Bye Bye Brasil é o melhor filme brasileiro e ponto. É uma superprodução, mas é pobre. Tem atuações estonteantes de pessoas feias e ridículas, em cenas cruas que podem - ainda - estar acontecendo ali na região metropolitana da sua cidade grande. Tem seu valor histórico, claro. Transamazônica, gente, que grande fonte de pautas e filmes poderia ter rendido - mas ficou só nisso e mais uns dois ou três filmes de qualidade inferior. Quem, às vésperas da Abertura e da Anistia, não se reconheceu no desalento da busca pela Pasárgada, transformada em Altamira, dos artistas mambembes, também malandros e prostitutas, de José Wilker, Betty Faria, Fábio Júnior e Zaira Zambelli - a Caravana Rolidei? Mas para além de sua importância cívica está o que melhor se pode esperar de um filme - diversão, belíssimas atuações, locações, roteiro amarradíssimo (ah, bons tempos sem offs explicativos). Não ganhou a Palma de Ouro em Cannes porque disputou com All That Jazz e Kagemusha, a Sombra do Samurai - aí fíca complicado. Mas merecia. Infelizmente não encontrei meus trechos preferidos na internet para mostrar a quem ainda por acaso não viu - e que se existir, depois me diga se não deixa qualquer outra produção brasileira no chinelo.
sábado, 19 de novembro de 2011
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Dia 16 - Melhor-Durão-Que-No-Fundo-É-Coração-Mole
Sou apaixonada por Clint Eastwood desde criança. É meio que uma tradição de família, inclusive entre os machos. Vi tudo que ele fez, praticamente, dos faroestes, sessões da tarde com cadilacs cor-de-rosa e fugas em ônibus, até suas obras-primas na direção. De alguns filmes eu não gosto, e boto a culpa no roteirista piegas - o dos astronautas, o Menina de Ouro (me desculpem os fãs, mas é muito previsível). Gosto dele como ator também, porque é a personificação desse sub-gênero: o durão-que-no-fundo-é-coração-mole. Como já lembrou a Luciana em outro item do meme, Sergio Leone disse que ele tem apenas duas expressões faciais: "Uma com o chapéu e outra sem ele". Em parte é verdade. Mas há muitos filmes em que Eastwood sutilmente desmonta essa teoria pândega. Ele não chora, mas fala com um nó na garganta que te dói, como na última cena deste filme subestimado e que é um de meus preferidos: Coração de Caçador - White Hunter, Black Heart (lindo título), dirigido por ele, que também atua como John Wilson, um diretor de cinema americano que resolve rodar um filme na África e acaba se dedicando à caça de elefantes - reconheceu a história? O roteiro é baseado no livro de Peter Veirtel sobre as aventuras do diretor John Huston antes das filmagens de Uma Aventura na África. É cinema em cima de cinema. Não sei se a cena em destaque aqui também aconteceu com Huston, mas bem que eu gostaria. A transcrição desse trecho, belíssimo, irônico, constrangedor, está neste link.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Dia 15: Melhor Horizonte (fotografia inesquecível)
Não sou uma pessoa lá muito chegada à natureza. Já tive minha cota de mato, vaca, vida bucólica suficiente para o resto da vida. Tanto na vida quanto no cinema, gosto de paisagem urbana (poderia até citar aqui algumas cenas dirigidas por Woody Allen). Por isso nem ligo de viajar e passar férias onde há inverno: meu turismo é indoor, não é de paisagem. Mas tem um filme - UM - que me despertou a vontade de conhecer um lugar somente por suas paisagens. Indochina, além de cenas lindas nos rios e florestas do Vietnam, ainda tem Catherine Deneuve espetacular em sua beleza e talento maduros. O trailer não faz jus.
Mas vou dar uma trapaceadinha e lembrar de outro título que por acaso tem como "mocinho" o mesmo Vincent Perez de Indochina: A Rainha Margot. Este traz outra diva francesa, Isabelle Adjani, e tem a que acredito seja a melhor recriação de época que já vi. Pelo menos, a que mais me impressionou. O massacre da Noite de São Bartolomeu é fantástica e cruel. O casamento à força em Notre Dame é inesquecível. Mas é uma fotografia sem horizonte. Outro filme que vou retirar logo da biblioteca da Aliança Francesa: fiquei com saudade de rever ambos.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Dia 14: Batendo Papo (melhor diálogo)
Já postei esse trecho de Amor à Queima-Roupa aqui, no dia em que Dennis Hopper morreu. Não sei se alguém ainda não conhece a historinha, mas Quentin Tarantino "vendeu" esse roteiro para reunir a grana suficiente pra filmar Cães de Aluguel. Deixo aqui como exemplo do mestre dos diálogos. Todos os filmes dele têm os melhores, mais divertidos, violentos e banais diálogos do cinema. Ok, é uma generalização e os cinéfilos com mais memória que eu podem protestar. Mas em bate-papo, Tarantino é rei.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Dia 13 - Maior roubada cinematográfica
Quando este item foi criado, imediatamente pensei numa roubada histórica: Vanilla Sky. Um filme metido a cabeça em que Tom Cruise, Penelope Cruz ansiosa por se tornar a latin bombshell (e conseguiu) da vez e Cameron Diaz em caras e bocas com a velha desculpa do "é tudo sonho/irreal/metáfora/whatever". Mas aí viajei e enfrentei um dos piores filmes da história do cinema no avião: este aqui, um veículo para, assim como em Vanilla, os atores desfilem sua beleza anoréxica e perfeita numa pseudo crise existencial. Porém, vejam só, eu nunca quis assisti-los. O primeiro, fui obrigada a ver porque estava em casa de terceiros e o segundo também não pude escolher - já contei que Iberia é a Cometa dos Ares (o primeiro filme da noite tinha sido Os Pinguins do Papai). Então não dá pra configurar como "roubada" porque eu sabia que seria ruim, jamais teria me escalado pra assistir algo com Tom Cruise sem um diretor consistente (ave Kubrick) ou algo em que Keira Knightley seja protagonista (nem a nova versão de Jane Austen, sorry).
Roubada mesmo é quando a gente sai de casa na chuva, aproveita a única oportunidade do mês de ter um momento adulto sem criança, paga caro, janta pipoca e se decepciona. Isso, amigos, foi o que aconteceu ontem comigo e Mr. Lopes, quando fomos ansiosos (eu, pelo menos, que ele foi meio arrastado) assistir ao novo Almodóvar, A Pele que Habito.
Veja que eu era fã de Almodóvar do tempo de Pepe, Luci, Bom y Otras Chicas Del Montón. Tinha por ele uma adoração cega. Até que a produção dos anos 2000 começou a me desgostar. Não vou pormenorizar aqui. Senti-me reconciliada com o anterior, Abraços Partidos. Então fui super animada ao cinema, cabeça aberta, esperando aquelas loucurinhas de sempre, mas com aquele "algo mais" dos seus melhores momentos. E não. E agora é opinião pessoal, contrariando a crítica geral: achei um filme confuso, de roteiro fraco, atuações péssimas, história arrastada, desinteressante, desconexo. Poderia citar aqui trechos frouxos e incoerentes, mas nem é essa a questão. É daquele filme que faz a gente murchar e sair do cinema pensando - puta filme ruim. Mas como é do Almodóvar, o que se ouve à saída é "nossa, muito louco, mas gostei". Se o diretor fosse um desconhecido, poderia ser um tapa-buracos na grade da madrugada do SBT. E como quanto mais a expectativa, maior a decepção, tá aqui minha ultra-recente e maior roubada cinematográfica.
domingo, 13 de novembro de 2011
Dia 12 : Melhor Ano da História do Cinema
Esta eu vou passar. Não tenho condição de escolher um ano. Procurei na lista de indicados ao Oscar: há boas pistas. Mas Oscar, convenhamos, não é uma premiação abrangente e não inclui a produção européia - mesmo se considerasse a lista de Oscar de Filme Estrangeiro. Então escolho uma década, a 70. Meus diretores e atores favoritos se fizeram nesta época: Kubrick, Scorcese ScorSESE, Woody Allen, Coppola, Spielberg, Truffaut, Monicelli, Bertolucci; sem contar os atores/atrizes que se revelaram no casting dos filmes destes caras. Foi a década do fim do sonho, dos jovens se prostituindo, se desiludindo, lutando e perdendo, se matando, se perdendo. Esse é o meu clube.
sábado, 12 de novembro de 2011
REVOLTA
Eu escrevi SCORCESE duzentas vezes aqui e ninguém me corrigiu. Mimimi
Agora vou repetir até decorar. SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE SCORSESE
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Dia 11 - Melhor drama
Filme, pode haver melhor. Mas não há drama maior que o de Sofia.
PS - Cuidado, esse link é o MAIOR SPOILER de todos os tempos. Se não viu o filme, clique no link acima dele no youtube, o trailer, e deixe pra chorar com o dvd ou o livro.
PS - Cuidado, esse link é o MAIOR SPOILER de todos os tempos. Se não viu o filme, clique no link acima dele no youtube, o trailer, e deixe pra chorar com o dvd ou o livro.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Dia 10: Melhor Filme de Guerra
Eu ia tacar o Fugindo do Inferno aqui. Um clássico que a gente assistia com a família, no horário nobre da tv, nos anos 80. Elenco estelar encabeçado por Steve MacQueen, astros em fuga de um campo de prisioneiros alemão, cavando um túnel, enquanto o rebelde bate bolinha na solitária. Até Bart Simpson já fugiu como eles. Mas é pouco: é entretenimento, não guerra. Daí pensei no Tarantino e seu Bastardos Inglórios. Uma homenagem ao gênero nos anos 40-50. Porém ainda se trata da Segunda Guerra e dela o cinema se ocupou em reforçar a imagem Mundo x Hitler, preto no branco. Aí pensei em citar o impecável Cartas de Iwo Jima. Clint Eastwood é f*** e faz um filme americano sobre a visão japonesa de uma das últimas batalhas, e de repente o drama deles é o nosso. Então se é pra universalizar o tema, fiquei tentada a lembrar de Henrique V, com Kenneth Branagh, que saudade dele. Mas não adianta. Guerra é horror, guerra é o fim da razão, guerra é Apocalypse Now. Porque os coroneis Kilgore e Kurtz são eternos, mesmo que mudem as guerras, que a tecnologia tire do ar os helicópteros. Naquela madrugada de alguns poucos anos atrás, quando víamos Bagdá amanhecer num silêncio de passarinhos, aguardando o bombardeio americano, eu só lembrava da Cavalgada das Valquírias.
Infelizmente não consigo configurar o vídeo de uma das cenas preferidas, mas tá aqui no tubis.
É esse também o filme preferido da Lu e ela lembra bem que, assim como O Bebê de Rosemary, ele está rodeado de histórias incríveis e tenebrosas. Coppola, que era um cara com moral quando começou a rodá-lo, brigou com todo mundo e faliu - não só pessoalmente, mas ao estúdio, se não me engano (ainda não li aquele livro). Martin Sheen enfartou, o elenco sofreu com as tempestades de verão nas locações. A arte exige sacrifícios, e Apocalypse Now é a obra-prima de Coppola.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Dia 9: Melhor Filme Romântico
Há tantos filmes tão ou mais românticos. Mas aqui há um homem e uma mulher que se amam e são enfeitiçados por um bispo (ou coisa que o valha) mau. Ela vira águia e ele, lobo, um de dia, o outro, de noite. Olha que sexy. Eles só se vêem num breve momento da transformação, no pôr-do-sol. Ela é Michelle Pfeiffer e ele, Rutger Hauer. E tem o mongezinho que vai ajudá-los a se livrar do feitiço, o então super fofo Mathew Broderick. O filme não é um primor de direção e tal, mas ah. Foi o primeiro romance que me deixou de coração quentinho.
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