segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Dia 13 - Maior roubada cinematográfica

Quando este item foi criado, imediatamente pensei numa roubada histórica: Vanilla Sky. Um filme metido a cabeça em que Tom Cruise, Penelope Cruz ansiosa por se tornar a latin bombshell (e conseguiu) da vez e Cameron Diaz em caras e bocas com a velha desculpa do "é tudo sonho/irreal/metáfora/whatever". Mas aí viajei e enfrentei um dos piores filmes da história do cinema no avião: este aqui, um veículo para, assim como em Vanilla, os atores desfilem sua beleza anoréxica e perfeita numa pseudo crise existencial. Porém, vejam só, eu nunca quis assisti-los. O primeiro, fui obrigada a ver porque estava em casa de terceiros e o segundo também não pude escolher - já contei que Iberia é a Cometa dos Ares (o primeiro filme da noite tinha sido Os Pinguins do Papai). Então não dá pra configurar como "roubada" porque eu sabia que seria ruim, jamais teria me escalado pra assistir algo com Tom Cruise sem um diretor consistente (ave Kubrick) ou algo em que Keira Knightley seja protagonista (nem a nova versão de Jane Austen, sorry). 
Roubada mesmo é quando a gente sai de casa na chuva, aproveita a única oportunidade do mês de ter um momento adulto sem criança, paga caro, janta pipoca e se decepciona. Isso, amigos, foi o que aconteceu ontem comigo e Mr. Lopes, quando fomos ansiosos (eu, pelo menos, que ele foi meio arrastado) assistir ao novo Almodóvar, A Pele que Habito.




Veja que eu era fã de Almodóvar do tempo de Pepe, Luci, Bom y Otras Chicas Del Montón. Tinha por ele uma adoração cega. Até que a produção dos anos 2000 começou a me desgostar. Não vou pormenorizar aqui. Senti-me reconciliada com o anterior, Abraços Partidos. Então fui super animada ao cinema, cabeça aberta, esperando aquelas loucurinhas de sempre, mas com aquele "algo mais" dos seus melhores momentos. E não. E agora é opinião pessoal, contrariando a crítica geral: achei um filme confuso, de roteiro fraco, atuações péssimas, história arrastada, desinteressante, desconexo. Poderia citar aqui trechos frouxos e incoerentes, mas nem é essa a questão. É daquele filme que faz a gente murchar e sair do cinema pensando - puta filme ruim. Mas como é do Almodóvar, o que se ouve à saída é "nossa, muito louco, mas gostei". Se o diretor fosse um desconhecido, poderia ser um tapa-buracos na grade da madrugada do SBT. E como quanto mais a expectativa, maior a decepção, tá aqui minha ultra-recente e maior roubada cinematográfica.


10 comentários:

Silvio disse...

Ainda não assisti, mas já fiquei com medo. Até porque tenho pavor de Vanilla Sky.

Hugo Avelar disse...

Tina,
Parei de brincar com você. 'A Pele que Habito' é daqueles que a gente sai de boca aberta e fica esperando o que vai acontecer, mesmo já sabendo de tudo no meio do filme.

Vou te deletar te excluir do meu orkut, te bloquear no MSN. Não me mande mais scraps, nem e-mails, power points. Me exclua também.

Tina Lopes disse...

Hugo, já te disse que eu posso xingar e amaldiçoar Almodóvar o quanto eu quiser porque sigo a carreira dele desde antes de vc NASCER. hahahaahh

Deise Luz disse...

Ai, Tina, você acaba comigo falando mal da Keira, rsrs.

Detesto Vanilla Sky do fundo da minha alma. Vi faz tempo e não lembro direito, mas sei que detestei e minha irmã mais velha amou. Lembro que minha sensação - diante de todos os comentários de que era o máximo - era de ficar esperando que acontecesse alguma coisa que tornasse o filme bom, porque tudo o que eu estava vendo era um saco. E odeio DEMAIS essa coisa do "era tudo um sonho".

O do Almodóvar ainda vou ver. Mas estou com um pouco de preguiça dele. No sábado fui ao cinema e preferi ver um suspense com Daniel Craig (ruinzinho, por sinal) do que A Pele que Habito.

Ricardo C. disse...

Tina, ainda não assisti, mas não me surpreendo com o que você diz. Também sou dos que viram os primeiros filmes do Almodóvar, ainda nos anos 80, e vi quando ele foi saindo da fase mais escrachada e rumando para o dramalhão, embora ainda com humor, erotismo e contestação de tabus. Entre os que não gostei, começo por Kika, mas que pareceu um escorregão já que foi sucedido por A Flor do Meu Segredo (bom), Carne Trêmula (muito bom), Tudo Sobre Minha Mãe (ótimo) e Fale Com Ela (que muitos acharam mediano, mas que eu gostei especialmente, depois digo por que). Dali pra frente foi só desgosto, achei Má Educação muito ruim, Volver médio (mas esquecível) e Abraços Partidos não me disse muito, embora tenha seus momentos. (Diria que o que você falou sobre A Pele é o que eu falo sobre Abraços). Acho que o cinema dele tem perdido o vigor, fazendo concessões demais para o público médio, quase virando só mais um cineasta.
Quanto a Fale com Ela, considero que é o primeiro filme onde onde os protagonistas não são mulheres (hétero, bi ou homossexuais) ou homens homossexuais (como em La Ley del Deseo e La Mala Educación) são homens heterossexuais — figuras que nos filmes dele quase sempre têm papéis secundários e são ou uns bananas ou de um mau-caratismo só. Nesse filme a relação deles era de profundo amor fraterno, embora a maioria com quem conversei a veja como homoerótica enrustida. Particularmente não vi nada de enrustido nesse erotismo, apenas aquele presente em toda relação humana, com graus diferentes e que nem sempre envolve genitalidade. Essa foi a novidade que enxerguei nesse filme.

Tina Lopes disse...

Certíssimo, Ricardo, li numa crítica que Almodóvar rompeu com sua própria estética e tradição com A Pele... mas vi isso mesmo no Fale com Ela. Eu, particularmente, não gosto desse filme por implicância com os atores, aquele homem que não parava de chorar, o enfermeiro, enfim, uma coisa particular, mas convenhamos que era um filme original e com direção firme.

Caminhante disse...

Tenho uma lista negra de atores que me fazem nem perder tempo com um filme. Essa Keira Knightley está nela. Tom Cruise tbm, olha que todo mundo adorou o Último Samurai e eu não. E o cara que fez George, o Rei da Floresta. E aquela modelo Yoyoviti. (nem me darei ao trabalho de pesquisar)

Quanto a esse Almodovar, posso esperar tranquilamente chegar na TV a cabo. Mesmo porque o Luiz nem gosta. Me identifiquei totalmente com essa coisa de não costumar ir ao cinema e tal. Também não costumamos ir (provavelmente por motivos diferentes) e quando vamos tem que valer mesmo a pena.

Renata Andrada disse...

Também já gostei mais do Almodovar, hoje ele não me empurra mais pro cinema. Acho que os filmes dele estão ficando forçados demais. Mas de Vanilla Sky eu gostei, hehehe.

trombone com vara disse...

Assino tudo o que voce e o Ricardo C falaram. Almodovar já disse tudo o que tinha a dizer.

Augusto disse...

Não assisti ao novo de Almodovar farei como alguém aí já disse e também vou esperar chegar na TV a cabo.
A minha roubada fica para "A Vila" de M. Night Shyamalan. Esperava muito mais, poré, foi mais um filmes que mostrou que o diretor virou refém de si mesmo e não consegue inovar, um saco. Nem mesmo o elenco (de peso) foi capaz de salvar o filme. Uma merda!