domingo, 4 de dezembro de 2011

Obrigada, Doutor.

Esse era o pôster que eu tinha no meu quarto, ao lado do pôster do Michael Jackson

Vocês já sabem. Sócrates era meu ídolo desde criança, desde que surgiu, porque ser corinthiano é uma coisa que se pega por osmose. Não se é corinthiano porque em determinado momento era o time da moda, o mais ganhador, o campeão de tal e tal título. Meu pai era corinthiano roxo e eu herdei dele o amor pelo time que ora dava tantas alegrias, ora tantas tristezas. Somos "o primeiro bando de loucos de uma história repleta de paroxismos". Mas aí ele chegou e transformou o folclórico em subversivo, em desafio, em modernidade. Ser corinthiano, com todas as agruras, tornou-se um orgulho. E sempre vai ser. Nossa história é bonita. Valeu, Dr. Sócrates.


Democracia Corinthiana, o ponto alto do futebol brasileiro


"Corríamos como crianças. Tínhamos prazer em jogar, nos divertíamos e divertíamos nosso fiel público. Era um tesão. Tesão de viver e atuar com liberdade, porém com maior responsabilidade em relação ao nosso trabalho. Os resultados todos conhecem, mas o mais importante de tudo gerado por lá foi a maturidade adquirida por todos os companheiros. Muito diferente dos dias de hoje ou da própria história dos jogadores brasileiros." (Sócrates)

  
PS: Não posso deixar de lembrar que tanto meu pai quanto Sócrates morreram muito mais cedo do que deviam e mereciam, enfraquecidos por uma doença em comum, o alcoolismo. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Dia 27 - Porrada! (Melhor Cena de Violência)

A primeira que me vem à cabeça é a surra que o então futuro Soprano, James Gandolfini, dá em Alabama, personagem de Patricia Arquette - mais uma vez, naquele filminho subestimado, Amor à Queima-Roupa (True Love). Ela chega ao quarto de motel onde se esconde dos traficantes e encontra o capanga, o pior deles. Mas pô, tremenda violência contra a mulher, não vou me sentir bem colocando essa cena aqui - típica do roteirista Quentin Tarantino: papo e violência extrema. O que me leva à sua obra-prima, o primeiro e, na minha opinião, mais impactante filme desse diretor que é Top 3 eterno no meu coração (junto com Scorcese e Woody Allen). É a famosa "cena da orelha" de Cães de Aluguel, que infelizmente não está disponível pra incluir aqui no post, mas você clica no link e a vê toda. Hoje, depois de tudo o que Tarantino fez com as possibilidades de violência, e até pelo que vemos por aí na vida real, a cena talvez nem choque tanto. Mas na época... o pai de um amigo meu teve que sair correndo do cinema, porque quase infartou (e eu gosto particularmente do fim da cena, seco).

Mr. Blonde, you've been a bad, bad guy.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Dia 26 - Unha e Carne (Melhor Amizade)

O que é a amizade e quais são os tipos de amizade? A Lu já respondeu e eu, humildemente, hoje apenas indico o meu filme preferido sobre o tema, sem mais delongas.


terça-feira, 29 de novembro de 2011

Pausa para Nina

Pensando na vida, deitada comigo.
- Mãe, imagina que aqui é o Brasil (estende uma mão) e aqui é a França (estende a outra.
- Sim, com o mar no meio.
- Isso. Agora imagina que na França existe outra Nina. E existe outra Cristina, outro papai. Só que eles vivem uma vida diferente das nossas. E imagina que em todos os países tem outras Ninas e Cristinas e papais.
- *_*
- Legal, né?


(Daí contei pra ela a história de A Dupla Vida de Verónique)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Dia 25: Meu Vilão Favorito

Nada como um vilão da vida real pra acabar com o dia. Estava procurando no Youtube cenas de Ralph Fiennes interpretando o capitão nazista Amon Göeth em A Lista de Schinder (sugestão da minha amiga Patricia, prontamente acatada) e acabei me deparando com tributos à sua crueldade - responsável pelo campo de Plaszow, na Polônia, ele se encarregou de matar pessoalmente pelo menos 500 pessoas. Não há quem não tenha visto o filme e não saiba como: por esporte, por tédio, por pura falta de humanidade. Por isso passou pra trás Hannibal Lecter, o assustador Capitão Vidal de O Labirinto do Fauno e qualquer vilão interpretado por Robert Mitchum. Aproveito e faço as mesuras devidas ao ator e a Steven Spielberg, que eles merecem. 




Não vou dar nenhum link porque olha, os vídeos com trechos do filme e trechos históricos, com adoração de neo-nazistas, são muito assustadores.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Dia 24: Melhor Par Romântico




Talvez esse seja o item em que eu cometa as maiores injustiças, ou pareça preguiçosa, porque uau, tem desde Romeu e Julieta até Woody Allen e Diane Keaton, chegando (por falar em Woody) em Penelope Cruz e Javier Bardem. Sem contar os clássicos tipo Bacall e Bogart, como a Lu já me provocou. Mas O Pagamento Final, de Brian de Palma, é um dos meus filmes preferidos da vida e acho a história de reencontro do casal, Al Pacino (sedutor) como o ex-traficante cubano e ex-presidiário que tenta se manter "limpo", Carlito Brigante, com a dançarina Gail (a linda e frágil Penelope Ann Miller), tããão romântica, que sempre que revejo fico triste antecipadamente por eles, que tavam com tudo acertadinho pra fugir de todos os vilões e viver nas Bahamas. Maldito Benny Blanco, from the Bronx.

Dia 23: Melhor DR



Discutir a relação é aquela coisa. Ou o casal libera os sapos presos na garganta, com ambos dispostos a ouvir o outro, ou é a emenda que piora o soneto. Descobri só hoje, pesquisando pro meme, que Cenas de Um Casamento, de Ingmar Bergman, não é um filme, mas uma série de TV, com cinco episódios. Mas quando o assisti foi numa fita, ou melhor, edição dupla, e tão bem editado que, apesar de ter quase ou mais de três horas, me pareceu uma obra completa, perfeita. Podia citar aqui as elocubrações maravilhosas de Woody Allen ou repetir Quem Tem Medo de Virginia Woolf. Mas nos closes de Liv Ullman, na discrição dos atores, na frieza da exposição de suas vidas, até aflorarem os sentimentos (ui, que clichê), até o desespero, e de novo à racionalidade, são inesquecíveis. Dica: não assista se estiver meio assim com seu parceiro (a). É mais que um filme, é uma prova. Mais, numa resenha interessante, aqui.



(vídeo em espanhol, mas não consegui nada com legenda)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Dia 22 - So you think you can dance (melhor musical)



All That Jazz. Roy Scheider, que faz John Gideon, alter-ego do nada-menos-que-gênio Bob Fosse, monta um musical na Broadway enquanto se deixa seduzir pela morte, Jessica Lange - passando pelos cinco estágios (negação, raiva, negociação, depressão e aceitação). Desculpem-me Fred Astaire e Gene Kelly, esses lindos, mas esse é meu tipo de roteiro. E tem as danças. O pocket-show da filha para o pai (quase choro). Some of  These Days You're Gonna Miss Me, Daddy. O jazz. A trilha sonora que marcou a década. O casting. As frustrações, as dores, os vícios. O vídeo do stand-up que Gideon edita, e que apresenta seu monólogo final. Tudo isso tá aí nos links do youtube, quem não conhece, dê uma olhadinha. Esse é o meu clássico. It's show time!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Dia 21 - Preto no Branco (Melhor Noir)

Pra não falar besteira, fui pesquisar as características do estilo (ou gênero?) noir. A sábia Wikipedia dá um show e nos ensina quais são seus principais elementos.

Personagens: femme fatale, protagonistas moralmente ambíguos, protagonistas alienados, bode expiatório e personagens violentos ou corruptos; 

Ambientes: urbano, contemporâneo, locações exóticas ou remotas, casas noturnas e/ou clubes de jogos/apostas;  

Elementos cinematográficos: fotografia em preto-e-branco, ou em cores lavadas (não-saturadas), ângulos baixos de filmagens, ângulos incomuns e técnicas expressionistas de fotografia, cenários noturnos e interiores sombrios e uso de narração; 

Elementos temáticos: senso de fatalismo, obsessão sexual/romântica, corrupção, emboscadas, niilismo; 

Elementos de roteiro: roteiro intrincado, flashbacks, sobreposições narrativas, história contada sob perspectiva criminal, traição, inevitabilidade do fracasso do protagonista., final em aberto ou ambíguo.


Ou seja, é receita pra filmaço. O Falcão Maltês e O Crepúsculo dos Deuses são os mais importantes, certamente. Mas gosto pessoal é aquela coisa. Fico aqui com O Terceiro Homem, escrito e roteirizado por um de meus autores preferidos, Graham Greene. Aqui nesse blog antigo tem um texto primoroso sobre o filme, que eu jamais poderia fazer melhor. O texto dá o spoiler de uma das melhores frases do cinema, criado pela cereja do bolo, que é a aparição-surpresa de Orson Welles (a fala do relógio-cuco, que não está no roteiro de GG). E spoiler por spoiler, fiquem com a cena toda, um primor, assim como todo o filme.




Harry Lime:  Nobody thinks in terms of human beings. Governments don't. Why should we? They talk about the people and the proletariat, I talk about the suckers and the mugs - it's the same thing. They have their five-year plans, so have I.
Martins: You used to believe in God.
Lime:  Oh, I still do believe in God, old man. I believe in God and Mercy and all that. But the dead are happier dead. They don't miss much here, poor devils.

*Desculpem, acho pedante texto todo em inglês, mas não achei a tradução e tô apertada de costura. 

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Dia 20: Melhor comédia romântica




Claro que há as comédias dos anos 50 que me fizeram romântica nas sessões da tarde e madrugadões - salve Billy Wilder - mas vou deixar esse período pra quem entende das coisas (oi Lu) e escolher, meio levianamente porque não sou lá grande fã  conhecedora, Harry & Sally. Acho que foi o filme que trouxe de volta a inteligência e o humor leve ao gênero, que vinha se transformando em comédias de puro apelo sexual tipo Porky's. Harry & Sally nos apresentou Meg Ryan, pro bem e pro mal, e até hoje, quando entro numa loja de móveis com Mr. Lopes, ele me diz "vamos ver se tem uma mesa de centro feita de roda de carroça?". Toda vez. Isso é amor. E trapaceando mais uma vez, porque é impossível citar um só, hahahaah, lembro da beleza, fofura e sutileza de Quatro Casamentos e Um Funeral, que nos apresentou Hugh Grant, a verdadeira Doris Day dos nossos tempos, um lindo poema que fez os livros se esgotarem nas prateleiras e um casal gay feliz (até a morte, mas deixa pra lá). Dois filmes que eu duvido que ainda exista alguém no mundo ocidental que não tenha visto.