quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Dia 8: Filme Cebola (mais triste de todos)



O menino nunca vai ser menino. Nunca vai ser amado. A gente sabe disso desde o começo, mas ele mantém a esperança até o fim. E até o fim do fim. Continuo não chorando, mas acho esse filme triste demais. E é triste também que Stanley Kubrick tenha morrido e não tenha concluído o projeto junto com Steven Spielberg. O resultado seria diferente e, acredito, ainda melhor - apesar de ser uma história que tem muito mais a ver com a fixação na infância do Spielberg. Houve críticas de que é demorado demais. Não ligo: acho fantástica a visão de futuro até (spoiler) a extinção da raça humana . O guri Haley Joel Osment (onde foi parar?) está perfeito como um Pinóquio ultra-moderno. É uma ficção fantástica, que proporciona várias leituras - sobre amor, obsolescência, sobre "ser humano" e muitas mais. E me dá um nó na garganta, ao finalzinho, que olha. Quase choro.

PS: Gostaria de ler o conto que deu origem ao roteiro, de Brian Aldiss, chamado Supertoys Last All Summer Long.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Dia 7: Comédia-tonta-que-não-prejudica-os-neurônios

O meu caro amigo-bombeiro-cinéfilo @agaldinorod bem que protestou lá no Facebook: esse item deveria ser "A Melhor Comédia". Bem, é como se fosse, porque há ótimas comédias e há comédias que ofendem a nossa inteligência - vide aquelas em que policiais se transformam em velhas gordas ou o ladrão anão que se faz passar por bebê. Não, eu nunca as assisti, tenho preconceito mesmo, assumo: só vi as chamadas na tv.

Então vou direto na que acredito ser uma obra-prima da comédia universal: A Vida de Brian, do grupo inglês Monty Python. Alguém ainda não conhece? É um clássico das tardes de Páscoa aqui em casa. Brian nasce na manjedoura ao lado da de Jesus - o que já começa confundindo os reis magos. A mãe de Brian é Terry Gilliam, o futuro diretor de "As Aventuras do Barão de Munchausen".

Brian e Jesus crescem e não se encontram, mas várias vezes o confundem com o Messias - que podemos ver no Sermão da Montanha. Pena que a platéia não o possa ouvi-lo. "Bem aventurados os queijeiros? O que há de tão especial nos queijeiros?", pergunta uma mulher "Bem, não é tão literal, ele se refere a todos os produtores de derivados de leite".

"Uma esmolinha para um ex-leproso", pede o ator que faz o gago de Um Peixe Chamado Wanda: porque ele foi curado por Jesus e perdeu sua fonte de renda.

Tem ainda a Frente Libertadora da Judéia e ah, como eu já frequentei reuniões parecidas com as deles. Tem os apedrejamentos, aos quais as mulheres são proibidas de frequentar e por isso recorrem às barbas falsas.

E ainda tem o Pôncio Pilatos de língua presa. Aviso: o humor é inglês.


domingo, 6 de novembro de 2011

Dia 6: com o coração na boca (melhor suspense/terror)





Adoro as categorias suspense/terror, desde que me poupem de monstros gosmentos - exceções para Alien (nunca sei em que categoria incluí-lo) e O Enigma de Outro Mundo (idem). Mas nem mil Samaras ou câmeras distorcidas, médicos loucos ou psicopatas, atividades paranormais etc. me farão sentir de novo o impacto - e  o medo - que vivi com O Bebê de Rosemary. Acho que não há quem nunca o tenha assistido e que tudo o que poderia ser dito sobre ele já foi registrado, mas vamos lá. Rosemary se muda para um apartamento no Edifício Dakota, informação que só se tornou relevante anos depois, você bem sabe o porquê*. Vizinhos velhinhos e xeretas se metem em sua vida mais do que o necessário. O marido insiste em deixá-los invadir sua privacidade. Claro, eles são membros de uma seita satânica com a qual ele fez um pacto por fama e dinheiro, em troca de permitir que o capeta itself engravide sua mulher. Rosemary fica grávida, numa das cenas mais aterrorizantes do cinema, na minha modesta opinião - a do pesadelo (está toda aí no link, infelizmente só achei em italiano). O marido e os vizinhos a afastam de todas as pessoas sensatas, ou elas são mortas. Rosemary é frágil demais. Cena impressionante é aquela em que, sentindo dores horríveis, ela pensa em procurar outro médico porque não está aguentando - não está aguentando! E a dor pára. O tempo todo você sabe que ela não tem para onde correr, porque carrega o mal consigo. E ela corre: de pernas abertas, naquele andar de pato típico das grávidas quase parindo. Quando Rosemary percebe o que aconteceu, é tarde: ela é mãe e o diabinho precisa dela. Mãe é mãe, sabe como é.

*Durante a filmagem Mia Farrow se separou de Frank Sinatra; no ano seguinte ao lançamento do filme, a esposa do diretor Roman Polanski, Sharon Tate, foi assassinada grávida de oito meses por Charles Manson e sua gangue; John Lennon foi morto em frente ao Dakota, em 1980, onde morava. Então o filme tem toda uma aura terrível que, digamos, ajuda a tornar a experiência de assisti-lo mais apavorante. E ainda tem a musiquinha... que eu canto de cor.

sábado, 5 de novembro de 2011

Dia 5: Melhor Ator e Melhor Atriz




Eu me apaixonei por Leonardo di Caprio em 1993, com este filme: O Despertar de Um Homem (This Boy's Life). Ainda era naquele tempo em que qualquer coisa com o Robert De Niro era obrigatória. Ele já tinha 19 anos mas parecia um gurizinho de 14. No filme, ambientado nos anos 1950, sua mãe, solteira, carente (Ellen Barkin, adoro) casa com um conservador americano e vai morar no interior. Esse cara quer transformá-lo num "homem" e dá início ao que ele acredita que seja "aprendizado" e que acaba se tornando um jogo de poder e, finalmente, apenas violência. O menino fica amigo do único gay da escola, tenta fugir, quer morrer. É um filme triste e violento, e DiCaprio contracenou com De Niro de igual pra igual. Está fantástico. Logo em seguida, no mesmo ano, fez com perfeição e sem afetação o irmão com deficiência mental do Johnny Depp em "Sonhos de Aprendiz" (What's Eating Gilbert Grape), pelo qual foi indicado, pela primeira vez, ao Oscar de Ator Coadjuvante. Depois vieram os papéis dramáticos e ousados em Diários de Um Adolescente (Basketball Diaries) e Eclipse de Uma Paixão (Total Eclipse), em que ele faz um Rimbaud irretocável. Fiquei num mau humor danado quando o "meu ator", que eu estava criando desde tão novinho, se jogou nas produções pop como Romeu + Juliet, A Praia, Titanic, como se fosse um filho muito inteligente que decidiu virar modelo. "Estão te escolhendo pela beleza e não pelo potencial, Leo", era o que eu pensava. Mas a carinha de menino foi amadurecendo e ele voltou a apostar em papeis interessantes e desafiadores. E ainda por cima, virou um homem lindo. Pensei também, para este item, em Dustin Hoffman, mas a descontinuidade de sua carreira o prejudicou (hahaah), assim como Ewan McGregor, que poderia ser um novo James Stuart. Mas DiCaprio me parece um novo Marcelo Mastroianni: alguém que vive o cinema e que nasceu para ele.


Melhor Atriz


Já as atrizes não me levam ao cinema (esclarecendo: geralmente escolho os filmes pelo diretor mesmo). Mas Elizabeth Taylor, se tivesse sido minha "contemporânea", ou se não tivesse morrido e ainda aceitasse papéis, me levaria. Aliás, como eu gostaria de ver "Quem Tem Medo de Virginia Woolf" na tela grande. Sua Martha, que numa noite surge bêbada, sedutora, louca, sã, irônica, medrosa, violenta, carente, sexy, é genial. Há outros filmes maravilhosos - os melhores, com Richard Burton, claro - mas neste, fica permitido falar em perfeição.


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Dia 4: Melhor Diretor

Parada dura essa. É quase imoral ignorar Fellini. Woody Allen é meu pastor e nada me faltará. Clint Eastwood também é obrigatório. Mas já rendi homenagens demais a eles, aqui e no blog véio. Além disso, o tópico é "melhor diretor" e não "diretor favorito", então escolho um que se faz compreender por multidões, que leva a arte a todos os gêneros, com exceção de faroeste, se não me engano. Também faço questão de apontá-lo porque sempre ficou meio em segundo plano em relação aos seus contemporâneos - tanto que o Oscar demorou demais.

Martin Scorsese

"Own, coraçãozinho pra você também, Tina"


Alice Não Mora Mais Aqui (1974)

Taxi Driver (1976)

New York, New York (1977)

Touro Indomável (1980)

O Rei da Comédia (1983)

Depois de Horas (1985)

A Cor do Dinheiro (1986)

A Última Tentação de Cristo (1988)

Os Bons Companheiros (1990)

Cabo do Medo (1991)

A Época da Inocência (1993)

Cassino (1995)

Vivendo no Limite (1999)

Gangues de Nova York (2002)

O Aviador (2004)

Os Infiltrados (2006)

A Ilha do Medo (2010)



Convenhamos, é um tremendo currículo. O cara lançou gente como Robert De Niro e Jodie Foster. Desafiou a igreja e desmitificou a Máfia. Pior: levou Joe Pesci pra Máfia. Deu umas escorregadas nos projetos mais ambiciosos (principalmente, na minha modesta opinião, na chata fase com o chato Daniel Day Lewis). E foi na adaptação de um filme chinês que conseguiu o reconhecimento da Academia. Gosto também de Scorsese ser um tipo divertido - nervosinho, neurótico, cheio de histórias; dizem que o personagem de Dustin Hoffman em Dick Tracy, Mumbles, é uma imitação dele. E tem outro detalhe: Scorcese é rock'n'roll. Seus filmes são inesquecíveis por vários detalhes, às vezes até pelos defeitos, mas em especial pelas trilhas sonoras. Scorsese não tem o rigor moral de um Clint, a genialidade poética de Fellini, a "realeza" de Coppola nem a linearidade coerente de Woody Allen. Mas tem um pouco de tudo. Sinto-me feliz quando lança um novo filme. É isso.

De prêmio por lerem até aqui, uma pérola de um de meus filmes preferidos.

*Essa lista é dos filmes que eu assisti, não de toda obra - há alguns outros, poucos ;)



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Dia 3: Sessão da Tarde Inesquecível

Hipt Hopt Hipt Hopt, Canguru!
Jerry Lewis vestido de rato gigante.
Dean Martin cantando Inamorata.
Jerry Lewis e Shirley MacLaine cantando Inamorata.
Eugene Fullstack (Jerry) sonhando alto aventuras extraordinárias para o desenhista Rick Todd (Dean) passar para os quadrinhos.
Aquela atriz que sempre faz a má ou mal humorada dos filmes de Lewis, impagável.
As lindas modelos do conquistador Rick.
A amizade de Eugene e Rick.

Meu filme preferido para qualquer tarde, até hoje. E com essa dublagem.

Artistas e Modelos (1955)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dia 2: Melhor Sequência Inicial e Melhor Sequência Final

Melhor Sequência Inicial

Estava entre duas possibilidades para este item, mas como estou em vantagem por inaugurar o meme, hahaha, vou mandar mesmo a mais clássica e, talvez, a mais óbvia. Valorizo demais o talento de quem consegue nos prender, vítimas de algum truque de roteiro ou de imagens poderosas, desde o comecinho de um filme. Foi-se o tempo que era uma questão de honra chegar até o final de qualquer produção, mesmo que eu não estivesse gostando; ou eu tinha esperança de que melhorasse ou queria mesmo ver até o final pra "poder falar mal". Mas essa mania passou. O tempo é curto, a vida é bela, eu tenho louça pra lavar e não perco meu tempo além dos, digamos, 15 minutos iniciais de um filme. Se não me "pegou" nesse tempo, ou se achei ruim durante todo esse quarto de hora, dispenso.

Assim, o começo de Janela Indiscreta (1954), do insuperável Hitchcock, é o melhor exemplo de que "uma imagem vale mais que mil palavras", ainda mais se a imagem for um plano-sequência que nos mostra detalhes de um quarteirão de prédios residenciais, seus moradores, suas rotinas, esquisitices e particularidades; que o clima está terrível, muito quente; que James Stuart é um fotógrafo premiado, aventureiro, que acaba de se acidentar e está em casa, entediado, com a perna quebrada. Pronto, é o suficiente para qualquer pessoa se interessar pelo que vai acontecer - o que só melhora em seguida, com a presença da maravilhosa Grace Kelly, em sua melhor forma, inesquecível. E sem voz em off, ah que maravilha. Só um lindo plano-sequência que diz tudo e te faz feliz em ter ainda uma hora e meia pela frente.







Melhor Sequência Final

Não se trata do melhor final, não confundamos. A melhor sequência final é aquela conclusão de uma história, uma (normalmente longa) cena que vai construindo o final do filme, dando uma lógica para o grand finale, nos conduzindo ao desfecho; aquela sequência que pode ir nos tirando o chão ao perceber o que realmente vai acontecer, ou que nos deixa de coração quentinho com o desenrolar até o THE END. Bem, O Último Tango em Paris é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos. Realmente é uma pena que seja mais lembrado por duas polêmicas que não refletem sua qualidade: primeiro, a cena da manteiga em si. A famosa cena da manteiga, terrível, ousada, sexy, perturbadora (digite no youtube "paris-tango" e vão surgir mil links com manteiga, butter ou jovens universitário "fazendo referência" à cena em suas aulas de teatro). Que também é motivo pra segunda e mais triste polêmica: o suposto abuso da intérprete, a então jovem espevitada Maria Schneider, falecida há pouco tempo, decadente, triste, lamentando ter participado desse filme e, principalmente, desta cena. Deve mesmo ter acontecido assim: um grande diretor, Bernardo Bertolucci, e um grande ator, improvisam e criam em cima de um roteiro que vai ficando mais e mais ousado. Maria Schneider não queria a cena da manteiga e contava que ela realmente chora, de ódio, de revolta, pelo abuso que sofria à vista dos técnicos e, logo depois, do mundo todo. Ela dizia preferir ter se tornado uma boa atriz ao longo do tempo, sem o estigma que carregou pelo resto da vida. Pena mesmo. Hoje talvez ela não sofresse tanto com isso, ou quem sabe? com o encaretamento do mundo do jeito que anda... Difícil saber se foi o filme que a levou às drogas e decadência, ou se isso aconteceria de qualquer forma. Marlon Brando, maravilhoso, também parece ter se arrependido do filme, para o qual teria se exposto além do esperado. Ambos se disseram manipulados por Bertolucci.

Voltando à sequência final. Cuidado, é spoiler do brabo. Paul e Jeannie, o casal improvável - caso alguém AINDA não saiba (duvido) ele, um viúvo que ainda nem enterrou a mulher; ela, uma jovem noiva de um cineasta moderninho - que se encontra sem compromissos, sem nem saber seus nomes, num apartamento sem móveis, se deixam enganar pela promessa de uma vida juntos, bêbados, num salão de tango. Seus diálogos, monólogos, cenas de sexo e de desbunde são das melhores do cinema. Mas todos aqui têm um triste fim.


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Meme dos Filmes, Dia 1: Filme da Minha Vida

A gente não se aguentou e, depois da diversão e intensa troca de experiências que foi o meme dos filmes livros, eu, a Luciana, a Verônica e a Rita criamos um novo desafio pra durar um mês inteiro: o Meme Um Mês, 31 Filmes. Vamos todas começar juntas (a Rita diz que não, mas eu duvide-o-dó) e você, que me lê agora, fique à vontade pra dar um control C - control V na lista, de preferência dando o link do seu blog com sua participação nos comentários aqui. Bem, o começo é uma tremenda pedreira, então vamos logo a ele.


DIA 1 - Filme da Minha Vida

O que deve ser o tal "filme da vida"? Pra mim (e pode ser diferente pra você), é aquele que me marcou a ponto de querer ver mais e mais cinema. Que mostrou a importância, a beleza, as possibilidades da arte cinematográfica. Que me fez reconhecer o trabalho de atores, direção, roteiro; que me fez ir além do feijão-com-arroz das fórmulas simples de finais felizes, que me fez pensar e que, principalmente, me emocionou. Um filme que me tirou o sono, me levou a lembrar dos personagens, ou da situação, muitos dias depois de tê-lo assistido. Acho que é isso. E acho que o filme que me levou a me apaixonar por cinema, dentro desses critérios, foi Clamor do Sexo, de Elia Kazan, com Warren Beatty e Natalie Wood.

Clamor do Sexo - Splendor in the Grass (1961)





Não lembro muito de detalhes do filme. Mas quando o assisti, numa noite no comecinho dos anos 1980, fiquei embasbacada com tanta beleza e tristeza. Splendor in the Grass conta a história de dois jovens, pouco antes do crash de 1930, que tinham tudo para ficar juntos e serem felizes para sempre, não fossem seus pais, a repressão, as expectativas sobre eles, a ansiedade e, mais que tudo, o tal clamor do sexo. Warren Beatty, lindo demais, insatisfeito, perdido; Natalie Wood, uma princesinha de baile depressiva, sendo enlouquecida aos poucos pela mãe rigorosa. Mas o filme não é só o drama do casal; Elia Kazan sabia arrancar as melhores performances dos seus coadjuvantes, além de conseguir as tomadas mais românticas e angustiantes. Veja só: não lembro detalhes, mas só de fuçar no Youtube já fico com um nó na garganta. E não é pelo excesso de violinos...

A extinta sessão Cine Clube da Globo, a única que apresentava filmes clássicos legendados, tornou-se pra mim, a partir desse filme, uma obrigação e meu ponto alto da semana. Vários clássicos que vão surgir aqui neste meme saíram daquelas noites grudada na tv, no sofá mais próximo, para poder baixar o som na hora do intervalo - num tempo em que não existia controle remoto era preciso ser rápida pra não acordar o resto da casa. Nos registros que encontrei na internet, poucos, diz-se que a sessão acontecia aos domingos e segundas, mas lembro bem de aguardar as sextas para ver os filmes legendados - ah, a emoção de poder ouvir a voz dos atores! - porque era depois da meia-noite e eu podia acordar bem tarde no dia seguinte. Enfim.

Pra quem quiser acompanhar ou fazer igual, aí vai o cronograma completo do meme.

 UM MÊS, 31 FILMES
Dia 1 - Filme da Minha Vida

Dia 2 - Melhor sequência inicial e melhor sequência final

Dia 3 - Sessão da tarde Inesquecível

Dia 4 - Melhor diretor

Dia 5 - Atriz e ator preferidos

Dia 6 - Com o coração na boca (melhor suspense/terror)

Dia 7 - Comédia-tonta-que-não-prejudica-os-neurônios

Dia 8 - Filme Cebola (mais triste de todos)

Dia 9 - Filme mais romântico

Dia 10 - Guilty pleasure Melhor Filme de Guerra

Dia 11 - Melhor drama

Dia 12 - Melhor Ano da História do Cinema

Dia 13 - Maior roubada cinematográfica

Dia 14 - Batendo Papo (melhor diálogo)

Dia 15 - Melhor Horizonte (Fotografia inesquecível)

Dia 16 - Melhor-Durão-Que-No-Fundo-É-Coração-Mole

Dia 17 - Brasileirão

Dia 18 - Melhor Animação

Dia 19 - O melhor Faroeste

Dia 20 - Melhor comédia romântica

Dia 21 - Preto no Branco (Melhor Noir)

Dia 22 - So you think you can dance (melhor musical)

Dia 23 - Melhor DR

Dia 24 - Melhor par romântico

Dia 25 - Meu Vilão Favorito nos Filmes

Dia 26 - Unha e Carne (Melhor Amizade)

Dia 27 - Porrada (melhor cena de violência)

Dia 28 - Quente e Úmido (melhor sequência de sexo)

Dia 29 - Saída pela Esquerda (melhor sequência de perseguição)

Dia 30 - Nunca mais (filme mais traumático)

Dia 31 - Minha Vida em 3 sequências





Chanel

Nina, acordando.
- A Gabrielle Coco Chanel ficou muito famosa, né?
- Sim, claro.
- E agora tem muita coisa da Chanel. Tem as roupas Chanel. Tem o perfume Chanel. Tem as lojas Chanel. Tem até o Disney Channel.


Bom dia.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Pão

Estou dando um tempo no pão. Comi massa demais na viagem, me sinto empanturrada, gosto de fazer essas loucurinhas de uma semana ou um mês pra desintoxicar - e gosto de poder controlar o que como, de poder me negar a algo que goste muito, de dizer não. Sinto-me no controle.
Lembrei de quando eram férias da faculdade e eu trabalhava desde cedinho na padaria. Com minha mãe, claro. Acordávamos às seis, os padeiros já tinham chegado ruidosamente de madrugada, porque naquele tempo não tinha forno elétrico e o trabalho deles, inclusive de deixar o forno na temperatura adequada, começava às quatro, quatro e meia.
Os primeiros momentos da padaria eram um frenesi (primeira vez que uso essa palavra). Na época havia a maldita fila do leite - em embalagem plástica, tipo A e tipo C, que também chegava de madrugada, em caixas geladas, deixadas pelos carregadores da Batavo e da Clac por debaixo da porta de aço lateral. Várias vezes sofremos tentativas de assalto de pobres coitados querendo roubar o leite - aí era só levantar e acender a luz, que não valia o trabalho de chamar e esperar a polícia.
Então tínhamos que atender rapidamente dezenas de pessoas que estavam esperando pra tomar seu café-da-manhã com leitinho e pãozinho quente. Eu, arada de fome. Mas não dava tempo de pensar. Só lá pelas nove horas o movimento acalmava e a gente podia se revezar no balcão da padaria para, uma de cada vez, tomar seu próprio café com pão.
Vocês não têm ideia do que é um pão saindo quentinho do forno a lenha. O padeiro enfia a espátula gigante lá dentro e joga na cesta de vime a brasa clara que, quando pedi pela primeira vez, queimou minha sacolinha de plástico e foi parar no chão, para alegria dos padeiros sarristas. E o cheiro? 
Aí eu subia pra parte de "casa" da padaria - um salão imenso com apenas duas divisórias em lados opostos, uma pro banheiro e outra pro quarto da minha mãe, e cheio de cortininhas de ripa criando ambientes como meu quarto, sala de tv e cozinha - meus amigos da faculdade adoravam, achavam tão divertido e exótico. 
Enchia minha caneca de café, abria meu pão fumegante, queimando os dedos, passava a manteiga que derretia até virar um óleo e enfiava rapidamente ali uma fatia de queijo ou de mortadela, recém-roubadas do freezer de frios da padaria, às escondidas dos fregueses. 
Enfim, horas depois de tanto servir pão, era a minha vez.