domingo, 11 de setembro de 2011

Vamos pedir piedade



Essa música não me sai da cabeça há dias.

sábado, 10 de setembro de 2011

Ajudinha

Amores, quero juntar os textos do blog véio, no Uol, com os deste endereço, alguém me dá uma dica que não seja "copiar e colar no muque um por um"? Penso em usar novo endereço no wordpress mas parece tããããão difícil!


mimimi

Day 23: The book you’ve read the most times


Philip Carey é um amigo, um namoradinho, uma paixonite, um amor duradouro. De vez em quando, talvez a cada dez anos, releio um pouco sua vida. Ele nasceu na Inglaterra do começo do século XX, com um pezinho torto que sempre o incomodou; a mãe morreu cedo e foi criado por um tio pastor, boa pessoa, mas nunca soube lhe dar carinho. Cresceu com algum dinheiro pra estudar, mas não era pessoa de muito foco. Morou na Alemanha, na França, começou Medicina porém decidiu se dedicar à arte; também pensou em ser mero contador, depois voltou à Medicina. Conheceu Mildred, uma bitch - papel perfeito para Bette Davis, anos mais tarde - para quem deu amor, dinheiro e, acreditava, sua dignidade. Fez os amigos mais interessantes da Europa: pintores, escultores, médicos, malandros, comerciantes. Servidão Humana é um livro que não só carrego comigo, como também faço questão que todos leiam: já presenteei amigos com ele uma boa meia dúzia de vezes. Outro dia achei que ainda tinha um exemplar de capa dura porém não o encontrei - deve ter sido emprestado a longo prazo, mas já providenciei outro, num sebo. Gostaria muito que William Somerset Maugham tivesse encompridado um pouquinho mais a narrativa. Não que o livro não seja ótimo (pra quem curte os classicões, como eu): é que acaba e fico querendo saber como Philip está se saindo.


(Imaginei agora fazer com Maugham o mesmo que a vilã de "Misery", de Stephen King, faz com o autor de sua série literária favorita: prendê-lo e obrigá-lo a escrever mais sobre o personagem de sua obra-prima.)

Tradutor: Antônio Barata

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

César e Poirot (nada a ver com o meme)

Aff, Caesar

Comprei recentemente o box da primeira temporada de Roma. Sou uma viúva de Lost e não consigo me interessar por mais nada na tv, mas sempre quis ver as aventuras de Júlio César, Marco Antônio et caterva. Depois que trouxe pra casa os dvds por um precinho camarada - porque paramos de baixar filmes depois que o laps do Mr Lopes surtou - nos seguramos pra não ver de uma vez só os 12 episódios. A série é muito boa, o enredo é fiel à história - a produção conjunta BBC e HBO garante certa credibilidade. O charme está nos coadjuvantes, na plebe à margem da decadência da República. É tão boa que assisti tudo de novo, com minha mãe e irmã, só pelo gostinho de prestar atenção aos detalhes e à produção primorosa. Recomendo fortemente. Já estou me programando pra rachar a segunda temporada com a família - são só as duas, mesmo.


SPOILER

Tive muito poucas aulas de História decentes na vida, praticamente só no cursinho. Então prestei pouca atenção ao assassinato de Júlio César no Senado de Roma. Por culpa de Shakespeare (hahaha), que cunhou a frase "Até tu, Brutus?" no imaginário universal, acabei passando batido pela forma como foi engendrado e executado o assassinato do tirano. Aí quando vi a cena no último episódio - violentíssima, como a série toda, aliás, repleta de assassinatos, estupros, maus tratos a escravos e plebe (principalmente às mulheres), lutas sangrentas em guerras homem a homem e uau, cenas de gladiadores (adoro) - me caiu uma ficha:

Ora que dona Agatha Christie se inspirou no assassinato de César para o crime de Assassinato no Orient Express! Espertinha. Pra ver como a realidade é sempre mais surpreendente e cruel.


Day 22: Favorite book you had to read for school


Ah, sacanagem falar de livro de escola, sendo que tão poucos foram os bons livros recomendados nas péssimas aulas que frequentei. Vou trapacear mais uma vez e escolher um livro que precisei ler na faculdade, ok? Senão vou ter de repetir Machado de Assis ou lembrar de alguma coisa da coleção Vagalume e convenhamos, já deu. Então fico com a boa lembrança de Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro. Um livro delicioso, erudito, baiano sacana, ufanista, zombeteiro. Li em dois dias, rápido demais para a devida apreciação, confesso. Tinha de fazer uma resenha pra aula de Literatura. Apesar de ser bem relapsa nesse período, a minha própria resenha, sobre outro título do qual não lembro, já estava pronta: a saga de três séculos da formação do povo brasileiro era tarefa de um então grande amigo. Só que ele não era tão chegado em leitura quanto eu e me ofereceu uma graninha pela empreitada, prontamente aceita. Algo em torno de R$ 50 que nunca foram totalmente pagos, diga-se de passagem. Bem, a nota também não foi grande coisa, um 8 que não impediu que ele ficasse pra prova final. Já o livro merece algo perto da nota 10.


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Day 21: The best book you’ve read this year



O que me fez demorar tanto pra ler A Sangue Frio, de Truman Capote? Há anos já tinha me encantado com seu estilo em Bonequinha de Luxo. Agora só posso comemorar que ainda tenho muito a conhecer dele, incluindo sua biografia, porque você não passa pela leitura de A Sangue Frio sem querer detalhes desse trabalho exaustivo e absolutamente inspirado de descrever não só um crime, não só as vítimas e seus algozes, mas o clima e o sentimento de toda uma cidade, vizinhos, amigos, policiais, juízes, a época, o choque, os traumas individuais e coletivos. Tudo. Você respira o crime, vê com os olhos de cada um. É um livro aterrador, ou melhor, um relato impecável de um crime terrível, assim como foram as vidas dos criminosos, com os quais Capote chegou - alguns dizem que ultrapassou - ao limite de intimidade jamais antes ousado para criar sua narrativa. Não à toa, o autor sofreu intensamente para terminar sua obra, somente depois de a sentença de morte ter sido executada, quando finalmente se permitiu colocar o ponto final. Interessante que neste "romance de não-ficção", que mistura os fatos obstinadamente investigados à criação literária mais refinada, faça falta apenas um personagem: o próprio escritor, que em momento nenhum tem sua presença registrada.

Top 3 pro resto da vida, com certeza.

*Tradução Sergio Flaksman

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Day 20: The last book you read




Não sou do tipo que bate no peito pra dizer "sou jornalista" como quem ganhou uma medalha em vez de diploma. Mas se há algo de que me orgulho do curso universitário, além de ter sido público e gratuito, foi ter sido aluna do Cristóvão Tezza, quando seus livros já faziam algum sucesso e sua obra, ainda pequena, era indicada para prêmios de literatura - não só por isso, mas também por ter sido o melhor professor de redação que poderia haver. "O Filho Eterno" traz um texto denso, angustiado, sincero, acompanhando a vida do pai escritor de um filho com síndrome de Down, nos anos 1980. Autobiografia em terceira pessoa, o livro não cai na autopiedade, nem muito menos em lições de humanidade: Cristóvão se expõe com uma autocrítica impiedosa sobre si como o pai abnegado de um filho limitado, quase num paralelo com sua carreira que, acreditou por algum tempo, seria igualmente limitada e fadada ao fracasso. Um livro difícil e genial, daqueles que a gente pousa no colo e dá um tempo para retomar o fôlego.

E então, finalmente, os olhos se deslocam do chão para o alto, e lá estão as mulheres - apenas mulheres - que fazem aquela máquina girar. Há mães, tias, avós, empregadas domésticas, ele calcula, percorrendo os rostos, que trazem seus lesados para as horas de fisioterapia. São fisionomias a um tempo pacientes e tensas - ele apreendeu ali, pela primeira vez, a síndrome dos pais com filho lesado: essa marca no rosto, uma camada subcutânea de tensão, o olhar agudo, aflito e incompleto, sempre com a sombra de uma justificativa na ponta da língua, que às vezes (no início) se derrama num desespero rapidamente controlado, porque a civilização é poderosa. Não podemos agarrar as pessoas para sacudi-las com força, para que nos olhem. Depois, pouco a pouco, assimila-se a consciência discreta de quem está definitivamente do lado de fora da vida, e o resto se resolve em detalhes práticos - o mundo tem só dez metros de diâmetro. É aqui que nos movemos.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Day 19: Favorite nonfiction book



Não sou uma pessoa de biografias. Cristiane F. tem passagens marcantes, como a morte da Babs; Chatô, O Rei do Brasil, é obrigatório pra quem é da minha área, mas não somente por isso, e talvez seja o melhor da categoria que já li; Olga é emocionante, mas não tanto quanto Memórias do Cárcere. Mas fico dessa vez com Tête-à-Tête, de Hazel Rowley, tradução de Adalgisa Campos Silva. Porque sou absolutamente interessada por Simone e Sartre, por seu momento histórico, por sua filosofia, suas atitudes e atos, mesmo os politicamente equivocados - por suas paixões, suas brigas, seu círculo de amizades, a dedicação com que se dedicaram ao trabalho e um ao outro. Este livro é um "momento Caras" intelectual, hahaha, brincadeira de mau gosto: mentira, é um livro com extensa pesquisa das biografias de ambos, cheio de detalhes, personagens e situações que a gente se delicia em identificar dos romances e dos registros históricos de ambos. Ah, e também tem muito sexo, intrigas e romance. ;)


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Day 18: A book no one would expect you to love




Um livro que ninguém imaginaria que eu gosto? Pensei em colocar aqui a trilogia Senhor dos Anéis, afinal - feiticeiros, reis, elfos, não estão muito dentro do padrão aqui demonstrado. Fim de Caso, de Graham Greene, é um livro mais "do meu tipo": enxuto, contemporâneo, magnificamente bem escrito, irônico, inteligente. Mas é um livro, digamos, cristão - menos do que o filme propõe, mas ainda assim, mais do que eu gostaria, com certeza. O que não tira seu mérito, pelo contrário: tem uma bela reflexão sobre religião, ao apresentar a loucura (pra mim e pro personagem principal) da heroína triste que barganha seu amor com Deus.


domingo, 4 de setembro de 2011

Day 17: A book that’s a guilty pleasure

 (o primeiro exemplar que li tinha essa capa horrorosa - depois comprei até o HQ)


Convencionou-se que os livros de Luis Fernando Verissimo não são literatura séria. Bem, eu acho que rir é coisa séria, sim. Eu tinha 18 anos e exatos 10 meses para aprender tudo o que não tinha visto de conteúdo em três anos do segundo grau, morando na (desejada) capital com a tia e a prima que me abrigaram. Minha mãe gastava todo o salário da escola estadual para pagar o cursinho e a pressão era inacreditável. Ou eu passava no vestibular, ou eu voltava pro interior. Vivia com dor no estômago e com a certeza de que meu maior esforço não seria suficiente. Aí um sábado, depois de um daqueles vestibulares simulados, no qual tinha me saído mal em matemática e física, me sentindo completamente derrotada, me isolei no quarto para continuar estudando, estudando, estudando. Fui procurar um livro qualquer na estante e achei um exemplar de O Analista de Bagé. Já tinha ouvido falar e visto uma propaganda na tv de uma peça homônima, puxando pro pornô. Fiquei curiosa e dei uma folheada. Mal tinha ouvido falar de Freud, mas fui lendo e lendo. Passei a tarde disfarçando as risadas. Foi um momento de respirar fundo pra continuar, de se permitir um pequeno prazer. Anos depois, passei a comprar tudo que pude de Verissimo. As Comédias da Vida Privada, os textos sobre as Copas do Mundo, as tirinhas das Cobras. Machista, leve, irresponsável, sim, mas Verissimo também sabe ser incisivo com relação a política, reflexivo e até poético. Acho que é um autor como Bukowski, que sofre o preconceito do "não li - não gostei" ou "li um pedaço e achei ruim".

Pues, diz que o divã no consultório do analista de Bagé é forrado com um pelego. Ele recebe os pacientes de bombacha e pé no chão.

— Buenas. Vá entrando e se abanque, índio velho.

— O senhor quer que eu deite logo no divã?

— Bom, se o amigo quiser dançar uma marca, antes, esteja a gosto. Mas eu prefiro ver o vivente estendido e charlando que nem china da fronteira, pra não perder tempo nem dinheiro.

— Certo, certo. Eu...

— Aceita um mate?

— Um quê? Ah, não. Obrigado.

— Pos desembucha.

— Antes, eu queria saber. O senhor é freudiano?

— Sou e sustento. Mais ortodoxo que reclame de xarope.

— Certo. Bem. Acho que o meu problema é com a minha mãe

— Outro.

— Outro?

— Complexo de Édipo. Dá mais que pereba em moleque.

— E o senhor acha...

— Eu acho uma pôca vergonha.

— Mas...

— Vai te metê na zona e deixa a velha em paz, tchê!