quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Senta que lá vem história

Agora que acabou o inferno astral, volto com mais ânimo. Não sou de seguir horóscopo mas essa fase conturbada pré-aniversário, que se repete há décadas, não me parece mais mera coincidência. É tão feia que nem vou contar mais - toc, toc, toc.

Bem, teve o aniversário da Nina. Ela foi perfeita, se comportou como pedimos, sendo uma mini-anfitriã, cumprimentando e agradecendo os adultos pela presença, brincando e se preocupando com todos os amiguinhos, primos e agregados convidados. Poucas coisas me aterrorizam mais que criança mal educada e tenho visto demais ultimamente – sempre acompanhados do mantra “nessa idade é assim mesmo”. Brrrr

Mas a drama-queen aqui tinha que aprontar mais uma sessão da tarde de sábado com muitas loucuras no shopping center! Porque deixei pra comprar uma roupinha nova pro aniversário um dia antes. Imagina. Das duas às seis procurando um vestido – um vestido! – que fosse e nada. Primeiro que o spinning me criou bunda mas não impediu o vinho de me aumentar a cintura. E como setembro foi um mês difícil no trabalho e na vida, rolou um vinho brabo por aqui, principalmente aquela tacinha-pra-relaxar que vira duas ou três, antes de dormir. Abafa.

Depois, que agora o bege cor de bunda virou moda. Mudou de nome – é nude. Chique. E feio, vamos assumir. Eu sou bege, se uso vestido bege, fico parecendo um fantasma de lençol encardido.

Enfim. Eram seis horas e eu tinha passado por todas as lojas do shopping. Estava de-ses-pe-ra-da. Queria ficar lindinha pra festa, ué. Já não é mole ser mãe velha, agora aparentar que se é mãe velha, não dá. Aí apostei minhas últimas fichas, claro, na loja mais cara. Entrei e em cinco minutos, com cafezinho e aguinha à vontade, a vendedora mais solícita da face da terra, e mais três me “admirando”, encontrei dois vestidos simplesmente perfeitos.

(depois, nas fotos, vi que nem era pra tanto, mas deixa pra lá)

Dois vestidos. Um sexy, decotado, fresco, primaveril. Outro mais mãe-que-vai-correr-na-festa: soltinho, sóbrio, chique e simples. O que fazer? As vendedoras batiam palminhas: “compra os dois, leva os dois”. Problema é que UM deles custava um pouco mais do que eu tinha planejado gastar. Dois era demais. Mas eram perfeitos! – gritava meu eu consumista, e as mocinhas também.

E olha que nem mencionei que na terça seria meu aniversário. Senão elas me empurravam o sapato também. Daí me deu um ataque de auto-indulgência e mandei passar os dois no cartão.

Saí da loja, dei três – exatos três – passos, me deu um frio e uma tremedeira. Pensei no preço da festa, no meu próprio presente que o marido já teria comprado e estaria escondido (e ele costuma caprichar, mesmo eu dizendo que não precisa etc.), no dente que arranquei (sim, faz parte do inferno astral) e ainda não paguei, no laptop que estragou e no telhado que precisa ser trocado.

Voltei pra loja. “Estorna que eu vou levar SÓ o cinza de festa de criança”, disse pra moça. Aí que ficou dramático. As vendedoras: mas por quê? O sexy ficou tão lindo! "Querida, eu só uso jeans e camiseta preta!" Você vai usar tanto, pra sair à noite, pra festinhas etc. etc. E eu: “não, eu NÃO vou usar, não tenho onde sair, só saio pro mercado!”. Até que uma me trouxe uma água e perguntou baixinho: "Você anda deprimida? Não pode ser tão pessimista, você vai ter onde sair com esse vestido, sim! Acredite!”.

Ai, ai. Eu quase desmaiando de nervoso e a moça fazendo o Lair Ribeiro. Lembrando agora, até que foi engraçado. A máquina de Visa travou, não aceitava fazer estorno. Uma coisa, mas deu certo.

Contei a história toda só pro marido – pra tirar sarro porque tive um dia de E. (ele já fez dessas numa compra de carro!) – e pra minha mãe.

***

Dia do aniversário, combinamos jantarzinho num italiano, chego em casa correndo pra levar a Nina pra casa da vó, o que encontro de presente numa sacolona? O vestido sexy.

Marido foi na loja e perguntou se alguém lembrava da neurótica que estornou um vestido no sábado. Todas as vendedoras lembravam!

Eu juro que isso não foi estratégia pra ficar com os dois. E ah, sim, não usei o sexy no jantarzinho - tava frio.

7 comentários:

paticca disse...

E quem não fez dessas, Tina? Outro dia fiz isso com a compra de um celular. Voltei e cancelei tudo!
E marido atento é o maior presente, né não?

Que bom que tá de volta!

Beijo!

Ronise Vilela disse...

Tina!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Podia estar nevando, mas vc não podia abrir mão do vestido sexy!
Que bom que vc voltou!

lola aronovich disse...

Tininha, e as fotos? Quero fotos!
Gostei do seu fantasma "nude". Ainda não me acostumei com essa palavra da moda, porque nude é nu, pô. E bege só é nu em relação a algumas cores.
E acredite, até eu que sou eu (ou seja, nada consumista, pão dura miserável) já comprei vestido que nunca usei, ou que só usei uma vez e nunca mais. Mas, claro, nunca comprado em shopping!
Benvinda de volta, Tininha!

Cinthya Rachel disse...

roleiiiii de riiiiirrr. mulher é meio doida mesmo. eu nunca devolvi, mas ja fiquei com dorzinha no coracao sim

asnalfa disse...

To com inveja do seu marido. To precisando de um desses tb! Acho que ta em extinção!

Suzana Elvas disse...

Tina. Nude não é bege; é bege rosado - a cor do vestido da Drew Barrymore no Emmy. "Rosinha" é a palavra. Então. Fui corrigida por uma amiga designer.

Agora vamos ao que interessa: teu marido tem irmão solteiro em idade casadoira? Hein?

marina w. disse...

Que marido fofoooooooooooooooooooooooo