Meu plano B é ter um restaurante de sopas e panquecas. Viveria disso numa boa. Claro, com boa grana pra capital de giro. Instalada num local bacana. Com funcionários pra servir. Depois de ter feito um curso para restaurantes, porque o número máximo de pessoas pra quem cozinhei até hoje foi meia dúzia.
Até já tenho o rascunho do cardápio, bem enxuto e com bela carta de vinhos:
- Sopa de mandioca com carne e verduras
- Sopa de abóbora com carne seca, apimentada
- Caldo verde
- Sopa de batata com frango desfiado
- Canja Especial da Tina (sem nojeiras tipo couro de frango ou asa)
- Panquecas: à bolonhesa, com ricota e espinafre, de carne seca e frango com champignon.
Acompanhamento: pãozinho francês mini, pão italiano, manteiga e só.
Pra beber, água e/ou vinho.
Sobremesa: algo com chocolate amargo
Cafezinho (bom) de cortesia
Ambiente: mesas pequenas, leve penumbra
Música: nem tão alta que atrapalhe, nem tão baixa que dê pra ouvir quem chupa a sopa.
É isso. Igual a todos os lugares. Mas com as MINHAS sopas.
terça-feira, 19 de maio de 2009
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Corra Tina Corra

Hoje tem Lost às 21h. E a Nina quer que eu faça roupas pra boneca de papel* dela, depois da escola. Isso significa pegá-la na escola às 18h30, se o trânsito estiver decente; chegar em casa às 18h45. Dar banho com plus de lavar os cabelos, vai uma meia hora - pijamas e cachinhos desembaraçados, já incluídos. Fazer sopa e dar sopa, uns 40 minutos. Que horas são já? 20h10. Então me sobram uns 50 minutos pra desenhar roupinhas. Ela vai pintar. Acho que dá.
*Que por acaso é a Cinderela: princess-addicted
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Um caso triste
Tem a ver com o que a Nina disse no post abaixo - pessoas más têm filhos. O inverso também acontece. Tem um casal aí que conhecemos. Pessoas, honestas, interessantes, divertidas, bem-resolvidas etc. São também classe média alta (diria até classe AAA). O cara é o último de sua família. Não tem mais pais, tios, primos, nada que possa chamar de "próprio sangue". Daí que eles não podem ter filhos. Não sei quais são os impedimentos físico-biológicos, não vem ao caso e não temos intimidade pra perguntar. Daí o que se faz? Adota-se.
Então, uns dias atrás o cara ligou feliz contando que tinha sido chamado para adotar uma criança recém-nascida. Eles nem têm essa exigência, de ser recém-nascido, acho que botaram um limite de idade pra adoção tipo de "até" 3 ou 5 anos, não sei. Enfim. Não vou fazer o papelão de um jornal daqui que fez uma matéria de dedos em riste às preferências dos casais que adotam - bem, pelo menos eles adotam, né?
Isso é outro papo.
Mas o caso é que foram chamados; a criança, com um dia de vida, lhes foi entregue. Viajaram (o processo correu em outro estado), adotaram, assinaram papelada, deram nome pra criança, choraram, se emocionaram, fizeram planos, incluíram o bebê em seus planos futuros.
A mulher que passou a se considerar mãe, vou te contar, é daquelas que se emocionam com fotos de crianças dos outros em celular. Daquelas que gostam de ouvir histórias sobre filhos. É uma mãe nata, a quem só faltava um bebê.
Daí que dois dias atrás a tia-avó real da criança exigiu que ela fosse devolvida. Porque a mãe não teria avisado a família que estava grávida, nem que iria encaminhar pra adoção e tals, e agora a família quer a criança e pronto.
O que aconteceu? Tiveram que devolver o bebê.
Não é um horror? E pior, um horror desnecessário. E culpa de quem? me desculpem agora, mas a culpa é DO ESTADO. Pra mim, faltou seriedade no processo. Pô, o casal não exige recém-nascido, mas se você entrega um recém-nascido, eles vão adorar, claro. Certamente há outras centenas, pelo menos, de crianças de até 3 ou 5 anos sofrendo nessa fila. Pra essas, o processo é enrolado. Não entendo.
E tem outra coisa. A família da mãe está certíssima. Como assim pegam um bebê de um dia e já entregam? A mãe tem direito a se arrepender. Devia existir uma "quarentena" para que caia a ficha da pessoa; que a família seja informada, se planeje. A entrega pode ser um ato de desespero. Sem contar a depressão pós-parto. Não é porque é pobre que vai ser sempre ótimo lindo maravilhoso entregar o filho prum casal rico. Imagina se uma irmã desmiolada - uma espécie de Juno *, só que real - fica grávida e decide dar o filho. Pô, meu sobrinho por aí, na mão de quem eu não conheço? Eu mesma me ofereceria pra criar. Sério.
Culpa do ESTADO por não oferecer segurança pra nenhum dos lados dessa história. Por ter uma equipe incompetente pra tratar do processo de adoção. Por fazer uma lambança dessas com a vida dos outros. E nisso tudo pode ter traumatizado um casal bacana, que pode até não querer mais adotar. Porque convenhamos, que sofrimento.
*Acho Juno uma bosta de filme anti-aborto. A melhor crítica é da Lola.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Enquanto isso
Almocei no vegetariano e comi soja, pensando que era feijão.
Aliás, uma das coisas mais gostosas que comi ultimamente (foi um almoço chique no começo do ano) foi um bolinho de bacalhau ao pesto de feijão. O bolinho era uma nuvem de tão macio e leve, e o pesto era saborosíssimo. Por mim o almoço ficava só nisso.
Por falar em comida, eu e a Nina estávamos ontem na fila pra pesar frutas e verduras no mercado, ela empoleirada no carrinho, olhando muito atentamente pra um casal com um bebezinho bem novo, tipo um mês. Olha, olha, olha, e finalmente me pergunta (bem alto):
- Mamãe, né que gente má também tem filhos?
Aliás, uma das coisas mais gostosas que comi ultimamente (foi um almoço chique no começo do ano) foi um bolinho de bacalhau ao pesto de feijão. O bolinho era uma nuvem de tão macio e leve, e o pesto era saborosíssimo. Por mim o almoço ficava só nisso.
Por falar em comida, eu e a Nina estávamos ontem na fila pra pesar frutas e verduras no mercado, ela empoleirada no carrinho, olhando muito atentamente pra um casal com um bebezinho bem novo, tipo um mês. Olha, olha, olha, e finalmente me pergunta (bem alto):
- Mamãe, né que gente má também tem filhos?
quarta-feira, 13 de maio de 2009
É pra engrossar? Conte comigo.
Hoje tive uma reunião horrível.
Não foi surpresa o tanto de chato que foi. Mas eu também não esperava ser tratada feito jacu.
Cheguei lá e o senhor que ia me apresentar um projeto (para o qual ele precisa da minha ajuda), jogou 4 folhas de papel na minha direção - mal tendo dito bom dia - e ordenou: "leia isso em voz alta que eu vou te explicando o que eu quero".
Sangue ferve? Ferve.
"O que é isso? Quatro páginas? Eu não vou ficar aqui lendo isso. O senhor me explique", respondi.
"Leia em voz alta você vai poder entender", disse o homem.
"O senhor me explicando, eu vou entender. Pode resumir. Não tenho tanto tempo", rebati, agora olhando pro relógio.
E aí, estão orgulhosos de mim? Eu não. Perdi duas horas e meia DE VIDA. E o táxi ainda demorou, pra eu vir embora. Já disse pro meu chefe (fui no lugar dele) que tá me devendo, que isso não se faz.
Pelo menos não atrasei pro spinning.
Arre
Um playboyzinho multado 30 vezes nos últimos seis anos acumula 130 pontos na carteira de motorista. Do total, 23 multas foram por excesso de velocidade. Uma noite ele bebe e mata dois.
É deputado.
No meu planeta é quebra de decoro parlamentar, sim. Com direito a cassação.
Quem não é aqui das Alagoas do Sul, como diria o Ivan, não imagina o agito em torno dessa tragédia.
Vamos aguardar.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Prefira a fruta em pedaços
Só com meia dúzia de cenouras pra fazer tudo isso de sucoContei da consulta com a nutricionista, umas três semanas atrás. O suco com couve, a retirada de derivados do leite da minha rotina alimentar etc., tá tudo indo ok. Mas o suco deu, literalmente, pano pra manga.
Meu liquidificador velho estava vazando e cada vez que fazia o suco, tinha medo de levar um choque. No mercadão perto de casa, comprei um liquidificador novo. Bonitão, preto, e com potência quase igual à daqueles juicers. Ao tirar o aparelho da caixa, a surpresa: o copo é daqueles de montar. Pô, no meu planeta, copo de liquidificador não tem borrachinha, parafuseta nem nada. Tem que ser liso, autolimpante, só de encaixar. Ok, mea culpa. Prestei pouca atenção ao comprar, então bem feito.
Só que o novo vazava mais que o velho. Não por dentro das engrenagens, claro – porque o velho foi derrubado de uma prateleira a dois metros de altura e está todo desarranjado, se agüenta só com aqueles durex bem grossos – mas vazava e deixava aquele caldinho nojento nas juntas. Eca. Fiz uns 4 ou 5 sucos desintoxicantes (meia maçã, um copão d’água, adoçante e gelinho de couve*), não tinha jeito de ajeitar o copo.
Era o argumento que eu precisava. Bem no dia em que acabava a garantia do mercado, lá foi a família Lopes trocar o liquidificador por outro. Mas daí eu tava revoltada. Chutei o balde. Falei, se é pra fazer suco, então vamos fazer direito. E por R$ 50 a mais, comprei um aparelho Super-Mega-Plus-Juicer Tabajara (mesmo porque os outros liquidificadores tinham copos iguais – o que aconteceu com o conceito autolimpante?). Outra desculpa pra compra fora dos planos: fazer sucos naturais pra Nina, que só toma suco de caixinha e água**.
Resultado. Muita, mas muita irritação. Quase quebro outro dente de nervoso. O troço tem quatro peças com o pior design EVER e que invariavelmente te machucam a mão pra lavar. E o manual avisa: lave as peças logo após fazer o suco, porque depois que os restos de fruta secam fica ainda mais difícil. Quer dizer, você nem tem tempo pra curtir o suquinho, relaxar.
Quanto aos sucos, ficam bons, sim. O negócio espreme até acasca da manga, por exemplo, que é a fruta preferida da Nina. Porém eu acho que a fruta acaba sendo desperdiçada, ao contrário do que a propaganda destes aparelhos informa. Faz um ZUM e a manga toda é jogada pro lado. Toda a fibra vai pro lixo. Pra fazer um copo de suco de manga vai uma manga e meia.
E pra coroar: não consegui até hoje fazer um suco que a Nina goste. Como o que sai é uma papa, tem que usar água pra deixar mais palatável e, ora, pra render. Então ou fica grosso demais, ou ralo demais, ou doce demais se completo com açúcar, ou ou ou. Quem acaba tomando sou eu e convenhamos que é uma palhaçada a mãe tomar suco natural e a filha, de caixinha. Por isso mesmo não compro mais suco de caixinha. E a Nina, quando me vê pegar o trambolho pra tentar mais uma vez, já vem avisando: EU SÓ QUERO ÁGUA!!!!
Meu liquidificador velho estava vazando e cada vez que fazia o suco, tinha medo de levar um choque. No mercadão perto de casa, comprei um liquidificador novo. Bonitão, preto, e com potência quase igual à daqueles juicers. Ao tirar o aparelho da caixa, a surpresa: o copo é daqueles de montar. Pô, no meu planeta, copo de liquidificador não tem borrachinha, parafuseta nem nada. Tem que ser liso, autolimpante, só de encaixar. Ok, mea culpa. Prestei pouca atenção ao comprar, então bem feito.
Só que o novo vazava mais que o velho. Não por dentro das engrenagens, claro – porque o velho foi derrubado de uma prateleira a dois metros de altura e está todo desarranjado, se agüenta só com aqueles durex bem grossos – mas vazava e deixava aquele caldinho nojento nas juntas. Eca. Fiz uns 4 ou 5 sucos desintoxicantes (meia maçã, um copão d’água, adoçante e gelinho de couve*), não tinha jeito de ajeitar o copo.
Era o argumento que eu precisava. Bem no dia em que acabava a garantia do mercado, lá foi a família Lopes trocar o liquidificador por outro. Mas daí eu tava revoltada. Chutei o balde. Falei, se é pra fazer suco, então vamos fazer direito. E por R$ 50 a mais, comprei um aparelho Super-Mega-Plus-Juicer Tabajara (mesmo porque os outros liquidificadores tinham copos iguais – o que aconteceu com o conceito autolimpante?). Outra desculpa pra compra fora dos planos: fazer sucos naturais pra Nina, que só toma suco de caixinha e água**.
Resultado. Muita, mas muita irritação. Quase quebro outro dente de nervoso. O troço tem quatro peças com o pior design EVER e que invariavelmente te machucam a mão pra lavar. E o manual avisa: lave as peças logo após fazer o suco, porque depois que os restos de fruta secam fica ainda mais difícil. Quer dizer, você nem tem tempo pra curtir o suquinho, relaxar.
Quanto aos sucos, ficam bons, sim. O negócio espreme até acasca da manga, por exemplo, que é a fruta preferida da Nina. Porém eu acho que a fruta acaba sendo desperdiçada, ao contrário do que a propaganda destes aparelhos informa. Faz um ZUM e a manga toda é jogada pro lado. Toda a fibra vai pro lixo. Pra fazer um copo de suco de manga vai uma manga e meia.
E pra coroar: não consegui até hoje fazer um suco que a Nina goste. Como o que sai é uma papa, tem que usar água pra deixar mais palatável e, ora, pra render. Então ou fica grosso demais, ou ralo demais, ou doce demais se completo com açúcar, ou ou ou. Quem acaba tomando sou eu e convenhamos que é uma palhaçada a mãe tomar suco natural e a filha, de caixinha. Por isso mesmo não compro mais suco de caixinha. E a Nina, quando me vê pegar o trambolho pra tentar mais uma vez, já vem avisando: EU SÓ QUERO ÁGUA!!!!
Diversão garantida e cutículas destruídas. * Bato couve no liquidificador (velho) com um pouco de água e um pedacinho de gengibre; não côo, ponho em formas de gelo e a cada vez que vou fazer suco, a parte da couve já está pronta.
** Nina se recusa a beber refrigerante, água com sabor ou qualquer coisa que contenha gás. Também não toma sucos de pó. Nem chá – reza a lenda que às vezes, na escola, dá uns golinhos.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Aguenta que lá vem homenagem ou: meu coração peludo
Como é de praxe, vou contar da festa da escola em homenagem às mães.
Nota para o futuro: chegar meia hora atrasada. Assim eu perco a parte da micagem. As mães todas tiveram que fazer uma roda e cantar, dançar e sacudir TRÊS músicas. Eu naquele mau humor, de cara feia. “Todas sacudindo!!!” e eu ergo o braço. “Abraça a mãe do lado!!” e eu: “oi”. Acho que perceberam minha natureza misantropa.
Até pensei em adiantar a Nina duma vez, mandar pro 1º ano em 2010. Mas olhando em volta, vi que só eu e mais uma mãe estávamos achando aquilo uó. No geral, por incrível que pareça, mesmo sendo a maioria de curitibanos, o povo gosta dessa tal interação.
Daí fomos levadas pro local da apresentação, todas sentadinhas, câmeras nas mãos e tals, vem a diretora e lê uma homenagem às mães. Daquelas bem longas. Dizendo o quanto é difícil ser mãe e trabalhar ao mesmo tempo, não ver os filhos durante o dia, ter que deixar com estranhos, levar no pronto-socorro de madrugada, fazer comida, e ao mesmo tempo ser profissional... #gorfo, enfim. E a mulherada ao meu lado tudo chorando. Balançando as cabecinhas, concordando.
Bem, uns 40 minutos depois, finalmente, a apresentação. A Nina de cabelo preso com trancinhas: odeio quando prendem o cabelo dela. Bem, ela fica lindinha, mas eu quero que ela goste dos próprios cachos e como, se as tias fazem questão de tentar domá-los? O pior é que botam aquele gel New Wave, maldita invenção dos anos 80, cheio de purpurina. Vai lavar isso depois pra ver que dureza – acho que é vingança das professoras. O ninho de coruja fica dois dias brilhando.
A música da apresentação eu já contei, é aquela aberração de “quando Deus te desenhou ele tava namorando na beira do mar”. Deus estava namorando. Na beira do mar. Então Deus primeiro criou o mar, depois uma parceira (o) pra namorar, e finalmente resolveu criar a musa do Armandinho. Ok.
As crianças entraram, de uniforme e de mãozinhas dadas, aos pares. O par da Nina, tadinho, em estado de choque. Tem criança que não leva jeito, não adianta, não gosta desse tipo de circo. Eu era assim. Quase morri quando fui uma interjeição na peça “Emília no País da Gramática”. Correndo e gritando “eia” (trauma).
Ops, voltando pra Nina. Ela dançou e cantou como pôde, chacoalhando o menino. A música realmente é comprida e as crianças foram perdendo o ânimo lá pelo meio. Faziam uns gestos de por a mãozinha no coração, desenhar um coração no ar e outras variações, digamos, cardíacas.
Acabando a música, as crianças tinham que entregar um coração (!) de papel pra cada mãe e voltar pra seus lugares, esperando a outra turminha. E eu achando que seria uma só. Que nada. Bem, obviamente nem prestei atenção na segunda apresentação. Eu não sou tão chegada em criança, gosto da minha e mais uma meia dúzia e olhe lá. Assim, em bando, é tudo igual.
Depois que acabou a tortura – esses eram maiores e tinham um chapéu de papelão na cabeça, tcharans, em forma de coração – as crianças podiam pegar o presente das mães e correr pro abraço. O que a Nina, a neurotiquinha, faz? Fica do lado da tia/profe esperando a poeira baixar. É muito superior, Ninotchka Fedorovna, pra se enfiar no meio da turba, gritando “mamãe te amo”, como as outras coleguinhas. Depois que estava todo mundo saindo ela veio. “Oi, mãe. Me espere que vou brincar com as amigas”. Largou o presente comigo e saiu correndo. À homenageada só restou obedecer e tirar umas fotinhas.
Ah. O presente não era um porta-retrato, era um caderno de receitas com a tal foto das duas colada na primeira página. E uma receita de bolo de banana. Amanhã faço um pideite e coloco as fotos aqui.
Nota para o futuro: chegar meia hora atrasada. Assim eu perco a parte da micagem. As mães todas tiveram que fazer uma roda e cantar, dançar e sacudir TRÊS músicas. Eu naquele mau humor, de cara feia. “Todas sacudindo!!!” e eu ergo o braço. “Abraça a mãe do lado!!” e eu: “oi”. Acho que perceberam minha natureza misantropa.
Até pensei em adiantar a Nina duma vez, mandar pro 1º ano em 2010. Mas olhando em volta, vi que só eu e mais uma mãe estávamos achando aquilo uó. No geral, por incrível que pareça, mesmo sendo a maioria de curitibanos, o povo gosta dessa tal interação.
Daí fomos levadas pro local da apresentação, todas sentadinhas, câmeras nas mãos e tals, vem a diretora e lê uma homenagem às mães. Daquelas bem longas. Dizendo o quanto é difícil ser mãe e trabalhar ao mesmo tempo, não ver os filhos durante o dia, ter que deixar com estranhos, levar no pronto-socorro de madrugada, fazer comida, e ao mesmo tempo ser profissional... #gorfo, enfim. E a mulherada ao meu lado tudo chorando. Balançando as cabecinhas, concordando.
Bem, uns 40 minutos depois, finalmente, a apresentação. A Nina de cabelo preso com trancinhas: odeio quando prendem o cabelo dela. Bem, ela fica lindinha, mas eu quero que ela goste dos próprios cachos e como, se as tias fazem questão de tentar domá-los? O pior é que botam aquele gel New Wave, maldita invenção dos anos 80, cheio de purpurina. Vai lavar isso depois pra ver que dureza – acho que é vingança das professoras. O ninho de coruja fica dois dias brilhando.
A música da apresentação eu já contei, é aquela aberração de “quando Deus te desenhou ele tava namorando na beira do mar”. Deus estava namorando. Na beira do mar. Então Deus primeiro criou o mar, depois uma parceira (o) pra namorar, e finalmente resolveu criar a musa do Armandinho. Ok.
As crianças entraram, de uniforme e de mãozinhas dadas, aos pares. O par da Nina, tadinho, em estado de choque. Tem criança que não leva jeito, não adianta, não gosta desse tipo de circo. Eu era assim. Quase morri quando fui uma interjeição na peça “Emília no País da Gramática”. Correndo e gritando “eia” (trauma).
Ops, voltando pra Nina. Ela dançou e cantou como pôde, chacoalhando o menino. A música realmente é comprida e as crianças foram perdendo o ânimo lá pelo meio. Faziam uns gestos de por a mãozinha no coração, desenhar um coração no ar e outras variações, digamos, cardíacas.
Acabando a música, as crianças tinham que entregar um coração (!) de papel pra cada mãe e voltar pra seus lugares, esperando a outra turminha. E eu achando que seria uma só. Que nada. Bem, obviamente nem prestei atenção na segunda apresentação. Eu não sou tão chegada em criança, gosto da minha e mais uma meia dúzia e olhe lá. Assim, em bando, é tudo igual.
Depois que acabou a tortura – esses eram maiores e tinham um chapéu de papelão na cabeça, tcharans, em forma de coração – as crianças podiam pegar o presente das mães e correr pro abraço. O que a Nina, a neurotiquinha, faz? Fica do lado da tia/profe esperando a poeira baixar. É muito superior, Ninotchka Fedorovna, pra se enfiar no meio da turba, gritando “mamãe te amo”, como as outras coleguinhas. Depois que estava todo mundo saindo ela veio. “Oi, mãe. Me espere que vou brincar com as amigas”. Largou o presente comigo e saiu correndo. À homenageada só restou obedecer e tirar umas fotinhas.
Ah. O presente não era um porta-retrato, era um caderno de receitas com a tal foto das duas colada na primeira página. E uma receita de bolo de banana. Amanhã faço um pideite e coloco as fotos aqui.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Rapidinha antes de ser homenageada e mais uma heresia
Daqui a pouco vou sair (mais cedo) para ver a apresentação da Ninotchka de Dia das Mães. É, na quinta-feira mesmo, porque amanhã vai ser a vez do Jardim 3. Deixei-a preocupada na escola: disse que não consegue cantar toda a música. "É muito comprida pra eu saber tudo!", reclamou, e eu disse que ela não precisa ser perfeita, que só de estar lá blablabla eu vou ficar feliz. "Mas eu quero fazer tudo direito", disse. Neurotiquinha.
A música deste ano é aquela música que diz "quando Deus te desenhou, ele tava namorando na beira do mar do amor"...
(parênteses: sou eu ou acho essa frase uma coisa de doido?)
Daí que a Nina é a princesinha do virundum (no blog anterior eu contei que ela cantava "como pode o peixe frito viver fora da água fria). E começou a ensaiar, pra mim, cantando assim:
- Quando Deus se desviou, ele tava namorando...
E eu - "Não, Nina, é te desenhou, não se desviou"! Heregezinha.
Agora eu vou lá aguentar papo de mães-de-meninas-prodígio, dar uma choradinha (tem que, senão ela fica frustrada), tirar umas fotos tremidas e ganhar um porta-retrato com a minha cara bêbada.
Ah, sim, e como homenagem pouca é bobagem, depois tem que fazer mercado.
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