quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Day 25: A book you used to hate but now love



Love, love também não. Mas taí um livro que me deu vontade de jogar na parede, de pisar, de cuspir até. Se não fosse bem escrito, claro (bem escrito a gente aguenta até e-mail spam). Mas olha: "O polêmico escritor francês Michel Houellebecq recheia 'Plataforma' com sexo, fundamentalismo, globalização e muito mais. Sua prosa cáustica, elegante e pornográfica é notada por onde passa, deixando rastros de amor e ódio. A partir da vida de Michel, um burocrata do Ministério da Cultura Francês de 40 anos, viciado em peep shows, que parte em uma excursão à Tailândia privilegiando roteiros do turismo sexual, Houellebecq traça um panorama sério, grotesco e contundente da sociedade pós-moderna" (resenha da Livraria Cultura). Quer dizer. O personagem principal é um escroto que de fato acredita que o terceiro mundo deve ser responsável pela diversão - sexual - do primeiro mundo. Que é tipo nossa vocação. Fiquei tão puta (hahahaah) com isso. Bem, Michel decide investir num resort sexual e o livro dá umas reviravoltas. E ainda se mete com religião, ridiculariza, década antes do #classemediasofre, o estilo de vida século 21 e tal. Ah, tem cenas eróticas bem convincentes, viu. Acabei dando o livro pra um amigo, que também ficou naquela "é escroto mas é legal". Bem. O tempo passou e acabei mudando de opinião. Lendo agora uns trechos aleatórios, vejo que pô, é um livro bem bacana, eu é que talvez ainda não fosse tão cínica. Ainda.


E me desculpem por isso, mas tem um texto bom do Moacyr Scliar sobre ele na Veja, aqui. É, eu sei...

No ângulo esquerdo do meu campo de visão vi um banco de musculação e halteres. Imaginei rapidamente um cretino de short - com o rosto enrugado, mas fora isso muito parecido com o meu - inflando seus peitorais com uma energia sem esperança. Papai, pensei, papai, você construiu seu castelo em cima da areia. Eu continuava pedalando, mas comecei a me sentir ofegante e com uma leve dor nas coxas; e nem havia passado do nível um. Lembrando da cerimônia fúnebre, eu tinha consciência de ter produzido uma excelente impressão geral. Sempre estou muito bem barbeado, minhas costas são estreitas; como me apareceu um começo de calvície por volta dos trinta anos, decidi cortar o cabelo bem curtinho. Geralmente uso ternos cinza, gravatas discretas, e nunca tenho um ar muito alegre. Com o cabelo aparado rente, meus óculos finos e meu rosto rabugento, abaixando ligeiramente a cabeça para ouvir um mix de cantos fúnebres cristãos eu me sentia muito à vontade ali - bem mais à vontade que num casamento, por exemplo. Os enterros, decididamente, são o meu negócio. Parei de pedalar, tossi de leve. A noite caía nos prados à minha volta. Ao lado da estrutura de cimento em que o aquecedor se fixava via-se uma mancha amarronzada, que não haviam limpado direito. Foi ali que encontraram o meu pai, com o crânio rachado, vestindo um short e uma camiseta “I love New York”.

7 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

Não li o livro, mas morri de rir com "fiquei tão puta", metalinguagem é isso aí...

deniseescreve disse...

O Cássio leu este livro e outros do mesmo autor, mas ficou até deprimido! ahahha elogiou bastante (vc viu o filme que fizeram a partir do livro Partículas Elementares? É bem bom, apesar de forte e deprimente também)
Acho que estes franceses demoram pra se alegrar na vida, viu. hehe
beijos!

Amanda disse...

Eu DETESTO esse cara. Li o ultimo dele achei um lixo completo. Nem foi tão polêmico, mas achei completamente mal escrito e sem uma historia convincente. E ainda da pra sentir todo o pessimismo e arrogância do autor, não do personagem. Houellebecq é meu terceiro francês mais odiado (so perde pro DSK e Sarkozy, hihihi).

Rita disse...

Hahahaha. Eu ri, né. Nem era a Bíblia, errei o palpite. ;-)

Tina Lopes disse...

Lu e Rita, suas pândegas.

Dê, eu bem li a respeito do filme, mas acho que quero ler o livro antes. Ou não, heheheh

Amanda, ele é um tremendo escroto, mesmo =)

Tito disse...

Eu gostei desse livro.

Anônimo disse...

"se não houvesse tanta tanta coisa boa esperando para ser lida" , gostaria de ler o tal Houellebecq, nunca nunca ouvi falar dele,rs.
Bjs Tina
madoka