quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Vontade de chorar


Hoje foi um dia chato, no geral. A matriz da associação onde trabalho veio em peso pra uma reunião, então fiquei quieta na minha baia, gente estranha pra lá e pra cá, levanta, aperta as mãos, senta, esquece os nomes e tals. Passei a tarde entre um servicinho meio complicado e o twitter. E não, não estava fazendo Operação Tartaruga: ainda sou capaz de assobiar e chupar cana. Teve um tempo que além disso, eu ainda equilibrava pratos, mas agora não chego a tanto.
Mesmo o twitter estava chato, povo desanimado. Quarta é f*da, né? Bom de quarta é que é quase quinta. Até troquei meu avatar pela Pam, do The Office.
Enfim.
Lá pelo meio da tarde começaram a chegar tweets pedindo pra todos darem block num perfil intitulado "simhomofobia", porque teoricamente quando um perfil tem muito block, o Twitter acaba apagando. Não creio muito nisso. Logo depois todo mundo começou a dar RT numa mensagem em inglês denunciando o tal perfil.
Bem, eu bloqueei e retuitei a mensagem. Mas papo vai, papo vem, fiquei sabendo que a imagem de background do tal perfil homofóbico, que assina por "macho pra caralho", é a foto de dois adolescentes enforcados no Afeganistão, por serem homossexuais.
Voltei lá e conferi. Era isso mesmo. Uma foto de crianças enforcadas. E um dos tweets, pra que o mundo entenda, em inglês: "Yes I don´t like gayness". Nos followers, gente que segue essa aberração, 55 perfis.
Acabou o dia, pra mim. Coisa mais triste saber que vivo no mesmo mundo que esse tipo de gente. Que um meio de comunicação tão bacana como o Twitter aceite, reúna e divulgue esse tipo de perfil. Espero que amanhã esse bosta tenha saído do ar. Mas duvido.
Da minha parte, fiz um servicinho de formiga: escrevi uma mensagem padrão e mandei pra uma dúzia dos perfis que seguem o tal macho pra caralho (covarde a ponto de se esconder num pseudônimo nojento), avisando-os do que se tratava a imagem do twitter homofóbico e dando Block neles também. Queria ter feito isso com todos os 55, mas, bem, estava trabalhando, né.
Mas não me senti bem com isso. Não queria admitir que eu mesma tinha razão quando dizia que esse mundo é muito ruim pra botar uma criança nele.
UPDATE: Perfil deletado!

5 comentários:

asnalfa disse...

Triste Tina muito triste. O cara so cria esse perfil pra chamar atencao.

Claudia disse...

É F*$%¨$%¨$% mesmo...
Eu fico mal quando escuto casos de estupro... aquele da médica baiana que saía com a filha de 1 ano do shopping, esses dias, me deixou tão mal que até enjoada eu fiquei...
Difícil mesmo achar que o mundo vai melhorar mesmo, com gente assim por aí...

Ronise Vilela disse...

Tina, quando temos uma criança sob nossa responsabilidade para o resto da vida, ou melhor, enquanto vivermos, conviver com preconceitos de toda ordem é doloroso. Doloroso, saber que olhares, comentários e ações desumanas são praticadas contra negros, judeus, pobres, asiáticos, gays e toda a ordem social.
Nós mesmos, temos nosso preconceito velado, embutido em algo que não é compatível com nosso gosto, pensamento ou entendimento, mas a tal responsabilidade em educar alguém, nos faz refletir melhor. Podemos até não concordar, mas sempre, sempre, incondicionalmente, respeitar!
Grandes beijos!

nilus queri disse...

cri, ontem eu tava sentado sozinho fumando um cigarro no frio do lado de fora de um bar e passou uma senhora com uma carinha sofrida e bondosa, sem pedir nada, apenas indignada. dizia que estava num ponto de ônibus há não sei quanto tempo, tentando pegar um ônibus, e que os motoristas não paravam pra ela porque achavam que era uma mendiga. Ainda que fosse, só pela idade eles já deveriam parar, já que idoso não paga passagem. Mas ela não era mais do que pobre, e tava se sentindo menos que isso. Fiquei tão triste, mas tão triste, imaginando o tanto que essa mulher deve ter trabalhado durante 70 anos para ter o pouco que tem e, por sua aparência, ser ignorada propositalmente como fazem com os moradores de rua.

Jôka P. disse...

Tina, naquele mesmo dia, eu, que sou um recém chegado no twitter, dei block nesse perfil homofóbico a que você se refere em seu post. Sou a favor da liberdade de expressão, mesmo se for uma expressão preconceituosa, mas por isso mesmo também me exprimi apoiando o bloqueio dessa gente escrota. Fico feliz em saber que o tal twitter antigay foi tirado do ar. Bem feito!