quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Redação: Minhas Férias & diálogos infantis


Segunda-feira eu ainda passei no trampo pra organizar umas coisinhas. Mas, te contei? Tô de férias até a quarta-feira de Cinzas. Oh fuckyeah. Arranjando coisas pra fazer. Organizando, agora, coisas da casa - entre hoje e amanhã, a tarefa será replantar a mini-horta (não sei se chama horta, pois só terá ervas) em vasinhos - tem que ser em vasos, se planto no chão, as gatas destróem. Ou pior, fazem cocô em cima.
Falar em gatas, a Mimi arranhou feio a Nina. Tadinha, tá com uma cruz desenhada na carne do bracinho. Mimi anda revoltada porque não dorme mais na cama. Lola, que nunca foi acostumada a isso, não liga muito. As duas ficam esperando a gente abrir a porta do corredor, de manhã, e saem se picando pra disputar as camas. Outra tarefa das férias será levar as duas pra tomar banho - será o primeiro de suas vidinhas porcas: um dos motivos pelo qual as camas estão proibidas - passar remédio anti-pulgas, cortar as unhas etc.
Eu ia pra praia, mas a mãe vai subir, o sobrinho também, e só eu e a Nina numa praia sem atrações é covardia. Mesmo porque, todos sabemos, eu não sou Tempestade Ororo, mas faço chover. A não ser que decida, justamente, não ir à praia. Daí abre um solzão, o que aconteceu right now neste minuto.
Isso me lembra quando eu fumava e pegava ônibus; se o ônibus tava demorando, era só acender um cigarro pra ele aparecer. E só quem teve dinheiro contado pra uns cigarrinhos soltos sabe o quanto dói ter que jogar uma bituca inteira ainda. Mas quando eu estava atrasada e queria que o ônibus chegasse logo, e propositalmente - pra provocar a Lei de Murphy - acendia um cigarro, daí que ele não vinha mesmo. Parei de fumar mas minha relação com o sol nas férias é mais ou menos a mesma.
Daí que ontem, dia de chuva, levei a Nina no shopping porque tem lá um estande com atividades do programa Art Atack - aos sábados e domingos o próprio apresentador coordena as atividades, mas tem que chegar uma hora antes, fazer inscrições e tals. E confirmei algo que venho observando há meses: a Nina é uma matraca mesmo. Não só em casa. Ela simplesmente não consegue parar de falar. Ficou ao lado de uma menininha tão faladeira quanto, mas ao longe, pra lá do cercadinho que separa as crianças concentradas fazendo petecas ou pintando caixas, era só a vozinha dela que eu ouvia:

- Tia, acabei primeiro!
- Sabia que na praia minha mãe brigou com uns moços que tavam tacando pedra no casal de quero-quero que estava cuidando de um filhinho?
- Carne de carneiro é muito gordurosa!
- Minha gata me arranhou, olha só.
- Eu tenho um primo chamado Ricardo que briga comigo!

Etc.

Agora de manhã ela teve um pesadelo e, em vez de me chamar simplesmente gritando "mamãe", acordo com todo um questionamento filosófico: - "Por que eu estou aqui?"

Levei-a pra minha cama e se matem as pedagogas que acham que isso impede o amadurecimento blabla; 3 horas depois ela acorda e não me dá bom dia:
- Mãe, eu tenho uma notícia muito importante e que você não sabe pra te contar.
- ZZZZZzzzzz O quê?
- Água tem gosto. Tem sim. Tem gosto de água.

Pior foi no final de semana, que ela passou umas horas com os primos, cujos pais recentemente separaram. Eles passaram a morar com o pai e a avó, e vêem a mãe nos finais de semana (sim, é de pasmar, e é escolha dela).

- Mãe, você e o papai vão se separar?
- Não, não vamos, por que você pergunta isso?
- Porque se separarem eu vou ter que morar com você a semana toda e passar só uns dias com o papai e isso vai ser chato.
- Não se preocupe, isso não vai acontecer, mas por que você está perguntando isso? Você acha que a gente vai separar?
- É que você briga muito com o papai.

E foi assim que eu perdi a moral, definitivamente.

9 comentários:

Denise disse...

ahahha
quanta coisa legal que você escreveu.
quanto à horta, se vc tiver espaço, o legal mesmo era fazer em "caixas d'água', dessas quadradas, meio antigas, que ficam um pouco alto e vc consegue controlar melhor. sem contar que não vai agaixar (é assim que escreve?) tanto. hahaha (dá pra preparar melhor o solo, fazer um esquema super fácil de espaço para escoar a água em excesso, etc)

E sobre as gatas, já pensou em dar florais? Funciona, pelo menos com o Bóris, meu enteado (hohohoho), deu certo. Acalmou que é uma beleza, depois de me deixar com uma marca na mão.

E a NIna, pelo jeito, é uma fofa. Que delícia! Aproveite as férias! beijão

Vivien Morgato : disse...

Papo de criança é sempre, sempre uma delícia de ler. Ainda mais uma pequenininha falante como a sua.
Quanto a levar para a cama, fazer dormir ali, essas coisas, eu tb fazia...preferia seguir o conselho da minha avô: ela achava que a segurança passada ali, para a criança, ficava para sempre.
Entre pedagogas e avós...voto nas avós.;0)

Rita disse...

hehehe.. veja as coisas pelo lado bom, Tina. Pelo menos se acontecer (toc, toc, toc, never-never-never!!!), ela já decidiu que vai morar com você. ;-)

abçs...

asnalfa disse...

Eu quando crianca tinha essa mesma obsessao da Nina em ficar ressentido em imaginar os pais se separando. Os meus vivem brigando, ficam meses sem se falar e ainda moram juntos. E hoje que ja sou adulto, tenho 25 anos, imagino que eles ficariam melhores sozinhos.
Muito estranho isso.
Bjos.

Tina Lopes disse...

Oi, Denise, eu tô pra arranjar uns florais pra Mimi, sim, boa lembrança. Já a horta tem que ser naqueles vasos de cimento, compridos - é o que já temos. Em caixas d'água eu nunca imaginei! Mas agora Inês, sabe né.

Vivien, será que as pedagogas mudarão quando forem avós? Também fico com elas.

Rita, foi por esse "lado positivo" que tive coragem de contar o papinho aqui. ;)

Asn! Apareceu! Mas a Nina não é obcecada, não - ela pensou nisso vendo o problema dos primos. Nem eu sou tão briguenta quanto fui pintada. Te entendo 100%, também passei muito tempo torcendo pra que meus pais separassem. Acho que hoje em dia não acontece tanto, espero. Os teus aparentemente escolheram viver a vida juntos e ponto final. É uma escolha, a gente se mete até onde entende. Quem sabe mesmo o que rola são eles. Bjk.

Amanda disse...

Oi Tina, muito legal esse post. So tenho um porém: não entendi pq vc disse que a escolha da mãe de deixar os filhos com o pai é de pasmar. A maternidade não é uma prioridade na vida de todo mundo... E mesmo assim ela vai continuar sendo mãe. Beijos!

Tina Lopes disse...

Oi, Amanda, olha, maternidade não é prioridade, mas uma vez escolhido esse caminho, há responsabilidades, e aí tenho que cair no clichê do Pequeno Príncipe: vc é responsável por aquele que cativas etc. Ainda mais quando se trata de crianças. E ela vai continuar sendo mãe, claro, e tenho que dizer: infelizmente. Cada caso é um caso, óbvio. Mas neste, só tenho a lamentar mesmo.

Suzana Elvas disse...

Tina, concordo com a Amanda. Eu mesmo, há certa altura, me questionei se as meninas não teriam ficado melhor com o pai, tal era o estado lamentável da minha cabeça naquele momento.

Às vezes é melhor, sim, deixar as crianças com o outro do que acabar com a sanidade dos filhos em prol da maternidade formal.
Bjs

Tina Lopes disse...

Su, essa história aí é de matar, não tem nada a ver com a sua. Vai por mim.