“BEM-VINDO INVERNO”.
Leio o acinte e pergunto pra tia do portão (a coordenadora):
- Quem foi a professora Pollyanna que fez isso aí?
- Pollyanna? Não, foi a Juliana.
Pano rápido.
Todo mundo que deixa o blog semi-abandonado diz que detesta fazê-lo, e no meu caso é verdade, mas gente. Ando tão sem assunto. Tuitando muito, acho que demais: talvez eu esteja desaprendendo a escrever com mais de 140 caracteres - o que vai me criar problemas profissionais, certamente. O caso é o seguinte. Nada de mais acontece. Bem, a família aqui anda apavorada com a gripe suína, vocês também? Eu não consigo. Não entrei em pânico ainda. No elevador as secretárias dos empresários (eles não, seres superiores não se apavoram em público) contam que não há mais máscaras e que um funcionário daquela empresa em que todo mundo é antipático, do décimo-e-poucos, está com suspeita do vírus. E ainda tenho que aguentar as piadas (do cunhado: "acho que estou com gripe suína, cada vez que eu espirro, eu peid*). Daí o marido quer que a Nina fique em casa durante o período de férias, apesar de a escola dela não fechar e ficar em modo-colônia-de-férias, isto é, só com festa e brincadeiras. Mas eu ainda tenho alguma moral e hoje ela vai porque tem festa da pantufa (vai de croc da Sininho, que foi cara). Iria pra casa da vó, mas convenhamos que avós são legais e tudo mas não dá pra passar a semana desenhando com giz de cera e vendo desenho de Barbie. A Nina sente falta do rock’n’roll dos amiguinhos.
Tenho perdido tempo na academia, também. Eu gosto da tal da endorfina. Além do spinning às segundas, quartas e sextas, musculação às terças e quintas. Detalhe que o-dei-o musculação. Além disso sou cheia de coisinhas que enlouquecem o instrutor. Por exemplo, não faço abdominais porque dói demais minhas costas. Eu sei, eu sei, tem que encostar o queixo no peito pra levantar, tem que isso e aquilo pra não machucar. Mas em algum momento da vida, talvez carregando pilha de Barsa na Biblioteca Pública, talvez empurrando caixa de cerveja na pani, detonei umas três vértebras bem na lombar e a coisa não vai. Daí o carinha quis me fazer experimentar abdominal em cima da bola gigante que é a moda agora. Tinha que esticar os pés e encostá-los na parede e me equilibrar, meio pela bunda, meio pelas costas, na bola. Mas meus pés, os dois, têm o osso do peito trincado. O professor (cof, cof) perguntou como eu fiz isso – Um carro passou pelos teus pés? Hahaha. Até podia. Mas um eu quebrei caindo de uma escada, estatelando o sanduíche natural que tinha comprado no posto, ainda na época de namoro com o digníssimo; o outro foi ano passado, né? Quando a Nina acordou gritando de madrugada, eu fui ver o que era e tóin, a perna estava dormindo e não acompanhou, dobrei o pé e crec.
E acabei inventando outra coisa. Como estou cansando do spinning (se ainda tivesse paisagem pra tanta pedalada – são uns 15km por aula) pensei em fazer boxe. Comentei hoje com o professor de spinning e voilá, ele é professor de Muay Thai. Então vamos fazer aula experimental no sábado.
Não, eu não sei onde quero chegar com tanto exercício. Braços da Madonna, quem sabe?
E já que estou contando vantagem, aí vai uma pra todo mundo mór-rer. Estava eu sentada lindamente (NOT) no salão, tingindo os cabelos, como o faço a cada 15 dias, quando entra um carinha com jeito de mestre-de-cerimônias de baile de debutantes. Foi cortar o cabelo com o meu cabelelê. O mestre ficou me olhando, de longe, e eu me concentrei na Caras porque gente, o jogador de futebol casando todo de branco é hipnotizante. Na hora que acabei, lavada e escovada, fui dar tchau pro cabelê que tava tratando do cabelo do moço. Ele me fala, olha, querida, esse moço aqui quer falar com você. Ok. Adivinha. O cara disse que é “caça-talentos” de uma agência de modelos e queria meu telefone porque – atenção nas palavras dele – “é difícil encontrar alguém com o seu tipo físico, COMUM, entre os 35 e 40, que pode fazer propaganda de Dia das Mães ou de promoção em shopping”. Sutil, o moço. Tão precisando de véia pra fazer papel de mãe de modelo, hahahaah. Eu até dei o telefone mas credo, né, já passei da idade – como qualquer mestre-de-cerimônia pode perceber.
E that´s all por enquanto, folks.
Fora isso teve aniversário da pisada do homem na Lua, as não-sobrancelhas voltaram à moda (eu, sempre na vanguarda), o Dag vai ter bebê e deve ser menina, meninas não alienadas como eu denunciam misoginia e machismo na rede (todo santo dia), o pai do Michael Jackson diz que nunca bateu nele – incrível que alguém queira ouvi-lo – eu aprendi a fazer as unhas, tirando toda a cutícula, mas não consigo ter tempo para pintá-las.
Assisti o CQC uma vez só, rapidinho, e achei meio chato. Não voltei a ver o programa de novo. Mesmo porque passa na mesma hora do Lost - segundas, às 22h. Mas agora eu me rendo. Finalmente, fizeram uma matéria decente denunciando os ônibus escolares estacionados há meses no Palácio Iguaçu. Passo por eles todos os dias. Ficava imaginando as crianças nos ônibus velhos que eu conheço, que já vi muito, lá nos matões tipo o sítio do seu Neno. E os novos lá, apodrecendo, sob sol e chuva. Em exibição. E todo santo dia provocava algum amigo da imprensa, pelo MSN - que tal fazer matéria dos ônibus? Só que o assunto já estava desgastado aqui no Paraná. Matérias foram feitas, em jornal, rádio, sites. Foi pouco. Faltava isso aí: um programa com audiência que apertasse o calo onde ele dói. Não só uma reportagem burocrática sobre o problema dos documentos de seguro ou sei lá o quê; mas as crianças esperando os ônibus, o estado dos que estão sendo usados. Adorei. Virei fã.
Bem, e Lost acabou, né. Só ano que vem.