sábado, 26 de dezembro de 2009
Prévia (tuitada)
Sobre o Natal: o pandeiro de brinquedo foi um vexame. Culpei o Papai Noel, que mora no Pólo Norte e não entende nada de samba.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Damião, Um Personagem/ ou O Sorriso do Lagarto
Damião é o pedreiro-matraca de que falei posts atrás. Sabe novela tipo Glória Perez, que tem o núcleo pobre divertido? Se Damião fosse um dos personagens, a novela giraria em torno dele; as pesquisas do Ibope apontariam que as cenas com ele deveriam ser valorizadas. Ele seria interpretado pelo Roberto Bonfim ou, no caso de ser representado mais moço, pelo eterno João Pedro - o Marcos Palmeira.
(falei no twitter, pra lembrar o nome, que o Roberto Bonfim já foi gato e isso causou uma revolta feminina)
Quando a reforma ainda estava na fase de quebradeira, eu ouvia os pedreiros chegarem antes que tocassem a campainha porque ele vem falando alto, lá do outro lado da rua. Um dia, um pedreiro extra - um bêbado que só faz bico porque não pode ter dinheiro no bolso, contaram os outros - foi trabalhar no banheiro. Damião foi lá e começou a dar pitaco no serviço do outro. "Damião, você vê se fecha a boca e não me atrapáia", ouvi depois de 5 minutos. Pano rápido, saí de perto. O coitado ficou calado a manhã toda.
Pois um dia o marido comentou que ia precisar de um pintor já que a casa foi toda retalhada e precisaria de reparos. Damião prontamente informou ter um amigo pintor. Por acaso, ele também já fez uns serviços com esse cara e trabalharia, de bom grado, como auxiliar de pintura. Ok. Acertaram.
Damião apareceu em casa no dia de iniciar a pintura com o colega, uma pessoa que é o exato oposto dele. Muito branco, lívido, limpo, muito quieto. Trabalha o dia inteiro sem abrir a boca, não olha pras pessoas, não interage: quando vai embora nem precisa tomar banho. Já Damião... no dia em que ele me ditou a lista de materiais a serem comprados, tinha tanta tinta pelo corpo que até os pêlos do nariz estavam pintados.
Só que o Damião é hiperativo. Trabalha pra caramba, mas é feito um cachorrão doido, um cocker: não se concentra numa coisa só. Então ele vai pintar o quarto da Nina e ao mesmo tempo arruma o encanamento do banheiro. Eu implorava: Damião, pelo amor de deus, termina um cômodo só, pra eu guardar as roupas, sei lá, ter a ilusão de que as coisas vão se arrumar um dia. Ele: "pode deixar, eu vou já terminar o banheiro, depois dou mais uma (de)mão de tinta no quarto, daí vou lá pra sala, mas eu volto aqui". E nada. Tudo feito ao mesmo tempo.
Desastrado, derrubou 3 latas de tintas. Por sorte, na calçada. Lá ia o Damião correndo com baldes cheios de água pra não manchar. Tinha acabado de pintar a salona de verde (que ficou muito legal), sem querer, tropeçou, enfiou o pincel com tinta branca na parede. Lá vai o Damião afobado fazer retoque.
Num desses dias o Marido pediu pra ele pintar logo o quarto da Nina com o rosa algodão-doce escolhido. Ele prontamente pegou a lata verde. É daltônico, descobrimos. "Ah, eu pinto, mas não sou bom desse negócio de ver cor, não. Tenho que prestar atenção nos códigos das latas".
Mas veja só, hoje ele acabou quase tudo. Não fossem os caras do piso, que foram refazer o trabalho na salinha e no quarto de visitas (contei que o técnico do aquecimento quebrou telhas ao instalar os painéis e causou uma nova enchente em casa? Não? Então, nem deu vontade mesmo de falar nisso), Damião teria terminado tudo tudo. Falta um rejunte ali, um retoque aqui. O cara trabalha, viu.
Preciso contar o porquê dele ser tão dedicado. Um belo dia o Damião estava andando com seu Gol 1984 (aproximadamente) branco numa estrada de terra, vindo de uma chácara. Viu ao longe um lagarto na beira da estrada. Decidiu atropelar o lagarto e bateu o carro num barranco. Daí que toda vez que o via cansado, passando a quarta demão de tinta vermelha na parede da cozinha, pensava - "ah, o sorriso do lagarto".
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Da difícil arte de amar
Ontem fui à ginecologista levar bronca pelo tempo que passou e que eu não levei os exames de rotina (fiz, tava tudo ok, deu preguiça yadda yadda). Minha médica é maravilhosa mas tem o defeito de atrasar demais. Por isso sempre peço o primeiro horário, mas ontem não foi possível, e como estaria de folga, fui preparada pro chá de cadeira.
Instalada na sala de espera, reparei numa mãe com uma menina de uns 10-12 anos. Ela estava deitada no colo da mãe e imaginei que estivesse doente e que fosse consultar a pediatra, que fica na sala em frente.
O tempo passando e reparo melhor na menina. Que é linda do tipo futura-Gisele-Bundchen. Mas está lá deitada, se mexendo o tempo todo, com o dedão na boca. Inteiro. Em certo momento ela tira e vejo os dentes, tortos, pra fora, de quem chupa o dedo a vidinha toda. Rapidamente me vem um pensamento reprovador na cabeça. Como que essa mãe deixa a guriazinha com o dedo na boca?
Mas rapidinho cai a ficha. A menina é uma DM. Deficiente mental.
Passei minha infância convivendo com adultos e crianças DMs: minha tia era professora de surdos-mudos e diretora da Apae da cidade e minha mãe, vanguarda, já acreditava em inclusão. Volta e meia eu passava um dia, ou ia numa festa da Apae.
A menina do consultório começou a ficar impaciente. Pegou uma revista e jogou na escada. A mãe a fez catar, mas foi junto. Deu bronca. Mas já a abraçou, como para compensar. Nessa breve caminhada pude verificar que se trata de uma DM severa, tecnicamente falando: tem um retardo mental bem grave. Não fala quase nada. Passou a reclamar pra mãe. "Sissi", falava. Foram umas quatro vezes ao banheiro.
Estavam esperando, na verdade, a minha ginecologista. A menina provavelmente estava com uma infecção urinária. Foram atendidas e fiquei pra depois. Entrei e, conversando com a médica, meio que dando uma indireta nela, comentei como a menina estava impaciente e como seu caso (mental) parecia grave. A dra. só comentou "é, menina, e a gente acha que tem do que reclamar".
E o que me faz chorar sobre isso, de repente, quando lembro da mocinha com o dedão na boca, é que pra mãe dela, ela é perfeita. Vê-se no carinho do abraço. Imperfeito é o mundo, que não tem lugar pra ela.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
A Justiceira
Faz um tempinho, mas foi uma cena tão engraçada, tenho que registrar.
Nina e os dois primos, um de 8, outro de 12, mais um amiguinho do mais velho, brincando de tiroteio. Ela e o mais novo escondidos atrás de uma porta, os dois mais velhos no corredor.
Os meninos atiram de metralhadora (feita com o lego da Nina):
- Ratatatatatatataatat foooosh papapapapapapappapratatatatatatataat
Ela sai do esconderijo com uma única pecinha de lego na mão (é café-com-leite):
- POU! MATEI!
PS: Não adianta querer que as crianças não brinquem de armas. Quando vê eles pegam um pedaço de pau, três pecinha de lego, um caminhãozinho, qualquer coisa vira pistola, metralhadora. Humanos.
Nina e os dois primos, um de 8, outro de 12, mais um amiguinho do mais velho, brincando de tiroteio. Ela e o mais novo escondidos atrás de uma porta, os dois mais velhos no corredor.
Os meninos atiram de metralhadora (feita com o lego da Nina):
- Ratatatatatatataatat foooosh papapapapapapappapratatatatatatataat
Ela sai do esconderijo com uma única pecinha de lego na mão (é café-com-leite):
- POU! MATEI!
PS: Não adianta querer que as crianças não brinquem de armas. Quando vê eles pegam um pedaço de pau, três pecinha de lego, um caminhãozinho, qualquer coisa vira pistola, metralhadora. Humanos.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Pause
Estou na casa da mãe porque sabe, né, a minha está impraticável mas não vamos mais falar disso por enquanto.
Hoje tenho que comprar o presente de amigo (a) secreto (a). Da profe Mara, tia da escolinha, também - porque oficialmente é o último dia de aula antes de começar a colônia de férias, que na prática é o período só de festinhas e brincadeiras, sem uniforme, sem as tias oficiais e principalmente, sem "atividades", que são as aulinhas propriamente ditas. A escola da Nina é o máximo, só entra em férias no período entre Natal e Ano Novo e a primeira semana de janeiro. A colônia de férias não é paga à parte, como na maioria das escolas; você paga só a mensalidade normal. Todo dia tem festa: à fantasia, da pantufa, da pipoca, do cabelo maluco. Bem, a Nina vai pra praia com minha mãe, então vai aproveitar pouco. O que importa é que SE for preciso, a escola tá lá pronta pra cuidar dela.
Continuando. Hoje é o dia D, da apresentação teatral de toda a escola. Todas as turmas, meninos e meninas, vão dançar, saracotear e chorar num enredo de circo. Parece que vai rolar uma imitação de Cirque du Soleil. Bem, pelo menos não vai ser daqueles caras-pintadas de azul de outra companhia. A Nina vai ser bailarina - está nas nuvens, claro. A roupa é preta de saia "dura" (deve ser tutu) e laços azuis. Não sei exatamente onde está a câmera no meio da zona lá de casa, mas vou tentar achar pra fazer as fotos desfocadas de sempre e dar continuidade à tradição dos posts do encerramento escolar.
A apresentação começa às 19h. Planejo chegar à fila lá pelas 18h. Nota mental: levar uma revista ou similar pra me fazer de surda ao papo mãe-coragem típico desse ambiente. A apresentação deve rolar até as 21h. Minha mãe vai junto e o marido vai faltar porque tem um último compromisso na universidade (ele sabe que vai precisar de muito sorvete e figurinhas pra sanar o rancor gerado pela ausência). Daí pego as duas, trago pra casa da mãe e corro pra pizzaria onde minha turminha da pesada do trabalho já estará na terceira taça de vinho, me aguardando pra revelação de amigo secreto.
Ao meio-dia ainda tenho que tingir o cabelo, que está zebrado.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Update dramático
Cântaros, cats & dogs, canivetes, o mundo, o cacete. Choveu tremendamente essa noite. E eu lá na casa da minha mãe, sem conseguir dormir, até as três da manhã, acompanhando os raios, esperando passar. Porque alguém teve a infeliz idéia de deixar os sofás pra fora, na área em frente à cozinha, em vez de recolhidos ao salão. Lembra que o piso está sendo tratado e não pode haver móveis dentro de casa. Aliás, nem móveis nem ninguém. A casa será liberada apenas na manhã de sexta-feira. Bem, daí que os sofás ficaram pra fora. E choveu aquilo tudo. Nem fui ver, o marido que levantou cedo pra ir abrir o portão pro pintor - que vai começar pelo lado de fora, com os reparos na pintura antiga. Liguei agora há pouco e ele contou que os sofás realmente molharam um pouco, mas não tanto quanto eu tinha imaginado, isto é, sem perda total. "Agora eles estão no sol, secando". Ótimo. Só que agora voltou a chover e ele não está em casa. Ou seja, estou rezando (not) pra que o pintor, que na verdade é o pedreiro-matraca-faz-tudo, olhe o céu, olhe os sofás, sinta os pingos, olhe os sofás, e tenha um insight.
Tá demorando demais essa fase diarinho da obra, né. Eu sei.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Concurso de blogueiras
Nossa como tem gente comentando lá no post do Dia das Mães, que a Lola gentilmente indicou para seu Terceiro Concurso de Blogueiras.
(estou em 1º lugar, lalalala, dancinha, dancinha)
Ops.
Não quero me exibir demais, mas estou respondendo aos comentários naquele post, viu? Devagar e sempre.
Formspring me
Outra brincadeirinha tola e divertida: clica aqui do lado e pode me perguntar o que quiser.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Por que não me ufano
Lixador de tacos, lixando tacos. Já contei que o piso original da casa eram "tacões" grandes, tipo tábua mesmo, de imbuia, lindos? Daí os antigos donos quiseram sei lá, dar um ar moderno, e botaram por cima uma lajota de farmácia, sabe como? Mudar o piso foi nossa primeira providência. Piso frio em Curitiba já é o fim, frio e feio, então. Mas só tivemos dinheiro pra taquinho. Gosto muito. Agora vão ficar bem bonitos e brilhantes. Eles lixam, passam uma cêra e depois o tal sinteco, que dá brilho, e pra manter é só passar pano seco. Mas pra ficar pronto demora um dia pelo menos - pagando milão a mais, seriam 3 horas. Enfim. Só na quinta.
Olha a diferença do tom. Ah, você acha frescura alisar o chão? Eu também achava, até passar por 3 obras e 9 pedreiros.
Aqui, no Espaço Fitness Cult Gourmet, agora com chaminé renovada, estão praticamente todos os nossos tesouros, devidamente disfarçados. Não dá pra lixar a casa toda com roupas e livros à mercê da poeira. Já foi chato embrulhar isso tudo e levar lá pra trás, imagina que delícia trazer tudo de volta. Vai ser um longo fim de semana.
Quem ainda guarda fitas de vídeo? Gente louca.
Uma terça parte do armário com livros. Não parece, mas cabe muita coisa aí. Tipo, dá pra matar uns 4 fornecedores que pedem material a mais e depois dizem que não precisam de tanto. Ora, por que pensei nisso?
Minhas roupas. Entenda que não pode chover esta semana, porque a água entra por baixo da porta de vidro e pelos cantos do Espaço Fitness Cult Gourmet. Claro que não sobrou dinheiro pra reformar isso tudo! (se eu tivesse, derrubava e plantava uma mangueira, um limoeiro e uma poncãnzeira).
Os painéis solares antes da instalação.
E depois, já instalados, consegue ver? Eu também não. Morro de medo de escada, já mencionei? Então. Botei o braço pra cima e não encontrei um bom ângulo, digamos. O moço que instalou o painel teve que repôr um monte de telhas. Era só o que me faltava: voltar tudo à estaca zero, com goteiras. Mas eu deixei bem claro pra ele que era extremamente necessário para minha sanidade mental e para o salário dele que não houvesse telhas quebradas. Você vê alguma?
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