quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Antes que eu esqueça

















Agora há pouco estava na confraternização dos advogados da firma, num bar mexicano.
Eu só fui fazer figuração, como o cara que acompanha a morena que enfia tequila goela abaixo dos mais corajosos, ou bobos, e depois sacode suas cabeças. Eu estava à mesa, fingindo ouvir as piadas, rindo da suposta graça delas, e cuidando das bolsas enquanto as pessoas dançavam.
Mas não estava ruim não, gosto de observar, mesmo. Infelizmente, bebendo devagar uma Heineken.
Casais que sabem dançar, dançavam bem. Outros só se divertiam, um e outro estavam concentrados, se levando muito a sério.
O ponto alto da noite foi a banda mexicana tocando Lady Gaga.
Minto. O ponto alto da noite foi o menino lindinho que subiu ao palco e cantou Fogo e Paixão para a namoradinha, ou ficante. Foi engraçado, foi blasé, foi zombeteiro, mas foi romântico.
Daí olhando tudo aquilo, rindo socialmente como convinha, me deu um puta aperto no coração. Chorei por dentro pelos meus 16, 18 anos.
Minha amargura contra a juventude se foi, junto com ela. Costumava repetir Nelson Rodrigues - "jovens, envelheçam" e achar graça, mas agora não. A juventude me emociona.


Daí na saída vi outro menino, que dançava muito sedutor com uma mocinha tão delicada,  horas antes, vomitando na grade do estacionamento do bar. E passou.

12 comentários:

Cris disse...

Eu olho meu filho tão lindo [sorry, clichê], cheio de planos e a namorada dele, linda, cabelão, pele de bebê, os dois super apaixonados e penso: gente, então existe isso é? [isso = juventude feliz, de bem com a vida, sem crises]. Porque eu aos 20 anos era um poço de questões, queria entender o mundo, mudar o mundo e o cacete. Queria envelhecer logo. Agora eu olho pra trás e penso: bah, que m*. Tanto tempo perdido. E me dá uma certa angústia e uma invejinha deles, sabe. Adorei a crônica. Bjs

Caminhante disse...

Ainda bem que você viu o sedutor. Porque senão eu tbm terminaria aqui me sentindo A Velha.

MegMarques disse...

Identificação total, Tina. Volta e meia eu cito essa frase do nelson pros meus alunos. Mas no fundo, acho que o único problema com a juventude é que eu não faço parte dela.

Rita disse...

Daí que eu tô aqui, de castigo no consultório médico, esperando alguém querido terminar um exame. Entediada, com fome, porque o almoço não chegou a tempo e saí de casa sem comer nada, etc. Aí resolvo dar uma navegada aqui e leio esse post. Quer dizer, a tarde melhorou bem.

Bjinho

Mari Biddle disse...

Nada como um garoto dando vexames tao primarios para fazer esse seu saudosismo passar.


Bjkas

Tina Lopes disse...

Cris, eu também. Nessa idade já tinha trabalho, queria a seriedade da vida adulta - me divertia, mas de outro jeito, menos leve.


Caminhante, o ser vomitando foi só pra quebrar o clima mesmo.


Meg, exato.


Rita, vc é um doce hahahahaahahah

Mari, não é saudosismo mas não sei explicar.

Anônimo disse...

Levei block no twitter (me senti dummie?) enfim leio o blog a anos mas sou quase anônima aqui mesmo.
E a juventude, a minha não foi dramática nem nada, mas nada como a segurança dos 30.

@caramujo_

Tina Lopes disse...

Ai, que loucura, @caramujo_ ! Já vou te desbloquear e te seguir. É que eu vou bloqueando quem, com o tempo, não "fala" comigo, mil desculpinhas. =***

Carol Maia disse...

Beba Heineken bem devagar mesmo...
Evite ser como a menina delicada! rs

chaverdecomlimao disse...

Acho que os adolescentes de hoje são reflexo dos pais que tiveram. Nós éramos cheios de dúvidas, incrtezas, da época do "tudo escondido e proibido". Hoje é diferente e não é uma vergonha ter sentimentos, amar, gostar, demonstrar o amor pro namorado, amigo. Hoje deixmaos nossos filhos namorarem em casa e aí os pais vêem esse amor. Na minha época não era assim. Se eu quisesse namorar, era na rua. As coisas mudaram..

@inconstante_ disse...

Gosto um pouco do que era antes, gosto um pouco do que é agora, mas sem os excessos de cada época... Hoje vejo muito mais filhos mimados que há alguns anos e me dá medo, medo mesmo. Acho que o caminho é o olhar mais leve mesmo - não encucar tanto com o mundo, não importa a idade. Pelo nosso bem.
Virei frequentadora daqui ;)
Beijos

Anônimo disse...

ai Tina, post mais ternura esse viu! Semana passada vi o filme da Laís Bodansky (gostei dos últimos 3 filmes dela), "as melhores coisas do mundo" , se não me engano,rs. gostei e ao contrário, me deu um sentimento por dentro de coisas tão boas, sei lá, pensando nos meus filhos mais pra frente, de tantos adolescentes que convivo na escola japa...coisa boa sabe?
obrigada ternurinha.
bjs
madoka