Bem, o #lingerieday foi lançado e surpreendentemente duas blogueiras conhecidas por serem feministas aderiram: a Aline e a Lu. Estou dando os links porque há posts sobre a história toda. A Cynthia, que também é uma feminista tão intransigente (e isso é elogio) quanto a Lola (que se tivesse Twitter ia ter derrubado a rede) questionou o fato de elas estarem se expondo e se “objetificando” ao participar de uma campanha machista. Mais tarde a Mary W. entrou na discussão e pra finalizar, hoje, a Marjorie também fez um post a respeito.
Eu fiquei muito tensa enquanto lia as meninas discutindo. Não digo que dei razão a uma ou a outra. Todas têm pontos de vista muito interessantes sobre a representação feminina erotizada. Gostei particularmente da Aline ter escrito que “a erotização está longe de ser a linguagem corrente da tradição, da opressão, do silenciamento”. E é uma coisa chata do feminismo-clichê que praticamente exige um comportamento casto, de que a mulher “tem que se fazer respeitar”. Essa visão a Lu também rebateu, questionando o conceito de consentimento. Complicado, hein? Isso porque eu nem contei que tem até citação de Foucalt no meio.
Bem, defendendo o ponto de vista da Cynthia, a Mary* e a Marjorie, do outro lado da trincheira, fizeram daqueles posts detonantes, claro – e a Marjorie usou logo o exemplo de um dos meus episódios preferidos de Sex & The City pra demonstrar que as atitudes pessoais não podem ser descontextualizadas - o contexto, obviamente, machista/misógino.
Interessante, não é? Pena que todo esse debate só serviu para que as envolvidas se desgastassem, se chateassem. Não entendo como tantos argumentos de alto nível podem degringolar para uma situação pessoal, de ofensores e ofendidos (e houve até pedidos de desculpas, mas acho que tardios).
Independente do que eu acho da campanha, dos criadores, do cartaz, da participação, do feminismo, da erotização: são mulheres que até então estavam do mesmo lado nessa guerra. Se eu tivesse metade do arcabouço intelectual da pulga na gata de qualquer uma dessas meninas, acho que teria preferido entender a provocação, ou a indignação, da outra. Baixaria o dedo em riste. São mulheres que eu admiro tanto, bacanas, inteligentes, bem-humoradas, humanas e têm, em comum – além do fato de serem donas de gatas – o Feminismo. Enfim, 140 caracteres é pouco, mas suficiente pra magoar.
(e neste caso eu fui omissa, de novo, admito – pois não fiz comentários durante a discussão – mas pelo menos tentei aprender com toda a leitura que deixo pra vocês que estão por fora do Twitter, nos links, tsá?)

