quarta-feira, 25 de maio de 2011

Atualizandinho (com meme e update über necessário)

Reunião trimestral na escola: fiquei com vergonha de deixar à vista o boletim da Nina. Avaliação totalmente 100%. Ufa, eu não sei que mãe seria com uma filha com dificuldades em alguma matéria. Provavelmente a traumatizaria jogando minha ansiedade sobre sua cabecinha. Sim, estou de corujice, mas também é desabafinho.

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Um mês e meio desempregada. Saldo: um frila trabalhoso e muitas horas de louça na pia. Almoços caprichados, mãos virando lixas.




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Ainda no quesito família: começou com nossa viagem em janeiro, de 15 dias. Quando voltamos, dona Nina  estava acostumada a dormir na cama com a vó - logo ela, que nem quando era bebê gostava de ficar no nosso quarto (passei longas noites de insônia infantil na sala gelada). Assim que chegamos, dormiu junto conosco algumas noites - todos os três tronchos de saudades. Depois vieram os gibis. Sempre tinha que ler os gibis na nossa cama antes de deitar. Daí queria ficar na nossa cama "só até dormir". Até que um dia - uma noite - cansei e avisei que a festa da cama da mamãe acabou. Pronto. Choro. Ranger de dentes. "Mas eu tive pesadelo". "Vi um pedaço do jornal e fiquei com medo". "Tenho medo de ladrão". "Meu quarto tá muito frio". Toda santa noite, uma desculpa. Só depois da meia-noite eu podia levá-la de volta para seu quarto (pergunte-me sobre Mr. Lopes: esse dorme antes da Nina acabar o gibi). Ai, minhas costas. A menina tem 6 anos e 23 quilos. Aí no final de semana passado compramos cortinas novas (ela enjoou - uhu! - do rosa predominante), brancas, mudamos a cama de lugar para acomodar uma linda prateleira com porta de correr e duas gavetas para gibis e cadernos. Pronto, o quarto perfeito. Ela até se emocionou quando viu a surpresa. Mas na hora de dormir... drama. Está diminuindo aos poucos. Eu e Mr. Lopes nos reveamos, sentados ao seu lado, até que os olhinhos comecem a fechar. Na segunda noite, chorando copiosamente por ter de ficar sozinha, argumentei o quanto estou perto e tal. "Eu sei disso, não sei por que estou chorando, mas não consigo parar". O olharzinho de quem percebe - ah, como é chato crescer.




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Comecei um trabalho de assessoria de imprensa e não estou conseguindo executá-lo, por diversos motivos alheios mas também por minha culpa. Pela primeira vez preciso admitir um completo fracasso.

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Respondendo à ordem da Rita: um meme difícil.

1 — Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
Já fiz muito disso, hoje não o faria novamente. A gente chega aos 40 e a lista de novos livros, ou melhor, de livros a serem lidos começa a parecer grande demais. Releria assim, indo direto a algumas partes, Lolita de Nabokov; Pergunte ao Pó, de Fante; Confesso que Vivi, de Pablo Neruda. Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos. Releria o manifesto O Existencialismo é um Humanismo, de JP Sartre (sou vintage, mesmo).
2 — Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Por falta de empenho, toda a obra-prima do Proust, Em Busca do Tempo Perdido. Mas essa está lá, guardadinha, me esperando - o chato é que se trata de uma leitura que demanda engajamento: "agora vai". Fora essa, só livros ruins. Nem vale a pena citar. Os que comecei e não gostei, largo rápido. Perdi a culpa católica, tenho páginas demais a conferir.

3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
 O meu próprio livro*. Sempre revisando e cortando.
 
4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Devaneios de Um Caminhante Solitário, de Jean Jacques Rousseau. Sei que é maravilhoso mas não tenho cabeça pra Filosofia.

5 - Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer?
1933 foi um ano Ruim, de John Fante. Um pequeno grande livro.

6– Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Ler era minha principal ocupação. Não li O Sítio do Pica-Pau Amarelo. Mas li As Mil e Uma Noites (versão em dezenas de pequenos livros encapados de cor-de-rosa pelo meu tio). O resto, li tudo. Gibis, todos.

7. Qual o livro que achaste chato e mesmo assim leste até o fim? Por quê?
Praticamente toda a Coleção Vagalume e os clássicos obrigatórios do ginásio. Tudo chato.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Todos os citados acima, inclusive o que não li. Mais Servidão Humana, de W. Somerset Maugham, e os livros de Bukowski, principalmente Cartas na Rua. Boa parte dos livros de Simone de Beauvoir, também. Gosto muito do cubano Pedro Juan Gutierrez, vale a pena.

9. Que livro estás a ler neste momento?
A Sangue Frio, de Truman Capote, e sinto que este logo entrará no rol daqueles a serem relidos.

10. Indica dez amigos para o Meme Literário.
Ah, quem quiser faz, vai.


UPDATE ÜBERNECESSÁRIO

--> Esqueci nos obrigatórios a obra toda do Camus - tudo tudinho, mas começa pelo O Estrangeiro mesmo, vai. E a trilogia Senhor dos Anéis do Tolkien. Coerência, não trabalhamos.

* non ecziste

7 comentários:

Disfarçada disse...

Eu até ia fazer, mas dá mto trabalho.
Não tô podendo. Mas gostei das dicas Tina!
Beijos e beijos na Nina.

ditavonclaire disse...

eu sempre achei (e continuo achando)que não dá pra tirar eles do quarto de jeito nenhum... quando mudamos para um ap de um só quarto (ele tinha dois anos) fomos pra sala e ele ficou de compadre (dono do campinho) no único quarto da casa...
sempre somos nós que vamos ao quarto dele quando existe alguma coisa a ser resolvida, nunca é ele quem sai. funciona bem. até hoje.
*
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como estão os frilas, mulher? me conta.

Rita disse...

Tina, queridona,

muito obrigada por entrar na brincadeira do meme - e que lista luxuosa, senti-me uma pequena vespa sem asas. Quero tanto ler Capote! Fila.

Quanto à Nina: eu tive uma experiência com o Arthur depois que a Amanda nasceu. Ela com dois meses dormia a noite toda, ele com dois anos e meio berrava até altas horas. Fiz um post lá no blog certa vez, vou catar o link procê que a história é longa. Mas não sei se serve de "dica", sabe, porque é um troço pessoal. Eu encarei o choro e resolvi um sofrimento (para a família toda) que já durava dois meses (com um recém-nascido em casa que me exigia muito durante o dia) em duas noites. Mas precisa ser forte. Eu chorava mais que ele, escondida. Mas deu certo e não me arrependo. Ele tava ficando irritado, com péssimo apetite e cansado ao longo do dia. Com medo de dormir, tadinho. Enfim. Espero que a coisa com a Nina não chegue a tanto, sei que não é fácil reverter, mas também sei que vale muito a pena encarar o desafio.

Na torcida
Bj
Rita (aff, entro e vou metendo os pitacos, eu hein)

Patricia Scarpin disse...

Sei que não é a mesma coisa, porque Pichuzinha não é minha filha, mas eu me sinto igualzinha a você. Não saberia lidar se ela não fosse bem na escola, por assim dizer. Ontem mesmo a levei comigo ao shopping (precisava comprar presentes para bebês de amigas) e perguntei como estava a faculdade, como tinham sido as primeiras provas e tal. Quando ela me contou as notas que havia tirado segurei um suspiro de alívio. Tudo bem, tudo ótimo. Sou neurótica?

Luciana Nepomuceno disse...

Amei seu meme. Mesmo. Putz, como esqueci Servidão Humana na minha lista? A gente fica doida pra fazer upgrade depois que sai lendo as listas dazamiga.

tamarafreire disse...

Tô há dias pensando nas respostas que posso dar pra esse meme, mas nada me parece digno. Nunca li Sartre (não por falta de boa intenção), Camus menos ainda. A verdade é que passei a adolescência a base de Paulo Coelho e Agatha Cristie (mas nem era tão ruim, porque o resto da tchurma não lia absolutamente nada) e agora tô decidindo se respondo isso pode dar um ar trash à coisa. Na faculdade fiquei nos técnicos e no último ano fiquei grávida e mal disposta e mãe de filho pequeno e mal disposta. Enfim, tudo isso pra dizer que achei esse meme ótimo e que vou tentar puxar pela memória alguma coisa boa pra colocar...
Sobre a história da Nina, lembrei na hora desses programas tipo SuperNanny que ensinam a gente a fazer essas coisas. Acho que todo mundo é assim: assiste ao programa jurando que vai tentar, mas só quando a ocasião chega é que vê o quanto é difícil. Miguel ainda tá novinho, mas eu já ouço: "coloca esse menino no berço! Dormindo no colo ele vai ficar mal acostumado!" Mas como, gente? Como abandoná-lo lá sozinho?

Renata disse...

Nina é a menininha mais espera do mundo!