Eu podia tá robano e dizer que minha série favorita e mais "cabeça" é O Tempo e O Vento, de Erico Verissimo, com a Ana Terra, o Capitão Rodrigo e todo mundo, mas não li todos, então não vale.Fico mesmo com O Senhor dos Aneis - se é que dá pra tratar como uma série. Nunca fui muito de magia e reinos distantes, mas usei o velho truque do presente pra minha mãe: ela devora numa semana e depois me empresta (acabo presenteá-la com a nova febre mitológica, A Guerra dos Tronos). Comprei-os logo que foram relançados por causa dos filmes: confesso, nem sabia da existência dos livros., diferentemente de As Crônicas de Nárnia, dos quais nunca quis saber porque me irrita demais aquele leão-jesus. Li O Senhor dos Aneis em madrugadas de insônia e, depois de passar pela dureza do começo do primeiro livro, com a descrição de toda a Terra-Média, a língua dos elfos e zzzzz (pulei uns pedaços), depois que a coisa engrenou, fiquei totalmente encantada pela história, pela mitologia doida - como é que pode tudo ter saído da cabeça de um cara? - e fui praticamente dando pulos para o cinema, emocionada de poder ver as cenas mais emocionantes e perturbadoras. Se não houvesse tanta tanta tanta coisa boa esperando para ser lida, releria os três, porque às vezes dá uma saudade que não passa com os filmes.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Informação relevante
O que eu estava fazendo no dia 11 de setembro de 2001...
hahahaah brincadeirinha. Amo meus leitores <3
hahahaah brincadeirinha. Amo meus leitores <3
domingo, 11 de setembro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
Ajudinha
Amores, quero juntar os textos do blog véio, no Uol, com os deste endereço, alguém me dá uma dica que não seja "copiar e colar no muque um por um"? Penso em usar novo endereço no wordpress mas parece tããããão difícil!
mimimi
mimimi
Day 23: The book you’ve read the most times
Philip Carey é um amigo, um namoradinho, uma paixonite, um amor duradouro. De vez em quando, talvez a cada dez anos, releio um pouco sua vida. Ele nasceu na Inglaterra do começo do século XX, com um pezinho torto que sempre o incomodou; a mãe morreu cedo e foi criado por um tio pastor, boa pessoa, mas nunca soube lhe dar carinho. Cresceu com algum dinheiro pra estudar, mas não era pessoa de muito foco. Morou na Alemanha, na França, começou Medicina porém decidiu se dedicar à arte; também pensou em ser mero contador, depois voltou à Medicina. Conheceu Mildred, uma bitch - papel perfeito para Bette Davis, anos mais tarde - para quem deu amor, dinheiro e, acreditava, sua dignidade. Fez os amigos mais interessantes da Europa: pintores, escultores, médicos, malandros, comerciantes. Servidão Humana é um livro que não só carrego comigo, como também faço questão que todos leiam: já presenteei amigos com ele uma boa meia dúzia de vezes. Outro dia achei que ainda tinha um exemplar de capa dura porém não o encontrei - deve ter sido emprestado a longo prazo, mas já providenciei outro, num sebo. Gostaria muito que William Somerset Maugham tivesse encompridado um pouquinho mais a narrativa. Não que o livro não seja ótimo (pra quem curte os classicões, como eu): é que acaba e fico querendo saber como Philip está se saindo.
(Imaginei agora fazer com Maugham o mesmo que a vilã de "Misery", de Stephen King, faz com o autor de sua série literária favorita: prendê-lo e obrigá-lo a escrever mais sobre o personagem de sua obra-prima.)
(Imaginei agora fazer com Maugham o mesmo que a vilã de "Misery", de Stephen King, faz com o autor de sua série literária favorita: prendê-lo e obrigá-lo a escrever mais sobre o personagem de sua obra-prima.)
Tradutor: Antônio Barata
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
César e Poirot (nada a ver com o meme)
Aff, Caesar
Comprei recentemente o box da primeira temporada de Roma. Sou uma viúva de Lost e não consigo me interessar por mais nada na tv, mas sempre quis ver as aventuras de Júlio César, Marco Antônio et caterva. Depois que trouxe pra casa os dvds por um precinho camarada - porque paramos de baixar filmes depois que o laps do Mr Lopes surtou - nos seguramos pra não ver de uma vez só os 12 episódios. A série é muito boa, o enredo é fiel à história - a produção conjunta BBC e HBO garante certa credibilidade. O charme está nos coadjuvantes, na plebe à margem da decadência da República. É tão boa que assisti tudo de novo, com minha mãe e irmã, só pelo gostinho de prestar atenção aos detalhes e à produção primorosa. Recomendo fortemente. Já estou me programando pra rachar a segunda temporada com a família - são só as duas, mesmo.
SPOILER
Tive muito poucas aulas de História decentes na vida, praticamente só no cursinho. Então prestei pouca atenção ao assassinato de Júlio César no Senado de Roma. Por culpa de Shakespeare (hahaha), que cunhou a frase "Até tu, Brutus?" no imaginário universal, acabei passando batido pela forma como foi engendrado e executado o assassinato do tirano. Aí quando vi a cena no último episódio - violentíssima, como a série toda, aliás, repleta de assassinatos, estupros, maus tratos a escravos e plebe (principalmente às mulheres), lutas sangrentas em guerras homem a homem e uau, cenas de gladiadores (adoro) - me caiu uma ficha:
Ora que dona Agatha Christie se inspirou no assassinato de César para o crime de Assassinato no Orient Express! Espertinha. Pra ver como a realidade é sempre mais surpreendente e cruel.
Day 22: Favorite book you had to read for school
Ah, sacanagem falar de livro de escola, sendo que tão poucos foram os bons livros recomendados nas péssimas aulas que frequentei. Vou trapacear mais uma vez e escolher um livro que precisei ler na faculdade, ok? Senão vou ter de repetir Machado de Assis ou lembrar de alguma coisa da coleção Vagalume e convenhamos, já deu. Então fico com a boa lembrança de Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro. Um livro delicioso, erudito, baiano sacana, ufanista, zombeteiro. Li em dois dias, rápido demais para a devida apreciação, confesso. Tinha de fazer uma resenha pra aula de Literatura. Apesar de ser bem relapsa nesse período, a minha própria resenha, sobre outro título do qual não lembro, já estava pronta: a saga de três séculos da formação do povo brasileiro era tarefa de um então grande amigo. Só que ele não era tão chegado em leitura quanto eu e me ofereceu uma graninha pela empreitada, prontamente aceita. Algo em torno de R$ 50 que nunca foram totalmente pagos, diga-se de passagem. Bem, a nota também não foi grande coisa, um 8 que não impediu que ele ficasse pra prova final. Já o livro merece algo perto da nota 10.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Day 21: The best book you’ve read this year
O que me fez demorar tanto pra ler A Sangue Frio, de Truman Capote? Há anos já tinha me encantado com seu estilo em Bonequinha de Luxo. Agora só posso comemorar que ainda tenho muito a conhecer dele, incluindo sua biografia, porque você não passa pela leitura de A Sangue Frio sem querer detalhes desse trabalho exaustivo e absolutamente inspirado de descrever não só um crime, não só as vítimas e seus algozes, mas o clima e o sentimento de toda uma cidade, vizinhos, amigos, policiais, juízes, a época, o choque, os traumas individuais e coletivos. Tudo. Você respira o crime, vê com os olhos de cada um. É um livro aterrador, ou melhor, um relato impecável de um crime terrível, assim como foram as vidas dos criminosos, com os quais Capote chegou - alguns dizem que ultrapassou - ao limite de intimidade jamais antes ousado para criar sua narrativa. Não à toa, o autor sofreu intensamente para terminar sua obra, somente depois de a sentença de morte ter sido executada, quando finalmente se permitiu colocar o ponto final. Interessante que neste "romance de não-ficção", que mistura os fatos obstinadamente investigados à criação literária mais refinada, faça falta apenas um personagem: o próprio escritor, que em momento nenhum tem sua presença registrada.
Top 3 pro resto da vida, com certeza.
*Tradução Sergio Flaksman
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Day 20: The last book you read
Não sou do tipo que bate no peito pra dizer "sou jornalista" como quem ganhou uma medalha em vez de diploma. Mas se há algo de que me orgulho do curso universitário, além de ter sido público e gratuito, foi ter sido aluna do Cristóvão Tezza, quando seus livros já faziam algum sucesso e sua obra, ainda pequena, era indicada para prêmios de literatura - não só por isso, mas também por ter sido o melhor professor de redação que poderia haver. "O Filho Eterno" traz um texto denso, angustiado, sincero, acompanhando a vida do pai escritor de um filho com síndrome de Down, nos anos 1980. Autobiografia em terceira pessoa, o livro não cai na autopiedade, nem muito menos em lições de humanidade: Cristóvão se expõe com uma autocrítica impiedosa sobre si como o pai abnegado de um filho limitado, quase num paralelo com sua carreira que, acreditou por algum tempo, seria igualmente limitada e fadada ao fracasso. Um livro difícil e genial, daqueles que a gente pousa no colo e dá um tempo para retomar o fôlego.
E então, finalmente, os olhos se deslocam do chão para o alto, e lá estão as mulheres - apenas mulheres - que fazem aquela máquina girar. Há mães, tias, avós, empregadas domésticas, ele calcula, percorrendo os rostos, que trazem seus lesados para as horas de fisioterapia. São fisionomias a um tempo pacientes e tensas - ele apreendeu ali, pela primeira vez, a síndrome dos pais com filho lesado: essa marca no rosto, uma camada subcutânea de tensão, o olhar agudo, aflito e incompleto, sempre com a sombra de uma justificativa na ponta da língua, que às vezes (no início) se derrama num desespero rapidamente controlado, porque a civilização é poderosa. Não podemos agarrar as pessoas para sacudi-las com força, para que nos olhem. Depois, pouco a pouco, assimila-se a consciência discreta de quem está definitivamente do lado de fora da vida, e o resto se resolve em detalhes práticos - o mundo tem só dez metros de diâmetro. É aqui que nos movemos.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Day 19: Favorite nonfiction book
Não sou uma pessoa de biografias. Cristiane F. tem passagens marcantes, como a morte da Babs; Chatô, O Rei do Brasil, é obrigatório pra quem é da minha área, mas não somente por isso, e talvez seja o melhor da categoria que já li; Olga é emocionante, mas não tanto quanto Memórias do Cárcere. Mas fico dessa vez com Tête-à-Tête, de Hazel Rowley, tradução de Adalgisa Campos Silva. Porque sou absolutamente interessada por Simone e Sartre, por seu momento histórico, por sua filosofia, suas atitudes e atos, mesmo os politicamente equivocados - por suas paixões, suas brigas, seu círculo de amizades, a dedicação com que se dedicaram ao trabalho e um ao outro. Este livro é um "momento Caras" intelectual, hahaha, brincadeira de mau gosto: mentira, é um livro com extensa pesquisa das biografias de ambos, cheio de detalhes, personagens e situações que a gente se delicia em identificar dos romances e dos registros históricos de ambos. Ah, e também tem muito sexo, intrigas e romance. ;)
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