quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Blogagem pela Legalização do Aborto

"Desde que a pessoa tenha dinheiro para pagar, o aborto é permitido no Brasil. Se a mulher for pobre, porém, precisa provar que foi estuprada ou estar à beira da morte para ter acesso a ele"

É isso aí, Dr. Dráuzio. Peguei esse trecho daqui, que por sua vez veio do post da Srta. Bia.

Pessoalmente sou a favor do aborto até o quarto mês. Conheço gente que fez perto do sétimo mês - aí sinto muito, mas na real foi feita uma cesárea e o bebê, não mais um feto, foi morto. Mas esta foi uma situação diferente da maioria, não pode ser exemplo pra campanha contra. Fato é que ninguém faz aborto porque quer. Aborto não é legal - nos dois sentidos. Não existe quem ache fácil, assim como é lenda urbana a pessoa que largou o trabalho de sei lá, faxineira, pra viver com os R$ 80 de bolsa-família. Acredito que é preciso haver política pública pra conscientizar, farta distribuição de camisinhas e anticoncepcionais, claro, mas quando a mulher se vê sozinha na frente do espelho com a consequência de um engano, um erro, um deslize, uma violência, qualquer que seja o motivo, o ideal é que ela possa decidir o que será feito, antes que seja tarde demais.

Tentei achar o autor de um tweet mas não consegui. Era mais ou menos isso: 

"Diz que é a favor da vida, mas fecha o vidro no sinal". 

Pois então.


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Boicote: pratico




Já não comprava Du Loren, agora parei com Hope também. Aliás, nem sei se uso alguma coisa dessa marca. Apesar do meu passado cof-cof publicitário, sou o tipo de pessoa que lembra do roteiro e do cenário mas não da marca/grife: o pavor dos marqueteiros. Assim que confiro a roupa/peça nova em casa, que arranco a etiqueta do preço que me garantiria a troca, vai pro lixo também a etiqueta, pra não me coçar. 

Mas voltando ao boicote. Por quê? Bem, apesar da beleza da Gisele Bündchen, a propaganda me ofendeu primeiro como mulher, depois como motorista e, finalmente, como profissional de comunicação - uma peça que causa rejeição ao público-alvo é coisa de gênio (só que ao contrário). Das implicâncias feministas, deixo minhas amigas Srta.Bia e Lola falarem com mais propriedade.

Então vamos rever a minha lista pessoal e intransferível de boicote: Marisa, Zara, Hope e Du Loren, pelo conjunto da obra.

sábado, 24 de setembro de 2011

Um pouco de fofura pra salvar o dia

Não quero deprimir ninguém com minhas reflexões sobre envelhecimento, então vamos às novas com mais um flash de Nina chegando animadíssima da escola.
- Mãe, tenho duas coisas pra te contar.
- Conta.
- Um: a Fulaninha, Beltraninha e Sicraninha tomaram água com tinta e vomitaram!
- Credo, que nojo! Que mais?
- Dois: é que eu fui lavar as mãos do lado do Fulaninho depois da aula de arte e ele me disse assim: Nina, eu sou apaixonadinho por você.
- Jura? E o que você disse?
- Eu disse que "ah, eu também sou assim meio apaixonadinha por você". Daí as meninas que estavam perto ouviram e contaram pra TODO MUNDO da sala. Fiquei muito brava.
- Mas brava por quê, todo mundo pode saber, não tem nada de mais.
- É que tem os outros dois meninos que são apaixonados por mim e eles vão ficar chateados.

***
Corta pro pai tirando uma de ciumento pra cima da Nina (Freud ri).

- Nina, não quero saber desse negócio de ficar apaixonada, vou tirar você dessa escola e colocar numa só de meninas!
- Tudo bem, pai, vai que eu sou gay e posso me apaixonar por uma menina?

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Melhor idade my ass

Eu já comentei aqui que a juventude me emociona.

O caso é que não estou lidando bem com o envelhecimento. Achava que isso era mimimi típico de perua, coisa de quem viveu só de aparência e que não tem, sei lá, paz de espírito para se deixar levar pelo tempo. Sempre soube - ouvi dizer à minha volta - que bonito mesmo é envelhecer com dignidade e placidamente (como as muito pobres ou muito ricas, complemento), aceitando suas rugas - que são o roteiro de sua vida, seu sofrimento, suas conquistas. Tudo muito lindo de se dizer, até que você vai dar boa-noite para a filha, na cama, e ela passa a mão no seu rosto abaixado - disfarçando, com um carinho, uma "ajeitada" para a mãe parecer menos velha.

Não é mole não. Lembro bem da minha mãe olhando para suas mãos, aos 36 anos, e comentando "já estou ficando com mãos de velha". Com 40, as minhas também já são. Nem vou falar de cremes e tratamentos, se são válidos ou melhoram a aparência. E esse sentimento tem a ver com aparência, sim, claro! Ninguém tem de si a auto-imagem de uma velhinha fofa. Não se trata de permanecer linda ou não (haha). Nem de querer ter um Retrato de Dorian Gray no armário. O duro é você sentir que seu corpo está começando a morrer. Neurônios, músculos, ossos, cartilagens, todos estão se dando bem com a velhice e se aposentando. E eu não consigo somente me adaptar: não me conformo.

Juventude é uma coisa boa demais. Por mais tola que eu tenha sido, por mais vexames que tenha dado, por mais ignorância ou tudo de ruim que tenha havido na imaturidade, não posso deixar de suspirar: como era bom ter todo o futuro pela frente. Não gosto de viver do passado e não me conformo que meu futuro seja virar uma senhora jeitosinha. E olha que curti bem a tal juventude, apesar de ter trabalhado muito e ter tido sempre pouco dinheiro e pouco tempo pra diversão. Mas não se trata de diversão, também. É um estado de alma que a gente perde. Conhecimento, ceticismo, esperteza, bom senso, noção das coisas da vida, isso tudo é muito bem-vindo. Mas o frescor, ah que saudade do frescor, do se jogar de cabeça, da dedicação às causas, das surpresas.

Mas não, eu não trocaria quem sou hoje, pela Cristina que já fui. Meus amores atuais são mais fortes que meu amor-próprio.


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Day 30: A book you haven’t read yet but want to

São tantos, demais. Muitos livros que ainda faço questão de ler eu nem conhecia e foram indicados pelos tantos blogs que estão fazendo este meme - que começou pelo Breviário das Horas, que o pegou de um blog fechado, daí foi pra Estrada Anil, Eu Sou a Graúna, pro Blog da Zel, As Agruras e as Delícias de Ser, Do You Do The Fandango? e Fina Flor, entre os listados no blogroll e os que acabo e conhecer: Pimenta com Limão, Mulher Alternativa, Nem Tão Óbvio Assim, Mayroses, Romanceando, O Palco e o Mundo e Chopinho Feminino. E depois falam que esse pessoal fissurado em internet não lê.

Neste último item -  infelizmente pra mim, porque foi um mês muito divertido, e pra você leitor, porque volto aos mimimis de sempre - vou citar dois livros que ainda não li mas quero: Hamlet, do bardo Shakespeare, e Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. A ausência de ambos é inadmissível e pretendo corrigir esse erro o mais rápido possível, ainda neste ano.

Muitos livros maravilhosos ficaram pra trás por não caberem em todos os critérios do meme. Destes, vou comentando aos poucos aqui. Essa brincadeira foi um prazer.



terça-feira, 20 de setembro de 2011

Day 29: A book someone read to you



O meme é legal mas a gente tem que rebolar pra não encher de livros infantis, não é? Pois vou mais uma vez dar uma trapaceada e, em vez de citar algum conto de fadas lido por minha mãe, escolho destacar aqui o emocionante Os Devaneios do Caminhante Solitário, de Jean-Jacques Rousseau. Não o li - mesmo porque não sou afeita a Filosofia - mas tive o prazer de ouvir trechos e de ter verdadeiras aulas sobre a vida deste que foi um dos pensadores mais importantes, polêmicos, divertidos e interessantes da História da Filosofia. Explico para quem caiu aqui de pára-quedas: o professor de Filosofia com quem tenho o prazer de conviver há 20 anos é um rousseauísta ferrenho e baseou no pensador francês seu mestrado - além de a ele ter se dedicado em boa parte da faculdade, com trabalhos e monografia para os quais fui convidada a colaborar como uma secretária datilógrafa remunerada, digamos, em espécie.
Então li por tabela esta autobiografia absolutamente sincera, considerada o primeiro livro romântico do século XVIII, e que ainda por cima tem dos mais lindos títulos e primeiros parágrafos da literatura universal. Confira.

 Eis-me, portanto, sozinho na terra, tendo apenas a mim mesmo como irmão, próximo, amigo, companhia. O mais sociável eo mais afetuoso dos humanos dela foi proscrito por um acordo unânime. Procuraram nos refinamentos de seu ódio que tormento poderia ser mais cruel para a minha alma sensível e quebraram violentamente todos os elos que me ligavam a eles. Teria amado os homens a despeito deles próprios. Cessando de sê-lo, não puderam senão furtar-se ao meu afeto. Ei-los, portanto, estranhos, desconhecidos, inexistentes enfim para mim, visto que o quiseram. Mas eu, afastado deles e de tudo, que sou eu mesmo? Eis o que me falta procurar. Infelizmente, essa procura deve ser precedida por um exame da minha situação. É uma ideia por que devo necessariamente passar para chegar deles a mim.


domingo, 18 de setembro de 2011

Day 27: Favorite love story


O fato é que não leio muitas histórias de amor. Incrível, me dei conta agora. Ainda não li Romeu e Julieta, por exemplo. Poderia citar Mr. Darcy, aquele lindo, e Elizabeth Benneth, mas me dei conta que também não li Orgulho e Preconceito, de Jane Austen - e confesso que confundo com Razão e Sensibilidade, este sim devidamente apreciado. Então vamos sair da Inglaterra e apelar para um amor tão profundo, romântico e poético quanto: O Chão que Ela Pisa, de Salman Rushdie - e só hoje, googleando para encontrar detalhes sobre o livro fiquei sabendo que há duas músicas, uma do U2 e outra da tal CPM22 com esse título, homenageando a obra. Não sei da qualidade delas, mas faz todo sentido. A história recria - outra informação da qual eu não tinha me dado conta - o mito de Orfeu e Eurídice, contando a história de um homem e uma mulher, Ormus e Vina, que nasceram para a música e um para o outro.
Na década de 50, Ormus, indiano de família rica, torna-se um astro da música popular, um John Lennon oriental. Vina, a única mulher de sua vida amorosa e sexual, trilha um caminho semelhante: pobre, criada nos Estados Unidos, torna-se uma estrela internacional da cultura pop, um objeto de desejo dos homens. Rai, fotojornalista, amigo de Ormus, mergulha em guerras e revoluções pelo mundo afora e também é apaixonado por Vina. Ao narrar a história desse triângulo amoroso, Rushdie cria uma versão complexa do mito grego de Orfeu e Eurídice, em que o homem apaixonado desce aos infernos para recuperar a mulher amada. E, superando a divisão entre Oriente e Ocidente, projeta o mundo contemporâneo como um lugar onde descer aos infernos talvez seja o único modo de encontrar sentido para a vida.

A leitura de O Chão que Ela Pisa me prendeu e apaixonou também pela apresentação que faz da Índia - ritos, história, religião e, principalmente, da sua linguagem, misturando dialetos ao inglês e formando, quase em tempo real, uma nova língua, global. Aliás, vi críticas chamando esse livro de "global" - além de genial e obra-prima.


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Day 28: A book you can quote by heart


Um livro que eu saiba de cor - ou pelo menos, trechos. Bem, não existe. Já houve. Vou contar uma historinha triste da minha adolescência na roça. Naquele tempo não havia xerox. Ou se existia, não estava a meu alcance. As provas da escola eram feitas no mimeógrafo, por exemplo, e assim como a Bíblia nas aulas de catequese, as apostilas e livros deviam ser copiados à mão, em rascunhos e depois passados a limpo nos cadernos. Quem dera me fossem devolvidas as horas que perdi, criando calos nos dedos. Mas havia aqueles que eu amava e que não me pertenciam. Pra esses eu tinha meus próprios cadernos. Num deles, copiei capítulos inteiros dos mais diversos estilos. E naquela época eu ainda gostava de poesia. Repassei várias, em canetas coloridas - e esse trabalho, além da releitura, me fazia decorá-las. Lembro de Ferreira Gullar, Pablo Neruda, até Juó Bananere. Sabia uma boa parte de A Tabacaria de cor, por exemplo. Hoje só lembro de "come chocolates, pequena". Como diz a minha amiga @cris_witt, gente, eu não lembro o que comi de almoço, ontem.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Day 26: A book that makes you fall asleep



Muito difícil esse item porque nunca durmo, lendo. Pra eu dormir é preciso todo um ritual, a luz certa, todos estarem dormindo também na casa etc. etc. E como sou sempre a última a deitar, acabo não lendo na cama (contrariando o exemplo da minha mãe que nunca, nem quando chega de festa às 3 da madrugada em casa, deixa de ler umas paginazinhas, a vida fucking toda). Outra coisa: não perco tempo com livro ruim. Por ruim, pense em coisa mal escrita ou que não cumpra o papel mínimo de entretenimento. Ou empolada, datada, técnica, ou ainda textos para os quais não tenho preparo. A vida é curta. Se um filme não me pega nos primeiros 20 minutos, não perco mais tempo com ele. O mesmo para livros - não admiti que pulei a introdução de O Senhor dos Anéis? Então. Mas a Bíblia me traz a lembrança de um sono profundo causado pela obrigação de copiar capítulos inteiros para as aulas de catequese. Deus, que coisa chata. Lembro muito bem do calor, as letrinhas embaralhando, o mundo lá fora me esperando pra um jogo de queimada ou uma volta de bicicleta e eu lá copiando, copiando - e eu até tentei me interessar, juro. Sei bem que tem a História, os Salmos etc. etc. Não desprezo e acho legal quem conhece, mesmo (ou principalmente) que seja para criticar. Mas ronc.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Day 25: A book you used to hate but now love



Love, love também não. Mas taí um livro que me deu vontade de jogar na parede, de pisar, de cuspir até. Se não fosse bem escrito, claro (bem escrito a gente aguenta até e-mail spam). Mas olha: "O polêmico escritor francês Michel Houellebecq recheia 'Plataforma' com sexo, fundamentalismo, globalização e muito mais. Sua prosa cáustica, elegante e pornográfica é notada por onde passa, deixando rastros de amor e ódio. A partir da vida de Michel, um burocrata do Ministério da Cultura Francês de 40 anos, viciado em peep shows, que parte em uma excursão à Tailândia privilegiando roteiros do turismo sexual, Houellebecq traça um panorama sério, grotesco e contundente da sociedade pós-moderna" (resenha da Livraria Cultura). Quer dizer. O personagem principal é um escroto que de fato acredita que o terceiro mundo deve ser responsável pela diversão - sexual - do primeiro mundo. Que é tipo nossa vocação. Fiquei tão puta (hahahaah) com isso. Bem, Michel decide investir num resort sexual e o livro dá umas reviravoltas. E ainda se mete com religião, ridiculariza, década antes do #classemediasofre, o estilo de vida século 21 e tal. Ah, tem cenas eróticas bem convincentes, viu. Acabei dando o livro pra um amigo, que também ficou naquela "é escroto mas é legal". Bem. O tempo passou e acabei mudando de opinião. Lendo agora uns trechos aleatórios, vejo que pô, é um livro bem bacana, eu é que talvez ainda não fosse tão cínica. Ainda.


E me desculpem por isso, mas tem um texto bom do Moacyr Scliar sobre ele na Veja, aqui. É, eu sei...

No ângulo esquerdo do meu campo de visão vi um banco de musculação e halteres. Imaginei rapidamente um cretino de short - com o rosto enrugado, mas fora isso muito parecido com o meu - inflando seus peitorais com uma energia sem esperança. Papai, pensei, papai, você construiu seu castelo em cima da areia. Eu continuava pedalando, mas comecei a me sentir ofegante e com uma leve dor nas coxas; e nem havia passado do nível um. Lembrando da cerimônia fúnebre, eu tinha consciência de ter produzido uma excelente impressão geral. Sempre estou muito bem barbeado, minhas costas são estreitas; como me apareceu um começo de calvície por volta dos trinta anos, decidi cortar o cabelo bem curtinho. Geralmente uso ternos cinza, gravatas discretas, e nunca tenho um ar muito alegre. Com o cabelo aparado rente, meus óculos finos e meu rosto rabugento, abaixando ligeiramente a cabeça para ouvir um mix de cantos fúnebres cristãos eu me sentia muito à vontade ali - bem mais à vontade que num casamento, por exemplo. Os enterros, decididamente, são o meu negócio. Parei de pedalar, tossi de leve. A noite caía nos prados à minha volta. Ao lado da estrutura de cimento em que o aquecedor se fixava via-se uma mancha amarronzada, que não haviam limpado direito. Foi ali que encontraram o meu pai, com o crânio rachado, vestindo um short e uma camiseta “I love New York”.