quinta-feira, 7 de abril de 2011

Um dia pra se lamentar

Dia em que um louco assassina crianças - e (update) especialmente, meninas?
Dia em que vi uma mãe receber a notícia de que seu filho é um dos mortos. Na tv. Em close.
Dia em que se tentou traçar o perfil do assassino com destaque para informações como "ele é adotado". Em que se espalhou que ele deixou carta com "alusões ao islamismo" e confessando que seria um portador de HIV. Mas a carta não diz nada disso. É a carta de um louco.


Tenho bancado a chatinha-com-causa. A Pernambucanas vende sutiã com enchimento pra crianças de 6 anos, eu deixo mensagens no twitter, espalho links de protesto. Hoje foi a vez da Globo News, mas poderia valer pra maioria dos veículos da grande imprensa. Aliás, para a lambança que foi feita - que noutro país poderia resultar em revolta popular, ataque a minorias como são os muçulmanos - não é preciso diploma mesmo. Mas sou tola.

Hoje a letra daquela música é obsoleta. A dor da gente sai no jornal.

Feliz dia dos Jornalistas?

8 comentários:

Rita disse...

Tudo tão triste.

Claudia disse...

Oi Tina. O que me deixa arrepiada, é que o foco desse cara foi contra MENINAS. E só hoje, dando uma geral em blogs, principalmente lá na Lola, percebi isso. Acompanhei o caso muito pouco ontem, ouvindo um comentário aqui e ali, mas em nenhum momento foi dito que ele queria matar meninas. A misoginia anda correndo solta, mas a mídia anda fazendo vista grossa. Porque odiar mulheres é normal, parece. Se fossem só crianças negras , talvez isso ficasse claro, seria levantada a bandeira do preconceito. Como mãe de uma menina, não fico triste, fico a-pa-vo-ra-da.

nilus queri disse...

cri, veja que loucura: ontem à noite, depois que saí da aula, eu tive que buscar uma amiga em casa, uma psicóloga, que estava desesperada porque tinha acabado de ficar presa por um paciente dela, psicótico, por quatro horas na clínica. ela atende ele há mais de um ano e nesse período todo a grande obsessão dele é a de entrar em uma escola e atirar nas pessoas - ele quer matar várias - para vingar os traumas da fase escolar, quando sofria de bullying por ser esquisito, calado, cabisbaixo. além de tudo ele disse que está apaixonado por ela, que sabe que ela mora ali ao lado da clínica, que a vê chegar caminhando, mas que "nunca faria nada de mal contra" ela (esses clichês não são à toa). enfim, uma sessão de 50 minutos durou mais de quatro horas com o menino completamente desesperado na sala, dizendo que queria matar as pessoas. e ele não sabia do que tinha acontecido no rio ainda, segundo ela. muitos paralelos com a história do rio, mas neste caso pra mim uma grande lição é mesmo a de que o bullying deve ser combatido seriamente, monitorado de perto, porque nunca se sabe o impacto que ele pode ter, não só na individualidade, mas na sociabilidade das pessoas que sofrem com ele. né? dia trsite mesmo.

Rubão disse...

Tina, li alhures que a Pernambucanas mantinha um grupo de bolivianos semi-escravizados em cativeiro.

Sei que virei um chato-com-causa praticamente contumaz. Tô perdido.

Anônimo disse...

eu fico intrigada, quem era seus pais? amigos tinha? e namorada? muito desamor, pra entender esse tipo de coisa. :(
madoka

Mari Biddle disse...

Marina W dedicou um post a vc. Com poemas. Lindo.


Aqui WalMart teve de explicar pq estava vendendo um linha de cremes anti-sinais para meninas a partir dos 6 aninhos de idade. Na Inglaterra uma grande rede de roupas teve de ouvir os 'gritos' de pais e maes quando estes perguntaram pq diabos so' tinha roupas-brinquedos-calcados na cor rosa ( e somente rosa) para as meninas.

A gente vai gritando aqui e ali pq e' a unica coisa que a gente pode fazer. Ne'?

bjs

cris disse...

Eu fico triste e revoltada com coisas como essas das Pernambucanas. Mas pior mesmo e ler gente escrever que "usou biquíni com enchimento desde os 6 anos e não sofreu nada". Claro, né. Meu umbigo = o mundo. Quanto ao lance do massacre de Realengo, eu só posso dizer que concordo com você. Vi uma única matéria e tive uma crise de choro. Me recusei a ver qualquer coisa na tv que falasse sobre o assunto. As redes de tv perderam o senso. Aliás, a imprensa como um todo.

Vivien Morgato : disse...

A gente precisava de mais jornalistas como vc por aí.