sexta-feira, 5 de junho de 2009

Quem é a doida

Fomos eu e Nina ao shopping comprar luvas pra ela. As do ano passado náo cabiam mais. Uma coisinha de nada vira uma sessáo: as da C&A têm o dedáo no meio da palma; as da Renner pinicam. Claro que as perfeitas eram mais caras. Enfim.
No meio da empreitada a Nina aponta o quiosque do McDonald's.
- Mamáe, quero sorvete, sorvete, sorvete, sorv...
- MANEMORTA! Nesse frio!
- Eu quero, quero queroqueroqueroquero...
- OK.
- Hein?
- Vamos fazer um trato...
(Nina adora tratos e acordos - e é louca pelo sorvete de duas cores do McDonald's, aquele mais simplinho)
- ... se você achar UM DOIDO, mas UM DOIDINHO SÓ tomando sorvete nesse shopping todo, eu te dou o sorvete.
- Entáo tá. Vou procurar.

E ficou de olho comprido em todo mundo. Passamos duas vezes pelo quiosque, ela espreitando em volta. Pelo do Bob's, ela de butuca. E nada.
Eu, quase rezando. Imagina se me aparece um doido mesmo. E náo é que tinha? Malditos adolescentes. Esqueci dessa raça que só faz contrariar. Tinha um lá, espinhentozinho, tomando um sundae. Só que ufa, a Nina náo viu.

Achei divertido, mas ela náo. Depois de uns dez minutos ela perdeu a esperança e começou a choramingar. Pra náo admitir que era frustraçáo com o trato, alegou cansaço, dor de garganta - mas logo desmentiu, porque dor de garganta, né: estratégia errada. Mas náo falou mais do sorvete.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Ah, tecnologia

Depois de um ano pelo menos, consegui recuperar fotos antigas que estavam no meu Palm. E depois de um atendimento telefônico de quase duas horas, diga-se de passagem, reinstalando e reorganizando tudo. Quem sabe agora a agenda me ajude com meus probleminhas de disciplina e organização.

Até então, estava usando meu PALMATOP pessoal e intransferível. Aqui, com o recado para não esquecer as revistas de decoração para minha colega que vai reformar o apartamento.
Abaixo, uma demonstração dos estragos da empreitada-manicural no final de semana.
A vista da minha janela (que fica nas minhas costas, mas ok) com um elemento surpresa, cerca de um mês atrás.

E voltamos à programação normal.

Pra quem adora o frio

Eu odeio o frio. E agora começou a merda. Vai até outubro, garanto, com "veranicos" no caminho. Mas a regra daqui pra frente é aquecedor sempre à máo (Juanito, o laptop espanhol, ou melhor, cataláo, náo tem til) assim como os remédios pra tosse/coriza/febre.

Claro que tenho mil amigos por esse país tropical que dizem adorar frio. Entendo. É diferente. Exótico. Chique. Aconchegante. Pra quem vê de fora. Pras visitas. Aliás, minhas visitas sempre chegam animadinhas com suas botas novas e cachecóis leves e voltam dando graças-a-deus do feriado ser curto.

Eu odeio andar ainda mais encurvada (minha postura já é lamentável) porque o vento corta mesmo, é uma figura de linguagem batida mas é isso. Lábios e rosto ressecados, rachando. Náo me falem de hidratantes, todos estáo lá no banheiro esperando a hora da coragem do banho. Porque aqui no Brasil náo temos calefaçáo, né. Entáo absolutamente nenhuma casa (estou falando de gente normal, classe média baixa, average) tem condiçóes de aguentar o frio que passa pelas janelas, faz com que as cortinas fiquem duras, nos obriga a mudar os móveis de lugar, camas bem longe delas e das portas por causa da "friagem" que entra pelas frestas. E no banheiro, pode botar aquecedor (a conta de luz triplica nesta época) que náo adianta.

No trabalho, exageramos no café, que gela depois do primeiro gole. Tiro o casaco pra me acostumar com a temperatura ambiente, porque se sair no final da tarde com a mesma roupa que uso lá dentro, congelo. Nosso ar condicionado é doido, entáo esquenta demais ou de menos.

À noite, que era pra dormir, fica impraticável. A Nina dorme no quarto com aquecedor ligado e a gata Mimi queimando os bigodinhos nele (ela agora só passeia de dia). Já a Nina se mexe a noite toda, incomodada com o excesso de cobertores e edredons. Escuto o barulho dela se virando, levanto - saio do quentinho que já demorou pra ficar bom - e vou cobri-la. Ontem a madame estava simplesmente de ponta-cabeça na cama. E náo me venham as máes blasé dizerem que "basta um moleton bem quentinho e deixar que o filho (a) se descubra a noite toda". Eu lá vou deixar criança gelar - depois pega uma tosse e tem que fazer inalaçáo duas, três vezes por madrugada (o inverno de 2007 foi assim, inesquecível).

Entáo, como estou ficando velha e sem paciência, claro que nas últimas noites a Nina tem ido dormir na caminha dela e acorda na minha cama. Porque lá pelas 3 ou 4 da madrugada, abaixo de zero grau (e com a mesma sensaçáo no corredor) eu desisto e a levo, com "toi" (o cobertorzinho favorito) e travesseiro, pro meu quarto. Daí vem as psicopedagogas dizer que nào pode, criança tem que dormir sozinha e tals. Eu sei. Mas e eu tenho que morrer de pneumonia?

Ok. Esses sáo os meus motivos pessoais e egoístas pra odiar o frio. Mas tem o resto, né? Que sáo as pessoas. A moça que vende balas no sinal, enquanto as filhas esperam no ponto de táxi. Elas continuam lá todo dia, no vento impiedoso - outro clichê perfeito. Na rua, os bêbados náo sáo mais asquerosos e sujos: eles estáo congelando. Os cachorrinhos, os gatinhos, os cavalos dos colhedores de papéis. Os lixeiros que trabalham de madrugada. Durma-se, bem cobertinha, com um cenário desses à sua volta.

Entáo é isso, eu odeio o frio.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Sobre suicídio e gastos desnecessários

Contei que quase me suicidei no final de semana?
Seria o primeiro caso de suicídio não-premeditado.
É que eu fiz as unhas, sozinha.
E apesar de terem me passado um tutorial bem legal, claro que a primeira vez foi traumática. Cada cavocada, uma minhoca, diria o Silvio Luiz. Hoje que está um frio do cão, todos os dedos doem. Todos têm pelo menos um bifinho. Quando não, uma picanha inteira cortada fora.
Gastei uns R$ 30 em alicate, pauzinho (!) e acetona. Mas o que gastei mesmo foi meio tubo de Nebacetin.
Quero deixar claro que eu tenho o maior respeito por profissionais de beleza. Tem gente que acha que manicures e cabeleireiras são exploradoras, que cobram muito por um serviço simples. Imagina! Eu não. Elas vivem cheirando química, em péssimas condições de trabalho, postura, barulho, tudo. E pensa que é fácil mudar a cor do cabelo, ou tingir sem fazer o couro pegar fogo, ou deixar as mãos lindas e modernas de esmaltes coloridos sem um borradinho ou marquinha? É nada.
Só que estou tentando purgar o último grande gasto desnecessário. Aquela porcaria do Tabajara Juicer. Continuo fazendo sucos no liquidificador velho e trincado.
Lá em casa é assim.
- Por que tá fazendo a unha em casa? Vai se matar. Olha a sangueira.
- Pra compensar o troço de suco. Eu não pago vintão por semana de manicure e assim pago os oitenta de prestação.
- Esse é o nosso problema com finanças em casa. A lei da compensação.
- Pior é você que segue a lei da prestação.

Ele fala, mas quando comprou uma cafeteira elétrica pra sala dele na faculdade – e só depois se tocou que não tem cozinha, então tinha que encher de água, lavar e tudo no banheiro masculino, eca – também passou uns tempos maneirando nos gastos com vinho. Apesar de que vinho é remédio, né.

(a cafeteira foi doada pros alunos formandos fazerem uma rifa)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

PÁRA O BAILE

ATENÇÃO SR. NILUS QUERI, O SR. ESTÁ SENDO CHAMADO NA RECEPÇÃO.

Update: AND SEU E-MAIL NÃO BATE

Alguém aguenta ter um amigo desses? Primeiro, que a gente não se vê em carne e osso há décadas. Ou quase uma, pelo menos. Daí a gente se acostuma (ou se conforma) com a convivência virtual. Vem um dia ele avisa que largou tudo e vai fazer não-sei-o-quê na Bahia. E desaparece.

Depois de MESES faz um comentário no blog e não deixa e-mail.

Ah, faz favor.

domingo, 31 de maio de 2009

Jornalismo brando

Manchete da Folha de domingo:

"3º MANDATO DE LULA DIVIDE O PAÍS"

Fato: Segundo Datafolha aumentou de 34% para 47% aprovaçáo popular do terceiro mandato; rejeiçáo caiu de 63% para 49% (placar entáo está em 49% a 47%).

Veja a ginástica para dar uma conotaçáo negativa no título.

Só pra constar: eu sou ultra-contra terceiro mandato. A Constituiçáo náo é rascunho. Mas se você é um veículo de comunicaçáo que encomenda pesquisas, aguente o tranco da realidade ser diferente da sugestáo de pauta.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sabe sexta-feira?

Sabe dia complicado? Sexta-feira que não quer acabar? Hoje foi uma manhã dessas.
Foi o que pareceu na hora. Agora nem parece tanto.
A Nina me acordou antes do desenho da Ariel. Geralmente é o contrário, mas ela tossiu a noite toda e eu fiquei naquele deita-levanta pra conferir febre e bem. Dormi demais.
Depois tomei café demais, li jornal e internet demais.
Daí vem a seção dar-banho-pôr-uniforme-desembaraçar-secar-cachos.
Lembro que é sexta-feira. Sexta é um dia cheio de coisinhas a serem lembradas.
Sempre esqueço uma - ou todas.
É dia de lanche comunitário na escola.
"Nina, quer levar bolachas e maçãs?" "Não, mãe, quero manga cortadinha".
Cortadinha. Pra uma turma de 14 crianças, considere que um terço delas pode (duvido) se interessar, então dá umas três mangas a serem picadas em quadradinhos e levadas pra escola num tupperware. E achar um com tampa que caiba. Parece que as tampas não são dos respectivos potes, tudo torto.
Enfim.
Leio a agenda escolar - geralmente esqueço. Tava lá "favor mandar duas caixas de leite (...)" - O QUÊ? EXPLORAÇÃO - "(...) vazias para atividade lúdica". Ah, tá.
Como esqueci mesmo que quinta-feira era dia de coleta reciclável, fucei no lixo-que-não-é-lixo e achei as benditas caixas.
Mas tem que lavar, né. Lavei.
Bem, sexta também é dia de brinquedo. Das crianças levarem brinquedos pra socializar. Já comentei que a Nina antes só levava brinquedo do qual não gostasse. Agora ela está menos, digamos, apegada.
"Nina, pega um bicho aí pra levar pras amiguinhas".
"Ah mas eu quero levar a Barbie e o noivo e umas roupinhas pra trocar".
Ok. Acha uma bolsinha pras roupas de Barbie. Acha a roupa de noiva, que a Barbie noiva está com o vestido lilás, tem que levar o pente de boneca também. Ok.
Ah, é dia de judô. Acha a roupa de judô. Será que a dona Ana botou pra lavar? Mas o professor disse que não é pra lavar roupa de judô, senão fica molinha demais. Por mim, ótimo. Encontrada a roupa, no mesmo lugar em que a joguei na sexta-feira passada, na cômoda do quarto de visitas.
Ainda tem que tomar remédio pra não tossir e pra secar a coriza. Brondilat e Decongex. Cinco ml, doze gotas.
Pronto, estamos oficialmente atrasadas.
"Mas mamãe, eu quero terminar o quebra-cabeças".
"Não dá agora".
"Então vou deixar aqui no chão pra terminar quando chegar".
"Ok".
"Mas a Mimi vai comer as peças".
É verdade. A gata já amputou dois pés de Barbies.
"É só fechar as portas".
Só que esqueci da janela do banheiro. O-oh.
Vamos pro carro. Pra garagem mas pela porta da frente, que a de trás só está fechando por dentro. Damos a volta pela casa. Chega no carro, cadê a chave? Tá dentro de casa. Volta e meia, vamos dar.
O telefone toca. Eu - "quem é o filhodamãe que liga na hora do fechamento?" e é o marido, pra saber se tá tudo bem. "Tudobematrasadastchau".
É isso. Tudo tão simples, mas tão enrolado. Sabe essas sextas-feiras?
E eu nem contei da sessão pra achar a minha calça de ginástica.
Fim do dia.
Daqui a pouco pego Ninotchka e vamos faceiras e peruas ao shopping comprar presentes de aniversário - um tênis pro primo que mora no Mato Grosso (e que será visitado pela sogra, portanto vai na mala) e alguma coisa do Ben 10 (de preferência uma maleta de lápis de cor que é legal e barata) pro amigo que faz aniversário amanhã.
Então, quem quiser conferir a mini-diva, estaremos no Mueller, provavelmente as únicas nas mesas do restaurante por quilo que tem feijão, arroz, carne e fritas às oito da noite. Depois no Mac Donald´s tomar o sorvete de duas cores, que ninguém é de ferro.

Planejando o finde


- Nina, vamos amanhá jantar eu e você com o papai, à noite, num restaurante?

- Vamos.

- Mas você vai se comportar, sem chorar, sem querer ir embora antes da gente comer, vai comer direitinho?

- Vou. Mas já vou avisar: náo vou comer batata-frita de carinha.


quinta-feira, 28 de maio de 2009

O pior emprego do mundo*

É o de árbitro de futebol, com certeza*.
Pense num desses que apita jogão (cof, cof) transmitido pela Globo ou Band.
O cara tem que correr pra caramba, ser tão atleta quanto os jogadores.
Precisa estar atento ao jogo e aos jogadores ao mesmo tempo.
À linha de impedimento.
Ligado na possibilidade de violência entre zagueiros, marcadores e atacantes.
Na bola.
Tem que saber qual jogador já tem quantos cartões, pra não exagerar numa punição e acabar dando o vermelho.
E tem que agüentar 22 jogadores mentindo o tempo todo contra ele. Representando. Enganando-o. Tentando impressioná-lo a dar um cartão pra quem não merece. Ou minimizar um lance que possa gerar falta ou cartão.
Tem que agüentar os xingamentos dentro de campo.
Dos técnicos, também mentirosos e manipuladores.
E a pressão da torcida.
E saber que tudo que faz está sendo vasculhado, rastreado, comparado e apontado por câmeras, narradores, infográficos e softwares, ao vivo. Contra ele. Raramente a seu favor.
Sempre que ele erra, é porque é burro, é ladrão ou covarde.
Sempre que ele acerta, é normal, faz parte da profissão.
Pode ser. Mas eu sou solidária aos árbitros. E eles nem devem ter um grande salário.


*Ok, há empregos piores, mas deixa eu fazer um título impactante, vai.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Rapiditas

A secretária liga pro banco pedindo pra fazerem um tipo de transação na conta do chefe. Eles fazem o que é pra ser feito, mas por último tem que passar a ligação pro chefe, pra que ele dê permissão ao vivo. Ela passa a ligação pra ele, ele repete seus números de CPF e de telefone residencial e pronto. Agora me diga - se ela estivesse roubando do chefe, podia ser o porteiro, qualquer um, se fazendo passar pelo chefe. Desde quando uma voz ao telefone vale como assinatura?
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Nina com febre, dormiu no meio da nossa cama. Acordou bem e de cabelinhos molhados. Hoje passou o dia com a vó. Eu que fiz o almoço. Queimei o arroz integral - pra ver como destreinei - e de verdura só tinha um espinafrinho pra picar no arroz mesmo. Feijão e linguiça.
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Perdi o spinning, o jeito é repor no sábado. Só eu e mais 3 gatos pingados doentes que fazem spinning no sábado. Mas pelo menos o professor fatura.
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Tenho mil livros pra ler, uma pilha. Não leio realmente há anos. Admito que os blogs e twitter atrapalham. As séries também, apesar de "só" manter o vício em Lost e House. Pior é que na fila está um livro do marido. Shame on me.
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Aliás, ganhei ontem dois da Simone de Beauvoir. Cartas a Nelson Algren e A Força das Coisas.
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No evento familiar do domingo (o que perdi por motivo de ressaca maior) Nina foi considerada uma criança super educada. A fama foi pro interior junto com os tios. Motivo: não chorou nem brigou por causa de comida na casa da vó. Ao primo que chorava porque não queria a gelatina só de uma cor (e a sogra fez aquela sobremesa misturada, "mosaico"), ela bronqueou - "Pra que tanto drama? É só uma sobremesa".
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Até parece que ela não é uma drama princess.