sexta-feira, 8 de junho de 2012

Quase cem mil

Minha nossa senhora. Quase cem mil cliques aqui. Olha ali embaixo do blogroll, o trocinho do sitemeter. Incrível! Por mais que cada clique desses não represente realmente uma boa lida, que seja um exagero do robozinho que os anota. Uau. Quisera ter algo para premiar o leitor número 100.000. E pensar que o primeiro blog, antes mesmo do blog véio, era bem melhor... pelo menos era o que eu achava, até o dia em que tive uma crise existencial e o deletei sem dó. Tsc, tsc. 

Vou tentar caprichar mais pra essa efeméride ;)

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Um dos motivos para minha implicância com Clarice

Na faculdade tinha uma menina linda, mas linda demais, popular, inteligente, loira, sabe como? Invejável, claro. Mas eu não era invejosa, acho incrível isso de mim, visto assim de longe - sério. Se fosse, pode ter certeza que, 20 e tantos anos depois, admitiria. Enfim: ela era louca por Clarice Lispector. Artista, pessoa sensível, delicada e com tempo de sobra, no final do ano ela fez cartões personalizados para praticamente todos os outros 59 colegas da turma, todos com uma ilustração e um textinho de sua autora favorita, escolhidos dependendo da personalidade ou do sentimento que o colega/amigo inspirava. O meu cartão tinha esse texto:

Cisne

Mas foi no vôo que se explicaram seus braços compridos e desajeitados: eram asas. E o olho um pouco estúpido, aquele olhar estúpido só combinava com as larguras do pensamento pleno. Andava mal no diário, mas voava. Voava tão bem que até parecia arriscar a vida, o que era um luxo. Andava ridículo, cuidadoso, o pato feio. No chão, ele era um paciente.


Nossa, como odiei. Ela e Clarice Lispector. Levei alguns meses pra assimilar bem a ofensa. Quem nasce pra pato não chega a cisne. NÃO FORÇA.

(admito que já vinha de antes minha implicância com Clarice e suas frases bíblicas começando com "E isso", "E aquilo..")


PS: A quem perguntou, eu não disse nada à moça não, aliás, agradeci o cartão, fui educada e tentei ver "a beleza" do texto, achei que estava vendo coisas, sendo exagerada. Ou seja, estúpida mesmo. 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Gênio é outra coisa

Vou contar uma coisa constrangedora. Mas é necessária. Veja bem. Seu filho, sua filha, não são gênios. Provavelmente. Eles têm 5 anos e gostam de Led Zeppelin? Ou alguma banda indie que só você e seu grupo de amigos conhece? Legal, foram bem ensinados a gostar disso. Se você morasse na roça e só tivesse um radinho de pilha, eles ouviriam o que toca na AM e também fariam graça, repetiriam os refrões, imitariam os artistas. Quem sabe imitassem o Tiririca ou rebolassem feito as atrações do Faustão.

Ou então seus filhos abominam a Xôxa. Ótimo, eu também doutrinei a Nina a não gostar da Xôxa. Aliás, ela a confunde com a Ana Maria Brega, porque não as assiste em momento algum. Veja bem. Eu, meu meio, minha família, determinamos isso. Ela não saiu de repente por aí achando um filme com David Bowie melhor que um com a Barbie - e apesar de gostar da Barbie, ela prefere sim, ver Labirinto. Porque nós apresentamos o filme, a levamos a assistir em silêncio, a ter aquela opção para aquele dia, a prestar atenção.

Nossos filhos amam os livros porque nós damos o exemplo, temos tempo de levá-los à biblioteca e dinheiro para pagar uma escola que o leve a valorizar a leitura. Porque compramos gibis, álbuns, cds. É maravilhoso que dê certo e eles descubram a literatura, lógico. Que bom que os ensinamos.

Eles não têm bom gosto - e como esse termo é equivocado - porque nasceram assim. Não são serezinhos iluminados porque mimetizam nosso comportamento. Isso não os torna gênios. Só bem amestrados - educados, enfim. Até que um dia essas preferências serão mesmo do gosto deles. Ou eles vão nos contrariar, buscando referências completamente opostas.