sexta-feira, 12 de março de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
Coisas que me dou conta assim, no meio do dia
Eu, debatendo maternidade.
Pensar que já fui tão rock'n'roll.
Pensar que já fui tão rock'n'roll.
Post chato com respostas longuíssimas
As respostas pro post anterior ficaram gigantes, então colei aqui, a partir do meu último comentário.
Raiza, tbm me deu medo do pai e do tal melhor ortopedista da cidade. E raivinha da mãe ser tão passiva. Imagina se um cara dá um diagnóstico definitivo desse da Nina, na primeira consulta, sem falar em fisioterapia, em tratamento. Bem, não vamos esquecer a hipótese de ela (a mãe) ser uma louca que quer chamar atenção. Porque existem, e muitas.
Tamara, em 1º lugar – vc está na SUA casa e a irmã leva o namorado e é vc quem deve se adaptar ao mundo deles? Rá. Quanto à sua reflexão, veja, eu vivo me pegando passando, sem querer, valores enraizados sem tê-los questionados. Às vezes volto atrás, paro tudo e falo: péra aí filha, vamos pensar, acho que não é bem assim. Tenho me policiado principalmente com relação a preconceitos – cor, raça, orientação sexual – e às noções de beleza e poder financeiro. Mas muita coisa passa batida. Tipo, tomar conta dos afazeres domésticos porque sou eu que faço melhor: como as mães de antigamente, a imagem que fica é do pai que sai pra trabalhar enquanto a mãe arruma a casa. (pq meu trabalho é de meio período fora de casa, integral no entanto, na internet). Enfim. A gente tenta.
Amanda, hahahah, eu não sou do time que acha que tudo está perdido, não. Tem muita gente boa criando pessoinhas melhores ainda. E não estou me referindo ao politicamente correto radical, que isso também é uma praga. Injustiça minha mesmo não anotar os lances bacanas, mas o grotesco e o ridículo sempre atraem mais atenção, infelizmente.
Haline, eu agüento porque ela adora as festas, não vou privá-la disso. Depois eu cobro: “tive que agüentar 4 horas de festa ontem, hoje me deixa ver o Lost inteiro sozinha!”, hahahaha.
Nilus Queri lóviutchu. Olha, é difícil pra caramba chegar perto, sequer vislumbrar, essa perfeição toda. Outro dia mesmo a Nina quase acertou um chute no primo e eu automaticamente dei uma palmada na bundinha. Quer dizer. Violência com violência. Depois que passou o chororô e o castigo (no quarto) fui lá conversar e prometi nunca mais dar palmadas, desde que ela também nunca mais apele pra chutes e tapas. A gente sabe que nunca é tempo demais, mas como já disse antes, a gente tenta.
Cin, hahahah, se fosse assim teriam me proibido de ter filhos alguns anos atrás... mas sempre há a possibilidade de os pais aprenderem com os filhos.
Oi, Michele. Sabe, vejo muita mãe preocupada em não incentivar a filha a usar rosa e assistir filmes de princesas. Eu deixo. Não vejo esses detalhes com tanta preocupação, acho que a mulher-vítima como você diz surge de outras influências muito, muito piores. Também brinca de carrinho se quiser, faz judô na escola, quer ser engenheira ou artista. O engraçado de ter filhos é a forma como eles contrariam nossas expectativas. A Nina, por ex., é super peruinha – no bom sentido. Uma peruinha maloqueira. Adora unhas pintadas e ao mesmo tempo passa o dia na bike, se puder. O que vai torná-la diferente, e isso já está acontecendo, são as opiniões e a visão do mundo. Por exemplo, no dia que ela contou pras amigas que existe casal gay. Chamaram-na de mentirosa e ela chorou em casa. Eu passei a mão na cabeça e expliquei: querida, suas amigas ainda não sabem disso, as mamães e papais ainda não quiseram contar pra elas não ficarem confusas, mas você já sabe que tudo bem. Ontem ela chegou em casa contando: “minha amiga Gabriela disse que eu sou a colega que mais sabe de tudo da escola”, hahaha. Porque ela tinha explicado pra amiga que “o sangue corre nas aveias”. Te garanto, Michele, que ela prefere saber mais e mais, e já aprendeu a refletir - às vezes ela senta no Barney gigante e fica lá só pensando. Claro que eu erro a dose também. Outro exemplo: eu faço tanto, mas tanto esforço para que ela veja a beleza negra, se liberte do estereótipo Barbie Loira (apesar de ter várias), que ela me disse ter achado a Mo’Nique a mulher mais bonita do Oscar. Ora, não precisa tanto. É porque eu mostrei pra ela: viu essa mulher negra, gordinha, como ela está bem num vestido lindo, sendo festejada, feliz? É porque ela é a MELHOR de todas as atrizes e deve ganhar mais um prêmio (a Nina é muito impressionada com prêmios e isso eu não sei daonde veio). De novo, minha palavra favorita: ENFIM. É tudo muito complicado.
terça-feira, 9 de março de 2010
O cantinho das mães - tragicomédia em 3 atos
Ato 1
Cenário: festa infantil em Buffet/ mesa onde foram colocadas as “mães das amigas da escolinha”. Cerca de 8 mães conversam sobre dietas e sobre a rotina da escola.
Nina surge correndo à mesa, pedindo água para continuar correndo enlouquecidamente com as amigas. Uma das mães brinca:
- Seu namoradinho não veio?
Nina responde:
- Ah, os meninos são chatos, eu não tenho mais namoradinho... ele saiu da escola.
E sai correndo.
Uma segunda mãe discorre sobre o tema:
- Sabe, eu não deixava a Lindinha (filha dela) falar que tem namorado.
Cristina:
- q?
A mãe da Lindinha:
- É que o pai dela não suporta ouvir que ela tem namorado, dá bronca. Mas agora estamos mudando isso. Porque outro dia eu vi na rua um casal de MENINAS (ênfase) se beijando! Então meu raciocínio é o seguinte: é melhor que ela pense em crescer e ter um NAMORADO.
Cristina:
- (ÊNFASE) Ah, você viu um casal de namoradas? QUE BACANA NÉ? Porque no nosso tempo as meninas que gostam de meninas nem se davam conta, tinham que passar uma vida miserável dentro do armário. ACHO UMA CONQUISTA DO MOVIMENTO FEMINISTA ver tantos casais gays por aí. Claro que na verdade eu não acho legal ver adolescente se agarrando, dá uma vergonha alheia. MAS ELES AINDA NÃO TÊM DINHEIRO PRA MOTEL e a gente tem que entender.
ATO 2
Mães discorrem sobre escolas para as quais pretendem transferir seus filhos no próximo ano, quando iniciarão a 1ª série do Primário.
Mãe 2
- Eu estou pensando em colocar minha filha no Colégio Militar porque o que ela precisa é DISCIPLINA! Ter horário rígido, incentivo ao estudo.
Cristina:
- NÃO FAÇA ISSO!!! Meus colegas mais rebeldes e malucos da universidade, TODOS, passaram por colégio militar ou exército.
ATO 3
Cenário: Sala de espera da escola de natação – cerca de meia dúzia de mães assistem à aula dos filhos, através de uma vidraça com vista para as piscinas.
Mãe 1
- Olha como minha filha está feliz. Que amor. Eu sabia que natação ia ser uma boa pra ela.
Cristina
- Ah, elas adoram né? A Nina está animadíssima em aprender a nadar e eu acho ótimo porque é uma segurança também...
Mãe 1
-Na verdade a minha filha queria fazer balé. O SONHO DELA É SER BAILARINA. Mas O PAI DELA JÁ DISSE: VOCÊ NUNCA VAI SER BAILARINA!
Cristina
- q????
Mãe 1
- É que a minha filha tem o quadril travado como o meu. Não pode virar, nem mexer pro lado. É congênito. Fomos ao MELHOR ortopedista da cidade, segundo o meu MARIDO, e o médico disse que ela tem que fazer exercícios porque ainda pode acabar na cadeira de rodas. Imagina, eu nunca deixei de fazer nada.
Cristina
- Nossa, que horror, tem que ir em outro médico, onde já se viu um prognóstico tão negativo, tão cedo?
Mãe 1
- Pois é, mas meu marido não quer outro e briga com ela porque é gordinha e passa o dia todo comendo besteira. Já falou pra ela que se viver sentada comendo, VAI ACABAR NUMA CADEIRA DE RODAS.
Nota para a produção: o elenco infantil tem no máximo 5 anos.
Cenário: festa infantil em Buffet/ mesa onde foram colocadas as “mães das amigas da escolinha”. Cerca de 8 mães conversam sobre dietas e sobre a rotina da escola.
Nina surge correndo à mesa, pedindo água para continuar correndo enlouquecidamente com as amigas. Uma das mães brinca:
- Seu namoradinho não veio?
Nina responde:
- Ah, os meninos são chatos, eu não tenho mais namoradinho... ele saiu da escola.
E sai correndo.
Uma segunda mãe discorre sobre o tema:
- Sabe, eu não deixava a Lindinha (filha dela) falar que tem namorado.
Cristina:
- q?
A mãe da Lindinha:
- É que o pai dela não suporta ouvir que ela tem namorado, dá bronca. Mas agora estamos mudando isso. Porque outro dia eu vi na rua um casal de MENINAS (ênfase) se beijando! Então meu raciocínio é o seguinte: é melhor que ela pense em crescer e ter um NAMORADO.
Cristina:
- (ÊNFASE) Ah, você viu um casal de namoradas? QUE BACANA NÉ? Porque no nosso tempo as meninas que gostam de meninas nem se davam conta, tinham que passar uma vida miserável dentro do armário. ACHO UMA CONQUISTA DO MOVIMENTO FEMINISTA ver tantos casais gays por aí. Claro que na verdade eu não acho legal ver adolescente se agarrando, dá uma vergonha alheia. MAS ELES AINDA NÃO TÊM DINHEIRO PRA MOTEL e a gente tem que entender.
ATO 2
Mães discorrem sobre escolas para as quais pretendem transferir seus filhos no próximo ano, quando iniciarão a 1ª série do Primário.
Mãe 2
- Eu estou pensando em colocar minha filha no Colégio Militar porque o que ela precisa é DISCIPLINA! Ter horário rígido, incentivo ao estudo.
Cristina:
- NÃO FAÇA ISSO!!! Meus colegas mais rebeldes e malucos da universidade, TODOS, passaram por colégio militar ou exército.
ATO 3
Cenário: Sala de espera da escola de natação – cerca de meia dúzia de mães assistem à aula dos filhos, através de uma vidraça com vista para as piscinas.
Mãe 1
- Olha como minha filha está feliz. Que amor. Eu sabia que natação ia ser uma boa pra ela.
Cristina
- Ah, elas adoram né? A Nina está animadíssima em aprender a nadar e eu acho ótimo porque é uma segurança também...
Mãe 1
-Na verdade a minha filha queria fazer balé. O SONHO DELA É SER BAILARINA. Mas O PAI DELA JÁ DISSE: VOCÊ NUNCA VAI SER BAILARINA!
Cristina
- q????
Mãe 1
- É que a minha filha tem o quadril travado como o meu. Não pode virar, nem mexer pro lado. É congênito. Fomos ao MELHOR ortopedista da cidade, segundo o meu MARIDO, e o médico disse que ela tem que fazer exercícios porque ainda pode acabar na cadeira de rodas. Imagina, eu nunca deixei de fazer nada.
Cristina
- Nossa, que horror, tem que ir em outro médico, onde já se viu um prognóstico tão negativo, tão cedo?
Mãe 1
- Pois é, mas meu marido não quer outro e briga com ela porque é gordinha e passa o dia todo comendo besteira. Já falou pra ela que se viver sentada comendo, VAI ACABAR NUMA CADEIRA DE RODAS.
Nota para a produção: o elenco infantil tem no máximo 5 anos.
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