domingo, 28 de outubro de 2012

Aquelas palavras e aquelas coisas

No mercado.
— Nina, o que você quer de janta?
— Penne, mãe! Hmm como eu adoro penne! Faz um penne bem gostosinho pra mim? Vamos comprar o penne pequenininho!
A risadinha de canto do senhor que estava ao lado da menina me fez ver que está na hora de explicar algumas palavras e algumas coisas. 

Mas fizemos as compras e a rotina só me fez lembrar do assunto no dia seguinte, quando caminhávamos da escola para casa.
— Nina, lembra que ontem você ficou falando no mercado do quanto gosta de penne?
— Sim, eu ADORO penne!
— Eu sei, já entendi. Mas então. Preciso te contar que essa palavra, penne, parece muito com outra palavra que não é legal que seja falada assim alto, pra todo mundo ouvir, quando não é dela que se está falando.
— Como assim?
— É que penne é o macarrão, né? Então. E pênis...
— São dois macarrões!
— Não, pênis é o nome que se dá ao pintinho dos meninos, o pipi. Homens não têm pintinho, quer dizer (gasp cof cof) a gente fala pênis. É o nome certo, científico, oficial. O pintinho, quando grande. Bem, quando pequeno também. Ah, você entendeu.
— !!! (estupefata)
— Então, meu amor, quando você fala alto que "adora penne", já viu, né? Fica esquisito porque quem ouve assim de passagem acha que você está falando que adora pênis. 
— CREDO QUE HORROR!

Passado o susto, rimos muito. Mas quem está no inferno tem mais é que abraçar o capeta, né. Então continuei.
— E não é só o pintinho que tem nome científico. A prexequinha também. É vagina.
— Que nome feio.
— Também acho, mas é o nome. A gente chama de prexequinha, pepeca, essas coisas, quando fala com bebezinho, mas de bobeira, porque vagina é o nome correto, como braço, perna, cabeça.
— ... (pensativa)

Andamos mais um pouco. 
— Mãe.
— Oi.
— O que é cu?
*suspiro*
— Em primeiro lugar, é um palavrão. Não pode ficar falando por aí.
— Tá. Mas o que é?
— O nome correto é ânus. 
— Ânus? Parece ano! Como em "tenho oito anos". 
— Pois é. Mas todo mundo praticamente só fala cu. Mas é feio falar cu. Ânus é o buraquinho por onde sai o cocô.
— Ah! Eu pensava que cu fosse o pipi. O pênis.


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Up

Fiz um frila de texto, um texto meio solto, com um tema, mas sem muitas exigências, sem um briefing detalhado. Pensei no assunto antes de dormir. Acordei e, enquanto a Nina ainda tomava seu leite lendo gibi, escrevi.  Adoro escrever, adoro ser contratada para escrever. Mas tem dia que a coisa flui melhor do que o esperado. Enviei o arquivo e esperei uma tarde pelo retorno. O texto foi aprovado com duas alteraçõezinhas de nada. Fiquei feliz. "Um dinheiro tão bem-vindo pra um serviço de dez minutos", pensei. Mas me corrijo. Foi um serviço de 42 anos e dez minutos.


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Eu não sou Guarani-Kaiowá

Hoje eu postei esse vídeo, abaixo, sobre a situação dos Guarani-Kaiowá. Você não está sabendo? Então dê uma olhadinha, por favor.



Muitas pessoas estão alterando seus nomes para "Fulano de Tal Guarani-Kaiowá" no Facebook. Acho uma estratégia inteligente para chamar atenção para o assunto — foi assim que me interessei. Também está rolando uma petição, cujo objetivo não me parece muito definido, mas vá lá, trata-se de outra forma de fazer o drama indígena tornar-se conhecido. Louvável, também (aqui o link mais recente e mais interessante pondo alguns pingos nos ii).

Eu não mudei meu nome no FB. Postei o vídeo acima e logo em seguida compartilhei um site sobre aspas equivocadas. Acho até meio desrespeitoso, da minha parte (ei, eu sempre estou falando de mim, atenção), querer aliviar minha culpa, minha falta de interesse, minha total abstenção na questão indígena, com dois toques de mouse. Li a reportagem da revista que o jornalista do vídeo cita, anos atrás — acho que foi essa, mas pode ter sido outra, também, sobre outra aldeia.

E anos atrás, também, fui pro interior do Paraná, de carro. Paramos numa obra na estrada, perto de um posto de gasolina, onde há uma tribo indígena. Os indígenas do Paraná, acredite-me, são tão ou mais desgraçados que os da Amazônia, do Norte ou do Centro do país. São poucos, vivem mal, não são respeitados, nem têm qualquer programa especial que os atendam e, além disso, passam frio. Uma moça escreveu no post de uma amiga, no Facebook: "se os negros e brancos trabalham, minha opinião é que os amarelos também deviam trabalhar". Bem, moça, você está errada, errada demais. Mas eu também. Naquele dia um bando de índios "atacou" meu carro, que aos olhos deles devia exalar dinheiro, comida, riqueza. Dei meu pacote de salgadinho pra velha índia que quase pulou dentro do carro, chutando as crianças que pediam "bulacha bulacha". Dei as costas e voltei pra civilização. Contei do desespero e da pobreza destes índios em mesas de boteco. Soube outras histórias, do meu sogro, que era dono de um pequeníssimo lote de terra perto da aldeia e desprezava "essa raça" — como a maioria das pessoas que têm uma relação de exploração da terra. 

Não sei onde quero chegar com isso. Gostaria de ter sido outra, de ter feito algo. Acredito que votei em pessoas que se interessam pela causa, mas meu voto não foi definido por esse critério. Queria saber o que fazer, ainda, e se há tempo. Mas não acredito. Não sei por onde começar. Eles precisaram de mim, de nós, e agora sabem que só lhes resta morrer em paz. Bem. Esse direito nós não temos.





domingo, 21 de outubro de 2012

Montação solidária

Postei no FB, vai aqui também:

Uma ideia brilhante que eu ~empresto~ a quem tiver tempo e disposição:

Um site para empréstimos de vestidos de casamento/festa. 

Você tem aquele vestido que já está batido, que todo mundo da família viu e fotografou, que não vai usar de novo e não vale a pena vender pra brechó (porque pagam muito pouco) nem reformar. Divulga a foto, o tamanho, medidas, e a mulher que está precisando de um modelito novo para um evento que se interessar paga pelo envio pelo Correio e depois o devolve. Um grande closet virtual, imitando o troca-troca de roupas entre amigas, baseado na confiança de que a roupa será devolvida ou redisponibilizada na rede em boas condições.

Se eu não tivesse tanto pra fazer, bem que tentaria botar a ideia em prática.

;)

sábado, 20 de outubro de 2012

Apenas que

Os dados foram lançados.
Ou foram os dardos?

Enquanto isso, fico assim, misteriosa.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Uma manhã na vida de Tina Lopes

Ontem decidi tirar o dia pra mim. Isto é, a manhã.

Fui ao dentista, mas chegando lá descobri que não era a data da consulta no meu dentista, era da odontopediatra da Nina. Não é que eu tenha esquecido de marcar na agenda. Colei post-its no computador do trabalho com as datas erradas. Vai vendo. Mas como eu e meu dentista temos uma relação antiga, praticamente um consórcio daqueles pra casa própria, ele deu uma olhadinha e fez um check-in de tudo que preciso fazer (nunca é pouco).

Nota mental: vinho e café escurecem os dentes tanto quanto cigarro. 

Saí do dentista feliz porque não vou precisar fazer um implante, que seria caríssimo. Como funciona a minha cabeça? Ora, se vou "economizar" não fazendo o implante, vou gastar parte desse não-dinheiro em cremes para o rosto, já que este ano não rolou orçamento pra um laser anti-manchas.

Em seguida fui ao sindicato pegar minhas carteirinhas, ao Correio pegar uma compra no Strawberry.net que foi taxada (mas vou tentar ressarcimento) e em seguida, ao shopping trocar um presente (twin-set bege por um preto, oi mãe) e passei pelo quiosque da Clinique. Testa aqui, testa acolá, gastei uma barbaridade em três cremes que prometem uma bomba de antioxidantes e hidratação pra minha pele judiada pelo tempo. 

Dei três passos e me arrependi, como sempre. Quando gasto mais de cenzão tenho taquicardia, e quando é muuuuito mais, então... fico pra chorar. Foi nesse estado de nervos que cheguei ao meu carro e fui informada, pelos gentis funcionários do estacionamento, que uma moça tinha batido o BMW dela na lateral traseira do meu Ford Kazinho, o Juca Bala. 

O pessoal do shopping foi massa. Fizeram um B.O. e fotos da batida — a moça estava ao celular — e me enviaram depois. Telefonei mais tarde, ela foi educadíssima e disse estar disposta a pagar o estrago, porque a franquia de seu carro é muito alta. E eu pensando "ai o dinheiro dos cremes vai todo no conserto". Ah, culpa, sua danadinha, atraindo bad vibes. Mas aparentemente tudo vai se resolver. Deixamos os maridos cuidarem do problema. Sou dessas.

Hoje acordei linda depois de uma noite com meus cremes novos. Quero crer. 





quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Susto de HallowNina


Não podia deixar de registrar a melhor foto melhor do mês.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Nem tão esotérica assim

Comecei a ler a Breve História de Quase Tudo, finalmente — um presente do Natal passado que acabou ficando para outro dia, outro dia, até que esse dia chegou. E já estou irritada. Quero dizer, o livro é sensacional. Tem quase tudo ali, mesmo, do cósmico ao microscópico, explicadinho. O universo tem trocentos bilhões de anos, é curvo, em um pingo de "i" numa página de livro com corpo 10 cabem trocentos quaquilhões de prótons... tudo tão cansativo, posto que inimaginável.

E o Inimaginável não me interessa. Assim como o Sobrenatural. E a Ciência, por mais que eu queira não duvidar dela, acaba parecendo outra forma de Fé.

Admito que sou tacanha, não me interesso por Ciência e nem por Religião. Pode não parecer, mas sou uma pessoa, digamos, humilde*. Um Ser Superior, tenho certeza absoluta, teria mais o que fazer além de se preocupar com minha alma, muito menos minha vidinha. Não acredito também que um Ser Inferior, o do mal — tanta guerra e violência pelo mundo todo e ele se diverte vendo gente estrebuchar em altares de cultos em garagens — me lançaria um segundo olhar.

E com o que eles se preocupariam além desse planetinha besta? Buracos negros, universos paralelos, colisões cósmicas, quem sabe. Daí volto à Ciência, e acho lindo que um dia tenhamos sido todos um só amontoado de prótons. Mas ainda desconfio de tanta certeza, que volta e meia é desmentida. Nem Plutão é mais planeta!

Além disso, eu acreditando ou não, o planeta continua a girar e minha família continua me convidando para eventos religiosos para os quais eu não tenho vestido. 

Boto fé mesmo na imperfeição humana. Vou é pegar outro romance.




*/ironia

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Oito


sábado, 29 de setembro de 2012

Três pilares, uma Nação

Ontem eu aprendi quais são, de acordo com um prestigiado historiador cujo nome agora me escapa (depois pego minhas notas e complemento aqui), os três pilares da sociedade francesa, aquilo que forma o estilo de vida francês:

1 - O Código Napoleônico — a sua Constituição, que os torna todos iguais perante a lei;
2 - A escola pública laica, obrigatória e, claro, gratuita (a professora bem lembrou aquela fala do Raí, quando era astro do Paris Saint German, sobre sua felicidade em ter a filha e a filha da faxineira estudando na mesma escola).
3 - Os trens — o sistema férreo que liga o país todo.

Ainda bem que eu segurei a língua e não chutei: 1) o queijo 2) o vinho 3) a baguette.