segunda-feira, 25 de maio de 2009

Tapa-bunda

Jane no tempo das perneiras


Quando eu tinha uns 14 anos minha mãe trabalhava à tarde e eu estudava de manhã; pra não ficar sozinha em casa a semana toda, tive que arranjar o que fazer. Daí comecei minha longa carreira de academia. Ia todo dia com minha amiga Patrícia, a pé. Olha que atravessávamos a cidade pra chegar à única academia que existia na época. E depois íamos pra aula de datilografia.
Naquele tempo, idos de 1984 (oh yeah), as pessoas – mulheres – usavam colants coloridos, meia-calça e sapatilhas pra fazer exercícios. Fossem as senhorinhas mais fofinhas às adolescentes desajeitadas, todas de colantzinho. Era engraçado e completamente inapropriado: imagina ficar pulando e fazendo exercícios de sapatilha. Não tinha sentido. Também usava-se perneiras. Elas não serviam pra nada, só pra enfeitar, e esquentavam as canelas. Éramos todas Jane-Fonda-wannabe (a trilha sonora das aulas era Queen e Tina Turner).
Passado algum tempo as freqüentadoras de academia viraram grunges. Os colants caíram em desuso e todo mundo ia de camisetão e calça legging (parece pleonasmo falar calça legging; assim como festa rave). Não fosse o suor, dava pra sair da academia pra balada - a minha era o RU ou o Bar do Cardoso.
De uns tempos pra cá, no entanto, as freqüentadoras de academia passaram a usar as roupas mais desinibidas. Tops nas barrigas de fora, peitões em evidência (silicone, claro) e calças de ginástica tão grudadas que parecem a velha meia-calça.

Tapa-bunda para moças de fino trato

E é aí que entra o propósito deste texto tão besta. Descobri na semana passada a existência do tapa-bunda, ou tapa-cu. Eu achando que as meninas eram meio friorentas, porque vão pra aula ou treino com peso usando uma blusinha amarrada na cintura. E nada, é um tapa-cu. É só um pano que não deixa aparecer o rêgo quando elas se abaixam.
Achei isso tão peculiar. Ridículo. Despropositado – afinal, já estão mostrando os peitos, a barriga, por que não a bunda? Aliás, fazendo aqueles agachamentos bem pra firmar a bunda mesmo. Talvez seja isso. Tapam antes de arredondar. Depois vão empinar e exibir.

Resuminho

Ontem tive a pior ressaca da minha vida. Quero dizer, já devo ter tido ressacas piores, mas o organismo era outro (lembro da última vez que bebi chope, há uns cinco anos, era da Kaiser e quase morri). Fiquei na cama até as 16h. Bem no domingo que tem visita do interior na casa da sogra, almoção com carneiro e crianças e primos etc. Minha mãe me representou. E a Nina, lógico. Comprovei a antiga fama de cachaceira. Nem eu acreditaria que hoje vivo de suco de couve e exercícios; minha moral já era. Culpa de um bar mexicano e da falta de noção da hora de parar com o vinho. Sim, vinho no bar mexicano. Desaprendi, não sei beber absolutamente mais nada. Fomos ao bar de táxi pra poder encher a cara, e adivinha. Os amigos que estavam bebendo junto nos trouxeram pra casa, pra uma última garrafa. O que não tem o menor sentido.
E a Nina disse que chorou escondido porque eu tava dodói. Eu podia chorar junto de culpa, mas sei que ela gosta de fazer um draminha e estava com a maior cara de safada quando contou.
Só sarei depois de dar uma volta, já quase de noite, na ciclovia. Ar fresco na cara e água de côco.
Agora de manhã um sucão desintoxicante, pão e café. Nina aqui do lado brincando de bibliotecária. Me enfiando os livros de fadas na cara enquanto digito.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A repetitiva

Mas tá bom pro final de semana rever Alemanha x Grécia. Ok, é a terceira vez que eu linko isso aqui. Ideiafix 2, a missão.


Ideiafix ou: um blog que praticamente só fala em comida

Senta que o post é longo.

Voltei ontem na nutricionista. Um mês depois, emagreci quase um quilo. Na verdade, perdi um quilo de gordura e ganhei 400 g de massa magra. E vou te contar. Sem esforço. Na verdade, até andei abusando. Não fiz regime: mudei umas comidinhas. Tive ataques de compulsão, mas em vez de bolacha Bono Chocolate, me joguei nas amêndoas. São calóricas também, pero melhores pra digestão e blabla. E gostosas.

A nutri faz um exame de bioimpedância, esse que dá o tanto de gordura, água, massa etc. do corpo; baixei um ponto percentual o meu índice de gordura. Que eu não conto qual é manemorta. Certamente foi porque eu estou dando tempo de uma hora depois dos exercícios pra comer. É duro esperar até as 14h pra almoçar – e o almoço acaba virando um lanche mais caprichado – mas tá valendo a pena. E eu detesto mesmo almoçar sozinha, então tudo bem.

A consulta é cansativa. Uma aula cheia de detalhes que reviram os nossos conhecimentos de revista Boa Forma e internet de ponta cabeça. Por exemplo: ela me manda comer abacate, à noite. E eu: “mas abacate é ultra-super-calórico!”. “Mas Cristina (modo bronca), você não vai fazer dieta calórica. O abacate tem triptofano que vai auxiliar no aumento de serotonina. E além disso o abacate ajuda a diminuir o hormônio cortisol que leva ao estresse e aumenta a gordura na região abdominal”. Ufa. Então vou comer abacate, ok, adoro. Com limãozinho e adoçante de stévia (aspartame leva à compulsão e está feio na foto em estudos sobre Alzheimer).

Como eu não presto mesmo, pra compensar o mês sem queijo e outros derivados do leite, cheguei em casa ontem e pedi uma pizza. Marguerita especial e calabresa, a única que a Nina aceita (porque tem “linguiça”). E hoje almocei duas empadas. Mas meu suquinho de couve está garantido pra noite.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

E assim nasceu o maior empreendimento gastronômico do século XXI

Suzana Elvas disse...
Então. Eu faço pão salgado e sopa; você faz sopa e panquecas; a Patrícia entra com pães doces e bolos. Quem faz o café?

***

Adendo:
A Cris (da Quitanda) faz creme de batata com bacon. E serve na mesa, com sapatinhos de laço na ponta.

***

Só precisamos decidir o nome. Ah, sim, café também fica comigo.
(tô achando que vou acabar lavando pratos)

***

Post com trilha sonora

terça-feira, 19 de maio de 2009

Plano B

Meu plano B é ter um restaurante de sopas e panquecas. Viveria disso numa boa. Claro, com boa grana pra capital de giro. Instalada num local bacana. Com funcionários pra servir. Depois de ter feito um curso para restaurantes, porque o número máximo de pessoas pra quem cozinhei até hoje foi meia dúzia.
Até já tenho o rascunho do cardápio, bem enxuto e com bela carta de vinhos:

- Sopa de mandioca com carne e verduras
- Sopa de abóbora com carne seca, apimentada
- Caldo verde
- Sopa de batata com frango desfiado
- Canja Especial da Tina (sem nojeiras tipo couro de frango ou asa)

- Panquecas: à bolonhesa, com ricota e espinafre, de carne seca e frango com champignon.

Acompanhamento: pãozinho francês mini, pão italiano, manteiga e só.
Pra beber, água e/ou vinho.
Sobremesa: algo com chocolate amargo
Cafezinho (bom) de cortesia

Ambiente: mesas pequenas, leve penumbra
Música: nem tão alta que atrapalhe, nem tão baixa que dê pra ouvir quem chupa a sopa.

É isso. Igual a todos os lugares. Mas com as MINHAS sopas.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Corra Tina Corra


Hoje tem Lost às 21h. E a Nina quer que eu faça roupas pra boneca de papel* dela, depois da escola. Isso significa pegá-la na escola às 18h30, se o trânsito estiver decente; chegar em casa às 18h45. Dar banho com plus de lavar os cabelos, vai uma meia hora - pijamas e cachinhos desembaraçados, já incluídos. Fazer sopa e dar sopa, uns 40 minutos. Que horas são já? 20h10. Então me sobram uns 50 minutos pra desenhar roupinhas. Ela vai pintar. Acho que dá.


*Que por acaso é a Cinderela: princess-addicted

Oops, i did it again

O vestido era lindo mas cansei da Tilda. Branca demais.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Um caso triste

Tem a ver com o que a Nina disse no post abaixo - pessoas más têm filhos. O inverso também acontece. Tem um casal aí que conhecemos. Pessoas, honestas, interessantes, divertidas, bem-resolvidas etc. São também classe média alta (diria até classe AAA). O cara é o último de sua família. Não tem mais pais, tios, primos, nada que possa chamar de "próprio sangue". Daí que eles não podem ter filhos. Não sei quais são os impedimentos físico-biológicos, não vem ao caso e não temos intimidade pra perguntar. Daí o que se faz? Adota-se.
Então, uns dias atrás o cara ligou feliz contando que tinha sido chamado para adotar uma criança recém-nascida. Eles nem têm essa exigência, de ser recém-nascido, acho que botaram um limite de idade pra adoção tipo de "até" 3 ou 5 anos, não sei. Enfim. Não vou fazer o papelão de um jornal daqui que fez uma matéria de dedos em riste às preferências dos casais que adotam - bem, pelo menos eles adotam, né?
Isso é outro papo.
Mas o caso é que foram chamados; a criança, com um dia de vida, lhes foi entregue. Viajaram (o processo correu em outro estado), adotaram, assinaram papelada, deram nome pra criança, choraram, se emocionaram, fizeram planos, incluíram o bebê em seus planos futuros.
A mulher que passou a se considerar mãe, vou te contar, é daquelas que se emocionam com fotos de crianças dos outros em celular. Daquelas que gostam de ouvir histórias sobre filhos. É uma mãe nata, a quem só faltava um bebê.
Daí que dois dias atrás a tia-avó real da criança exigiu que ela fosse devolvida. Porque a mãe não teria avisado a família que estava grávida, nem que iria encaminhar pra adoção e tals, e agora a família quer a criança e pronto.
O que aconteceu? Tiveram que devolver o bebê.
Não é um horror? E pior, um horror desnecessário. E culpa de quem? me desculpem agora, mas a culpa é DO ESTADO. Pra mim, faltou seriedade no processo. Pô, o casal não exige recém-nascido, mas se você entrega um recém-nascido, eles vão adorar, claro. Certamente há outras centenas, pelo menos, de crianças de até 3 ou 5 anos sofrendo nessa fila. Pra essas, o processo é enrolado. Não entendo.
E tem outra coisa. A família da mãe está certíssima. Como assim pegam um bebê de um dia e já entregam? A mãe tem direito a se arrepender. Devia existir uma "quarentena" para que caia a ficha da pessoa; que a família seja informada, se planeje. A entrega pode ser um ato de desespero. Sem contar a depressão pós-parto. Não é porque é pobre que vai ser sempre ótimo lindo maravilhoso entregar o filho prum casal rico. Imagina se uma irmã desmiolada - uma espécie de Juno *, só que real - fica grávida e decide dar o filho. Pô, meu sobrinho por aí, na mão de quem eu não conheço? Eu mesma me ofereceria pra criar. Sério.
Culpa do ESTADO por não oferecer segurança pra nenhum dos lados dessa história. Por ter uma equipe incompetente pra tratar do processo de adoção. Por fazer uma lambança dessas com a vida dos outros. E nisso tudo pode ter traumatizado um casal bacana, que pode até não querer mais adotar. Porque convenhamos, que sofrimento.
*Acho Juno uma bosta de filme anti-aborto. A melhor crítica é da Lola.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Enquanto isso

Almocei no vegetariano e comi soja, pensando que era feijão.

Aliás, uma das coisas mais gostosas que comi ultimamente (foi um almoço chique no começo do ano) foi um bolinho de bacalhau ao pesto de feijão. O bolinho era uma nuvem de tão macio e leve, e o pesto era saborosíssimo. Por mim o almoço ficava só nisso.

Por falar em comida, eu e a Nina estávamos ontem na fila pra pesar frutas e verduras no mercado, ela empoleirada no carrinho, olhando muito atentamente pra um casal com um bebezinho bem novo, tipo um mês. Olha, olha, olha, e finalmente me pergunta (bem alto):

- Mamãe, né que gente má também tem filhos?