Voltei de quase vinte dias de viagem e sim, farei daqueles posts gigantes e cheios de obviedades, então vem comigo pra gente rir juntos. Mas pra começar, devo narrar um pouco da viagem de ida, Curitiba-Rio, a bordo de avião da famosa empresa aérea brasileira a qual chamaremos aqui de TUM (olha a responsabilidade jurídica). Eu estava indo ao encontro do Mr. Lopes, que já estava há um mês em Paris, fazendo seu curso de línguas, entre outras obrigações (controle de qualidade de vinhos nacionais, por exemplo), com mais dois amigos. Atrás de mim, executivo conversa com sua sócia sobre outro sócio, avaliando todas as ações da empresa e dos funcionários como "show de bola".
Amigo 1 - Esse avião tá fedendo.
Amigo 2 - Fedendo queimado.
Eu - Será o lanche?
[ Segue a viagem, o cheiro de queimado piora, mas o comandante anuncia o início da descida. De repente, as luzes do avião se apagam, completamente: até as das asas. Aeromoças, desesperadas, correm até a frente, mexem no painel, que passa a ser a única luz na escuridão da noite. Feito isso, elas se prendem aos cintos de segurança, sem falar nada. Climão pesado no avião, passageiros mal respiram. "Show de bola" cala a boca.]
Amigo 1 - Gente, e agora, esse avião vai ficar assim?
Amigo 2 - Acho que a gente vai cair.
Eu - Calma, o avião nem tá caindo, tá planando, o comandante ainda deve ter controle.
[ Passam-se cerca de 20 minutos e nada de alguém falar alguma coisa. O cheiro de queimado diminui um pouco mas as luzes continuam apagadas ]
Amigo 1 - Esse cheiro tá insuportável.
Amigo 2 - Isso não vai fazer bem pra quem tem rinite.
Eu - Bem, se o avião cair, não vai fazer bem pra quem não tem rinite também.
[ Crise histérica de riso. Os amigos rezam, por dentro. Eu só consigo pensar "tadinha da Nina, ficar órfã, que droga" ]
Amigo 1 - Bem, pelo menos nossa morte vai ser notícia. Vão mostrar nossas fotos nos jornais, amanhã.
Eu - Vão dar a notícia no twitter logo em seguida, isso sim.
[ Quarenta minutos depois de terem apagado, aproximadamente (não dava pra ver o relógio) as luzes - só as de emergência - acendem. As aeromoças não se mexem. Ninguém fala nada, só cochicha. ]
Amigo 2 - Vocês repararam que só as luzes de emergência acenderam?
Amigo 1 - Ai, eu devia ter lido aquele manual de pouso de emergência.
[O avião começa a descer. Faz um pouso meio torto. Pára. ]
Amigo 1 (olhando pela janela) - Pô, não tem nem ambulância esperando o pouso.
[Portas se abrem, entram correndo na cabine do piloto dois funcionários da TUM, daqueles das áreas técnicas, de maletas e equipamentos à mão. Aeromoças somem, não se despedem dos passageiros, que saem em silêncio e rapidamente. Outros funcionários aguardam do lado de fora do avião. Silêncio. Alívio de sair. ]
Chegamos sãos e salvos, confiando que depois dessa, a travessia do Atlântico seria tranquila. E foi.

