sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Paris é uma festa, sim

Eu disse que era sexta? Não, não, era um sábado. Assim como lá, também aqui me confundi toda com os dias em Paris. Então não fomos ao Louvre na sexta, e sim no sábado. Acordamos no domingo com aquela sensação de taquicardia, meu deus, é o último dia em Paris! Como pode? Tanto por fazer – porque na segunda-feira só daria tempo pra pegar a van pro aeroporto e de lá, seguir para Roma.
Então era hora de correr em busca do tempo perdido. O que você faz quando tem uma cidade imensa e maravilhosa pra explorar em apenas um dia?

Vai ao túmulo mais próximo, claro.

Seguimos logo cedinho para o Panthéon, a duas quadras, praticamente, do hotel.

Já contei que Mr. Lopes é rousseauísta juramentado desde criancinha. Quando nos conhecemos, eu datilografava resumos e trabalhos intermináveis sobre Monsieur Jean Jacques Rousseau. Não entendi muita coisa, confesso, porque meu interesse filosófico era só disfarce pra sacanagem (nosso código secreto era “vou resumir um Parmênides”).

Bem, Rousseau está enterrado no Panthéon, eu nem me iludia de que fugiria desse programa. Não esperava muito – um mausoléu com um povo famoso enterrado lá, umas cruzes, umas estátuas, ops, esculturas, e segue pro sol.


Saímos cedo, tivemos de esperar que abrissem as portas (não essa)

Acho demais que o Panthéon tenha sido construído para ser uma catedral e no meio do caminho, a Revolução o tenha transformado num templo pagão (será o termo correto? laico, talvez) para abrigar e homenagear os principais pensadores da pátria. Sem cruzes, sem choro nem vela. Mas de uma imponência digna de culto: a construção é magnífica, impressionante. E gelada como um freezer.

Como no caso de quase todos os locais que visitamos na Europa, já tínhamos lido a respeito e saberíamos mais ou menos o que nos esperava. Porém eu havia esquecido do Pêndulo de Foucault! Foi um choque. Entrar e dar de cara com uma experiência científica de duzentos anos, pendurada na abóbada mais alta, jogando na nossa cara a rotação da Terra. Sem contar que li O Pêndulo de Foucault, de Umberto Eco, quando tinha uns 16 anos – Dan Brown, amores, é para os fracos.


 Adorei descer à cripta para ver os túmulos. Achei sombrio, achei cult. Rousseau, Voltaire, Victor Hugo, Emile Zola, Saint Exupéry! E achei Marie Curie, a única mulher ali enterrada por seus próprio méritos (tem outra, mas só porque é esposa de um engenheiro, coisa parecida, e não queria ficar longe do marido nem após a morte, imagina que mala).


 O túmulo do Rousseau é o mais simplinho (Ici repose l’homme de la nature et de la verité)


Na cripta da Marie Curie (boca aberta mas é a única foto em que dá pra ler a inscrição) - aliás, uma das poucas com flores.


Victor Hugo e Emile Zola descansam juntos (fiquei lembrando da cena do enterro de VH em Camille Claudel, saca?)


As esculturas, pinturas e arquitetura do Panthéon são maravilhosas. Então foi, assim, mais do que um passeio a um monte de túmulos; foi pura emoção artística e intelectual, se é que isso tem sentido. E lá se foram quase duas horas quando a idéia era de ficar no máximo 20 minutos.

Seguimos dali pras margens do Sena. O rio nos atraía: para qualquer lugar que fôssemos, sempre queríamos andar às suas margens. Porque é bom demais passear à beira de um rio limpo, caudaloso, vivo. A gente aqui na Brasil não tá acostumado a olhar para os rios, muito pelo contrário. No Sena as pontes são obras de arte; obviamente fiz fotos na Pont Neuf – mesmo nunca tendo assistido ao filme Os Amantes da Pont Neuf. Mas os cadeados da Pont Des Arts são muito mais românticos – você sabia que as grades dessa ponte são cobertas por cadeados de amantes/namorados? É uma tradição: os casais penduram os cadeados com suas iniciais e jogam as chaves no rio, para ficarem juntos para sempre - OWN! Mas eu não tinha cadeado comigo.

Seguimos inspirados pelos filósofos e cientistas mais importantes do Ocidente, não é pouco, hein. Foi um lindo domingo de sol e ficou ainda mais especial depois que descobrimos pra que serviam umas caixas de metal instaladas à beira do rio – tínhamos estranhado, caipiras que somos, a existência desses caixotões verdes, fechados a cadeado, em alguns pontos dos muros das margens do Sena. “Que coisa feia, estraga a paisagem”, reclamamos. Cogitávamos que pudessem ser depósitos de materiais dos barcos, ou grandes lixeiras de recicláveis, ou de equipamentos de trânsito. Surpresa: eram bancas de livros, postais, cartazes, souvenirs. Mas principalmente, livros. Aí lascou a pressa de chegar ao Museu D’Orsay: como poderíamos, com aquela feira tão charmosa ali, sob o sol?




No D’Orsay não são permitidas fotos. Mas o que eu vi por lá, ainda está aqui comigo. Novamente, um museu que te permite ficar a dez centímetros das obras expostas (claro que você passa antes por detectores de metal e revistas, como no Louvre, detalhe que tinha esquecido de contar). Mas lá, gente, eu vi o auto-retrato do Van Gogh. O Almoço na Relva, de Manet – que é um quadro gigantesco, fantástico, à frente do qual eu passei pelo menos 40 minutos e sobre o qual tenho uma tese revolucionária que não conto porque ainda vai me tornar rica (huahuahua).


O D’Orsay é o meu ideal de museu. Não é gigantesco como o Louvre, que tem de tudo e te faz querer sentar e chorar porque nunca vai vencê-lo. O D’Orsay é generoso, te dá tudo do melhor, maravilhosamente distribuído, com iluminação perfeita, espaço para a admiração e racionalidade, como por exemplo, na exibição da Olympia, de Manet, e ao lado a releitura deste quadro feita por Cézanne.

A arte é emocionante e o dia, como todos, acabou rápido (o sol se põe em torno das 16h nessa época). Depois que o museu fechou, o que fazer na nossa última noite em Paris? Lamentar, jamais: viver Paris. Então andamos, andamos, andamos. Demos com a cara nas portas de Lês Invalides, do Grand Palais e do Petit Palais. Passeamos novamente pela Champs-Elisèes, nos perdemos, voltamos, até pegarmos o comecinho da Boulevard Saint German, onde ficam os cafés freqüentados por Sartre e Simone de Beauvoir. Fiz fotos ao lado do café mas não tivemos coragem de ficar por lá: muito caro e meio hostil a turistas, pelo menos naquele horário.


Andamos andamos e nos demos conta que durante todo esse dia tínhamos apenas tomado o café-da-manhã no hotel e mais um café com muffins no D’Orsay. Já eram umas 22h quando chegamos a um restaurante muito simpático, o Café Danton. O garçom também era simpático. Pedi uma omelete, pois não queria dormir mal – amanhã era dia de pegar vôo pra Roma, sabe como é. E. e nossos companheiros de viagem pediram o prato tradicional, canard a l’orange – um pato mirrado, sendo que um deles, manco. Uma refeição francesa, daquela que você curte mas sai da mesa com fome. Pedimos um vinho. O garçom lindinho e simpático nos orientou muito bem sobre a carta. Vamos experimentar outro? E outro? E OUTRO? 




Daí não lembro de mais nada. Quem pagou a conta, como chegamos ao hotel, não sei. Me contaram que eu ri o caminho todo. Sei muito bem que cuspi o Engov oferecido pelo E. Acordei passando muito mal, mas ainda não quebrei meu recorde de 6 anos sem vomitar.

A van iria nos pegar às 9h para levar-nos ao aeroporto de Orly. Às 8h30 acordamos, E. foi tomar banho, comecei a arrumar – entre gemidos e tonturas – a mala. Só conseguia me concentrar  no seguinte: “não posso esquecer minha base no banheiro, não posso esquecer minha base no banheiro”. Às 9 e pouquinho um dos nossos companheiros de viagem bate à porta, desesperado: “o cara da van taí e diz que só espera mais 3 minutos”. Foi uma correria horrível. Porque simplesmente nossa ficha ainda não tinha caído. Que íamos embora de Paris. Acho que foi uma coisa inconsciente. Bem, descemos enquanto o outro casal arrumava as coisas, brigamos com o motorista indiano, absolutamente grosseiro (eu até daria alguma razão, mas o problema maior era que ele estava atrasado pra pegar outro casal de brasileiros em outro hotel).

Eu quase vomitei na van mas mantive o recorde. Curamos a ressaca, mais ou menos, esperando o vôo para Roma. Mas isso fica para o próximo post.

Adieu, Paris, te amo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Paris, 1 e 2 ou: um olhar deslumbrado e caipira, mas que é só meu

Primeiro dia em Paris foi uma primeira noite. Culpa da empresa aérea que será devidamente processada ainda nesta semana. Mimimi rapidinho: íamos chegar por volta de meio-dia, pois sairíamos à meia-noite, 12 horas de viagem, desconta 3 horas de fuso-horário, mais o tempinho pra encontrar o hotel... então lá por 13h já estaríamos comendo um belo baguete a caminho de um dia e noite praticamente inteiros em solo francês. Mas não. A companhia – aquela com 3 letras, a mais cara, não a do nome de futebol – avisou em cima da hora que nosso vôo foi cancelado porque o avião estaria “em manutenção” (mentira, tinha poucos passageiros e juntaram dois vôos em um só) e teríamos o prazer e o privilégio de sermos levados a um hotel em São Paulo, para dormir até as 3h30, pois às 4h um ônibus nos levaria para o check-in no local às 5h e pegar um novo vôo às 7h. Ou seja. Passamos, além do ódio e tudo, o dia todo voando. O Dia que Perdi em Paris. Quanto vale um dia em Paris na minha vida? Eu que esperei 40 anos por esse momento? Só o Juizado de Pequenas Causas poderá dizer.

ENFIM.

Chegamos então entre 19h-20h. Você sabia que o aeroporto Charles de Gaulle é tão grande que existe um metrô dentro dele, para você ir de um terminal a outro, ou para ir aos estacionamentos? É grande demais. Incrível. Então fomos nesse metrô ao outro ponto do aeroporto onde se pega o metrô pra cidade, mesmo. Lá, levamos um tempo para entender onde e como comprar os tickets. Sabíamos onde descer para chegar ao hotel, deu tudo certo.
Uma vez no hotel – fiquei feliz por ter wi-fi no quarto, pra usar skype e falar com a Nina – rolou leve stress com porteiro mal educado, chegamos ao quarto, deixamos as malas e fomos procurar onde jantar. Era uma quarta-feira, mais de 22h, havia poucas opções e jantamos perto do hotel. Dica: não pense em comer carne na Europa, no inverno. Eles são bons em embutidos, massas, pratos tradicionais de peixes e aves. Estranhei demais a calefação, que deixa o quarto extremamente quente; como não sabia alterar a temperatura e como o porteiro da noite era muito estúpido, cometi uma idiotice pra poder dormir: liguei o ar condicionado.
Depois de um café-da-manhã maravilhoso, cheio de queijos, pães, baguetes, café de verdade e nenhuma fruta, finalmente fomos turistar em Paris. Estávamos perto de Notre Dame, então foi nossa primeira parada.


O que dizer de Notre Dame? É fantástica. E rústica, mais do que eu poderia supor naquela altura – ainda passaria por dezenas de igrejas muito maiores, mais iluminadas, com obras de arte mais importantes ou mais ricas. Mas é impressionante. Tem os gárgulas. A vista de Paris. De lá vi a Torre Eiffel pela primeira vez. Tem o sino do Corcunda. A estátua para Joana D’Arc. A história toda de quase-destruição (chegou a ser vendida para uma empresa demolidora e foi salva em campanha de Victor Hugo). E eu passei no teste que definiria o resto da viagem: não virei pó dentro de uma igreja.

à Como se trata de uma igreja em atividade, não se paga para entrar, mas paga pra subir – foram seis euros, se não me engano. Vai anotando. Fotos internas: permitidas, sem flash (fica uma droga, fazer o quê).






Continuando o passeio, fomos ao prédio lindo que fica em frente à praça de Notre Dame, e eu não sei até hoje do que se trata – se é governo estadual, municipal, prefeitura, como chama. Coisa assim. Ali pegamos o ônibus tipo hop-on hop-off, aquele ônibus de turismo mico, aberto, com microfones para explicações sobre o trajeto. Bota outros seis euros na conta (acho). Escolha ouvir em espanhol ou inglês: a narração em português de Portugal é impossível.


É emocionante, de repente, se aproximar do Louvre, do Arco do Triunfo, entrar na Champs Elisées. Meu coração peludo não me permitiu chorar, viu. Como não conseguimos ser rápidos em Notre Dame  (drama recorrente – sempre combinávamos “vamos conhecer tal lugar rapidinho” e dá-lhe hora e meia babando). Chegamos à Torre Eiffel no final da manhã.

Fotos do tipo panorâmica da Torre Eiffel todo mundo aqui já viu, né? Então fique com essa, da fila pro elevador.


Fato: a Torre Eiffel é a Torre de Babel moderna. Mais do que em qualquer outro lugar, lá você ouve todos os sons do mundo todo. Mas devo confessar: o “caraca” do Brasil se destaca.


Fomos só até a metade da torre porque o topo estava fechado para manutenção (karma). Mas eu até dei graças aos céus porque não sei se teria coragem de subir mais. Presenciamos grosseria de estrangeiros na lojinha da torre – as lojinhas de locais turísticos foram nossa perdição. Não gastei em cosméticos; em roupas, muito pouco e só na metade da viagem (esse casaco cinza não me agüenta mais), mas de cada uma, levamos pelo menos um lápis. Aqui o gasto foi com a famosa Torre encomendada por dona Nina. E um ímã de geladeira.

Aí começamos a andar e não paramos mais. Exploramos a região (Camps Du Mars), seguimos pela Champs-Elisèes, entramos em algumas lojas – experimentei mil esmaltes na Sephora, admito – e Mr. Lopes achou um livro raro na Virgin, mas achou que poderia encontrá-lo mais barato em sebo e não levou (depois teve que voltar). Passamos pelo Arco do Triunfo, claro, mas minhas fotos de lá ficaram péssimas, não sei bem por quê. E eu não tinha sido ainda picada pelo bicho das fotos, estava na vibe “vou apreciar mais e documentar menos”. Daí choveu. Compramos garrafinhas de 500 ml de vinho num mercado tipo Americanas e fomos felizes e ridículos, bebendo do gargalo, às margens do Sena. Mas tava um frio do cão.


(na foto, já de cabelo ensopado, com o Museu D’Orsay ao fundo)

Apesar das mil dicas enviadas carinhosamente pelas amigas, jantamos mal novamente (nunca estávamos perto dos locais recomendados) – é óbvio mas na hora não parece, então não custa reforçar: fuja do menu-turista em qualquer país – chegamos ao hotel e tivemos um pequeno momento de desgosto com o banho. O espaço do chuveiro era minúsculo. E o esquema é de duchinha, que você tem que pendurar. Foi assim em todos os hotéis, um saco.

Então que nosso primeiro dia pode até parecer mal aproveitado, mas foi um dia de ambientação, de reconhecimento de espaço. O suficiente para confirmar que as francesas não andam, elas desfilam pelas ruas. São lindas. Não há uma atendente de farmácia (como exemplo, nada contra, né) que não esteja com as unhas, cabelos e maquiagem em dia. Fala-se tanto da suposta grossura dos franceses, mas com exceção do porteiro e de um ou outro dono de loja que não curte dar informações, a maioria deles é distante,  até fria, mas educada e te olha nos olhos. Há ainda os muito simpáticos e esforçados. A maior parte dos funcionários de lojas, restaurantes etc. falam inglês ou espanhol, ou ambos. As ruas são limpíssimas e quero muito entender onde eles jogam as bitucas de cigarros, porque só falta os bebês fumarem naquela terra – e ainda assim não há bitucas à vista (meu cabelo ficou ótimo em Paris - talvez pelo ar seco, mas fedia cigarro como há anos não acontecia!). O trânsito é civilizado até onde parece caótico: basta um pedestre incauto surgir numa rotatória, que todos dão espaço e tempo para chegar a salvo à calçada. Eu sei. Fiz muito disso.

A impressão é de que tudo o que se fez em Paris foi registrado. Onde mais haveria uma placa explicando que ali viveu um inventor de um país tropical? Pois encontramos a placa da casa do Santos Dumont em plena Champs-Elisèes, entre duas lojas (eu sei que Dumont voou em torno da torre, tá). A foto está na câmera de nossos companheiros de viagem, depois atualizo e insiro aqui.

Deu pra perceber que eu me apaixonei, imagino.


DIA 2

Sempre combinando “amanhã, no café, às 7h30” (viajar com pouco tempo é um trabalho que exige disciplina), começamos cedo o dia seguinte. Destinos: Louvre e Palácio de Versalhes – um passeio com guia que já tinha sido pago antecipadamente. O plano era passar a manhã no Louvre, depois seguir à tarde pra Versalhes e voltar pro Louvre à noite. O ingresso do museu é válido por dois dias. PORÉM esquecemos da barbeiragem que a "T_M" fez com a gente e simplesmente não lembramos que não era quinta, e sim sexta-feira. E o Louvre fecha às 18h às sextas. Mas logo cedo não tínhamos nos dado conta.
Lembre que fomos a todos os lugares, sempre, à pé. Metrô e ônibus, nem pensar. Queríamos sentir o cheiro das ruas, andar na margem do Sena, que é hipnótico: limpo, navegável, atraente. E a cada praça, uma parada, uma estátua (ops, escultura, Cristina, escultura), uma ponte, uma placa, um marco, todos lindos, gigantescos, impressionantes. Andar por Paris é demais.
A manhã no Louvre voou e vimos muito pouco, claro. O museu é perfeito. Além do prédio magnífico (vou começar a repetir os adjetivos logo), as obras são espalhadas em salas de cores diferentes, que não brigam com as luzes, que por sua vez não jogam brilhos inconvenientes (diferentemente dos museus da Itália, mas fica pra outro post) sobre elas. Eu e minha trupe tivemos momentos de reflexão, admiração, emoção, profundos. E de muita palhaçada, também. Porque em Paris você é deixado absolutamente à vontade com as obras. É incrível! Os guardas, não sei como chamá-los, são discretos e apenas pairam sobre as salas. Se alguém abusa, chega perto demais, eles surgem de repente, discretamente, e com gestos elegantes, põem o abusado em seu lugar. E no Louvre ainda pode fazer fotos – até com flash.


Impossível de caber numa foto, por fora


Impossível de caber numa foto, por dentro


Que palhaçada, Cristina.

Vermeer, seu lindo.

Aposentos de Napoleão 3º, vamos jantar?


Vitória da Samotrácia. Se essa estátua – ops, escultura – não diz nada pra você, beleza. Mas eu chorei, mui discretamente, quando a vi. Ou melhor, quando corri até ela. Porque pra mim é o símbolo de “Cristina conseguiu fugir”. Quando eu estava na escola no interior, era a foto dela que me impressionava no livro de história, e a descrição: “A Vitória da Samotrácia está na escadaria do Louvre”, e eu lia e pensava, putz, nunca vou ver. E vi. E chorei, ora.

A turba e a Mona Lisa.

Eu, o cantinho e a Mona Lisa.

Ainda exploramos várias outras alas, interagimos com estátuas – ops ESCULTURAS – mas por hoje chega de Louvre, né? Eu podia fazer um blog só dele. Fomos, portanto, meio mal humorados e arrependidos de termos feito o pacote, para Versalhes. Tsc, tsc, hereges. Foi muito bom. Lembre que eu estava acompanhada de professores de Filosofia e de História da Filosofia, né? Então.

Fomos de ônibus, com uma guia francesa que falava em espanhol e inglês. Meu microfone estragou, mas tudo bem, consegui acompanhar as explicações. Emocionante. Você já sabe tudo sobre aquilo – os abusos do Rei Sol, de Maria Antonieta, dos 2.500 nobres e 3 mil empregados que viviam naquele palácio magnífico. Mas daí você sente nas texturas e nas reconstruções do que foi Versalhes, a revolta dos burgueses e do povo. Você faria parte da revolução. E séculos mais tarde, seria uma francesa explicando que na Praça da Concórdia não se faz fotos de casamentos ou festas porque ali foi assassinada uma rainha (além de outros milhares). Orgulho e ódio, incoerentes, tudo junto em cenário de cinema.


Vídeo na sala dos espelhos.

E isso foi só o começo, falei que eu precisava de tempo pra postar? Vou deixar então uma cena do próximo capítulo, ops, post.

Próximo capítulo: vexame no Boulevard Saint German (esta foto será deletada em 3, 2, 1...)