Vou contar uma coisa constrangedora. Mas é necessária. Veja bem. Seu filho, sua filha, não são gênios. Provavelmente. Eles têm 5 anos e gostam de Led Zeppelin? Ou alguma banda indie que só você e seu grupo de amigos conhece? Legal, foram bem ensinados a gostar disso. Se você morasse na roça e só tivesse um radinho de pilha, eles ouviriam o que toca na AM e também fariam graça, repetiriam os refrões, imitariam os artistas. Quem sabe imitassem o Tiririca ou rebolassem feito as atrações do Faustão.
Ou então seus filhos abominam a Xôxa. Ótimo, eu também doutrinei a Nina a não gostar da Xôxa. Aliás, ela a confunde com a Ana Maria Brega, porque não as assiste em momento algum. Veja bem. Eu, meu meio, minha família, determinamos isso. Ela não saiu de repente por aí achando um filme com David Bowie melhor que um com a Barbie - e apesar de gostar da Barbie, ela prefere sim, ver Labirinto. Porque nós apresentamos o filme, a levamos a assistir em silêncio, a ter aquela opção para aquele dia, a prestar atenção.
Nossos filhos amam os livros porque nós damos o exemplo, temos tempo de levá-los à biblioteca e dinheiro para pagar uma escola que o leve a valorizar a leitura. Porque compramos gibis, álbuns, cds. É maravilhoso que dê certo e eles descubram a literatura, lógico. Que bom que os ensinamos.
Eles não têm bom gosto - e como esse termo é equivocado - porque nasceram assim. Não são serezinhos iluminados porque mimetizam nosso comportamento. Isso não os torna gênios. Só bem amestrados - educados, enfim. Até que um dia essas preferências serão mesmo do gosto deles. Ou eles vão nos contrariar, buscando referências completamente opostas.