Primeiro dia de aula na faculdade, turma de 60 alunos. O professor manda todos se apresentarem, um por um. Lá pelas tantas levanta um alemãozão, cabelos finos e dourados, rosto de anjo barroco, olhos azuis, bochechas rosadas. Vai ao quadro-negro (ninguém tinha feito isso) e escreve, enquanto explica:
- Meu nome é Fulano de Tal, mas eu não uso esse nome. Podem me chamar a partir de agora de Jorai Schmidt.
E ainda complementa:
- E eu sou a Consciência Cósmica.
A turma, quieta. No quadro ficou o registro: Jorai Schmidt, a Consciência Cósmica.
Que me lembre, nem os professores o chamavam pelo nome, a não ser na hora da chamada.
Jorai foi morar na Alemanha e não mais ouvi falar dele. Não cheguei a ser uma amiga, porque convenhamos, eu era uma pessoa bem desinteressante e nem sempre convidada pras melhores festas.
Interessante é que o Jorai não agia como a Consciência Cósmica, ou com o que uma Consciência Cósmica poderia ser. Ele se divertia e ridicularizava tudo (escrevo no passado porque estou contando do passado, ele deve estar muito bem e vivo por aí, pelo mundo) e todos, sem se prender a status, beleza (no caso das gatinhas da cu-municação), cargos (professores e diretores). E todo mundo adorava o Jorai.
Bem, se ele passar por aqui, oi.
Update - Googleando, tudo se acha. O Jorai
tá aqui.