quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Da educação

O menino não gosta de dançar, tem pânico de se apresentar em público. Mas é obrigado pela família a participar da quadrilha de festa junina, a caráter, as lágrimas escorrendo sobre o bigodinho pintado com o kajal da mãe. Atrapalha a dança, chateia a coleguinha com a qual faz par e ainda sofre o mico supremo de terminar a coreografia com a professora.

"Tem que dançar, tem que perder a vergonha, tem que aprender".

O menino não quer ir ao passeio da escola. Tem medo de ônibus, não gosta de ficar longe dos lugares onde se sente seguro – e só ele sabe o quanto demorou tanto para se acostumar com a rotina da própria escola. Mas os pais o levam cedinho, obrigam-no a se integrar ao grupo – o que não vai acontecer de fato até cessar o choro –, a entrar na fila, a partir sem qualquer vontade.

"Tem que ir, tem que perder o medo, tem que participar".

Não julgo. Mas tem que, mesmo? 


Sugestão de pauta

A Meg e a Luciana lembraram da existência das tais Escolas de Governo, preparatórias para quem vai exercer cargos públicos.
Elas funcionam? Quem dá essas aulas? Os alunos vão às aulas? Qual a opinião dos candidatos/eleitos sobre isso? Como elas funcionam? Quais disciplinas? Onde? Quem é remunerado por isso? Quanto? Quem paga?

Fica a sugestão de pauta pros colegas.

;)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Das propostas impossíveis

É uma proposta elitista porque impediria a eleição de analfabetos funcionais, admito. Mas estava outro dia pensando, jogando conversa fora, e ela surgiu. 
Imagina que interessante se a Justiça Eleitoral (que tem verba) parasse um pouco de investir em urna eletrônica e fizesse parcerias com as universidades públicas de cada estado para criar cursos de formação de políticos. Quem quisesse ser vereador, por exemplo, seria obrigado a fazer esse curso, uma vez na vida. Deputado, senador, todos. Todos os candidatos teriam que apresentar esse curso no currículo.
E que curso seria? Um curso longo. Não muito: 6 meses, 360 horas de aula. Parte delas poderia ser semi-presencial. Outra parte, durante os finais de semana. Como qualquer pós-graduação oferecida por aí.
E o que seria ensinado nessas aulas? Legislação. Noções de Direito. História. Ética. Estatística. Sociologia.
E os candidatos teriam que se esforçar pra passar, claro. Provas presenciais. Com ou sem consulta. Não adiantaria mandar os futuros aspones fazer os trabalhos. 
Tá certo que ia ter muito aluno pra pouca vaga, de início, mas isso tudo se resolveria com o tempo e bom planejamento. 
Quem sabe assim pelo menos ouviríamos menos propostas idiotas. Ou menos idiotas se considerariam aptos a se lançar na vida pública. Repito: sim, é uma ideia elitista, mas com um mínimo - um mínimo, meu deus - de preparo a gente ainda poderia sonhar, principalmente dos candidatos às câmaras, que são um freak show à parte.