sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Cosmos


Eu nem lembrava mais, mas minhas amigas, que estão há anos-luz na minha frente, me fizeram encontrar os vídeos da série Cosmos, de Carl Sagan. Eu via alguma coisa quando era pequena - mas passava meio que na hora da queimada, acho, porque nunca segui com rigor. Ou talvez a transmissão da Globo falhasse, na época - quando a Tupi pegava melhor no interior, imagina só. Bem. Taí um negócio que, a despeito dos efeitos especiais sofríveis, vale a pena ver de novo.

(mostrei pra Nina e ela gostou das imagens, mas dormiu no meio - tá certo que já era mais de meia-noite...)


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Mea culpa


A pessoa faz dieta e dá aquela escapadela básica num momento de stress ou, simplesmente, porque quer se dar ao luxo de experimentar um prazer - um doce, uma massa, algo que não cabe no cronograma dos pontinhos diários. Aí se corrói, se sente mal e, pra não sofrer tanto, acaba abandonando o programa todo.

Chega o frio intenso, a família acende a lareira e se delicia com sopas incríveis, se encolhe toda debaixo de um bom cobertor, agarradinhos pra esquentar. Mas é um prazer envergonhado, pois sabem que lá fora há outras pessoas morrendo de frio, sem cobertas ou casa pra morar.

Uma senhora é assaltada no ônibus e, além do trauma, se lamenta por ter perdido os documentos todos, em vez de carregar apenas cópias autenticadas deles, como os telejornais sempre aconselham.

***

Certa vez fiz um post aqui sobre o frio e estava refletindo recentemente sobre ele e a carga de culpa que carregava. Me senti extremamente babaca. Pagamos impostos, votamos em quem acreditamos que vai trabalhar pra reduzir a pobreza, ajudamos o próximo na medida do possível. Sempre se pode fazer mais, claro. Há quem o faça, e são pessoas mais que exemplares (não que a caridade, geralmente, não passe de uma forma de se aliviar a consciência – mas quem a recebe não tem tempo pra questionamento moral).

Mas é preciso haver sempre essa dor envergonhada? A culpa paralisa, deprime, não torna ninguém melhor por deixar-se absorver por ela. Não é um sentimento transformador, é destrutivo. Não é a culpa que vai nos fazer pessoas melhores ou não – mas sim nossa personalidade, nossas iniciativas, nossas atitudes com o mundo. A angústia existencial pressupõe o sentimento de responsabilidade, de tomada de posição na vida - não a culpa pequena, mesquinha.

Isso me lembra um livro do Camus em que o protagonista mata um ricaço – é uma cena forte e marcante, com uma lareira acesa durante o dia quente – e ao sair da casa com o dinheiro da vítima (ou algo parecido), começa a soluçar. E esse soluço o acompanha até quase o enlouquecer, porque não o deixa esquecer-se do que fez e, portanto, nem aproveitar a vida com o dinheiro que acreditava merecer.

O fato é: não adianta. O sofrimento de culpa, sozinho, é inócuo para o mundo lá fora. Não faz diferença.