sábado, 4 de dezembro de 2010

Ainda nessa vibe

Fomos eu e Mr. Lopes ao show do Hotel Avenida no  Wonka, ontem. Começou depois da meia-noite. Fomos a pé - e é longe - pra aproveitar a linda noite estrelada. Eu nunca tinha ido nesse bar-com-palco (não é só boteco e também não é casa de shows). É aquela coisa apertada, cheia de salinhas e becos, com decoração super bacana de paredes decoradas por artistas diferentes (na entrada tem um lindo Johnny Depp caracterizado como Mr. Wonka). O show eu deixo pro Ivan comentar, tecnicamente, se estiver a fim. Eu adorei as músicas próprias, as versões (incluindo um Leandro e Leonardo, ryzos) e pô, como eu gosto de artista, viu. Ver gente fazendo o que gosta, criando, se divertindo. O prazer deles se transfere pra gente, em pílulas, o que me deixa feliz, mesmo que seja uma obra essencialmente melancólica.
Enfim. 
Mas antes do show tinha um outro, de um cara que toca versões indies de pagode, parece legal mas ai. Ficamos na parte de cima bebericando cerveja, observando decoração, pessoas, cenas etc.Verificamos que ser nerd e esquisito, hoje em dia, não é mais o problema que era 20 anos atrás, pois os nerds viraram geeks e a sua imagem virtual equilibra a "real" e tals, então filosofando nesses termos eis que Mr. Lopes conclui:


- "Esse bar é bacana mesmo. Tem gente de todas as idades e tal".

- "É, tem gente de 20 e poucos. E NÓS!" 


Mr. Lopes, que comemorou intensamente o fato de só termos gasto trintão na night ("a gente tem que fazer mais isso, olha como nos divertimos e como foi barato!"), neste momento beberica um chá pra rebater a ressaca de umas poucas long-necks.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Antes que eu esqueça

















Agora há pouco estava na confraternização dos advogados da firma, num bar mexicano.
Eu só fui fazer figuração, como o cara que acompanha a morena que enfia tequila goela abaixo dos mais corajosos, ou bobos, e depois sacode suas cabeças. Eu estava à mesa, fingindo ouvir as piadas, rindo da suposta graça delas, e cuidando das bolsas enquanto as pessoas dançavam.
Mas não estava ruim não, gosto de observar, mesmo. Infelizmente, bebendo devagar uma Heineken.
Casais que sabem dançar, dançavam bem. Outros só se divertiam, um e outro estavam concentrados, se levando muito a sério.
O ponto alto da noite foi a banda mexicana tocando Lady Gaga.
Minto. O ponto alto da noite foi o menino lindinho que subiu ao palco e cantou Fogo e Paixão para a namoradinha, ou ficante. Foi engraçado, foi blasé, foi zombeteiro, mas foi romântico.
Daí olhando tudo aquilo, rindo socialmente como convinha, me deu um puta aperto no coração. Chorei por dentro pelos meus 16, 18 anos.
Minha amargura contra a juventude se foi, junto com ela. Costumava repetir Nelson Rodrigues - "jovens, envelheçam" e achar graça, mas agora não. A juventude me emociona.


Daí na saída vi outro menino, que dançava muito sedutor com uma mocinha tão delicada,  horas antes, vomitando na grade do estacionamento do bar. E passou.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

De posts, só ideias

Não consigo parar para escrever, mimimi.

Quero muito contar do Geléia. Acho que o vejo todo dia. Geléia era, 20 anos atrás, uma criança de rua que jogava bola com os alunos da Reitoria e comia seus restos - ou alguns pratos inteiros, às vezes - dos lanches e almoços do RU. Reitoria é onde se concentra o pessoal de Humanas da UFPR. Geléia era uma piada, alguns tinham pena, outros tinham nojo dele. Um guri feio, gordinho, ranhento, que convivia com a nata do futuro pensamento humanístico paranaense, quiçá universal. Pois passo todo dia ao lado do Cemitério Municipal e creio que o guardador de carros que mora naquela praça em frente aos portões é o próprio Geléia. É quase certeza.


Também queria comentar como tenho odiado a nostalgia. Não suporto mais ouvir músicas ou ver filmes anos 80-90. Detesto lembrar do passado. Ao mesmo tempo, tendo completado 40, não quero pensar no futuro. Alguém pensou em crise? Ô clichezinho ambulante.


Sobre minhas amizades e inimizades virtuais. Sobre cadeados virtuais e reais. Block e Unfollow for dummies.


Possibilidades de viagem à vista. Este ano que não acaba. O retorno ao fogão em 2011 e o desafio - como fazer minha filha gostar da minha comida?

Pensando bem, já disse (quase) tudo.



PS - Ainda tem a morte, o suicídio, do Mario Monicelli. Fiquei tão triste e ao mesmo tempo, pô. O cara se mata com 95 anos. Muito a pensar sobre.