segunda-feira, 4 de junho de 2012

Gênio é outra coisa

Vou contar uma coisa constrangedora. Mas é necessária. Veja bem. Seu filho, sua filha, não são gênios. Provavelmente. Eles têm 5 anos e gostam de Led Zeppelin? Ou alguma banda indie que só você e seu grupo de amigos conhece? Legal, foram bem ensinados a gostar disso. Se você morasse na roça e só tivesse um radinho de pilha, eles ouviriam o que toca na AM e também fariam graça, repetiriam os refrões, imitariam os artistas. Quem sabe imitassem o Tiririca ou rebolassem feito as atrações do Faustão.

Ou então seus filhos abominam a Xôxa. Ótimo, eu também doutrinei a Nina a não gostar da Xôxa. Aliás, ela a confunde com a Ana Maria Brega, porque não as assiste em momento algum. Veja bem. Eu, meu meio, minha família, determinamos isso. Ela não saiu de repente por aí achando um filme com David Bowie melhor que um com a Barbie - e apesar de gostar da Barbie, ela prefere sim, ver Labirinto. Porque nós apresentamos o filme, a levamos a assistir em silêncio, a ter aquela opção para aquele dia, a prestar atenção.

Nossos filhos amam os livros porque nós damos o exemplo, temos tempo de levá-los à biblioteca e dinheiro para pagar uma escola que o leve a valorizar a leitura. Porque compramos gibis, álbuns, cds. É maravilhoso que dê certo e eles descubram a literatura, lógico. Que bom que os ensinamos.

Eles não têm bom gosto - e como esse termo é equivocado - porque nasceram assim. Não são serezinhos iluminados porque mimetizam nosso comportamento. Isso não os torna gênios. Só bem amestrados - educados, enfim. Até que um dia essas preferências serão mesmo do gosto deles. Ou eles vão nos contrariar, buscando referências completamente opostas.

16 comentários:

Rita disse...

Compartilhado.

Deh disse...

uau. :)

Caminhante disse...

Acrescenta aí: gostar de dinossauros também não é sinal de que o filho vai virar cientista.

Fatima Valeria disse...

Vamos acreditar naquilo que ensinamos, e quando for a hora da escolha que assim seja.
Sempre tive contatos com "a boa cultura", mas de uns anos p cá conheci pessoas cultas e com "pouquíssimo caráter" e pessoas que tiveram pouco acesso (vide radio AM)e ter um caráter exemplar. Acredito que a educação e a cultura promovem o desenvolvimento do ser humano, mas tem aí algo mais, que faz com que saibamos o que fazer e como fazer com o que aprendemos.E ai fico me perguntando o que será?
Parabéns por não assistirem a Xata da Xôxa!!

luke disse...

é engraçado. os bebês e crianças de hoje são super-estimulados. eles ficam muito espertos muito rápido. é espantoso. por outro lado, nós (nós = sociedade, claro que nem todos fazem isso) os super-protegemos de frustrações, de buscarem conhecimento com interesse (mesmo quando o assunto é tedioso) e não milimetricamente apenas aquilo que cai no vestibular, de darem o melhor de si (basta atingir o mínimo, já tá bom, toma uma estrelinha). de crianças brilhantes saem adultos patetas. eternas crianças prodígio, eternas promessas.
deve haver um equilíbrio entre o proteger e o ensinar. afinal, aprender é sempre dolorido e/ou chato, mas é necessário. e você (e mr. lopes) faz um bom trabalho com a nina, pelo que vejo =)

Grazi disse...

Assino totalmente embaixo. Isso vale para aquelas pessoas que acham os filhos verdadeiros cordeiros imolados, né? À beira da perfeição em todos os aspectos da vida. Que o Universo nos livre desses chatos perfeitinhos. Eu quero mais é que meu filho tenha contato com as coisas mais diversas possíveis e que escolha seu próprio caminho, com as referências que eu proporciono a ele, mas de acordo com seu próprio gosto (mas ai dele se gostar de sertanejo universitário! hahahaha)

Cristiane Rangel disse...

De pleno acordo.
É uma questão de educação. A gente educa e mostra o que pra nós é 'melhor'. Ponto. Depois eles buscam seus caminhos e faz parte de educar deixar que sigam o caminho escolhido. Mas há os que acreditam que os seus são sempre melhores e mais espertos do que os outros. O que ñ dizer daquela mãe que trata a filha de 4 anos à base de maçãzinha, batatinha e cenourinha (inhas e inhos, urgh!) e acha que a menina vai ter gosto musical exemplar pq ouve Ramones?
Gosto é de cada um, e só. E a menina ñ é gênio nem vai ser.
E nós conhecemos bem este exemplo. Bjo

Malu disse...

Eu tenho um filho e uma filha que não são gênios. São geniais e geniosos, é verdade, mas não gênios. Constantemente me ensinam coisas que eu, adulta, às vezes aprendo. Eles riem - e arregalam os olhos - das coisas que descobrem em nosso mundo. Eu sigo séria buscando as respostas. Não ensino nada pra essa gente. Só conduzo.

Anônimo disse...

Imprime isso e manda distribuir em frente a todas as escolas de classe média, porque os pais andam precisando MOINTO!

Anouska

Anônimo disse...

E esse teu último parágrafo é ótimo. Os filhos VÃO SIM nos contrariar. Eu li historinhas para o meu a infância toda, ele tinha livrinhos desde que era bebê. Agora pergunte o que ele lê? Só os textos da faculdade - e olhe lá. Eu sou + pra esquerda; ele é + centro. Enfim, as diferenças são tantas. Filhos não são bonequinhos amestrados, né? Eles também fazem as escolhas deles e a gente tem que aceitar - mesmo não sendo as que nós mesmos faríamos. Meu desafio agora é esse. Aceitar que ele não vai andar por todos os caminhos que eu [ingenuamente] desenhei com tanto cuidado para a vida dele. E que bom que é assim! =)

Anouska

Suzi disse...

Amém!

Celina disse...

Perfeito! Que bom que alguém falou e outros tantos alguéns leram.

Nalu A*) disse...

Tentei comentar no dia q vc escreveu, mas não deu, eu adorei isso, muito.

ludelfuego disse...

nao sei a Nina, mas Joao e Bia sao G.E.N.I.O.S, SE COMEÇAR A CONTAR NAO CABE NUM LIVRO.

Tina Lopes disse...

Hahahahahaahaha <3 Lu

Anônimo disse...

discordo plenamente. minha sobrinha é fora do comum, é linda por natureza, mas a inteligência e o bom gosto apurado foram geneticamente transferidos pela tia - eu. Ah, meu filho também é assim.tenho dito :)