sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Gente que me faz chorar já de manhã antes de terminar o café

Clica ali no blogroll, Lágrimas de Crocodilo, o post pra Lilah.
De nada.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Momento Silvia Poppovic

Depois de extensa pesquisa interna (aka tuitando com as amigas) descobri que boa parte das pessoas sente ciúme, quando numa relação. Ao mesmo tempo, e em se tratando de mulheres - nenhum homem respondeu às minhas enquetes - o padrão é não deixar o tal sentimento transparecer. São ciumentas não-assumidas. Incrível que nem on-line eu arranjo amiga barraqueira. Estava me sentindo uma ET, até que duas admitiram nunca ter ciúmes de seus maridos. Foi este o assunto da tarde, caros leitores. O ciúme e suas implicações.

Daí que todos aqui sabem que Mr. Lopes é professor. Desde que ele começou na função, 15 anos atrás, eu ouço - "olha as alunas! Cuidado com as alunas! Essas meninas são terríveis!" e minha reação é de espanto. O mesmo com relação a idas a congressos ou até a extensa grade de reuniões com professoras de outros cursos. Se há - e há mesmo - alunas lindas, inteligentes, sensíveis, ou ainda piranhas devoradoras de homens, o que eu poderia fazer? Dar batida de rádio-patroa? Aparecer e fazer cara ameaçadora, grudando no braço dele, demonstrando posse?

E por que seriam "elas" as terríveis? Por existirem e serem lindas, frescas, sedutoras, não terem respeito pelas convenções? Espero eu mesma já ter sido assim. 

Há ciumentas usando estratégias pesadas de intimidação, garanto, sou testemunha. Acho tão triste. Porque eu tento viver sem convicções, mas sobre ciúme, tenho uma certeza: é falta de confiança. Ponto. E se não existe mais confiança, vai existir o quê? Ok, um belo dia ele pode realmente tomar café, num intervalo, com uma mulher inteligente e interessante, aluna ou professora ou nada disso, que saiba Filosofia ou a classificação do Coringão no campeonato, dois assuntos dos quais desisti há alguns anos, e que o conquiste. Fazer o quê? Sinal de que a coisa toda do casamento já terá acabado. Se houver um interesse ou tesão tão grande a ponto de tomar o meu lugar, é porque não era mais meu, mesmo.

Obviamente não seria fácil, sem drama ou ranger de dentes. Mas jamais voltaria minha raiva pra causadora da separação - nada é tão simples, tão preto no branco, x causou y, nem que a x neste caso fosse a Geyse (pessoa que já tive de defender veementemente em rodinha de mulheres).

Daí veio a possibilidade de que eu simplesmente não me importo. Outro erro. Então para haver amor é preciso haver sentimento de posse? É preciso haver controle sobre os atos e os pensamentos do ser amado? Ou pior, eu tenho que provar meu amor, demonstrando desconfiança. Nonsense.

Ano que vem fazemos 20 anos juntos. Minha última crise de ciúmes ocorreu há uns 18 anos, à beira da escada da cantina da Reitoria, por causa de um disse-me-disse de que uma certa menina teria interesse no Mr. Lopes, então ainda praticamente solto na vida. Desde então posso dizer que não tenho ciúmes. E mais: considero um sentimento ofensivo. Ciúme quer dizer: não confio tanto em você. Ou ainda: não confio no meu taco, muito menos você.

Aí vão dizer, ê besta, mas você deixa o marido dando mole por aí, não cuida, e se ele te trair? Aí é outra coisa. Há casais que têm casos, são liberais, abertos e bem resolvidos com relação a isso - é outro nível de confiança. Não é o meu modelo mas nem por isso, condeno. No meu, traição é mentira, coisa que nenhum dos dois admitimos.



PS - Eu deletei 3 comentários repetidos que davam o nome (grafado errado) do Mr. Lopes - informando anonimamente que eu teria mudado porque antes não deixava ele nem olhar pro lado ou sair com os amigos. Eu nunca cito o nome dele aqui, ok?