Foram seis anos de espera. Pouco depois de comprar a casa, fomos a uma floricultura e, além de plantas, flores e ervas, trouxemos uma mudinha de ponkanzeira pé de ponkan. Minha infância teve uma ponkanzeira um pé de ponkan gigantesco que dava as ponkans maiores e mais doces, queria muito uma árvore igual de novo. Era tão alta que precisávamos de uma vara, praticamente um equipamento, para retirar as mais maduras lá de cima: dois bambus gigantescos, unidos por arames, com um gancho na ponta. Porque quando elas caíam, de maduras, rachavam e se abriam no chão de barro. Tirávamos baciadas de ponkans para a família.
Mas a nossa plantinha demorou pra crescer. Ficou anos e anos naquela forma de muda. Nem a mão verde do seu Cido, o jardineiro que vem cuidar do quintal e do jardim uma vez por mês, fazia milagres com a ponkanzeira.
Até que nesta semana Mr. Lopes veio rindo de uma de suas vistorias pela propriedade, com o primeiro fruto de
nossa ponkanzeira nosso pé de ponkan na mão.
Um lindo limão.
Daqueles caipiras, mesmo.
Então fica a lição de vida pra semana. Se a vida te dá um limão, espera a estação certa e compra ponkan no mercado.
PS: há controvérsias sobre a grafia correta, podendo ser também poncan, poncã. Sò não ousem chamar nem de mexerica, nem de tangerina e, muito menos - olha a heresia - de mimosa.
PS 2: não existe ponkanzeira, é pé de ponkan. Mas eu chamei de ponkanzeira a vida toda.