Partamos do princípio de que não sou ninguém e minhas opiniões podem afetar a rotina de, no máximo, meia dúzia de pessoas. Dito isso - a plena consciência da minha pequenez - dou-me o direito de torcer radical e implacavelmente por meus ídolos e, se eles refugarem, caírem, amarelarem ou demonstrarem incompetência, xingá-los muito na frente da tv e, por que não?, no twitter.
Sou corinthiana, perder nunca foi um problema. Mas não vou deixar de me frustrar, como torcedora, com as falhas alheias. Não quero ligar a tv ou o site, escondidinha com um fone só no horário do trabalho, pra me contentar com o bronze ou com "uma bela participação" quando tínhamos - sim, eu e a pátria de chuteiras/sunga/vara estamos juntos nessa, formamos um plural - chances reais de pódio com ouro.
No dia a dia ensino a humildade pra filha, a se contentar com o segundo lugar, terceiro, menção honrosa, ou pelo simples fato de ter tido coragem de sair da cama naquele dia para participar. Assistimos juntas, de mãozinhas dadas, o desfile de apresentação dos atletas e ensinei que ali estavam os melhores do mundo.
Mas tá difícil. Fico arrasada com o atleta de ponta que larga mão, time campeão decadente.
Mas tá difícil. Fico arrasada com o atleta de ponta que larga mão, time campeão decadente.
Obviamente chorei com a judoca que perdeu. Fiquei feliz com o quarto lugar do nadador de quem ninguém falava - Bruno Fratus já cria boa expectativa pra 2016. Vibrei com a 10ª colocação do Sassaki. A queda do Diego Hipólito me deixou arrasada por dois dias - principalmente a expressão de tragédia com que ele terminou, bravamente, o exercício. Não sou desumana, ora (não me importei com a Daniele, admito). Sei bem, muito bem, da falta de apoio, contexto, conjuntura e tal. Mas saque errado, no vôlei, chega a me ofender. Time de basquete que não faz cesta de 3 pontos? Pfff, não mereciam estar ali.
Sim, sou uma sedentária que critica atletas, que se dedicam muito mais às suas profissões do que eu à minha. Sou torcedora. Não tenho que racionalizar minhas paixões. E agora que não tenho mais por quem torcer, vou lá admirar o pódio alheio. Ou mudar de canal pra ver o julgamento do mensalão. #loser
Bronze é joinha, gente.
"Agora é torcer pro kajal das turcas derreter e elas perderem".
Absoluto em Mundiais, sim, sabemos, mas o que acontece com esse menino nas Olimpíadas?
Desclassificação por um golpe sabidamente ilegal, de fato, é uma tragédia.
Bronze no judô é mais legal que prata porque pelo menos a comemoração é de uma vitória.
Bateu um vento.






