flash de Nina chegando animadíssima da escola.
- Mãe, tenho duas coisas pra te contar.
- Conta.
- Um: a Fulaninha, Beltraninha e Sicraninha tomaram água com tinta e vomitaram!
- Credo, que nojo! Que mais?
- Dois: é que eu fui lavar as mãos do lado do Fulaninho depois da aula de arte e ele me disse assim: Nina, eu sou apaixonadinho por você.
- Jura? E o que você disse?
- Eu disse que "ah, eu também sou assim meio apaixonadinha por você". Daí as meninas que estavam perto ouviram e contaram pra TODO MUNDO da sala. Fiquei muito brava.
- Mas brava por quê, todo mundo pode saber, não tem nada de mais.
- É que tem os outros dois meninos que são apaixonados por mim e eles vão ficar chateados.

***
Corta pro pai tirando uma de ciumento pra cima da Nina (Freud ri).

- Nina, não quero saber desse negócio de ficar apaixonada, vou tirar você dessa escola e colocar numa só de meninas!
- Tudo bem, pai, vai que eu sou gay e posso me apaixonar por uma menina?

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Melhor idade my ass

Eu já comentei aqui que a juventude me emociona.

O caso é que não estou lidando bem com o envelhecimento. Achava que isso era mimimi típico de perua, coisa de quem viveu só de aparência e que não tem, sei lá, paz de espírito para se deixar levar pelo tempo. Sempre soube - ouvi dizer à minha volta - que bonito mesmo é envelhecer com dignidade e placidamente (como as muito pobres ou muito ricas, complemento), aceitando suas rugas - que são o roteiro de sua vida, seu sofrimento, suas conquistas. Tudo muito lindo de se dizer, até que você vai dar boa-noite para a filha, na cama, e ela passa a mão no seu rosto abaixado - disfarçando, com um carinho, uma "ajeitada" para a mãe parecer menos velha.

Não é mole não. Lembro bem da minha mãe olhando para suas mãos, aos 36 anos, e comentando "já estou ficando com mãos de velha". Com 40, as minhas também já são. Nem vou falar de cremes e tratamentos, se são válidos ou melhoram a aparência. E esse sentimento tem a ver com aparência, sim, claro! Ninguém tem de si a auto-imagem de uma velhinha fofa. Não se trata de permanecer linda ou não (haha). Nem de querer ter um Retrato de Dorian Gray no armário. O duro é você sentir que seu corpo está começando a morrer. Neurônios, músculos, ossos, cartilagens, todos estão se dando bem com a velhice e se aposentando. E eu não consigo somente me adaptar: não me conformo.

Juventude é uma coisa boa demais. Por mais tola que eu tenha sido, por mais vexames que tenha dado, por mais ignorância ou tudo de ruim que tenha havido na imaturidade, não posso deixar de suspirar: como era bom ter todo o futuro pela frente. Não gosto de viver do passado e não me conformo que meu futuro seja virar uma senhora jeitosinha. E olha que curti bem a tal juventude, apesar de ter trabalhado muito e ter tido sempre pouco dinheiro e pouco tempo pra diversão. Mas não se trata de diversão, também. É um estado de alma que a gente perde. Conhecimento, ceticismo, esperteza, bom senso, noção das coisas da vida, isso tudo é muito bem-vindo. Mas o frescor, ah que saudade do frescor, do se jogar de cabeça, da dedicação às causas, das surpresas.

Mas não, eu não trocaria quem sou hoje, pela Cristina que já fui. Meus amores atuais são mais fortes que meu amor-próprio.


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Day 30: A book you haven’t read yet but want to

São tantos, demais. Muitos livros que ainda faço questão de ler eu nem conhecia e foram indicados pelos tantos blogs que estão fazendo este meme - que começou pelo Breviário das Horas, que o pegou de um blog fechado, daí foi pra Estrada Anil, Eu Sou a Graúna, pro Blog da Zel, As Agruras e as Delícias de Ser, Do You Do The Fandango? e Fina Flor, entre os listados no blogroll e os que acabo e conhecer: Pimenta com Limão, Mulher Alternativa, Nem Tão Óbvio Assim, Mayroses, Romanceando, O Palco e o Mundo e Chopinho Feminino. E depois falam que esse pessoal fissurado em internet não lê.

Neste último item -  infelizmente pra mim, porque foi um mês muito divertido, e pra você leitor, porque volto aos mimimis de sempre - vou citar dois livros que ainda não li mas quero: Hamlet, do bardo Shakespeare, e Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. A ausência de ambos é inadmissível e pretendo corrigir esse erro o mais rápido possível, ainda neste ano.

Muitos livros maravilhosos ficaram pra trás por não caberem em todos os critérios do meme. Destes, vou comentando aos poucos aqui. Essa brincadeira foi um prazer.



terça-feira, 20 de setembro de 2011

Day 29: A book someone read to you



O meme é legal mas a gente tem que rebolar pra não encher de livros infantis, não é? Pois vou mais uma vez dar uma trapaceada e, em vez de citar algum conto de fadas lido por minha mãe, escolho destacar aqui o emocionante Os Devaneios do Caminhante Solitário, de Jean-Jacques Rousseau. Não o li - mesmo porque não sou afeita a Filosofia - mas tive o prazer de ouvir trechos e de ter verdadeiras aulas sobre a vida deste que foi um dos pensadores mais importantes, polêmicos, divertidos e interessantes da História da Filosofia. Explico para quem caiu aqui de pára-quedas: o professor de Filosofia com quem tenho o prazer de conviver há 20 anos é um rousseauísta ferrenho e baseou no pensador francês seu mestrado - além de a ele ter se dedicado em boa parte da faculdade, com trabalhos e monografia para os quais fui convidada a colaborar como uma secretária datilógrafa remunerada, digamos, em espécie.
Então li por tabela esta autobiografia absolutamente sincera, considerada o primeiro livro romântico do século XVIII, e que ainda por cima tem dos mais lindos títulos e primeiros parágrafos da literatura universal. Confira.

 Eis-me, portanto, sozinho na terra, tendo apenas a mim mesmo como irmão, próximo, amigo, companhia. O mais sociável eo mais afetuoso dos humanos dela foi proscrito por um acordo unânime. Procuraram nos refinamentos de seu ódio que tormento poderia ser mais cruel para a minha alma sensível e quebraram violentamente todos os elos que me ligavam a eles. Teria amado os homens a despeito deles próprios. Cessando de sê-lo, não puderam senão furtar-se ao meu afeto. Ei-los, portanto, estranhos, desconhecidos, inexistentes enfim para mim, visto que o quiseram. Mas eu, afastado deles e de tudo, que sou eu mesmo? Eis o que me falta procurar. Infelizmente, essa procura deve ser precedida por um exame da minha situação. É uma ideia por que devo necessariamente passar para chegar deles a mim.


domingo, 18 de setembro de 2011

Day 27: Favorite love story


O fato é que não leio muitas histórias de amor. Incrível, me dei conta agora. Ainda não li Romeu e Julieta, por exemplo. Poderia citar Mr. Darcy, aquele lindo, e Elizabeth Benneth, mas me dei conta que também não li Orgulho e Preconceito, de Jane Austen - e confesso que confundo com Razão e Sensibilidade, este sim devidamente apreciado. Então vamos sair da Inglaterra e apelar para um amor tão profundo, romântico e poético quanto: O Chão que Ela Pisa, de Salman Rushdie - e só hoje, googleando para encontrar detalhes sobre o livro fiquei sabendo que há duas músicas, uma do U2 e outra da tal CPM22 com esse título, homenageando a obra. Não sei da qualidade delas, mas faz todo sentido. A história recria - outra informação da qual eu não tinha me dado conta - o mito de Orfeu e Eurídice, contando a história de um homem e uma mulher, Ormus e Vina, que nasceram para a música e um para o outro.
Na década de 50, Ormus, indiano de família rica, torna-se um astro da música popular, um John Lennon oriental. Vina, a única mulher de sua vida amorosa e sexual, trilha um caminho semelhante: pobre, criada nos Estados Unidos, torna-se uma estrela internacional da cultura pop, um objeto de desejo dos homens. Rai, fotojornalista, amigo de Ormus, mergulha em guerras e revoluções pelo mundo afora e também é apaixonado por Vina. Ao narrar a história desse triângulo amoroso, Rushdie cria uma versão complexa do mito grego de Orfeu e Eurídice, em que o homem apaixonado desce aos infernos para recuperar a mulher amada. E, superando a divisão entre Oriente e Ocidente, projeta o mundo contemporâneo como um lugar onde descer aos infernos talvez seja o único modo de encontrar sentido para a vida.

A leitura de O Chão que Ela Pisa me prendeu e apaixonou também pela apresentação que faz da Índia - ritos, história, religião e, principalmente, da sua linguagem, misturando dialetos ao inglês e formando, quase em tempo real, uma nova língua, global. Aliás, vi críticas chamando esse livro de "global" - além de genial e obra-prima.