terça-feira, 20 de setembro de 2011

Day 29: A book someone read to you



O meme é legal mas a gente tem que rebolar pra não encher de livros infantis, não é? Pois vou mais uma vez dar uma trapaceada e, em vez de citar algum conto de fadas lido por minha mãe, escolho destacar aqui o emocionante Os Devaneios do Caminhante Solitário, de Jean-Jacques Rousseau. Não o li - mesmo porque não sou afeita a Filosofia - mas tive o prazer de ouvir trechos e de ter verdadeiras aulas sobre a vida deste que foi um dos pensadores mais importantes, polêmicos, divertidos e interessantes da História da Filosofia. Explico para quem caiu aqui de pára-quedas: o professor de Filosofia com quem tenho o prazer de conviver há 20 anos é um rousseauísta ferrenho e baseou no pensador francês seu mestrado - além de a ele ter se dedicado em boa parte da faculdade, com trabalhos e monografia para os quais fui convidada a colaborar como uma secretária datilógrafa remunerada, digamos, em espécie.
Então li por tabela esta autobiografia absolutamente sincera, considerada o primeiro livro romântico do século XVIII, e que ainda por cima tem dos mais lindos títulos e primeiros parágrafos da literatura universal. Confira.

 Eis-me, portanto, sozinho na terra, tendo apenas a mim mesmo como irmão, próximo, amigo, companhia. O mais sociável eo mais afetuoso dos humanos dela foi proscrito por um acordo unânime. Procuraram nos refinamentos de seu ódio que tormento poderia ser mais cruel para a minha alma sensível e quebraram violentamente todos os elos que me ligavam a eles. Teria amado os homens a despeito deles próprios. Cessando de sê-lo, não puderam senão furtar-se ao meu afeto. Ei-los, portanto, estranhos, desconhecidos, inexistentes enfim para mim, visto que o quiseram. Mas eu, afastado deles e de tudo, que sou eu mesmo? Eis o que me falta procurar. Infelizmente, essa procura deve ser precedida por um exame da minha situação. É uma ideia por que devo necessariamente passar para chegar deles a mim.


domingo, 18 de setembro de 2011

Day 27: Favorite love story


O fato é que não leio muitas histórias de amor. Incrível, me dei conta agora. Ainda não li Romeu e Julieta, por exemplo. Poderia citar Mr. Darcy, aquele lindo, e Elizabeth Benneth, mas me dei conta que também não li Orgulho e Preconceito, de Jane Austen - e confesso que confundo com Razão e Sensibilidade, este sim devidamente apreciado. Então vamos sair da Inglaterra e apelar para um amor tão profundo, romântico e poético quanto: O Chão que Ela Pisa, de Salman Rushdie - e só hoje, googleando para encontrar detalhes sobre o livro fiquei sabendo que há duas músicas, uma do U2 e outra da tal CPM22 com esse título, homenageando a obra. Não sei da qualidade delas, mas faz todo sentido. A história recria - outra informação da qual eu não tinha me dado conta - o mito de Orfeu e Eurídice, contando a história de um homem e uma mulher, Ormus e Vina, que nasceram para a música e um para o outro.
Na década de 50, Ormus, indiano de família rica, torna-se um astro da música popular, um John Lennon oriental. Vina, a única mulher de sua vida amorosa e sexual, trilha um caminho semelhante: pobre, criada nos Estados Unidos, torna-se uma estrela internacional da cultura pop, um objeto de desejo dos homens. Rai, fotojornalista, amigo de Ormus, mergulha em guerras e revoluções pelo mundo afora e também é apaixonado por Vina. Ao narrar a história desse triângulo amoroso, Rushdie cria uma versão complexa do mito grego de Orfeu e Eurídice, em que o homem apaixonado desce aos infernos para recuperar a mulher amada. E, superando a divisão entre Oriente e Ocidente, projeta o mundo contemporâneo como um lugar onde descer aos infernos talvez seja o único modo de encontrar sentido para a vida.

A leitura de O Chão que Ela Pisa me prendeu e apaixonou também pela apresentação que faz da Índia - ritos, história, religião e, principalmente, da sua linguagem, misturando dialetos ao inglês e formando, quase em tempo real, uma nova língua, global. Aliás, vi críticas chamando esse livro de "global" - além de genial e obra-prima.


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Day 28: A book you can quote by heart


Um livro que eu saiba de cor - ou pelo menos, trechos. Bem, não existe. Já houve. Vou contar uma historinha triste da minha adolescência na roça. Naquele tempo não havia xerox. Ou se existia, não estava a meu alcance. As provas da escola eram feitas no mimeógrafo, por exemplo, e assim como a Bíblia nas aulas de catequese, as apostilas e livros deviam ser copiados à mão, em rascunhos e depois passados a limpo nos cadernos. Quem dera me fossem devolvidas as horas que perdi, criando calos nos dedos. Mas havia aqueles que eu amava e que não me pertenciam. Pra esses eu tinha meus próprios cadernos. Num deles, copiei capítulos inteiros dos mais diversos estilos. E naquela época eu ainda gostava de poesia. Repassei várias, em canetas coloridas - e esse trabalho, além da releitura, me fazia decorá-las. Lembro de Ferreira Gullar, Pablo Neruda, até Juó Bananere. Sabia uma boa parte de A Tabacaria de cor, por exemplo. Hoje só lembro de "come chocolates, pequena". Como diz a minha amiga @cris_witt, gente, eu não lembro o que comi de almoço, ontem.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Day 26: A book that makes you fall asleep



Muito difícil esse item porque nunca durmo, lendo. Pra eu dormir é preciso todo um ritual, a luz certa, todos estarem dormindo também na casa etc. etc. E como sou sempre a última a deitar, acabo não lendo na cama (contrariando o exemplo da minha mãe que nunca, nem quando chega de festa às 3 da madrugada em casa, deixa de ler umas paginazinhas, a vida fucking toda). Outra coisa: não perco tempo com livro ruim. Por ruim, pense em coisa mal escrita ou que não cumpra o papel mínimo de entretenimento. Ou empolada, datada, técnica, ou ainda textos para os quais não tenho preparo. A vida é curta. Se um filme não me pega nos primeiros 20 minutos, não perco mais tempo com ele. O mesmo para livros - não admiti que pulei a introdução de O Senhor dos Anéis? Então. Mas a Bíblia me traz a lembrança de um sono profundo causado pela obrigação de copiar capítulos inteiros para as aulas de catequese. Deus, que coisa chata. Lembro muito bem do calor, as letrinhas embaralhando, o mundo lá fora me esperando pra um jogo de queimada ou uma volta de bicicleta e eu lá copiando, copiando - e eu até tentei me interessar, juro. Sei bem que tem a História, os Salmos etc. etc. Não desprezo e acho legal quem conhece, mesmo (ou principalmente) que seja para criticar. Mas ronc.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Day 25: A book you used to hate but now love



Love, love também não. Mas taí um livro que me deu vontade de jogar na parede, de pisar, de cuspir até. Se não fosse bem escrito, claro (bem escrito a gente aguenta até e-mail spam). Mas olha: "O polêmico escritor francês Michel Houellebecq recheia 'Plataforma' com sexo, fundamentalismo, globalização e muito mais. Sua prosa cáustica, elegante e pornográfica é notada por onde passa, deixando rastros de amor e ódio. A partir da vida de Michel, um burocrata do Ministério da Cultura Francês de 40 anos, viciado em peep shows, que parte em uma excursão à Tailândia privilegiando roteiros do turismo sexual, Houellebecq traça um panorama sério, grotesco e contundente da sociedade pós-moderna" (resenha da Livraria Cultura). Quer dizer. O personagem principal é um escroto que de fato acredita que o terceiro mundo deve ser responsável pela diversão - sexual - do primeiro mundo. Que é tipo nossa vocação. Fiquei tão puta (hahahaah) com isso. Bem, Michel decide investir num resort sexual e o livro dá umas reviravoltas. E ainda se mete com religião, ridiculariza, década antes do #classemediasofre, o estilo de vida século 21 e tal. Ah, tem cenas eróticas bem convincentes, viu. Acabei dando o livro pra um amigo, que também ficou naquela "é escroto mas é legal". Bem. O tempo passou e acabei mudando de opinião. Lendo agora uns trechos aleatórios, vejo que pô, é um livro bem bacana, eu é que talvez ainda não fosse tão cínica. Ainda.


E me desculpem por isso, mas tem um texto bom do Moacyr Scliar sobre ele na Veja, aqui. É, eu sei...

No ângulo esquerdo do meu campo de visão vi um banco de musculação e halteres. Imaginei rapidamente um cretino de short - com o rosto enrugado, mas fora isso muito parecido com o meu - inflando seus peitorais com uma energia sem esperança. Papai, pensei, papai, você construiu seu castelo em cima da areia. Eu continuava pedalando, mas comecei a me sentir ofegante e com uma leve dor nas coxas; e nem havia passado do nível um. Lembrando da cerimônia fúnebre, eu tinha consciência de ter produzido uma excelente impressão geral. Sempre estou muito bem barbeado, minhas costas são estreitas; como me apareceu um começo de calvície por volta dos trinta anos, decidi cortar o cabelo bem curtinho. Geralmente uso ternos cinza, gravatas discretas, e nunca tenho um ar muito alegre. Com o cabelo aparado rente, meus óculos finos e meu rosto rabugento, abaixando ligeiramente a cabeça para ouvir um mix de cantos fúnebres cristãos eu me sentia muito à vontade ali - bem mais à vontade que num casamento, por exemplo. Os enterros, decididamente, são o meu negócio. Parei de pedalar, tossi de leve. A noite caía nos prados à minha volta. Ao lado da estrutura de cimento em que o aquecedor se fixava via-se uma mancha amarronzada, que não haviam limpado direito. Foi ali que encontraram o meu pai, com o crânio rachado, vestindo um short e uma camiseta “I love New York”.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Day 24: Favorite book series

Eu podia tá robano e dizer que minha série favorita e mais "cabeça" é O Tempo e O Vento, de Erico Verissimo, com a Ana Terra, o Capitão Rodrigo e todo mundo, mas não li todos, então não vale.Fico mesmo com O Senhor dos Aneis - se é que dá pra tratar como uma série. Nunca fui muito de magia e reinos distantes, mas usei o velho truque do presente pra minha mãe: ela devora numa semana e depois me empresta (acabo presenteá-la com a nova febre mitológica, A Guerra dos Tronos). Comprei-os logo que foram relançados por causa dos filmes: confesso, nem sabia da existência dos livros., diferentemente de As Crônicas de Nárnia, dos quais nunca quis saber porque me irrita demais aquele leão-jesus. Li O Senhor dos Aneis em madrugadas de insônia e, depois de passar pela dureza do começo do primeiro livro, com a descrição de toda a Terra-Média, a língua dos elfos e zzzzz (pulei uns pedaços), depois que a coisa engrenou, fiquei totalmente encantada pela história, pela mitologia doida  - como é que pode tudo ter saído da cabeça de um cara? - e fui praticamente dando pulos para o cinema, emocionada de poder ver as cenas mais emocionantes e perturbadoras. Se não houvesse tanta tanta tanta coisa boa esperando para ser lida, releria os três, porque às vezes dá uma saudade que não passa com os filmes. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Informação relevante

O que eu estava fazendo no dia 11 de setembro de 2001...

hahahaah brincadeirinha. Amo meus leitores <3

domingo, 11 de setembro de 2011

Vamos pedir piedade



Essa música não me sai da cabeça há dias.

sábado, 10 de setembro de 2011

Ajudinha

Amores, quero juntar os textos do blog véio, no Uol, com os deste endereço, alguém me dá uma dica que não seja "copiar e colar no muque um por um"? Penso em usar novo endereço no wordpress mas parece tããããão difícil!


mimimi

Day 23: The book you’ve read the most times


Philip Carey é um amigo, um namoradinho, uma paixonite, um amor duradouro. De vez em quando, talvez a cada dez anos, releio um pouco sua vida. Ele nasceu na Inglaterra do começo do século XX, com um pezinho torto que sempre o incomodou; a mãe morreu cedo e foi criado por um tio pastor, boa pessoa, mas nunca soube lhe dar carinho. Cresceu com algum dinheiro pra estudar, mas não era pessoa de muito foco. Morou na Alemanha, na França, começou Medicina porém decidiu se dedicar à arte; também pensou em ser mero contador, depois voltou à Medicina. Conheceu Mildred, uma bitch - papel perfeito para Bette Davis, anos mais tarde - para quem deu amor, dinheiro e, acreditava, sua dignidade. Fez os amigos mais interessantes da Europa: pintores, escultores, médicos, malandros, comerciantes. Servidão Humana é um livro que não só carrego comigo, como também faço questão que todos leiam: já presenteei amigos com ele uma boa meia dúzia de vezes. Outro dia achei que ainda tinha um exemplar de capa dura porém não o encontrei - deve ter sido emprestado a longo prazo, mas já providenciei outro, num sebo. Gostaria muito que William Somerset Maugham tivesse encompridado um pouquinho mais a narrativa. Não que o livro não seja ótimo (pra quem curte os classicões, como eu): é que acaba e fico querendo saber como Philip está se saindo.


(Imaginei agora fazer com Maugham o mesmo que a vilã de "Misery", de Stephen King, faz com o autor de sua série literária favorita: prendê-lo e obrigá-lo a escrever mais sobre o personagem de sua obra-prima.)

Tradutor: Antônio Barata