Fiz um frila de texto, um texto meio solto, com um tema, mas sem muitas exigências, sem um briefing detalhado. Pensei no assunto antes de dormir. Acordei e, enquanto a Nina ainda tomava seu leite lendo gibi, escrevi. Adoro escrever, adoro ser contratada para escrever. Mas tem dia que a coisa flui melhor do que o esperado. Enviei o arquivo e esperei uma tarde pelo retorno. O texto foi aprovado com duas alteraçõezinhas de nada. Fiquei feliz. "Um dinheiro tão bem-vindo pra um serviço de dez minutos", pensei. Mas me corrijo. Foi um serviço de 42 anos e dez minutos.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Eu não sou Guarani-Kaiowá
Hoje eu postei esse vídeo, abaixo, sobre a situação dos Guarani-Kaiowá. Você não está sabendo? Então dê uma olhadinha, por favor.
Muitas pessoas estão alterando seus nomes para "Fulano de Tal Guarani-Kaiowá" no Facebook. Acho uma estratégia inteligente para chamar atenção para o assunto — foi assim que me interessei. Também está rolando uma petição, cujo objetivo não me parece muito definido, mas vá lá, trata-se de outra forma de fazer o drama indígena tornar-se conhecido. Louvável, também (aqui o link mais recente e mais interessante pondo alguns pingos nos ii).
Eu não mudei meu nome no FB. Postei o vídeo acima e logo em seguida compartilhei um site sobre aspas equivocadas. Acho até meio desrespeitoso, da minha parte (ei, eu sempre estou falando de mim, atenção), querer aliviar minha culpa, minha falta de interesse, minha total abstenção na questão indígena, com dois toques de mouse. Li a reportagem da revista que o jornalista do vídeo cita, anos atrás — acho que foi essa, mas pode ter sido outra, também, sobre outra aldeia.
E anos atrás, também, fui pro interior do Paraná, de carro. Paramos numa obra na estrada, perto de um posto de gasolina, onde há uma tribo indígena. Os indígenas do Paraná, acredite-me, são tão ou mais desgraçados que os da Amazônia, do Norte ou do Centro do país. São poucos, vivem mal, não são respeitados, nem têm qualquer programa especial que os atendam e, além disso, passam frio. Uma moça escreveu no post de uma amiga, no Facebook: "se os negros e brancos trabalham, minha opinião é que os amarelos também deviam trabalhar". Bem, moça, você está errada, errada demais. Mas eu também. Naquele dia um bando de índios "atacou" meu carro, que aos olhos deles devia exalar dinheiro, comida, riqueza. Dei meu pacote de salgadinho pra velha índia que quase pulou dentro do carro, chutando as crianças que pediam "bulacha bulacha". Dei as costas e voltei pra civilização. Contei do desespero e da pobreza destes índios em mesas de boteco. Soube outras histórias, do meu sogro, que era dono de um pequeníssimo lote de terra perto da aldeia e desprezava "essa raça" — como a maioria das pessoas que têm uma relação de exploração da terra.
Não sei onde quero chegar com isso. Gostaria de ter sido outra, de ter feito algo. Acredito que votei em pessoas que se interessam pela causa, mas meu voto não foi definido por esse critério. Queria saber o que fazer, ainda, e se há tempo. Mas não acredito. Não sei por onde começar. Eles precisaram de mim, de nós, e agora sabem que só lhes resta morrer em paz. Bem. Esse direito nós não temos.
domingo, 21 de outubro de 2012
Montação solidária
Postei no FB, vai aqui também:
Uma ideia brilhante que eu ~empresto~ a quem tiver tempo e disposição:
Um site para empréstimos de vestidos de casamento/festa.
Você tem aquele vestido que já está batido, que todo mundo da família viu e fotografou, que não vai usar de novo e não vale a pena vender pra brechó (porque pagam muito pouco) nem reformar. Divulga a foto, o tamanho, medidas, e a mulher que está precisando de um modelito novo para um evento que se interessar paga pelo envio pelo Correio e depois o devolve. Um grande closet virtual, imitando o troca-troca de roupas entre amigas, baseado na confiança de que a roupa será devolvida ou redisponibilizada na rede em boas condições.
Se eu não tivesse tanto pra fazer, bem que tentaria botar a ideia em prática.
;)
Uma ideia brilhante que eu ~empresto~ a quem tiver tempo e disposição:
Um site para empréstimos de vestidos de casamento/festa.
Você tem aquele vestido que já está batido, que todo mundo da família viu e fotografou, que não vai usar de novo e não vale a pena vender pra brechó (porque pagam muito pouco) nem reformar. Divulga a foto, o tamanho, medidas, e a mulher que está precisando de um modelito novo para um evento que se interessar paga pelo envio pelo Correio e depois o devolve. Um grande closet virtual, imitando o troca-troca de roupas entre amigas, baseado na confiança de que a roupa será devolvida ou redisponibilizada na rede em boas condições.
Se eu não tivesse tanto pra fazer, bem que tentaria botar a ideia em prática.
;)
sábado, 20 de outubro de 2012
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Uma manhã na vida de Tina Lopes
Ontem decidi tirar o dia pra mim. Isto é, a manhã.
Fui ao dentista, mas chegando lá descobri que não era a data da consulta no meu dentista, era da odontopediatra da Nina. Não é que eu tenha esquecido de marcar na agenda. Colei post-its no computador do trabalho com as datas erradas. Vai vendo. Mas como eu e meu dentista temos uma relação antiga, praticamente um consórcio daqueles pra casa própria, ele deu uma olhadinha e fez um check-in de tudo que preciso fazer (nunca é pouco).
Nota mental: vinho e café escurecem os dentes tanto quanto cigarro.
Saí do dentista feliz porque não vou precisar fazer um implante, que seria caríssimo. Como funciona a minha cabeça? Ora, se vou "economizar" não fazendo o implante, vou gastar parte desse não-dinheiro em cremes para o rosto, já que este ano não rolou orçamento pra um laser anti-manchas.
Em seguida fui ao sindicato pegar minhas carteirinhas, ao Correio pegar uma compra no Strawberry.net que foi taxada (mas vou tentar ressarcimento) e em seguida, ao shopping trocar um presente (twin-set bege por um preto, oi mãe) e passei pelo quiosque da Clinique. Testa aqui, testa acolá, gastei uma barbaridade em três cremes que prometem uma bomba de antioxidantes e hidratação pra minha pele judiada pelo tempo.
Dei três passos e me arrependi, como sempre. Quando gasto mais de cenzão tenho taquicardia, e quando é muuuuito mais, então... fico pra chorar. Foi nesse estado de nervos que cheguei ao meu carro e fui informada, pelos gentis funcionários do estacionamento, que uma moça tinha batido o BMW dela na lateral traseira do meu Ford Kazinho, o Juca Bala.
O pessoal do shopping foi massa. Fizeram um B.O. e fotos da batida — a moça estava ao celular — e me enviaram depois. Telefonei mais tarde, ela foi educadíssima e disse estar disposta a pagar o estrago, porque a franquia de seu carro é muito alta. E eu pensando "ai o dinheiro dos cremes vai todo no conserto". Ah, culpa, sua danadinha, atraindo bad vibes. Mas aparentemente tudo vai se resolver. Deixamos os maridos cuidarem do problema. Sou dessas.
Hoje acordei linda depois de uma noite com meus cremes novos. Quero crer.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Nem tão esotérica assim
Comecei a ler a Breve História de Quase Tudo, finalmente — um presente do Natal passado que acabou ficando para outro dia, outro dia, até que esse dia chegou. E já estou irritada. Quero dizer, o livro é sensacional. Tem quase tudo ali, mesmo, do cósmico ao microscópico, explicadinho. O universo tem trocentos bilhões de anos, é curvo, em um pingo de "i" numa página de livro com corpo 10 cabem trocentos quaquilhões de prótons... tudo tão cansativo, posto que inimaginável.
E o Inimaginável não me interessa. Assim como o Sobrenatural. E a Ciência, por mais que eu queira não duvidar dela, acaba parecendo outra forma de Fé.
Admito que sou tacanha, não me interesso por Ciência e nem por Religião. Pode não parecer, mas sou uma pessoa, digamos, humilde*. Um Ser Superior, tenho certeza absoluta, teria mais o que fazer além de se preocupar com minha alma, muito menos minha vidinha. Não acredito também que um Ser Inferior, o do mal — tanta guerra e violência pelo mundo todo e ele se diverte vendo gente estrebuchar em altares de cultos em garagens — me lançaria um segundo olhar.
E com o que eles se preocupariam além desse planetinha besta? Buracos negros, universos paralelos, colisões cósmicas, quem sabe. Daí volto à Ciência, e acho lindo que um dia tenhamos sido todos um só amontoado de prótons. Mas ainda desconfio de tanta certeza, que volta e meia é desmentida. Nem Plutão é mais planeta!
Além disso, eu acreditando ou não, o planeta continua a girar e minha família continua me convidando para eventos religiosos para os quais eu não tenho vestido.
E com o que eles se preocupariam além desse planetinha besta? Buracos negros, universos paralelos, colisões cósmicas, quem sabe. Daí volto à Ciência, e acho lindo que um dia tenhamos sido todos um só amontoado de prótons. Mas ainda desconfio de tanta certeza, que volta e meia é desmentida. Nem Plutão é mais planeta!
Além disso, eu acreditando ou não, o planeta continua a girar e minha família continua me convidando para eventos religiosos para os quais eu não tenho vestido.
Boto fé mesmo na imperfeição humana. Vou é pegar outro romance.
*/ironia
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
sábado, 29 de setembro de 2012
Três pilares, uma Nação
Ontem eu aprendi quais são, de acordo com um prestigiado historiador cujo nome agora me escapa (depois pego minhas notas e complemento aqui), os três pilares da sociedade francesa, aquilo que forma o estilo de vida francês:
1 - O Código Napoleônico — a sua Constituição, que os torna todos iguais perante a lei;
2 - A escola pública laica, obrigatória e, claro, gratuita (a professora bem lembrou aquela fala do Raí, quando era astro do Paris Saint German, sobre sua felicidade em ter a filha e a filha da faxineira estudando na mesma escola).
3 - Os trens — o sistema férreo que liga o país todo.
Ainda bem que eu segurei a língua e não chutei: 1) o queijo 2) o vinho 3) a baguette.
1 - O Código Napoleônico — a sua Constituição, que os torna todos iguais perante a lei;
2 - A escola pública laica, obrigatória e, claro, gratuita (a professora bem lembrou aquela fala do Raí, quando era astro do Paris Saint German, sobre sua felicidade em ter a filha e a filha da faxineira estudando na mesma escola).
3 - Os trens — o sistema férreo que liga o país todo.
Ainda bem que eu segurei a língua e não chutei: 1) o queijo 2) o vinho 3) a baguette.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Moment musical
Sim, ela casou com o Sarkozy, é imperdoável, mas sou fã, me deixa, eu queria mesmo ter essa voz, essa elegância, esse cabelo e principalmente o rosto exótico. Mas essa música, essa letra, são lindas. E eu tô treinando tradução ;)
Déranger Les Pierres
Je veux mes yeux
dans vos yeux / Quero meus olhos nos teus olhos
Je veux ma voix
dans votre oreille / Eu quero minha voz em seu ouvido
Je veux les mains
fraîches du vent / Eu quero as mãos frias com o vento
Je veux encore le
mal d'aimer / Eu quero ainda o mal de amar
Le mal de tout ce
qui est merveille / O mal de tudo o que é maravilhoso
Je veux encore
brûler douc'ment / Eu ainda quero queimar devagar
Marcher à deux
pas du soleil / Caminhar a dois perto do sol
Et je veux
déranger les pierres / E eu quero perturbar as pedras
Changer le visage
de mes nuits / Mudar a cara das minhas noites
Faire la peau à
ton mystère /
Et le temps j'en
fais mon affaire / E o tempo, com ele terei um romance, farei dele meu amante
Je veux ton rire
dans ma bouche / Quero tua risada na minha boca
Je veux tes
épaules qui tremblent / Eu quero teus ombros trêmulos
Je veux m'échouer tendrement / Eu quero me deixar levar,
ternamente
Sur un paradis perdu / Em um paraíso perdido
Je veux retrouver
mon double / Eu quero encontrar meu par
Je veux l'origine du trouble / Quero que a origem da
desordem
J'veux caresser l'inconnu / Eu quero acariciar o
desconhecido
Et je veux
déranger les pierres / E eu quero incomodar as pedras
Changer le visage de mes nuits / Mudar o cenário das minhas
noites
Faire la peau à
ton mystère /
Et le temps j'en
fais mon affaire / E o tempo, com ele terei um romance, farei dele meu amante
Je veux mourir un dimanche/ Eu quero morrer em um domingo
Au premier frisson du printemps/ Ao primeiro arrepio da
primavera
Sous le grand soleil de Satan / Sob o grande sol de Satã
Je veux mourir sans frayeur / Eu quero morrer sem medo
Fondue dans un sommeil de plomb / Imersa num sono pesado
Je veux mourir les yeux ouverts / Eu quero morrer de olhos
abertos
Le nez au ciel comme un mendicant / Nariz ao céu, como um
mendigo
Et je veux déranger les pierres / E eu quero perturbar as pedras
Changer le visage de mes nuits / Mudar a cara das minhas noites
Faire la peau à ton mystère /
Et le temps j'en fais mon affaire / E o tempo, com ele terei um romance, farei dele meu amante
PS 1: "Faire la peau à ton mystère" - ferir a pele com teu mistério? esfolar a pele com teu mistério? não consigo entender/traduzir, então vou deixar em branco, por enquanto.
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