quinta-feira, 1 de março de 2012

A Virtude da ... Renúncia? Abstenção? Resignação?



Não sei como chamar essa atitude - ou melhor, não-atitude - que pensei em comentar. O gancho é uma cena de Os Sopranos, a melhor série séria de todos os tempos. A terapeuta do mafioso Tony Soprano foi vítima de um homem violento (isso é quase um spoiler mas pô, a série acabou há uns 4 anos, vai ver logo se já não viu) e tornou a encontrar-se com ele. Porém, ela não podia fazer nada para evitar essa proximidade, pois não havia mais medida judicial a ser tomada.
É uma cena muito bacana. A terapeuta está tremendamente incomodada com a existência do fulano, ainda mais assim, perto de si, à vista, à luz do dia. O fato de ele estar vivendo bem, então, era uma afronta. Ela não merecia aquilo. Ele não merecia estar vivo e bem. Aí o Tony, vendo que ela estava perturbada com algo, se oferece para fazer qualquer coisa por ela. Ela é terapeuta do mafioso, veja bem. Ela sabe qual é o trabalho dele e de como ele se livrava das pessoas que o prejudicavam. E ela gostaria muito de agir daquela forma também. Bastava falar para o Tony: "preciso que você se livre de uma pessoa por mim". E pronto. O agressor não viveria mais meia hora depois que Tony saísse do consultório. 
Mas ela respira fundo e diz que não, ela só está tendo um dia difícil, não precisa de nada dele.

Que virtude é essa? Você saber que pode sacanear, prejudicar, ferrar com alguém - mereça ou não - e simplesmente deixar passar? 


14 comentários:

Caminhante disse...

Eu acho que dá pra pensar por vários ângulos. Poderíamos falar que foi uma Grandeza a dela, de ter optado pela ética com quem um dia não foi com ela. Mas também poderíamos pensar que é uma responsabilidade pesada demais ser o mandante da morte (ou violência) contra alguém. Por esse lado, alguém poderia dizer que ela foi Covarde.

anna v. disse...

É uma discussão interessante. Pode-se dizer que ela se resignou às falhas do sistema (judicial), que deixou o criminoso em liberdade. Afinal, a justiça com as próprias mãos também é uma forma de justiça.
Mas, vamos e venhamos, a dra. Melfi sempre foi cheia de problemas. Apesar de muito lúcida e sempre muito ética.
Os personagens principais dos Sopranos são complexos, o que talvez explique parte do sucesso da série.

Rita disse...

Integridade?

Tina Lopes disse...

Boa, Rita.

Disfarçada disse...

Como classificar essa atitude é o que me pergunto. Talvez a Rita tenha chegado no âmago da coisa, integridade. Mas alguém pode chamar de abnegação, acomodamento ou, medo.
A pensar.

MegMarques disse...

Abnegação, foi a palavra que me veio à mente e q a Disfarçada já pôs na roda.

Acomodamento, acho q não. Ela está incomodada, não acomodada.

Medo, também acho q não. Do que ela teria medo ao se livrar dele de maneira tão fácil?

Integridade e Grandeza, fazem parte do conjunto de cararcterísticas dos Abnegados.

bjos

Naty disse...

abnegação. e craro: caráter.

Mari Biddle disse...

O medo faria com que ela fizesse exatamente o contrario do que ela de fato fez - pediria ajuda ao Tony.

Acho que ela é integra e santa.

Verônica disse...

íntegra e santa. eu não sei se agiria da mesma forma nas mesmas circunstâncias.

ludelfuego disse...

Integra como disse a Rita. Sempre ouvi que o poder corrompe, esses dias ouvi que o poder não corrompe, o poder revela.

Raiza disse...

Boa questão.Eu acho que,por um lado,ao perdoar ou deixar passar,você ganha poder,tipo "sou mais forte,não vou me abalar".Por outro lado,o não fazer nada pode ser uma atitude covarde.De não querer lidar e assumir com o lado vingativo que se tem.Eu acho que tem que se analisar o que vai trazer menos perturbação,deixar passar ou se vingar (lembrando que às vezes deixar passar pode ser fatal).O que eu faria no lugar da terapeuta? não sei.Mas não julgo quem resolvesse se vingar não.Não sou muito adepta desse negócio de dar a outra face.Sabemos o que aconteceu com o cara que deu a outra face.Então,eu não sei se deixar passar é uma virtude não.Mas ainda assim,não sei o que eu faria.

leila disse...

tem o lado perigoso de passar a ter ums divida com o sopranão. acho que ela foi prudente

Patricia Scarpin disse...

Presencio uma pessoa escrota cometer atrocidades há mais de 20 anos e nunca vi nada de ruim lhe acontecer. Hoje, neste momento, depois de tudo que vi não sei se teria integridade desta mulher. Infelizmente.

Fatima Valeria disse...

Estou naquele momento "pressão esmagadora", aditivada por uma TPM, portanto, se um Tony estivesse na minha frente e me questionasse, não sei o q iria responder rsrs!!
Bom, me lembrei de um texto (peça -representada em 1532)intitulado "Todo Mundo e Ninguém",de Gil Vicente são dois personagens mediados por Belzebu, em um trecho:
Ninguém: E agora que buscas lá?

Todo-Mundo: Busco honra muito grande

Ninguém: Eu, virtude, que Deus ordene que a encontre já.

Belzebu: Outra adição: escreve logo aí, que honra Todo-Mundo busca e Ninguém busca virtude.

Etâ mundão velho!!
Abraços