sexta-feira, 24 de julho de 2009


Me peguei sendo omissa, ultimamente, diversas vezes. Faz parte do meu novo eu sábio, quase quarentão. Ainda dez anos atrás eu perdia tempo, amigos, compostura, tudo, por uma boa polêmica. Briguei com tiazinhas lavando a rua em Ribeirão Preto, em nome do meio ambiente; com carroceiros e pitboys, em nome dos direitos dos animais; com comerciantes exploradores, em nome do consumidor; com mães que maltratavam seus filhos e com pregadores da palavra do senhor. Ah, sim, e em favor do PT e dos direitos das mulheres também. Praticamente uma mercenária das causas nobres. Belo dia, até parece que foi ontem, parei. Não consigo mais me envolver em discussões. Nem me interessar, muitas vezes. Não quer dizer que passei a suportar ou admitir maus tratos, racismo, misoginia, muito pelo contrário.
Tudo isso pra contar sobre o furdunço do #lingerieday, na última quarta-feira, pelo Twitter. Eu não percebi exatamente quando começou porque minha rede de relacionamento no Twitter é pequena. Dois caras, que não sigo nem eles a mim, lançaram a campanha do #lingerieday nos avatares. Pra quem não freqüenta o twitter é assim: volta e meia aparece uma campanha, tipo #cartoonday. Também já teve campanha pelo Irã (avatares verdes), pela não-homofobia (arco-íris) etc.
Bem, o #lingerieday foi lançado e surpreendentemente duas blogueiras conhecidas por serem feministas aderiram: a Aline e a Lu. Estou dando os links porque há posts sobre a história toda. A Cynthia, que também é uma feminista tão intransigente (e isso é elogio) quanto a Lola (que se tivesse Twitter ia ter derrubado a rede) questionou o fato de elas estarem se expondo e se “objetificando” ao participar de uma campanha machista. Mais tarde a Mary W. entrou na discussão e pra finalizar, hoje, a Marjorie também fez um post a respeito.
Eu fiquei muito tensa enquanto lia as meninas discutindo. Não digo que dei razão a uma ou a outra. Todas têm pontos de vista muito interessantes sobre a representação feminina erotizada. Gostei particularmente da Aline ter escrito que “a erotização está longe de ser a linguagem corrente da tradição, da opressão, do silenciamento”. E é uma coisa chata do feminismo-clichê que praticamente exige um comportamento casto, de que a mulher “tem que se fazer respeitar”. Essa visão a Lu também rebateu, questionando o conceito de consentimento. Complicado, hein? Isso porque eu nem contei que tem até citação de Foucalt no meio.
Bem, defendendo o ponto de vista da Cynthia, a Mary* e a Marjorie, do outro lado da trincheira, fizeram daqueles posts detonantes, claro – e a Marjorie usou logo o exemplo de um dos meus episódios preferidos de Sex & The City pra demonstrar que as atitudes pessoais não podem ser descontextualizadas - o contexto, obviamente, machista/misógino.
Interessante, não é? Pena que todo esse debate só serviu para que as envolvidas se desgastassem, se chateassem. Não entendo como tantos argumentos de alto nível podem degringolar para uma situação pessoal, de ofensores e ofendidos (e houve até pedidos de desculpas, mas acho que tardios).
Independente do que eu acho da campanha, dos criadores, do cartaz, da participação, do feminismo, da erotização: são mulheres que até então estavam do mesmo lado nessa guerra. Se eu tivesse metade do arcabouço intelectual da pulga na gata de qualquer uma dessas meninas, acho que teria preferido entender a provocação, ou a indignação, da outra. Baixaria o dedo em riste. São mulheres que eu admiro tanto, bacanas, inteligentes, bem-humoradas, humanas e têm, em comum – além do fato de serem donas de gatas – o Feminismo. Enfim, 140 caracteres é pouco, mas suficiente pra magoar.

(e neste caso eu fui omissa, de novo, admito – pois não fiz comentários durante a discussão – mas pelo menos tentei aprender com toda a leitura que deixo pra vocês que estão por fora do Twitter, nos links, tsá?)

*Update: texto editado pq estava enrolado demais.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Olha só



Minhas unhas. All by myself. A pessoa comum e seus dedos cintilantes.



(Sempre com cara de sono nas fotos. E make-up free)

A falta que faz a cultura pop



Essa foi semana passada mas não posso deixar de contar. Chego à noite na escolinha da Nina (agora anoitece às 17h, né), vento cortando, as tias no portão, aguardando os pais e entregando os pacotinhos de mini-gente, chego, dou oi, vejo um cartaz escrito com letra de professora:
“BEM-VINDO INVERNO”.
Leio o acinte e pergunto pra tia do portão (a coordenadora):
- Quem foi a professora Pollyanna que fez isso aí?
- Pollyanna? Não, foi a Juliana.

Pano rápido.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Um show about nothing

Todo mundo que deixa o blog semi-abandonado diz que detesta fazê-lo, e no meu caso é verdade, mas gente. Ando tão sem assunto. Tuitando muito, acho que demais: talvez eu esteja desaprendendo a escrever com mais de 140 caracteres - o que vai me criar problemas profissionais, certamente. O caso é o seguinte. Nada de mais acontece. Bem, a família aqui anda apavorada com a gripe suína, vocês também? Eu não consigo. Não entrei em pânico ainda. No elevador as secretárias dos empresários (eles não, seres superiores não se apavoram em público) contam que não há mais máscaras e que um funcionário daquela empresa em que todo mundo é antipático, do décimo-e-poucos, está com suspeita do vírus. E ainda tenho que aguentar as piadas (do cunhado: "acho que estou com gripe suína, cada vez que eu espirro, eu peid*). Daí o marido quer que a Nina fique em casa durante o período de férias, apesar de a escola dela não fechar e ficar em modo-colônia-de-férias, isto é, só com festa e brincadeiras. Mas eu ainda tenho alguma moral e hoje ela vai porque tem festa da pantufa (vai de croc da Sininho, que foi cara). Iria pra casa da vó, mas convenhamos que avós são legais e tudo mas não dá pra passar a semana desenhando com giz de cera e vendo desenho de Barbie. A Nina sente falta do rock’n’roll dos amiguinhos.

Tenho perdido tempo na academia, também. Eu gosto da tal da endorfina. Além do spinning às segundas, quartas e sextas, musculação às terças e quintas. Detalhe que o-dei-o musculação. Além disso sou cheia de coisinhas que enlouquecem o instrutor. Por exemplo, não faço abdominais porque dói demais minhas costas. Eu sei, eu sei, tem que encostar o queixo no peito pra levantar, tem que isso e aquilo pra não machucar. Mas em algum momento da vida, talvez carregando pilha de Barsa na Biblioteca Pública, talvez empurrando caixa de cerveja na pani, detonei umas três vértebras bem na lombar e a coisa não vai. Daí o carinha quis me fazer experimentar abdominal em cima da bola gigante que é a moda agora. Tinha que esticar os pés e encostá-los na parede e me equilibrar, meio pela bunda, meio pelas costas, na bola. Mas meus pés, os dois, têm o osso do peito trincado. O professor (cof, cof) perguntou como eu fiz isso – Um carro passou pelos teus pés? Hahaha. Até podia. Mas um eu quebrei caindo de uma escada, estatelando o sanduíche natural que tinha comprado no posto, ainda na época de namoro com o digníssimo; o outro foi ano passado, né? Quando a Nina acordou gritando de madrugada, eu fui ver o que era e tóin, a perna estava dormindo e não acompanhou, dobrei o pé e crec.
E acabei inventando outra coisa. Como estou cansando do spinning (se ainda tivesse paisagem pra tanta pedalada – são uns 15km por aula) pensei em fazer boxe. Comentei hoje com o professor de spinning e voilá, ele é professor de Muay Thai. Então vamos fazer aula experimental no sábado.
Não, eu não sei onde quero chegar com tanto exercício. Braços da Madonna, quem sabe?

E já que estou contando vantagem, aí vai uma pra todo mundo mór-rer. Estava eu sentada lindamente (NOT) no salão, tingindo os cabelos, como o faço a cada 15 dias, quando entra um carinha com jeito de mestre-de-cerimônias de baile de debutantes. Foi cortar o cabelo com o meu cabelelê. O mestre ficou me olhando, de longe, e eu me concentrei na Caras porque gente, o jogador de futebol casando todo de branco é hipnotizante. Na hora que acabei, lavada e escovada, fui dar tchau pro cabelê que tava tratando do cabelo do moço. Ele me fala, olha, querida, esse moço aqui quer falar com você. Ok. Adivinha. O cara disse que é “caça-talentos” de uma agência de modelos e queria meu telefone porque – atenção nas palavras dele – “é difícil encontrar alguém com o seu tipo físico, COMUM, entre os 35 e 40, que pode fazer propaganda de Dia das Mães ou de promoção em shopping”. Sutil, o moço. Tão precisando de véia pra fazer papel de mãe de modelo, hahahaah. Eu até dei o telefone mas credo, né, já passei da idade – como qualquer mestre-de-cerimônia pode perceber.

E that´s all por enquanto, folks.

Fora isso teve aniversário da pisada do homem na Lua, as não-sobrancelhas voltaram à moda (eu, sempre na vanguarda), o Dag vai ter bebê e deve ser menina, meninas não alienadas como eu denunciam misoginia e machismo na rede (todo santo dia), o pai do Michael Jackson diz que nunca bateu nele – incrível que alguém queira ouvi-lo – eu aprendi a fazer as unhas, tirando toda a cutícula, mas não consigo ter tempo para pintá-las.

domingo, 19 de julho de 2009

Túnel do tempo

O velório com carne de panela, a pedido da Cris e pra quem não conheceu o blog véio.