Já postei esse trecho de Amor à Queima-Roupa aqui, no dia em que Dennis Hopper morreu. Não sei se alguém ainda não conhece a historinha, mas Quentin Tarantino "vendeu" esse roteiro para reunir a grana suficiente pra filmar Cães de Aluguel. Deixo aqui como exemplo do mestre dos diálogos. Todos os filmes dele têm os melhores, mais divertidos, violentos e banais diálogos do cinema. Ok, é uma generalização e os cinéfilos com mais memória que eu podem protestar. Mas em bate-papo, Tarantino é rei.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Dia 13 - Maior roubada cinematográfica
Quando este item foi criado, imediatamente pensei numa roubada histórica: Vanilla Sky. Um filme metido a cabeça em que Tom Cruise, Penelope Cruz ansiosa por se tornar a latin bombshell (e conseguiu) da vez e Cameron Diaz em caras e bocas com a velha desculpa do "é tudo sonho/irreal/metáfora/whatever". Mas aí viajei e enfrentei um dos piores filmes da história do cinema no avião: este aqui, um veículo para, assim como em Vanilla, os atores desfilem sua beleza anoréxica e perfeita numa pseudo crise existencial. Porém, vejam só, eu nunca quis assisti-los. O primeiro, fui obrigada a ver porque estava em casa de terceiros e o segundo também não pude escolher - já contei que Iberia é a Cometa dos Ares (o primeiro filme da noite tinha sido Os Pinguins do Papai). Então não dá pra configurar como "roubada" porque eu sabia que seria ruim, jamais teria me escalado pra assistir algo com Tom Cruise sem um diretor consistente (ave Kubrick) ou algo em que Keira Knightley seja protagonista (nem a nova versão de Jane Austen, sorry).
Roubada mesmo é quando a gente sai de casa na chuva, aproveita a única oportunidade do mês de ter um momento adulto sem criança, paga caro, janta pipoca e se decepciona. Isso, amigos, foi o que aconteceu ontem comigo e Mr. Lopes, quando fomos ansiosos (eu, pelo menos, que ele foi meio arrastado) assistir ao novo Almodóvar, A Pele que Habito.
Veja que eu era fã de Almodóvar do tempo de Pepe, Luci, Bom y Otras Chicas Del Montón. Tinha por ele uma adoração cega. Até que a produção dos anos 2000 começou a me desgostar. Não vou pormenorizar aqui. Senti-me reconciliada com o anterior, Abraços Partidos. Então fui super animada ao cinema, cabeça aberta, esperando aquelas loucurinhas de sempre, mas com aquele "algo mais" dos seus melhores momentos. E não. E agora é opinião pessoal, contrariando a crítica geral: achei um filme confuso, de roteiro fraco, atuações péssimas, história arrastada, desinteressante, desconexo. Poderia citar aqui trechos frouxos e incoerentes, mas nem é essa a questão. É daquele filme que faz a gente murchar e sair do cinema pensando - puta filme ruim. Mas como é do Almodóvar, o que se ouve à saída é "nossa, muito louco, mas gostei". Se o diretor fosse um desconhecido, poderia ser um tapa-buracos na grade da madrugada do SBT. E como quanto mais a expectativa, maior a decepção, tá aqui minha ultra-recente e maior roubada cinematográfica.
domingo, 13 de novembro de 2011
Dia 12 : Melhor Ano da História do Cinema
Esta eu vou passar. Não tenho condição de escolher um ano. Procurei na lista de indicados ao Oscar: há boas pistas. Mas Oscar, convenhamos, não é uma premiação abrangente e não inclui a produção européia - mesmo se considerasse a lista de Oscar de Filme Estrangeiro. Então escolho uma década, a 70. Meus diretores e atores favoritos se fizeram nesta época: Kubrick, Scorcese ScorSESE, Woody Allen, Coppola, Spielberg, Truffaut, Monicelli, Bertolucci; sem contar os atores/atrizes que se revelaram no casting dos filmes destes caras. Foi a década do fim do sonho, dos jovens se prostituindo, se desiludindo, lutando e perdendo, se matando, se perdendo. Esse é o meu clube.
sábado, 12 de novembro de 2011
REVOLTA
Eu escrevi SCORCESE duzentas vezes aqui e ninguém me corrigiu. Mimimi
Agora vou repetir até decorar. SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE
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Dia 11 - Melhor drama
Filme, pode haver melhor. Mas não há drama maior que o de Sofia.
PS - Cuidado, esse link é o MAIOR SPOILER de todos os tempos. Se não viu o filme, clique no link acima dele no youtube, o trailer, e deixe pra chorar com o dvd ou o livro.
PS - Cuidado, esse link é o MAIOR SPOILER de todos os tempos. Se não viu o filme, clique no link acima dele no youtube, o trailer, e deixe pra chorar com o dvd ou o livro.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Dia 10: Melhor Filme de Guerra
Eu ia tacar o Fugindo do Inferno aqui. Um clássico que a gente assistia com a família, no horário nobre da tv, nos anos 80. Elenco estelar encabeçado por Steve MacQueen, astros em fuga de um campo de prisioneiros alemão, cavando um túnel, enquanto o rebelde bate bolinha na solitária. Até Bart Simpson já fugiu como eles. Mas é pouco: é entretenimento, não guerra. Daí pensei no Tarantino e seu Bastardos Inglórios. Uma homenagem ao gênero nos anos 40-50. Porém ainda se trata da Segunda Guerra e dela o cinema se ocupou em reforçar a imagem Mundo x Hitler, preto no branco. Aí pensei em citar o impecável Cartas de Iwo Jima. Clint Eastwood é f*** e faz um filme americano sobre a visão japonesa de uma das últimas batalhas, e de repente o drama deles é o nosso. Então se é pra universalizar o tema, fiquei tentada a lembrar de Henrique V, com Kenneth Branagh, que saudade dele. Mas não adianta. Guerra é horror, guerra é o fim da razão, guerra é Apocalypse Now. Porque os coroneis Kilgore e Kurtz são eternos, mesmo que mudem as guerras, que a tecnologia tire do ar os helicópteros. Naquela madrugada de alguns poucos anos atrás, quando víamos Bagdá amanhecer num silêncio de passarinhos, aguardando o bombardeio americano, eu só lembrava da Cavalgada das Valquírias.
Infelizmente não consigo configurar o vídeo de uma das cenas preferidas, mas tá aqui no tubis.
É esse também o filme preferido da Lu e ela lembra bem que, assim como O Bebê de Rosemary, ele está rodeado de histórias incríveis e tenebrosas. Coppola, que era um cara com moral quando começou a rodá-lo, brigou com todo mundo e faliu - não só pessoalmente, mas ao estúdio, se não me engano (ainda não li aquele livro). Martin Sheen enfartou, o elenco sofreu com as tempestades de verão nas locações. A arte exige sacrifícios, e Apocalypse Now é a obra-prima de Coppola.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Dia 9: Melhor Filme Romântico
Há tantos filmes tão ou mais românticos. Mas aqui há um homem e uma mulher que se amam e são enfeitiçados por um bispo (ou coisa que o valha) mau. Ela vira águia e ele, lobo, um de dia, o outro, de noite. Olha que sexy. Eles só se vêem num breve momento da transformação, no pôr-do-sol. Ela é Michelle Pfeiffer e ele, Rutger Hauer. E tem o mongezinho que vai ajudá-los a se livrar do feitiço, o então super fofo Mathew Broderick. O filme não é um primor de direção e tal, mas ah. Foi o primeiro romance que me deixou de coração quentinho.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Dia 8: Filme Cebola (mais triste de todos)
O menino nunca vai ser menino. Nunca vai ser amado. A gente sabe disso desde o começo, mas ele mantém a esperança até o fim. E até o fim do fim. Continuo não chorando, mas acho esse filme triste demais. E é triste também que Stanley Kubrick tenha morrido e não tenha concluído o projeto junto com Steven Spielberg. O resultado seria diferente e, acredito, ainda melhor - apesar de ser uma história que tem muito mais a ver com a fixação na infância do Spielberg. Houve críticas de que é demorado demais. Não ligo: acho fantástica a visão de futuro até (spoiler) a extinção da raça humana . O guri Haley Joel Osment (onde foi parar?) está perfeito como um Pinóquio ultra-moderno. É uma ficção fantástica, que proporciona várias leituras - sobre amor, obsolescência, sobre "ser humano" e muitas mais. E me dá um nó na garganta, ao finalzinho, que olha. Quase choro.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Dia 7: Comédia-tonta-que-não-prejudica-os-neurônios
O meu caro amigo-bombeiro-cinéfilo @agaldinorod bem que protestou lá no Facebook: esse item deveria ser "A Melhor Comédia". Bem, é como se fosse, porque há ótimas comédias e há comédias que ofendem a nossa inteligência - vide aquelas em que policiais se transformam em velhas gordas ou o ladrão anão que se faz passar por bebê. Não, eu nunca as assisti, tenho preconceito mesmo, assumo: só vi as chamadas na tv.
Então vou direto na que acredito ser uma obra-prima da comédia universal: A Vida de Brian, do grupo inglês Monty Python. Alguém ainda não conhece? É um clássico das tardes de Páscoa aqui em casa. Brian nasce na manjedoura ao lado da de Jesus - o que já começa confundindo os reis magos. A mãe de Brian é Terry Gilliam, o futuro diretor de "As Aventuras do Barão de Munchausen".
Brian e Jesus crescem e não se encontram, mas várias vezes o confundem com o Messias - que podemos ver no Sermão da Montanha. Pena que a platéia não o possa ouvi-lo. "Bem aventurados os queijeiros? O que há de tão especial nos queijeiros?", pergunta uma mulher "Bem, não é tão literal, ele se refere a todos os produtores de derivados de leite".
"Uma esmolinha para um ex-leproso", pede o ator que faz o gago de Um Peixe Chamado Wanda: porque ele foi curado por Jesus e perdeu sua fonte de renda.
Tem ainda a Frente Libertadora da Judéia e ah, como eu já frequentei reuniões parecidas com as deles. Tem os apedrejamentos, aos quais as mulheres são proibidas de frequentar e por isso recorrem às barbas falsas.
E ainda tem o Pôncio Pilatos de língua presa. Aviso: o humor é inglês.
domingo, 6 de novembro de 2011
Dia 6: com o coração na boca (melhor suspense/terror)
Adoro as categorias suspense/terror, desde que me poupem de monstros gosmentos - exceções para Alien (nunca sei em que categoria incluí-lo) e O Enigma de Outro Mundo (idem). Mas nem mil Samaras ou câmeras distorcidas, médicos loucos ou psicopatas, atividades paranormais etc. me farão sentir de novo o impacto - e o medo - que vivi com O Bebê de Rosemary. Acho que não há quem nunca o tenha assistido e que tudo o que poderia ser dito sobre ele já foi registrado, mas vamos lá. Rosemary se muda para um apartamento no Edifício Dakota, informação que só se tornou relevante anos depois, você bem sabe o porquê*. Vizinhos velhinhos e xeretas se metem em sua vida mais do que o necessário. O marido insiste em deixá-los invadir sua privacidade. Claro, eles são membros de uma seita satânica com a qual ele fez um pacto por fama e dinheiro, em troca de permitir que o capeta itself engravide sua mulher. Rosemary fica grávida, numa das cenas mais aterrorizantes do cinema, na minha modesta opinião - a do pesadelo (está toda aí no link, infelizmente só achei em italiano). O marido e os vizinhos a afastam de todas as pessoas sensatas, ou elas são mortas. Rosemary é frágil demais. Cena impressionante é aquela em que, sentindo dores horríveis, ela pensa em procurar outro médico porque não está aguentando - não está aguentando! E a dor pára. O tempo todo você sabe que ela não tem para onde correr, porque carrega o mal consigo. E ela corre: de pernas abertas, naquele andar de pato típico das grávidas quase parindo. Quando Rosemary percebe o que aconteceu, é tarde: ela é mãe e o diabinho precisa dela. Mãe é mãe, sabe como é.
*Durante a filmagem Mia Farrow se separou de Frank Sinatra; no ano seguinte ao lançamento do filme, a esposa do diretor Roman Polanski, Sharon Tate, foi assassinada grávida de oito meses por Charles Manson e sua gangue; John Lennon foi morto em frente ao Dakota, em 1980, onde morava. Então o filme tem toda uma aura terrível que, digamos, ajuda a tornar a experiência de assisti-lo mais apavorante. E ainda tem a musiquinha... que eu canto de cor.
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