terça-feira, 30 de agosto de 2011

Day 12: Favorite sci-fi book


Que livrinho admirável. Mais um clichê, mas eu tenho essa falha: nunca leio ficção científica. Nem sei o porquê. Gosto muito, acho fundamental, coisa e tal. É uma história que, mesmo você não tendo lido, já topou por aí - num filme, numa outra ficção científica, numa paródia ou mesmo no que a gente teme pelo futuro.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Day 11: Favorite animal book


Pensei em Fazenda-Modelo, do Chico Buarque, mas é uma coisinha ruim. A Revolução dos Bichos, de George Orwell, no qual se "inspira", eu não li. Marley e Eu é da Nina. Então vamos de velho Graça, de novo, porque esse livro é todo da Baleia.

(convenhamos que animal book é uma categoria bem besta)

domingo, 28 de agosto de 2011

Day 10: Favorite classic


São tantos os clássicos geniais e fundamentais, eleger o favorito foi uma dificuldade. Mrs. Dalloway, Servidão Humana, Orgulho e Preconceito, tantos! Mas pô, até Woody Allen concorda comigo: "você poderia pensar que ele o escreveu ontem. É tão moderno e divertido". E cínico, sombrio, zombeteiro. Ainda bem que capa de livro não me assusta - li essa edição que ilustra o post; não é agradável de se ver, convenhamos. Foi um texto que me conquistou do começo...
"Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas Memórias Póstumas".
... ao meio
"Não caiu morta; ainda torcia o corpo e movia as farpinhas da cabeça. Apiedei-me; tomei-a na palma da mão e fui depô-la no peitoril da janela. Era tarde; a infeliz expirou dentro de alguns segundos. Fiquei um pouco aborrecido, incomodado.
— Também por que diabo não era ela azul? disse comigo.
E esta reflexão, — uma das mais profundas que se tem feito, desde a invenção das borboletas, — me consolou do malefício, e me reconciliou comigo mesmo."*

... e ao fim
"Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria."




*O trecho da borboleta preta

sábado, 27 de agosto de 2011

Day 09: Saddest book you’ve ever read



"A Dor" é o relato da participação de Marguerite Duras na Segunda Guerra Mundial como militante da Resistência e do Partido Comunista Francês. A autora conta sobre seu amor por um prisioneiro num campo de concentração e outras estórias como a da mulher de um prisioneiro que tem um relacionamento com o agente da Gestapo que o prendeu e a da jovem militante que pela primeira vez interroga sob tortura um delator.


Preciso reler, porque ficaram poucas lembranças; as mais marcantes são da personagem que aguarda o fim da guerra e o retorno do marido, sem qualquer esperança de que ele realmente volte. Quando acontece, ele está num estado tão lastimável que se comporta como um animal triste, com uma fome que não pode ser saciada, porque senão adoeceria. A existência dói para todos. O que se salvou, por tudo o que viu e sentiu; a que esteve longe, por ter deixado de amar, por ter vivido um luto, por não ter mais amor.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Quando jovem, eu era japonesa

A gente vai mexendo nas coisas antigas e acha esse tipo de coisa. Foto do meu amigo eremita selvagem Iury Bueno, em 1991, durante as apresentações da peça O Rinoceronte, de Ionesco, no Sesc da Esquina. Eu tô com essa pose intelectual mas meu papel era da garçonete que grita "Um rinoceronte!" e é a primeira a virar o bicho.

Day 08: Scariest book you’ve ever read


A cena em que Winston e Julia são descobertos e depois, as torturas a que são submetidos (a dela, nunca saberemos, a dele, envolvendo uma armadilha com ratos) e a transformação a partir destes acontecimentos são as cenas mais assustadoras que já li. Passei muito tempo com medo de ver o filme, que é muito bom, mas não transmite, nem de longe, o terror contido de viver sob o Grande Irmão.


Ele puxou-a para baixo, fê-la ajoelhar-se à sua frente.

-Escuta. Quantos mais homens tivestes, mais te quero. Compreendes?
-Perfeitamente.
-Odeio a pureza, odeio a virtude. Nã quero que exista virtude alguma, em parte nenhuma. Quero que todos sejam corruptos até ossos.
-Então eu sirvo, querido. Sou corrupta até os ossos.
-Gostas de fazer isto? Não me refiro a mim, somente. Gostas da coisa em si?
-Adoro!

Acima de tudo, era o que ele desejava ouvir. Não somente o amor de uma pessoa, mais o instinto animal, o desejo simples, indiscriminado; era a força que faria a derrocada do Partido. Apertou-a contra o chão, esmagando campânulas. Desta vez não houve empecilhos. Dentro de algum instantes, o ofegar do peito de ambos voltou ao normal, e com um agradável torpor, permaneceram imóveis. O sol parecia ter esquentado mais. Ambos tinham sono. Ele puxou o macacão abandonado e cobriu-a um pouco. Quase imediatamente caíram no sono e dormiram cerca de meia hora.



quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Day 07: A book you hated but had to read for school




Fala-se que é um livro pra despertar a consciência ecológica nas crianças. Fui obrigada a ler na sexta série, foi dele minha primeira resenha. São quatro partes contando histórias de personagens diferentes: o sabiá, o cavalo, o peixe, a mangueira. Todos morrem, um a um. Hoje, procurando imagem da capa no google, fiquei COM MEDO de incluí-lo aqui, de tão mal que me fez. Até agora lembro da sensação ruim de ser obrigada a terminar a leitura - e foi a primeira vez que procrastinei uma tarefa até o domingo, perto da hora do Fantástico. Até perdi Os Trapalhões. Mencionei no twitter e achei que estava sendo injusta, pois comentaram da importância de ser um manifesto ecológico e tal. Mas encontrei uns trechos do livro que reforçaram minhas lembranças. E tcharans: do mesmo autor de Meu Pé de Laranja Lima. Aliás, o que pensavam os professores dos anos 70-80? Como alguém pode se animar a ler se o ano começa com Coração de Vidro e avança por A Mão e a Luva? Acho que era uma estratégia militar pra manter a ignorância do povo, mesmo (hahahah brinks, tinha a coleção Vagalume pra equilibrar).

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Super curtinhas...

... e que tuitei, antes.


Briguei feio com Ninotchka antes da escola. Pelo fato de que não cuida de suas coisas, não as guarda e tal. A primeira mãe das cavernas deve ter se irritado com os ossos fora do lugar. Mas aí fiquei de coração doído o dia todo, por deixá-la na escola depois da briga. Ao anoitecer, ao pegá-la de volta, nos estranhamos mas conversamos normalmente. Ela conta o livro que pegou na biblioteca: "Minha Mãe é um Monstro".



***


Recentemente me dei conta que há muito tempo não escuto música brasileira. Catei uns CDs e levei pro carro dois do Caetano: Totalmente Demais (ao vivo) e Velô. Do primeiro, Nina adorou Vaca Profana - e saiu cantando alto "Teta, teta, eu sou uma vaca de teta", hahahaha. O segundo tem Língua e O Quereres, além de outras menos marcantes, todas muito boas. O Quereres me parece basicamente o que o Lenine gostaria de ser quando crescer (veneninho, mas gosto também de 2 cds do Lenine). Nunca deixei de gostar do Caetano e quero ouvir o que ele tem feito, recentemente - tipo, nestes 15 anos que passei enjoada de MPB. Sinto o mesmo pelo Chico. Mas eles têm uma diferença muito grande, que me ocorreu hoje, ouvindo alto "flor do lácio sambódromo, lusamérica latina em pó": o Chico nunca foi jovem.

***

Agora Nina entra no carro e pede pra ouvir "a música do coqueiro".
Só no carro. Minha casa é super silenciosa.

Day 06: A book by your favorite author



Procurando trechos e imagens para esse extenso meme, tenho me surpreendido no quanto alguns livros dialogam entre si. Claro que há proximidade entre Bukowski e Fante, até porque o primeiro é fã confesso do segundo. Mas Graciliano Ramos está absolutamente distante deles no tempo, espaço e, principalmente, estilo. No entanto, dá voz e pensamentos a personagens parecidos: losers, desacorçoados, sem eira, beira ou qualquer esperança. É meu autor predileto, desde a primeira vez que o li, e será sempre.

Vivo agitado, cheio de terrores, uma tremura nas mãos, que magreceram. As mãos já não são minhas: são mãos de velho, fracas e inúteis. As escoriações das palmas cicatrizaram.
Impossível trabalhar. Dão-me um ofício, um relatório, para datilografar, na repartição. Até dez linhas vou bem. Daí em diante a cara balofa de Julião Tavares aparece em cima do original, e os meus dedos encontram no teclado uma resistência mole de carne gorda. E lá vem o erro. Tento vencer a obsessão, capricho em não usar a borracha. Concluo o trabalho, mas a resma de papel fica muito reduzida.
À noite fecho as portas, sento-me à mesa da sala de jantar, a munheca emperrada, o pensamento vadio longe do artigo que me pediram para o jornal.
Vitória resmunga na cozinha, ratos famintos remexem latas e embrulhos no guarda-comidas, automóveis roncam na rua.
Em duas horas escrevo uma palavra: Marina. Depois, aproveitando letras deste nome, arranjo coisas absurdas: ar, mar, rima, arma, ira, amar. Uns vinte nomes. Quando não consigo formar combinações novas, traço rabiscos que representam uma espada, uma lira, uma cabeça de mulher e outros disparates. Penso em indivíduos e em objetos que não têm relação com os desenhos: processos, orçamentos, o diretor, o secretário, políticos, sujeitos remediados que me desprezam porque sou um pobre-diabo.
Tipos bestas. Ficam dias inteiros fuxicando nos cafés e preguiçando, indecentes. Quando avisto essa cambada, encolho-me, colo-me às paredes como um rato assustado. Como um rato, exatamente. Fujo dos negociantes que soltam gargalhadas enormes, discutem política e putaria.
Não posso pagar o aluguel da casa. Dr. Gouveia aperta-me com bilhetes de cobrança. Bilhetes inúteis, mas dr. Gouveia não compreende isto. Há também o homem da luz, o Moisés das prestações, uma promissória de quinhentos mil-réis, já reformulada. E coisas piores, muito piores.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O Melhor. Caldo Verde. Ever.

Anota e manda bala.

 Na foto, o que restou (dá pra quatro pessoas, estávamos em duas, ou seja, amanhã tem janta pronta)


O Melhor Caldo Verde Ever

4 batatas grandes divididas ao meio
3 abobrinhas médias cortadas em pedaços bem grandes
4 linguiças defumadas, das fininhas, cortadas em rodelas
5 folhas de couve, picadas
Cebolinha verde e salsinha a gosto, picadas
1 caldo light de carne (daquele com menos sal)
cebola, alho picados
pimenta em grãos ou tabasco à vontade


Refogue no alho e cebola as rodelas de linguiça; adicione as batatas e abobrinhas e o caldo de carne, mexa bem; complete com água (até a metade de uma panela de pressão de 7 litros, mais ou menos). Deixe cozinhar por 10 minutos. Desligue e retire, catando - aí é serviço de preso mas ninguém disse que seria fácil - as batatas e abobrinhas (por isso picamos em pedaços grandes). Coloque-as no liquidificador, com um pouco do caldo, até virar uma papa. Devolva à panela (no fogo baixo) e mexa, incluindo as cebolinhas, salsinha e a couve. Deixe levantar fervura e desligue. Corrija o sal, se for necessário, e adicione a pimenta.


PS - originalmente a receita só leva batatas e couve, a abobrinha é licença poética minha, mesmo.