quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

E agora só dá carnaval

A frustração é tanta que eu vou ficar só no mesmo assunto a partir de agora.
Redação: meu carnaval.
Lembro até hoje do meu pior* carnaval. Eu me vesti de Bruxa. A fantasia foi minha primeira e última incursão no mundo da costura. Fiz, com a ajuda da tia, um vestido preto de um tecido bem vagabundo. Ficou muito careta e momentos antes de sair pro Baile, decidi rasgar embaixo pra ficar despontado. Só que rasguei demais, ficou curtésimo.
Cheguei no Baile, eu e minhas primas, que estavam de fantasias bem melhores e profissionais. Dou de cara, na porta, ao entregar a entrada, com um bêbado.
Ele me olhou e cantou, aos gritos, com um bafão bem babado:
- FEITICEEEEEIRA!
E passou os 4 dias de Carnaval atrás de mim, cantando Feiticeira, música do mesmo cara do Fuscão Preto. Mesmo nos dias seguintes em que eu fui sem fantasia.
O pior é que a prima da minha prima, que é uma pessoa que ri muito mas não tem muita imaginação, apontava o dedo pra minha cara e também cantava FEITICEEEEIRA. Isso até uns seis meses depois.
* Mentira, foi bem bão.

Apelo 2

Alguém aí sabe como um pai e uma mãe já véios e cansados de guerra podem entreter uma criança hiperativa e mandona num feriado prolongado de carnaval - e sem contar com filhos de vizinhos, nem de amigos, nem as avós ou primos?

(Bruxinha indo pra escola)

Apelo

Algum ex-empregador meu tem aí sobrando um currículo de Tina Lopes antigo? Porque eu realmente não tenho memória pra fazer outro. E nem tudo consta na carteira de trabalho, obviamã.

Plis. Só falta isso pra matrícula da pós. E eu acabo de chegar do cartório, porque as cópias de diploma e histórico tinham que ser autenticadas. Pfff.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Kinder Ovo

Acabo de voltar do Dr. B.
Batemos o papo de sempre etc e tal mas na hora em que abro a boca...
- Ah, essa é minha paciente Kinder Ovo.
Cada consulta, uma surpresa.
Eu ia fazer uma moldagem, saí de lá com uma cirurgiazinha básica.
Minha gengiva cresce, não tem muita explicação. Daí tem que cortar.
Ele corta com o bisturi elétrico, everybody knows, tipo churrasquinho.
Pelo menos, ele vai me emprestar a primeira temporada de House.

Sim, Dr. B. também é cultura.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Madame em crise

Cheguei ontem no estacionamento, debaixo de chuva, e o manobrista vem com um bilhetinho. "Ó presente pra você", e aponta pro chefe dele, que está lá dentro, no escritório quentinho. "Cara Cristina, como todo ano, vamos reajustar o valor mensal do estacionamento a partir de 1º de março. Informo que neste ano o valor reajustado será de R$ 150,00".
Cento-e-cinquenta-reais! Eram R$ 110! Olhei pra dentro, dei tchauzinho e gritei "eita, tomara que eu também tenha aumento de 40%".
Hoje fui atrás de estacionamento. Na verdade, só tem um na mesma rua, que está sendo ampliado. O meu cabeleireiro (afe, chique), que acaba de abrir um salão bem na frente do prédio onde trabalho, se ofereceu há meses pra arranjar uma vaga ali do lado, porque é amigo do dono. Então fui lá.
Primeiro, cheguei, dei beijinho nas meninas, dei parabéns pelo salão, que está novinho em folha, beijinho no cabeleireiro e marquei um horário pra semana que vem. Cortar e fazer luzes. Ok.
Depois, maquiavelicamente, comentei que estava chateada porque o estacionamento aumentou, vou ter que economizar e tals.
O cabeleireiro imediatamente me indicou em qual andar e com quem eu deveria falar - o dono do estacionamento ao lado. Beleza, fui lá. O cara me deixou esperando bastante. E eu lá pra dar carteirada - sou amiga do seu amigo...
Bem. Ele anotou meu nome, telefone, e garantiu que terei vaga a partir de abril, porque por enquanto não tem onde colocar mais carros. Legal.
Ah, sim, e cobra quanto por mês?, já ia esquecendo de perguntar.
R$ 150.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Ódio

Você exagerou nos carboidratos no final de semana, quer dar uma limpada no organismo durante a semana, começa já com aula de spinning da-que-las e, por falta de tempo, pede um sanduíche natural pra entrega no escri.

Daí o sanduba chega com maionese. Me diz o que adianta ter opções pra marcar xizinho e montar o sanduíche a teu gosto, se erram logo na maionese? Detesto maionese! Eu não como maionese! Quer dizer, agora comi, que já tava tremendo.

Era pra ter só alface, rúcula, tomates frescos (nunca secos, eca*) peito de peru, pão integral, queijo minas. Regimístico. Veio com maionese, virou engordante. Saco.


* Tomate seco e catupiry. Quando é que vai passar essa moda, gente?

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Papo na sala, eu no escri

Nina e o pai no sofá.
- Eu sou de osso, carne e dentinhos, diz ela.
Risos. Mas professor de Filosofia não se contém.
- Mas você também é feita de alma, diz ele.
- Alma?
- Sabe o que é alma?
Ela pensa.
- Ah, eu sei! É uma sombra que vive dentro da gente.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Slow post

Tive uma reunião com colegas do interior, coisa de dez pessoas. Ao final, como sempre, fomos almoçar junto e depois cada um pegaria seu vôo ou iria para a estrada. Lembrei que o restaurante em que normalmente vamos, na esquina do prédio onde trabalho, tem atendimento muito lento. Pedi pro meu chefe, que conhece tudo que é restaurante e lugarzinho interessante da cidade, que recomendasse outro. Ele foi rápido – tem um ali na esquina que é o melhor dos italianos, disse. Bem perto, beleza. Eu nem tinha ouvido falar, é um restaurante simpático e meio escondido. A secretária reservou os onze lugares e já fomos. Chegamos lá, o dono, um italiano, estava esbaforido. E o restaurante, vazio. Bem bonitinho e convidativo, mas vazio. Me apresentei e o italiano veio logo informando: tenham paciência que nossa comida aqui não é fast food, disse. “É slow food”. Eu ri, ingênua. Mas estava escrito no cardápio: Restaurante Bliblibli, Slow Food. Ai, ai. Pra não fazer um slow post, conto logo. Uma hora e meia depois, chegam os pratos. Bem, ninguém perdeu avião – teve gente que saiu correndo, mas ainda deu tempo. E eu pensei numa logomarca pro restaurante, se fosse meu. Seria um escargot tocando um berimbau. E o slogan: VERY, VERY SLOW FOOD. E olha que não era grande coisa. Só a conta.

****


Outra da reunião. Antes de conversar, aguardando um participante que atrasou, conversávamos sobre as reuniões anteriores, em outras cidades, com colegas antigos e blabla. Do nada, uma das colegas disparou:
- Eu achava a Cristina NOJEEEEENTA!
Quase caí da cadeira. Mas ela esclareceu:
- Aí ela foi nos visitar na empresa, nos conhecemos melhor e agora não acho mais.
Ah, bom. Só que essa visita foi feita há uns 3 meses, no máximo. E somos "colegas" há quase 4 anos.


Tchã.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Radicais à solta

Fui numa dermatologista daquelas, com todo tipo de tratamento pra todo tipo de problema de pele. Só me deu boas notícias: a mancha vermelha que estava me preocupando não é nada - meu organismo adora me pintar de vermelho, é uma coisa vascular e tals - e a decadência pré-40 pode ser amenizada. Claro que a custo de ouro.

Isso tudo me lembrou de quando morava em Ribeirão Preto, sem dinheiro nem pra protetor solar - e aquela terra tem um sol de lascar que me manchou o rosto pra sempre.
Logo que entrei num plano de saúde, fui num dermatologista.
Médico e professor. Acho que da USP de Ribeirão. Um velhão meio cara amarrada. A sala de espera era cheia de fotos tipo Sebastião Salgado. Aquele povo feio, judiado, sabe como é (eu adoro, então não me xingue).

Já no começo da consulta falo das fotos (eu fazia um curso de fotografia) e descubro que o médico atende os bóias-frias da região, que trabalham com cana, e o pessoal do MST.
Tudo com esquema com a universidade, bonito, de voluntariado e conscientização e blabla.
E Cristina, a Fútil, decide fazer piadinha.
- Ué, mas o senhor deveria ser contra radicais livres!

Juro que demorou pra me darem outro olhar frio de desprezo como o dele.

O horror


Estava eu botando em dia o clipping - leitura atrasada de jornais desde dezembro (!), basicamente um serviço de preso do cão - e, claro, me deprimindo com a sucessão de notícias horríveis, lamentáveis, daquelas que nos faz desacreditar (confirmar o descrédito, no meu caso) na humanidade; quando leio a notícia definitiva, a pior de todas, aquela que não vai me deixar dormir e na qual não consigo parar de pensar.
Uma vez li um monge tibetano numa revista falando que o cérebro é como um bando desembestado de cavalos, que ninguém controla (ou é quase impossível, já que ele tratava de meditação). É isso mesmo. Eu tento não pensar, tento não lembrar, mas não consigo. E o monge dava um exemplo: - conte até dez sem pensar num coelho, ordenava. Tente, agora.



Vou ter que sair da dieta, beber algum vinho, brincar de corrida de princesas com a Nina e assistir House pra tirar aquela notícia hedionda da cabeça.
Ok, me odeiem, raros leitores, não vou contar.