domingo, 22 de janeiro de 2012

Pra começar

Voltei de quase vinte dias de viagem e sim, farei daqueles posts gigantes e cheios de obviedades, então vem comigo pra gente rir juntos. Mas pra começar, devo narrar um pouco da viagem de ida, Curitiba-Rio, a bordo de avião da famosa empresa aérea brasileira a qual chamaremos aqui de TUM (olha a responsabilidade jurídica). Eu estava indo ao encontro do Mr. Lopes, que já estava há um mês em Paris, fazendo seu curso de línguas, entre outras obrigações (controle de qualidade de vinhos nacionais, por exemplo), com mais dois amigos. Atrás de mim, executivo conversa com sua sócia sobre outro sócio, avaliando todas as ações da empresa e dos funcionários como "show de bola".

Amigo 1 - Esse avião tá fedendo.
Amigo 2 - Fedendo queimado.
Eu - Será o lanche?

[ Segue a viagem, o cheiro de queimado piora, mas o comandante anuncia o início da descida. De repente, as luzes do avião se apagam, completamente: até as das asas. Aeromoças, desesperadas, correm até a frente, mexem no painel, que passa a ser a única luz na escuridão da noite. Feito isso, elas se prendem aos cintos de segurança, sem falar nada. Climão pesado no avião, passageiros mal respiram. "Show de bola" cala a boca.] 

Amigo 1 - Gente, e agora, esse avião vai ficar assim?
Amigo 2 - Acho que a gente vai cair.
Eu - Calma, o avião nem tá caindo, tá planando, o comandante ainda deve ter controle.

[ Passam-se cerca de 20 minutos e nada de alguém falar alguma coisa. O cheiro de queimado diminui um pouco mas as luzes continuam apagadas ] 

Amigo 1 - Esse cheiro tá insuportável.
Amigo 2 - Isso não vai fazer bem pra quem tem rinite.
Eu - Bem, se o avião cair, não vai fazer bem pra quem não tem rinite também.

[ Crise histérica de riso. Os amigos rezam, por dentro. Eu só consigo pensar "tadinha da Nina, ficar órfã, que droga" ] 

Amigo 1 - Bem, pelo menos nossa morte vai ser notícia. Vão mostrar nossas fotos nos jornais, amanhã.
Eu - Vão dar a notícia no twitter logo em seguida, isso sim.

[ Quarenta minutos depois de terem apagado, aproximadamente (não dava pra ver o relógio) as luzes - só as  de emergência - acendem. As aeromoças não se mexem. Ninguém fala nada, só cochicha. ]

Amigo 2 - Vocês repararam que só as luzes de emergência acenderam? 
Amigo 1 - Ai, eu devia ter lido aquele manual de pouso de emergência.

[O avião começa a descer. Faz um pouso meio torto. Pára. ] 

Amigo 1 (olhando pela janela) - Pô, não tem nem ambulância esperando o pouso.

[Portas se abrem, entram correndo na cabine do piloto dois funcionários da TUM, daqueles das áreas técnicas, de maletas e equipamentos à mão. Aeromoças somem, não se despedem dos passageiros, que saem em silêncio e rapidamente. Outros funcionários aguardam do lado de fora do avião. Silêncio. Alívio de sair. ] 


Chegamos sãos e salvos, confiando que depois dessa, a travessia do Atlântico seria tranquila. E foi.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Viajandinho

Vou ali e volto logo.

Au revoir! à bientôt!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O Grande Post de Resoluções de Ano Novo

Não resisto a uma folhinha nova, então vamos lá. 


Em 2012 vou estudar e aprender Francês. 
Não vou trabalhar pra quem não paga.
Economizarei cada tostão possível. Para isso vou cozinhar, vou ser motorista, babá (tudo que já faço), fazer meus próprios jantares especiai (opa).
Ficarei mais magra (10 quilos via dieta Dukan a partir de 20/01), mais ruiva (eu mesma tinjo), aceitarei melhor minha idade. Mas me dedicarei mais aos cuidados com a pele.
Vou fugir de polêmicas, mas vou parar de engolir sapos.
Farei trabalho voluntário, do meu jeito, prestando os serviços que sei e consigo fazer.
Aproveitarei cada minuto com quem eu amo, mesmo quando estivermos em silêncio. Telefonarei mais vezes para as pessoas com quem me preocupo ou me importo. 
Ouvirei um pouco mais.
Vou escrever minhas coisinhas. Vou me desconectar um pouco. Não muito.
Vou assistir mais futebol. Procurar mais cantores novos pra ouvir; vou aprender a baixar séries.
Andar mais a pé. Passar momentos sozinha, sem objetivo nenhum.
Vou conseguir correr 10 quilômetros - mas não vou participar de corridas.
E vou estar por aqui.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Você sai do Brasil mas o Brasil não sai de você

- Tia, tô ajudando minha mãe, é um pano de prato por R$ 4, três por R$ 10.
Baixo a voz da Carla Bruni, baixo mais a janela, pego a bolsa.
- Tenho R$ 6, me dá um pano de prato e fica com R$ 2 pra você comer um salgadinho.
- Não posso, tia, tem um polícia aqui no estacionamento que se me vê pedindo dinheiro sem vender, briga.
- Imagina, ninguém tá vendo, fica com R$ 2 pra você, tô te dando porque você é bonitinho.
- Olha, tia, te dou dois panos de prato.
- Mas eu só quero um, e que você fique com os R$ 2.
- Não, tia, pega os dois, você é legal.
- Então fica com meu guaraná, só tomei um golinho.
- Ah, tia, que bom, eu tava mesmo morrendo de sede.
- Então tchau.
- Tchau.
- Cuidado com os carros.
- Tá.


Daí eu choro copiosamente no sinal.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Boas festas


Adoro ter motivo pra festa. E é o que temos para hoje. Mr Lopes está sozinho na França, pondo um projeto pessoal antigo em prática e eu fico feliz demais por ele. Nina está maravilhosa, passou pro 2º ano e, às vezes, quando saltita por aí, se vira e me diz "nossa, como eu tenho sorte". Eu deixei o emprego que não queria mais; me arrisquei em frilas, confesso que estou me ferrando - com exceção de um ou outro contratante que respeita detalhes como pagamento. Alguns projetos foram por água abaixo e outros, procrastino. Mas que ano, senhoras e senhores, que ano. Viajei por mares nunca dantes imaginados e, consequentemente, reaprendi a me surpreender e a me emocionar. Mantive e renovei as amizades, a família passou bem, com saúde, obrigada. Engordei, sim, de novo, mas já consigo correr 5 km e ampliei a meta para 10 km em 2012. Sempre procuro por um motivo pra festa e por isso hoje fui ao mercado feliz, exagerei nos frisantes e nas frutas, adorei a muvuca, o povo se apertando nas filas de comida boa, gastando com alegria; eu também sou da farofa e vou caprichar na mesa posta, fazer um arranjo, me desarmar, comemorar. Que seja assim com vocês, também.

Se chorei ou se sorri, o importante...

;)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Como era gostoso meu francês

Quelqu'un é minha palavra preferida até agora. Também adoro Dimanche e Aujourd'hui.

Difícil é escrever, caramba. Acentuar, então... só daqui a uns 3 quadrimestres, sendo bem otimista.

Nota final: 89,9. Comendo cachorros e gatos, hein.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Coisas que só acontecem comigo

Ando meio longe porque estou sozinha com dona Nina em plenas férias, tenho frila pra acabar até o Natal (ahan senta lá Cristina) e tive provas de francês. Aí ocorre aquele momento Tina Lopes típico.

A professora da prova oral, a qual não conheço e portanto não estou acostumada a seu jeitinho de falar francês, me perguntou quais são meus alimentos preferidos - ALIMENTS PRÉFÉRÉS - e eu entendi quais eram meus animais preferidos - ANIMAUX PRÉFÉRÉS.

Aí respondi bem animadinha "J'aime les chiens et les chats..." ADORO CÃES E GATOS.

Le TÓIN do ano. Mas depois que a coisa ficou esclarecida até rimos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Dia 31: Minha Vida em 3 Sequências

Esse item é difícil demais. Pensei, pensei, pensei e não consigo encontrar três sequências que representem meu passado, presente e futuro. Só sei que preciso finalizar corrigindo uma falha e citar um dos meus cineastas top 3. É isso. 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Dia 30 - Nunca mais (filme mais traumático)




Não tenho condição de escrever sobre O Quarto do Filho. Assisti há muito tempo, durante um período de luto, e se não fosse por isso certamente teria refletido mais sobre vida e morte do que basicamente sofrer, numa catarse, como o fiz. A história é de uma família que perde um membro, o filho. Como continuar a vida? Como conviver com todos os "se"? É um processo doloroso num filme que não nos poupa, emocionalmente - a tragédia ocorrida não se vê, só os desdobramentos com os familiares e amigos. É lindo, uma obra de arte. Mas não quero nunca mais rever. Me fez sofrer demais.


Uma descoberta para acabar com minha fama de má: esse filme me fez chorar (mas eu tinha esquecido).