sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael

Acordei tarde, atrasada, porque fiquei catando programas sobre Michael até bem tarde. Uma tacinhas de vinho também. Depois comento. Estou atrasada e desolée. Sério.

Update

Olhando aqui o blog e pensando no que escrever sobre a morte de Michael Jackson, rolei a barra e revi minha foto com o pai, ali embaixo. Eu estava de Corte Pantera, como se chamava na época. Claro que tava longe de parecer com o da Farrah – panteras de cabelo preto eram a Kelly ou a Sabrina, as quais eu interpretava, resignada, nas brincadeiras com as vizinhas. Bem. Na foto eu devo ter uns 13 anos. Lembro que era sábado de inverno, mas com sol. Provavelmente depois da foto colhi umas poncãs, comi sentada na calçada e depois fui pro quarto ouvir música. E se foi isso mesmo, certamente ouvi Thriller inteiro. Meu primeiro álbum duplo. O presente mais caro da minha adolescência, acho (não, teve a Olivetti Lettera verde, na qual eu martelava, a tarde toda, minhas misérias patéticas).

Quem freqüenta aqui já sabe que eu tinha o pôster do Michael, com o tigrinho, pendurado na minha parede. Ao lado do pôster do Sócrates. Não o filósofo, o do Corinthians. Exigência do meu pai: se era pra estragar a pintura nova da casa com durex pra pôster, tinha que topar pendurar os dois. Já disse que meu pai era um fanfarrão – espertinha, botei o Sócrates (pôster duplo da Placar) atrás da porta.

Voltando ao Michael. Pra mim sempre vai ser Michael. Conheço ele desde criança, acho feio chamar de Jacko. Assisti a alguns episódios do desenho animado do Jackson Five. Tenho até hoje o LPzinho com Ben e I´ll be There, uma de cada lado. Chorava quando ouvia, choro até hoje. São músicas tão, mas tão emocionantes, pode chamar de brega, ok, não ligo. Dos 750 milhões de discos vendidos, tive dois. Eles me faziam sentir globalizada: morando nos quintos dos infernos, eu sabia que ouvia a mesma música ouvida em todo o mundo (com exceção da saudosa URSS).

E o que mais dizer da qualidade das músicas? Da dança? Da pá de cal nos Bee-Gees e em toda a cultura disco? Da qualidade dos vídeos, que a gente chamava de clipe – e consta que é a partir dos vídeos de Michael que as bandas começaram a caprichar em roteiros, locações e tals, o que faria surgir a MTV.

Sou uma fã doida. Não acredito nas acusações de pedofilia. Creio sinceramente que Michael J sofreu demais com o pai abusador e ganancioso, com a fama e o dinheiro excessivos, que simplesmente pirou, virou o Peter Pan. Assisti a entrevista dele com Oprah, quando ela pergunta se ele é virgem e a resposta tímida é “sou um cavalheiro”. Sério, não quero mais ouvir sobre julgamentos, filhos pendurados nas janelas, máscaras, branqueamento, vitiligo, anorexia, nada nada. Por favor. Os programas que assisti ontem foram tão massacrantes, julgadores, cruéis. Quando eu só queria ouvi-lo e vê-lo mais um pouquinho.

Importa é que uns dois meses atrás - já contei - me peguei ensinando o moonwalk pro sobrinho de 9 anos e seus amigos. E nem fui eu que provoquei a cena: fui fuçar no que eles estavam tão concentrados, na frente do computador (achando que era sacanagem), e tava lá, Michael, cantando Billie Jean. E os meninos, embasbacados.

(post confuso porque já saí e voltei dez vezes da frente do computador, desculpa aí)

E olha só. O marido E. tinha que dar aula de pós, ontem à tarde. Entre outras coisas ia abordar questões como individualidade, personalidade, massificação e sei lá mais o quê – eu já admiti que matei minhas aulas de Filosofia e não tenho idéia mesmo do que ele poderia estar falando (pode ter certeza que a coisa é mais profunda do que eu consigo fazer parecer). Anyway. Como o pessoal de pós quer aula com gráficos, coisinhas divertidas e pululantes, E. fez um power point com fotos de Michael Jackson. Ele nunca tinha usado isso antes. Quando começou a passar as imagens, um aluno que estava com seu laptop ligado (e depois reclamam se tiram nota baixa) informou: professor, ele acabou de morrer. E o E. ficou passado. Me ligou mais tarde, pra saber se eu e Nina chegamos bem em casa e tudo, mas principalmente: “viu o Michael?”. Sabia que eu estaria abalada.

*Ah, sim, tadinha da Farrah Fawcett. A mulher mais linda e invejada dos anos 70-80. Que dia.


8 comentários:

nilus queri disse...

referência é referência. eu chorei. de surpresa, pena, saudade, carinho e agradecimento por momentos muito prazerosos na frente da TV ou do aparelho de som. eu sempre fui muito contra a demonização por parte da mídia, mas é incrível como a morte de alguém te faz lembrar do todo, não somente dos últimos anos. puta obra. o último disco importante, "dangerous", eu acho SENSACIONAL. como eu ando completamente avesso à música pop atual, que, em qualquer faixa, só prevalece o estilo, o gênero, em detrimento da canção, da composição em si, fiquei muito emocionado ontem, ouvindo esse disco. Jam, In The Closet, Remember the Time, Heal the World, Black or White, Give in to Me e Will You Be There, todas no mesmo álbum. trabalho completo, desse tipo, no pop...vixe, faz tempo, hein?

asnalfa disse...

Devemos ser preparados quando jovens a morrer tb! So depois de morte acontece essas homenagens que vemos na TV que são um pé no saco. Se alguem quisesse homenagear o MJ, pq nao pagava as dívidas dele, ou o ajudasse com aconselahmente psicologico, ou os pais e irmaos pedissem desculpas? Agora ja era.

Haline disse...

ah, foi bizarro. foi muito rápido e ele era muito novo. muito doido, mas po, o cara era foda né. ah, adorei seu blog! bjobjo

cris disse...

post confuso nada. post muito bom. de tudo o que eu li até agora. como alguém consegue ser fã e escrever algo tão centrado? eu não ligava muito pra ele, tina, nunca liguei, eu era mais 'bicho-grilo', gostava de clube da esquina, essas coisas. mas eu sabia da importância do cara, do tremendo divisor de águas que ele foi. até meu filho que só tem 18 sabe disso e respeita também [momento coruja, morro de orgulho do meu piá]. sério, li cada coisa patética hoje, e de gnete que se diz 'entendida' em música. meu koo. adorei teu texto, muito mesmo. bjs.

Tina Lopes disse...

Nilus, isso aí: puta obra e tudo sensacional. Me diga uma música que náo preste - náo tem. Bjk.

Asnalfa, certamente as dívidas eram o menor problema dele.

Haline, oi, tô te seguindo hein!

Cris, ahahaha, tenho que repetir: quem nunca gostou do Clube da Esquina que atire o primeiro Paulinho-pedrazul. E teu piá é the best. Quanto ao post, ah, sáo teus olhos, amore.

Anônimo disse...

hoje, nem sei. Dias brancos.
Tina, lindo texto. e o que melhor resume é frase que li lá na Marina : ´que este mundo não era pra ele´´ , e de alguma forma ele foi pra muita gente né.
bjs
madoka

Patricia Scarpin disse...

Tina, tinha ido ao cinema e só soube bem tarde, depois das 10 e pouco, zapeando. Me deu uma tristeza na hora, parecia que não era verdade... No outro dia de manhã ainda me sentia assim, sem digerir a notícia. Eu era pequena nos anos 80 mas era grudada com as primas bem mais velhas e ouvia tudo o que elas ouviam. Morria de medo de "Thriller", mas não conseguia desviar o olhar. O cara era gênio.
Sinto também muita pena do que ele passou nas mãos do pai, aquele fdp. Eu e meu irmão comemos o pão que o diabo amassou com o rabo com a mulher do meu pai, mas ela não tem parentesco algum com a gente, acho mais fácil superar (apesar de não esquecer completamente). Mas quando aquele que te botou no mundo faz algo assim contigo deve ser f...

O João ficou fazendo o moonwalk ontem enquanto eu preparava o almoço, pra me alegrar. :D

Tina Lopes disse...

Madoka, a Marina, como sempre, delicada e certeira.

Pati. Tô com um ódio desse pai dele, agora dando entrevista e fazendo o responsável. Eww. João fazendo moonwalk deve ser muito fofo, hein.