terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Momento Silvia Poppovic

Depois de extensa pesquisa interna (aka tuitando com as amigas) descobri que boa parte das pessoas sente ciúme, quando numa relação. Ao mesmo tempo, e em se tratando de mulheres - nenhum homem respondeu às minhas enquetes - o padrão é não deixar o tal sentimento transparecer. São ciumentas não-assumidas. Incrível que nem on-line eu arranjo amiga barraqueira. Estava me sentindo uma ET, até que duas admitiram nunca ter ciúmes de seus maridos. Foi este o assunto da tarde, caros leitores. O ciúme e suas implicações.

Daí que todos aqui sabem que Mr. Lopes é professor. Desde que ele começou na função, 15 anos atrás, eu ouço - "olha as alunas! Cuidado com as alunas! Essas meninas são terríveis!" e minha reação é de espanto. O mesmo com relação a idas a congressos ou até a extensa grade de reuniões com professoras de outros cursos. Se há - e há mesmo - alunas lindas, inteligentes, sensíveis, ou ainda piranhas devoradoras de homens, o que eu poderia fazer? Dar batida de rádio-patroa? Aparecer e fazer cara ameaçadora, grudando no braço dele, demonstrando posse?

E por que seriam "elas" as terríveis? Por existirem e serem lindas, frescas, sedutoras, não terem respeito pelas convenções? Espero eu mesma já ter sido assim. 

Há ciumentas usando estratégias pesadas de intimidação, garanto, sou testemunha. Acho tão triste. Porque eu tento viver sem convicções, mas sobre ciúme, tenho uma certeza: é falta de confiança. Ponto. E se não existe mais confiança, vai existir o quê? Ok, um belo dia ele pode realmente tomar café, num intervalo, com uma mulher inteligente e interessante, aluna ou professora ou nada disso, que saiba Filosofia ou a classificação do Coringão no campeonato, dois assuntos dos quais desisti há alguns anos, e que o conquiste. Fazer o quê? Sinal de que a coisa toda do casamento já terá acabado. Se houver um interesse ou tesão tão grande a ponto de tomar o meu lugar, é porque não era mais meu, mesmo.

Obviamente não seria fácil, sem drama ou ranger de dentes. Mas jamais voltaria minha raiva pra causadora da separação - nada é tão simples, tão preto no branco, x causou y, nem que a x neste caso fosse a Geyse (pessoa que já tive de defender veementemente em rodinha de mulheres).

Daí veio a possibilidade de que eu simplesmente não me importo. Outro erro. Então para haver amor é preciso haver sentimento de posse? É preciso haver controle sobre os atos e os pensamentos do ser amado? Ou pior, eu tenho que provar meu amor, demonstrando desconfiança. Nonsense.

Ano que vem fazemos 20 anos juntos. Minha última crise de ciúmes ocorreu há uns 18 anos, à beira da escada da cantina da Reitoria, por causa de um disse-me-disse de que uma certa menina teria interesse no Mr. Lopes, então ainda praticamente solto na vida. Desde então posso dizer que não tenho ciúmes. E mais: considero um sentimento ofensivo. Ciúme quer dizer: não confio tanto em você. Ou ainda: não confio no meu taco, muito menos você.

Aí vão dizer, ê besta, mas você deixa o marido dando mole por aí, não cuida, e se ele te trair? Aí é outra coisa. Há casais que têm casos, são liberais, abertos e bem resolvidos com relação a isso - é outro nível de confiança. Não é o meu modelo mas nem por isso, condeno. No meu, traição é mentira, coisa que nenhum dos dois admitimos.



PS - Eu deletei 3 comentários repetidos que davam o nome (grafado errado) do Mr. Lopes - informando anonimamente que eu teria mudado porque antes não deixava ele nem olhar pro lado ou sair com os amigos. Eu nunca cito o nome dele aqui, ok?

10 comentários:

Graziella disse...

O que posso dizer? Concordo integralmente com tudo o que você disse e, como lhe falei, não sentir ciúmes, no meu mundo, é sinal claro de evolução da espécie.

Caminhante disse...

Bonito isso, fazendo enquetes na minha ausência! Logo vi que você gosta mais das outras do que de mim! :P

Sobre a falta de confiança, acho que às vezes também o outro não inspira confiança - por olhar em excesso pras outras, dar respostas dúbias, essas coisas. Mas aí eu já acho masoquismo embarcar numa relação com alguém assim.

Mari Biddle disse...

Não sentir ciúmes, não ter esse sentimento de posse é ser livre.Sabe o verdadeiro sentimento de liberdade.

Fui a Natal com marido um tempo atrás e uma amiga me disse para tomar cuidado com as mulheres de lá 'que são terriveis e vc sabe como são as nordestinas...'. Ou seja, tem tanta coisa errada com a frase dela que nem sei por onde começar. Tadinha. E mãe de meninas.

Bjkas

Bia, Desperate Housewife disse...

Oi zamoras; viver sem ciúme é bem isso mesmo, liberdade. Tanta coisa pra se preocupar nessa vida e pra esquentar a cabeça vou ficar me preocupando com o outro... Não dá. Até pq o outro PRECISA e TEM DIREITO a liberdade; ninguém é feliz sabendo que a outra parte segue seus passos toda hora.

chaverdecomlimao disse...

Tudo isso que você escreveu é muito nobre. Eu nunca senti ciúmes na minha vida, e por todas essas coisas que você comentou. Se é pra acontecer algo, é porque já não há mais amor ou porque algo não vai bem. Aí tem que tratar disso e não ter ciúme. Acho que pra quem sente, é difícil. Mas com o tempo a gente aprende. É uma questão de confiança!

Cinthya Rachel disse...

há! eu poderia ter escrito esse post. sem mais.

MegMarques disse...

Gostei demais do post, Tina. Mas, na prática, a teoria é outra.

O fato é que ciúme, como insegurança, é um sentimento que, como qualquer outro , não se pode escolher ter ou não ter. Vc tem e pronto. Não há opção. Não se escolhe deliberadamente: "não vou ser ciumenta". A pessoa pode optar por tomar ou não alguma atitude, armar ou não um barraco, monitorar, controlar, manipular, ou não, o parceiro. Mas não pode optar por não sentir o que sente.

Quando o meu primeiro casamento entrou em crise, eu me tornei muito ciumenta. Porque me sentia muito insegura, claro. Optava sempre por não armar barraco, não ficar grudada, não dar batida de rádio-patroa. Mas aquilo me consumia e amargurava e por mais que eu não quisesse me sentir assim, não tinha jeito: eu não confiava mais no amor dele. O tempo me mostrou que eu tinha razão: havia outra mulher na parada (adivinha! aluna e estagiária dele, 19 anos).

Com o atual, eu me sinto amada, querida e desejada. Não sinto ciúme nenhum. Sinto segurança. E mesmo que quisesse, também não poderia mudar o que sinto. Felizmente!

Paulo disse...

Ótimo texto. Seu ponto de vista casa com o meu.

Ciúmes = falta de confiança. E vigiar não mudará a pessoa.

Gostei mesmo. Parabéns.


P.

cris disse...

Ai, queria ter lido isso antes. porque eu fui uma das que respondeu a enquete e lembro que deu uma polêmica danada. na verdade, eu não sei muito bem o que acho disso. concordo com tudo o que você falou - em tese - mas entre amigos, sou tida como ciumenta. e olha que eu nem acho isso. acho que sou só insegura mesmo e tenho medo de perder o amor do outro. mas concordo também que, na maioria das vezes, a gente se mete em situações/relações que são propícias a nos deixar inseguras. eu pelo menos fiz isso várias vezes. mas por que eu resolvi escrever isso? deve ser porque eu to apaixonadinha, rs. e tenho a impressão que entre duas mulheres a coisa tende a ser diferente. vamos ver se o tempo confirma essa hipótese. bjs, queri

Anônimo disse...

acho que com o tempo no mesmo relacionamento vc passa a confiar na pessoa, mas no inicio acho k todo mundo tem um pouco de ciumes principalmente quando vc é nova pois tenho 22 anos e meu marido 40 e sou bem ciumenta mas confio bastante nele