Um livro que eu saiba de cor - ou pelo menos, trechos. Bem, não existe. Já houve. Vou contar uma historinha triste da minha adolescência na roça. Naquele tempo não havia xerox. Ou se existia, não estava a meu alcance. As provas da escola eram feitas no mimeógrafo, por exemplo, e assim como a Bíblia nas aulas de catequese, as apostilas e livros deviam ser copiados à mão, em rascunhos e depois passados a limpo nos cadernos. Quem dera me fossem devolvidas as horas que perdi, criando calos nos dedos. Mas havia aqueles que eu amava e que não me pertenciam. Pra esses eu tinha meus próprios cadernos. Num deles, copiei capítulos inteiros dos mais diversos estilos. E naquela época eu ainda gostava de poesia. Repassei várias, em canetas coloridas - e esse trabalho, além da releitura, me fazia decorá-las. Lembro de Ferreira Gullar, Pablo Neruda, até Juó Bananere. Sabia uma boa parte de A Tabacaria de cor, por exemplo. Hoje só lembro de "come chocolates, pequena". Como diz a minha amiga @cris_witt, gente, eu não lembro o que comi de almoço, ontem.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Day 26: A book that makes you fall asleep
Muito difícil esse item porque nunca durmo, lendo. Pra eu dormir é preciso todo um ritual, a luz certa, todos estarem dormindo também na casa etc. etc. E como sou sempre a última a deitar, acabo não lendo na cama (contrariando o exemplo da minha mãe que nunca, nem quando chega de festa às 3 da madrugada em casa, deixa de ler umas paginazinhas, a vida fucking toda). Outra coisa: não perco tempo com livro ruim. Por ruim, pense em coisa mal escrita ou que não cumpra o papel mínimo de entretenimento. Ou empolada, datada, técnica, ou ainda textos para os quais não tenho preparo. A vida é curta. Se um filme não me pega nos primeiros 20 minutos, não perco mais tempo com ele. O mesmo para livros - não admiti que pulei a introdução de O Senhor dos Anéis? Então. Mas a Bíblia me traz a lembrança de um sono profundo causado pela obrigação de copiar capítulos inteiros para as aulas de catequese. Deus, que coisa chata. Lembro muito bem do calor, as letrinhas embaralhando, o mundo lá fora me esperando pra um jogo de queimada ou uma volta de bicicleta e eu lá copiando, copiando - e eu até tentei me interessar, juro. Sei bem que tem a História, os Salmos etc. etc. Não desprezo e acho legal quem conhece, mesmo (ou principalmente) que seja para criticar. Mas ronc.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Day 25: A book you used to hate but now love
Love, love também não. Mas taí um livro que me deu vontade de jogar na parede, de pisar, de cuspir até. Se não fosse bem escrito, claro (bem escrito a gente aguenta até e-mail spam). Mas olha: "O polêmico escritor francês Michel Houellebecq recheia 'Plataforma' com sexo, fundamentalismo, globalização e muito mais. Sua prosa cáustica, elegante e pornográfica é notada por onde passa, deixando rastros de amor e ódio. A partir da vida de Michel, um burocrata do Ministério da Cultura Francês de 40 anos, viciado em peep shows, que parte em uma excursão à Tailândia privilegiando roteiros do turismo sexual, Houellebecq traça um panorama sério, grotesco e contundente da sociedade pós-moderna" (resenha da Livraria Cultura). Quer dizer. O personagem principal é um escroto que de fato acredita que o terceiro mundo deve ser responsável pela diversão - sexual - do primeiro mundo. Que é tipo nossa vocação. Fiquei tão puta (hahahaah) com isso. Bem, Michel decide investir num resort sexual e o livro dá umas reviravoltas. E ainda se mete com religião, ridiculariza, década antes do #classemediasofre, o estilo de vida século 21 e tal. Ah, tem cenas eróticas bem convincentes, viu. Acabei dando o livro pra um amigo, que também ficou naquela "é escroto mas é legal". Bem. O tempo passou e acabei mudando de opinião. Lendo agora uns trechos aleatórios, vejo que pô, é um livro bem bacana, eu é que talvez ainda não fosse tão cínica. Ainda.
E me desculpem por isso, mas tem um texto bom do Moacyr Scliar sobre ele na Veja, aqui. É, eu sei...
No ângulo esquerdo do meu campo de visão vi um banco de musculação e halteres. Imaginei rapidamente um cretino de short - com o rosto enrugado, mas fora isso muito parecido com o meu - inflando seus peitorais com uma energia sem esperança. Papai, pensei, papai, você construiu seu castelo em cima da areia. Eu continuava pedalando, mas comecei a me sentir ofegante e com uma leve dor nas coxas; e nem havia passado do nível um. Lembrando da cerimônia fúnebre, eu tinha consciência de ter produzido uma excelente impressão geral. Sempre estou muito bem barbeado, minhas costas são estreitas; como me apareceu um começo de calvície por volta dos trinta anos, decidi cortar o cabelo bem curtinho. Geralmente uso ternos cinza, gravatas discretas, e nunca tenho um ar muito alegre. Com o cabelo aparado rente, meus óculos finos e meu rosto rabugento, abaixando ligeiramente a cabeça para ouvir um mix de cantos fúnebres cristãos eu me sentia muito à vontade ali - bem mais à vontade que num casamento, por exemplo. Os enterros, decididamente, são o meu negócio. Parei de pedalar, tossi de leve. A noite caía nos prados à minha volta. Ao lado da estrutura de cimento em que o aquecedor se fixava via-se uma mancha amarronzada, que não haviam limpado direito. Foi ali que encontraram o meu pai, com o crânio rachado, vestindo um short e uma camiseta “I love New York”.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Day 24: Favorite book series
Eu podia tá robano e dizer que minha série favorita e mais "cabeça" é O Tempo e O Vento, de Erico Verissimo, com a Ana Terra, o Capitão Rodrigo e todo mundo, mas não li todos, então não vale.Fico mesmo com O Senhor dos Aneis - se é que dá pra tratar como uma série. Nunca fui muito de magia e reinos distantes, mas usei o velho truque do presente pra minha mãe: ela devora numa semana e depois me empresta (acabo presenteá-la com a nova febre mitológica, A Guerra dos Tronos). Comprei-os logo que foram relançados por causa dos filmes: confesso, nem sabia da existência dos livros., diferentemente de As Crônicas de Nárnia, dos quais nunca quis saber porque me irrita demais aquele leão-jesus. Li O Senhor dos Aneis em madrugadas de insônia e, depois de passar pela dureza do começo do primeiro livro, com a descrição de toda a Terra-Média, a língua dos elfos e zzzzz (pulei uns pedaços), depois que a coisa engrenou, fiquei totalmente encantada pela história, pela mitologia doida - como é que pode tudo ter saído da cabeça de um cara? - e fui praticamente dando pulos para o cinema, emocionada de poder ver as cenas mais emocionantes e perturbadoras. Se não houvesse tanta tanta tanta coisa boa esperando para ser lida, releria os três, porque às vezes dá uma saudade que não passa com os filmes.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Informação relevante
O que eu estava fazendo no dia 11 de setembro de 2001...
hahahaah brincadeirinha. Amo meus leitores <3
hahahaah brincadeirinha. Amo meus leitores <3
domingo, 11 de setembro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
Ajudinha
Amores, quero juntar os textos do blog véio, no Uol, com os deste endereço, alguém me dá uma dica que não seja "copiar e colar no muque um por um"? Penso em usar novo endereço no wordpress mas parece tããããão difícil!
mimimi
mimimi
Day 23: The book you’ve read the most times
Philip Carey é um amigo, um namoradinho, uma paixonite, um amor duradouro. De vez em quando, talvez a cada dez anos, releio um pouco sua vida. Ele nasceu na Inglaterra do começo do século XX, com um pezinho torto que sempre o incomodou; a mãe morreu cedo e foi criado por um tio pastor, boa pessoa, mas nunca soube lhe dar carinho. Cresceu com algum dinheiro pra estudar, mas não era pessoa de muito foco. Morou na Alemanha, na França, começou Medicina porém decidiu se dedicar à arte; também pensou em ser mero contador, depois voltou à Medicina. Conheceu Mildred, uma bitch - papel perfeito para Bette Davis, anos mais tarde - para quem deu amor, dinheiro e, acreditava, sua dignidade. Fez os amigos mais interessantes da Europa: pintores, escultores, médicos, malandros, comerciantes. Servidão Humana é um livro que não só carrego comigo, como também faço questão que todos leiam: já presenteei amigos com ele uma boa meia dúzia de vezes. Outro dia achei que ainda tinha um exemplar de capa dura porém não o encontrei - deve ter sido emprestado a longo prazo, mas já providenciei outro, num sebo. Gostaria muito que William Somerset Maugham tivesse encompridado um pouquinho mais a narrativa. Não que o livro não seja ótimo (pra quem curte os classicões, como eu): é que acaba e fico querendo saber como Philip está se saindo.
(Imaginei agora fazer com Maugham o mesmo que a vilã de "Misery", de Stephen King, faz com o autor de sua série literária favorita: prendê-lo e obrigá-lo a escrever mais sobre o personagem de sua obra-prima.)
(Imaginei agora fazer com Maugham o mesmo que a vilã de "Misery", de Stephen King, faz com o autor de sua série literária favorita: prendê-lo e obrigá-lo a escrever mais sobre o personagem de sua obra-prima.)
Tradutor: Antônio Barata
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
César e Poirot (nada a ver com o meme)
Aff, Caesar
Comprei recentemente o box da primeira temporada de Roma. Sou uma viúva de Lost e não consigo me interessar por mais nada na tv, mas sempre quis ver as aventuras de Júlio César, Marco Antônio et caterva. Depois que trouxe pra casa os dvds por um precinho camarada - porque paramos de baixar filmes depois que o laps do Mr Lopes surtou - nos seguramos pra não ver de uma vez só os 12 episódios. A série é muito boa, o enredo é fiel à história - a produção conjunta BBC e HBO garante certa credibilidade. O charme está nos coadjuvantes, na plebe à margem da decadência da República. É tão boa que assisti tudo de novo, com minha mãe e irmã, só pelo gostinho de prestar atenção aos detalhes e à produção primorosa. Recomendo fortemente. Já estou me programando pra rachar a segunda temporada com a família - são só as duas, mesmo.
SPOILER
Tive muito poucas aulas de História decentes na vida, praticamente só no cursinho. Então prestei pouca atenção ao assassinato de Júlio César no Senado de Roma. Por culpa de Shakespeare (hahaha), que cunhou a frase "Até tu, Brutus?" no imaginário universal, acabei passando batido pela forma como foi engendrado e executado o assassinato do tirano. Aí quando vi a cena no último episódio - violentíssima, como a série toda, aliás, repleta de assassinatos, estupros, maus tratos a escravos e plebe (principalmente às mulheres), lutas sangrentas em guerras homem a homem e uau, cenas de gladiadores (adoro) - me caiu uma ficha:
Ora que dona Agatha Christie se inspirou no assassinato de César para o crime de Assassinato no Orient Express! Espertinha. Pra ver como a realidade é sempre mais surpreendente e cruel.
Day 22: Favorite book you had to read for school
Ah, sacanagem falar de livro de escola, sendo que tão poucos foram os bons livros recomendados nas péssimas aulas que frequentei. Vou trapacear mais uma vez e escolher um livro que precisei ler na faculdade, ok? Senão vou ter de repetir Machado de Assis ou lembrar de alguma coisa da coleção Vagalume e convenhamos, já deu. Então fico com a boa lembrança de Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro. Um livro delicioso, erudito, baiano sacana, ufanista, zombeteiro. Li em dois dias, rápido demais para a devida apreciação, confesso. Tinha de fazer uma resenha pra aula de Literatura. Apesar de ser bem relapsa nesse período, a minha própria resenha, sobre outro título do qual não lembro, já estava pronta: a saga de três séculos da formação do povo brasileiro era tarefa de um então grande amigo. Só que ele não era tão chegado em leitura quanto eu e me ofereceu uma graninha pela empreitada, prontamente aceita. Algo em torno de R$ 50 que nunca foram totalmente pagos, diga-se de passagem. Bem, a nota também não foi grande coisa, um 8 que não impediu que ele ficasse pra prova final. Já o livro merece algo perto da nota 10.
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