terça-feira, 23 de agosto de 2011

O Melhor. Caldo Verde. Ever.

Anota e manda bala.

 Na foto, o que restou (dá pra quatro pessoas, estávamos em duas, ou seja, amanhã tem janta pronta)


O Melhor Caldo Verde Ever

4 batatas grandes divididas ao meio
3 abobrinhas médias cortadas em pedaços bem grandes
4 linguiças defumadas, das fininhas, cortadas em rodelas
5 folhas de couve, picadas
Cebolinha verde e salsinha a gosto, picadas
1 caldo light de carne (daquele com menos sal)
cebola, alho picados
pimenta em grãos ou tabasco à vontade


Refogue no alho e cebola as rodelas de linguiça; adicione as batatas e abobrinhas e o caldo de carne, mexa bem; complete com água (até a metade de uma panela de pressão de 7 litros, mais ou menos). Deixe cozinhar por 10 minutos. Desligue e retire, catando - aí é serviço de preso mas ninguém disse que seria fácil - as batatas e abobrinhas (por isso picamos em pedaços grandes). Coloque-as no liquidificador, com um pouco do caldo, até virar uma papa. Devolva à panela (no fogo baixo) e mexa, incluindo as cebolinhas, salsinha e a couve. Deixe levantar fervura e desligue. Corrija o sal, se for necessário, e adicione a pimenta.


PS - originalmente a receita só leva batatas e couve, a abobrinha é licença poética minha, mesmo.


O Escri das Meninas

Ok, já entendi que vocês não gostam do Bukowski. Então vou mostrar meu escri novo, isto é, o "nosso" escri, porque a Nina já tomou conta. Agora tenho um computador novo e em breve terei uma cadeira ergonomicamente correta; assim, não corro mais risco de travar como se fosse um Windows pirata.


A mesa da Nina já está bem pequena pra ela. Mas considerando que é só pra brincar, tá de bom tamanho, convenhamos.


Minha estação de trabalho e meu uniforme pendurado na cadeira da repartição.

Os mimos que ganhei de uns amigos queridos.


A Tigresa e uma Superpoderosa me dão uma força.


Home Sweet Home Office: não é demais ter amigos que te cercam de tanto capricho? <3

Day 05: A book that makes you laugh



 Ri muito com Cartas na Rua, o primeiro romance publicado de Charles Bukowski. Mas não foi um riso frouxo. Graças ao seu alter-ego, Henry Chinaski, conheci a América fracassada, pobre, suja, escrota, angustiada, sem saída. Assim, Cartas na Rua é um livro para se rir da desgraça, juntamente com o desgraçado. É como tomar um porre com o amigo fodido, porque é o que nos resta.

O uísque e a cerveja evaporavam de mim, escorriam das axilas, e eu ia andando com minha carga nas costas como se carregasse uma cruz, entregando revistas, entregando milhares de cartas, cambaleando, derretendo debaixo do sol. 
Alguma mulher gritou:
- Carteiro! Carteiro! Essa carta não é daqui!
Olhei. Ela estava um quarteirão morro abaixo e eu já estava atrasado.
- Olhe, dona, ponha a carta do lado de fora. Nós pegamos amanhã!
- Não! Não! Quero que a leve agora!
Ela sacudia o troço no ar.
- Dona!
- Venha buscar! Não é daqui!
Oh, meu Deus.
Deixei cair o malote. Aí peguei meu quepe e atirei-o na grama. Rolou até a rua. Não liguei; desci em direção à mulher.
Desci meio quarteirão e arranquei a droga da carta das suas mãos, aí virei e voltei.
Daria um anúncio! Correio de 4ª categoria. Algo como a venda de roupas pela metade do preço.
Catei meu quepe e pus na cabeça. Pus o malote de volta no ombro esquerdo e recomecei. 32 graus. 
Passei por uma casa e uma mulher correu atrás de mim.
- Carteiro! Carteiro! Não tem uma carta pra mim?
- Dona, se não coloquei uma na sua caixa é porque não tenho.
- Mas eu sei que tem uma carta pra mim!
- Por que acha que eu tenho?
- Porque minha irmã telefonou e disse que ia me escrever.

Anos atrás, demos um exemplar desse livro a um amigo de boteco, carteiro que trabalhava de madrugada. Antes de pegar no serviço ele passava no bar da dona Elza, nossa vizinha, onde também marcávamos ponto ao fim de dias quentes e de trabalho exaustivo. Nosso amigo carteiro bebia religiosamente uma cerveja long neck e uma dose de Steinheger. Não sei se ele gostou do livro.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Day 04: The first book that made you cry

Nunca na história desse país um livro me fez chorar. Vários me deixaram emocionadíssima, chocada, triste etc. - assim, poderia citar novamente o livro preferido da infância, ou vários outros que ainda virão nesse meme dos 30 dias. Mas não caíram lagriminhas, não, então estaria trapaceando. Passo.


PS - Por outro lado, também nunca li livros "choráveis" - Meu Pé de Laranja Lima, por exemplo; ou dos mais recentes, Paula, de Isabel Allende, que deixa as pessoas à beira de cortar os pulsos ou ainda A Menina que Roubava Livros.

domingo, 21 de agosto de 2011

Day 03: Favorite book as a child


Estava em dúvida entre As Aventuras de Tom Sawyer e As Aventuras de Huckleberry Finn, mas o segundo certamente foi o livro mais importante da minha infância - forçando um pouco essa "infância" até próximo da adolescência, lá pelos 11 anos, quando o li. Tom Sawyer diverte mais, é um danado, um traquinas, quer ser um herói pras meninas e escapar das roupas de domingo. Já Huck é uma criança sofrida, que finge a própria morte para se livrar do pai violento; precisa roubar, mentir, desconfiar de tudo e todos - menos de seu amigo, o escravo fugido Jim. Aí proibiram o livro, recentemente, pelo uso do termo "nigger". A tradução de Monteiro Lobato usa negro, negrão. Chegaram a chamar Mark Twain de racista. Ora, não leram, certamente, essa obra-prima sobre amizade e liberdade. Huck e Jim são tristes vítimas de seu tempo e o livro é uma aventura angustiante e realista sobre crianças fugindo do repressivo mundo adulto.

"Quando cheguei à fazenda tudo era silêncio e quietude. Não se via viva alma. Os escravos mourejavam na lavoura. O sol dardejava e no ar pairava um zumbido de pequeninos insetos voadores emprestando ao ambiente um quê de solidão... A brisa, a agitar de leve a rama do arvoredo, fazia-me tristonho, dando-me a impressão de espíritos dos mortos a murmurarem qualquer coisa de mim. São esses instantes que fazem a gente desejar a morte e mandar o mundo às favas."

sábado, 20 de agosto de 2011

Curtinhas

Meu escri improvisado estourou minha coluna e pescoço. Comecei a fazer RPG por esse motivo e também para, depois de 40 anos meio torta, finalmente ter uma postura ereta. Tenho escoliose e pendo para a direita - quem diria. Também descobri que a cabeça é levemente lançada para a frente. E gente, como é difícil me manter reta e com a cabeça simplesmente sobre a coluna, firme. Os exercícios dóem, mas aquela dor boa, de alongamento. Daí tenho que me policiar na hora de lavar a louça, dirigir, andar, sentar. Me sinto uma criança reaprendendo a se manter em pé.


Ganhei um computador novo e logo eu e Nina teremos um escritório "das meninas". Mas as visitas perderam a cama de casal, doada para alojar minha mesa de trabalho nova.


Agora preciso arranjar mais e mais trabalho.


Day 2: A Book You Don't Like



Eu tinha pouco mais de 20 anos e pouco, mas muito pouco mesmo, dinheiro. Os livros que lia eram emprestados da Biblioteca Pública do Paraná, onde trabalhei por dois anos. Aí um amigo diz que acabou de ler um livro maravilhoso, imperdível, sensível, romântico etc. etc. e que eu TINHA que ler. E generosamente me emprestou o livro - praticamente me obrigou a lê-lo, para saber minha opinião. Só que o exemplar dele estava meio desconjuntado. Passei um tempão com A Casa dos Espíritos pra lá e pra cá. Pior que o Paciente Inglês, em que o personagem chato nunca morre, é quando os chatos morrem e VOLTAM. Não tenho paciência pra espiritismo e pra romances sensíveis como esse. Na verdade, tenho um certo pânico do tal realismo fantástico latinoamericano. Só curti mesmo os nomes das mulheres terem sempre a ver com luz - Clara, Alba, Blanca etc. Bem, fato é que o livro ficou um tempão comigo, minha mãe, com quem eu ainda morava, também o leu (e adorou). E o livro desmingolou todo. Ou seja. O pouquíssimo dinheiro que eu pude economizar pra comprar um livro foi gasto num novo exemplar da mesma edição de A Casa dos Espíritos, porque não iria devolvê-lo todo ferrado. E eu acabei com o livro estropiado pra mim - ô encosto.

"(...) Primeiramente, sentiram um frio súbito na sala de jantar e Clara mandou fechar as janelas, porque pensou que era uma corrente de ar. Logo a seguir ouviram o tilintar das chaves e quase em seguida abriu-se a porta e apareceu Férula, silenciosa e com uma expressão distante, ao mesmo tempo que a Ama entrava pela porta da cozinha, com a travessa da salada. Esteban Trueba ficou com a faca e o garfo de trinchar no ar, paralisado pela surpresa e os três meninos gritaram, tia Férula! quase em uníssono. Blanca levantou-se para ir ao seu encontro, mas Clara, que se sentava ao seu lado, estendeu a mão e segurou-a por um braço. Na realidade, Clara foi a única que percebeu, ao primeiro olhar, do que estava passando devido à sua grande familiaridade com os assuntos sobrenaturais, apesar de que nada no aspecto da cunhada denunciasse o seu verdadeiro estado."

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Day 1: All-time Favorite Book




Meio óbvio, né? Nem poderia abrir essa série sem esse livro. Amo toda obra de John Fante, tenho quase tudo, menos um dos preferidos - "1933 foi um Ano Ruim" (difícil de encontrar, pequenino e triste) - e tenho verdadeiro amor, maternal, fraternal, universal e literário pelo personagem Arturo Bandini. Um loser, caipira, pretensioso, sonhador, amoroso, confuso, pobre, talentoso, em eterna crise consigo mesmo, a família, Deus.


“Uma noite, eu estava sentado na cama do meu quarto de hotel, em Bunker Hill, bem no meio de Los Angeles. Era uma noite importante na minha vida, porque eu precisava tomar uma decisão quanto ao hotel. Ou eu pagava ou eu saía: era o que dizia o bilhete, o bilhete que a senhoria havia colocado debaixo da minha porta. Um grande problema, que merecia atenção aguda. Eu o resolvi apagando a luz e indo para a cama.”

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Um mês, trinta livros

Meme legal que peguei da Su : um livro por dia, durante um mês. Começo amanhã.

Day 01: All-time favorite book

Day 02: A book you don't like

Day 03: Favorite book as a child

Day 04: The first book that made you cry

Day 05: A book that makes you laugh

Day 06: A book by your favorite author

Day 07: A book you hated but had to read for school

Day 08: Scariest book you’ve ever read

Day 09: Saddest book you’ve ever read

Day 10: Favorite classic

Day 11: Favorite animal book

Day 12: Favorite sci-fi book

Day 13: A book that reminds you of something/sometime

Day 14: A book that reminds you of someone

Day 15: Favorite holiday book

Day 16: Favorite book that was made into a movie

Day 17: A book that’s a guilty pleasure

Day 18: A book no one would expect you to love

Day 19: Favorite nonfiction book

Day 20: The last book you read

Day 21: The best book you’ve read this year

Day 22: Favorite book you had to read for school

Day 23: The book you’ve read the most times

Day 24: Favorite book series

Day 25: A book you used to hate but now love

Day 26: A book that makes you fall asleep

Day 27: Favorite love story

Day 28: A book you can quote by heart

Day 29: A book someone read to you

Day 30: A book you haven’t read yet but want to



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Trio Parada Dura


Sean Penn, Bukowski e Madonna.
Hoje seria aniversário de Bukowski, que faria 91 anos, e é o aniversário de Madonna, que deve estar completando uns 52 está completando 53.

Sean Penn os apresentou pelos idos dos anos 80, quando estava casado com Madonna. Ele queria adaptar um dos livros do velho Hank pro cinema e acabaram se tornando amigos. Mas Penn não conseguiu convencer nenhum estúdio. Mais tarde Mickey Rourke fez o papel dos sonhos de Penn, em Barfly, dirigido pelo doido Barbet Schroeder.

No livro Hollywood, Bukowski conta que não gostou de Madonna - a quem chamou de Ramona - e também não curtiu a interpretação de Rourke - um cara que sorria demais pro seu gosto.

Mais tarde Sean Penn agrediu Madonna e o casamento acabou, como todos sabem. Aposto que Bukowski riu muito disso, machistão que era. 

Mas gosto muito dos três.