terça-feira, 29 de março de 2011

Currículo sincero

Como todo mundo sabe, estou às voltas da elaboração do meu currículo, coisa que não faço, digamos, há uns 10 anos. Seria fácil se eu tivesse sido sempre registrada conforme a legislação vigente HAHAHAHAHAAHAHAHAH mas como não aconteceu sempre, tenho que lembrar com muito custo as datas de determinados empregos e frilas. Eu, que não sei bem que dia é hoje. Aí está ficando assim: "período 1997 - tais trabalhos em tais lugares". Tá desorganizado ainda, claro, preciso ver um modelo bacaninha pra arrumar as ideias e as informações. Aí pensei no quanto seria interessante um currículo sincero. - sem disfarces, lacunas, clichês administrativos, mas com as verdadeiras informações sobre cada item. Vamos a ele.

CURRÍCULO (não falo latim, é currículo mesmo) SINCERO

Idade: o suficiente pra ter a experiência que você precisa, mas longe do entusiasmo que você gostaria.

Objetivos: o máximo de salário pelo mínimo de esforço

Disponibilidade para o trabalho: só depois de um baldinho de café, circa 10h

Diferenciais: know how regular, excelente savoir faire

Atuação: jornalista, assessora de imprensa e redatora publicitária - mas não me peça pra escrever "o aniversário é da loja X mas quem ganha o presente é você".

Experiências anteriores: (...)
"Período - 1996 a 1998: estágios em empresas públicas, no setor de comunicação, onde era a única que trabalhava enquanto a maioria engazopava; responsável por bater o cartão das chefias, entre outras atribuições, por ex. tudo".
"Período - 1997/ Ocupação: couro arrancado por meia dúzia de agências de propaganda em SP".
"Período -  seis meses em 2001: pau pra toda obra em redação correspondente de grande jornal de SP, aguentando piadas machistas e homofóbicas de chefe cachaceiro que só pautava release".

Línguas estrangeiras: inglês nível Seinfeld, portunhol

Conhecimentos em editoração: parei no Pagemaker 7 e no Corel 8.

Capacidade de liderança: meu mau humor faz com que os office-boys tenham medo de mim.

Pós-graduação ou cursos complementares: tá doido, já demorei pra me formar.

domingo, 27 de março de 2011

Mire-se no exemplo da Marieta

Daí depois de duas décadas de casamento, marido da amiga decide mudar o formato pra "casamento aberto". Mas esquece de avisá-la. Flagrado exercitando o novo padrão de relacionamento, com uma jovem da metade da idade de ambos, o marido acusa a mulher de sufocante, reacionária, so last century.

Ela é do tipo apaixonada, apesar de todo o tempo juntos. Mesmo com a atitude francamente agressiva do - ? - companheiro, está indecisa entre separar ou aceitar o novo formato que ele oferece: casamento aberto, dos dois lados, mantendo a convivência familiar rotineira.

Eu não sou íntima e nem me foi pedido conselho, mas quando a gente ouve esse tipo de coisa é impossível não meter o bedelho. Fui um pouquinho além dos "oh", "ah" e "pqp" e ponderei que "aceitar" uma situação é, antes de tudo, tê-la imposta.

Não me venham dizer que a fidelidade do casamento também é uma coisa imposta. Claro que é. Mas o contrato foi aceito, não foi? Se tem uma coisa que aprendi no meu recente e já quase falecido trabalho é que contratos podem ser alterados com aditivos. Mas tem de haver negociação e ser de comum acordo. As partes têm de ceder e investir nos novos termos.

Minha amiga é uma mulher bonita, chegando aos 50, que aparenta pelo menos 10 anos a menos e se esforça pra isso: sofre mais que algumas outras com o avanço da idade, tem uma perspectiva negativa da velhice. Esse é um fator que pode levá-la a aceitar a proposta, pois nunca enfrentou a vida sozinha e nunca pensou em se deparar, a essa altura do campeonato, com a solidão. O marido é mirrado mas tem bom papo e uma caixinha de Viagra no bolso.

Tentei animá-la. Lembrei da Marieta Severo: quando separou do Chico, pensei, pô, coitada, tava no topo da cadeia alimentar e agora ficou sozinha. E taí, linda, absoluta, com namorado (ou marido) gato, nada de gurizinho pra aparecer na Caras, não.

É, eu sei, sou boa de ouvido mas ruim de comentário. Foi o que me ocorreu.



PS - Não sou uma pessoa ciumenta, como já discorri aqui, mas não acredito absolutamente em casamento aberto. Sei que há uma ou duas exceções e não me venham com Simone e Sartre, que esse argumento é batido demais.