segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Rosa-claro ao Rosa-choque

Há tempos que tento escrever um post sobre os filmes de Barbie. Isso mesmo. Os açucarados, bregas, cor-de-rosados filmes de Barbie. Porque a Nina não somente tem e gosta de Barbies, como também assiste aos filmes. E sendo obrigada a acompanhar a tortura - pra conferir se o conteúdo é adequado à idade e tals - eu acabei concluindo que se tratam de material feminista e totalmente Girl Power - pra não dizer Lesbian Power mesmo. Duvida? Pois assista e confira: os príncipes são sempre bundas-moles, dominados bruxas vingativas, que acabam salvos por Barbies boas e inteligentes. Claro que há problemas - a Barbie loira sempre é a personagem principal, apesar de haver negras, morenas, latinas, até azuis e todas são cabeludas, lisas, magras: mesmo as más. Além da chatice insuportável das músicas plagiadas dos clássicos mais clichês. No final, são as amigas (mosqueteiras, borboletas, sereias, toda uma fauna) unidas que resolvem todas as paradas e se dão bem - ganham asas, mudam as cores dos cabelos, viram princesas. Não sei de algum que acabe em casamento.

Mas não era sobre isso que eu queria fazer ESTE post. O das Barbies ainda vai sair completinho, com fotos e defesa da tese bem arredondada. Me cobrem. Tá, eu também vou comentar sobre o surto consumista gerado pelos filmes de Barbie.

Eu queria dar continuidade à conversinha via twitter iniciada com a Mari Biddle e que resultou num post muito bacana sobre as tais emulações da infância - quando as crianças copiam o comportamento que vêem. Queria falar nisso porque eu percebo os olhares e os narizes torcidos quando as pessoas vêem o quarto rosa da Nina, ou ela toda vestida de rosa, ou o fato de ela gostar de Barbies, ou ainda de brincar de mamãe-e-filhinho com as bonecas. Porque eu sou metidinha a moderna, né? Não devia permitir que ela fosse tão "girlie", cedendo aos apelos do mercado e tal.

Entendo. Mas não concordo. Não acredito que sua personalidade e seu comportamento virão a ser moldados pelos brinquedos e pelas cores de roupas que usa. Claro que estou falando de uma criança normal, que passa a manhã vendo Bob Esponja e infernizando as gatas, a tarde vai à escola, brinca de correr, pular, polícia e ladrão, pique, passa-anel, faz as aulinhas lúdicas de balé com tanto empenho quanto as de judô etc. Que assusta o primo contando histórias de fantasmas e é louca por gibis. Estou falando da Nina, não de aberraçõezinhas que andam de saltinho e cabelos alisados por aí. Essas são filhas de mães loucas, judiação.

Corta pra uma cena recente. Reuniãozinha com um grupo de colegas do marido, lá em casa. Entre eles, um casal de namorados e a filha da moça. Bebíamos vinho, o namorado quis cerveja. Os copos de vidro estavam em outro cômodo, não me fiz de rogada e servi a cerveja num dos de acrílico (novos, grandes, da Camicado, pô!). Não, eu não sou grande coisa como anfitriã. Dali a 5 segundos a moça me cutucou e pediu, toda discreta: "Cris, arranja um copo de vidro? Fulano não bebe em copo de plástico". A filha dela ali, ouvindo. O Fulano sentadão no sofá. Fiquei choquê. Adianta a moça ser médica com especialidade complicadíssima e ter salário melhor que do namorado, se o comportamento afetivo data de 1956? E a menina que estuda num colégio moderno e tals, mas presencia a mãe fazendo a amélia* pro namorado. Quando penso na cena, me dá um desgosto. Mas não lembro se ela estava de cor-de-rosa.



*Update: acreditem quando afirmo que não se tratou de mera gentileza - atire o primeiro copo quem nunca levou uma cerveja pro folgado no sofá. Neste caso, infelizmente, critico a postura servil.


15 comentários:

Vivien Morgato : disse...

Bingo.

Caminhante disse...

Concordo com você. Se por um lado os homens nos pedem coisas absurdas, mulherada vai lá e faz. Era questão de rir na cara do sujeito e deixar ele com sede.

Bia Badaud disse...

Depende. Se a namorada tem mais proximidade com voces do que o cara, nao vejo problema nenhum em ela ter falado por ele. Ou se ela é menos tímida. Ou se ele não queria incomodar mas ela, conhecendo ele, quis ajuda-lo a curtir melhor a bebida. Nem tudo precisa ter conotação, nem tudo é ou deixa de ser educativo, a guria pode ver a mae fazendo um favor ou sendo legal com o cara, desde que o cara tambem seja legal com ela, óbvio (eu nunca apareço, quando venho é pra ser do contra, desculpe: só to opinando porque gosto do seu blog - e porque os comentários tão abertos, né). Mas vejo zero problema nisso daí que voce contou. Muito pior é casal que fica trocando farpas - ou coisas piores - na frente das crianças etc. Eu acho, pelo menos.

Rita disse...

Oi, Tina.

Eu odeio as Barbies. Odeio mesmo, sabe, tipo implicância, num nível pior do que a que você tem com o Brad Pitt (rá!). A Amanda tem uma só que ganhou no Natal, do tio. Eu não proíbo, ela brinca, mas não incentivo.

Ela adora os filmes - meu filho de 5 anos também. Eu odeio os filmes pelo mesmo motivo que odeio as bonecas, mas também não proíbo, eles assistem e eu me transporto para outro lugar, fica só meu corpo na sala.

O motivo do ódio: o padrão de beleza que inicia a lavagem cerebral tão cedo (sei, existem as barbies negras, azuis, sei lá, mas todas lindas, magras e um tanto quanto erotizadas demais). A Barbie não é uma criança, como a Emília ou a Moranguinho; tudo bem, o Batman também é adulto, mas, como falei, eu implico com ela. Mas disso a gente vai falar no outro post que já estou cobrando.

Quanto ao rosa, larguei de mão e até passei a gostar da cor. Amanda adooora e eu não vou infernizar a vida da menina porque eu não gosto(ava) da cor, tenha paciência, ne. Então ela usa, eu uso, o quarto é lilás, as roupas são 80% rosa e tá tudo certo. Personalidade tão forte que até acho bom esse tanto todo de rosa pra dar uma quebrada na brabeza. :-D

E quer saber, aos 15 anos, meu quarto era inteiramente rosa, com almofadas de coração pelo quarto e poster do Menudo na parede. A diferença, como você demonstrou no post, está muito mais nas atitudes que cercam a criança do que na cor das roupas. Tá bom, parei.

Beijoca, adorei o post!
Rita

Tina Lopes disse...

Vivien, Caminhante, bisous.

Bia, te entendo perfeitamente. O problema é que descrevi mal, mesmo (fiz o post meio numa correria, é a desculpa) toda a cena. Não se tratou de uma gentileza: faço dessas o tempo todo, aliás, eu tinha trazido a cerveja lááá de trás de casa e fiquei com preguicinha de buscar o copo q esqueci. Vivo pegando coisas para o marido, até mesmo qd ele está simplesmente sendo folgado. Lógico que as relações não precisam ser tão duras. Mas nesse caso foi praticamente obediência a um estalar de dedos imaginário. Quanto a me contrariar, puxa, fico tão feliz que você ainda passe aqui pra ler! Pode ser do contra quantas vezes quiser, querida.Bjk.

Rita, comprei minha primeira blusa rosa qd fiquei grávida. Pensei: agora vou fazer tudo diferente. Até então, tinha tremendo preconceito. Ainda tenho um pouco. A Nina é toda cheia de rosa porque convenhamos, as roupas mais baratas de C&A e Renner, pra meninas, são todas rosinha ou amarelo-ovo. Qt às Barbies, entendo tbm o problema do padrão, mas tbm acho q isso pode ser combatido em casa, no papo e na experiência. E vc está certa, proibir é pior. Confesso que me incomoda mais ver a Nina brincando com as bonecas bebês, se fazendo de mãezinha, ninando, mesmo pq ela não tem irmãozinhos e portanto, nenhum exemplo disso. Tenho ganas de dizer - pare com isso, vc ainda precisa estudar muito, hahahahahaah! A louca.

Bia Badaud disse...

Entendi. Foi muito mais a sensação do que o ato em si, né. A gente sente essas coisas pelo olhar da pessoa, pelo tom de voz, se ela está sendo legal ou submissa. Entendi perfeitamente. Sobre ela ser médica, eu, solidária, lembro que o lado intelectual da gente, por brilhante que seja, infelizmente quase nunca sabe ajudar direito o emocional - mas vc já sabe disso. Eu tb me expressei mal: venho aqui quase todo dia, sorrio com a Nina e lamento não poder, no momento pelo menos, sentar numa mesinha de bar com voces. Só que quase sempre passo cansada e apressada e nao comento. Mas to sempre por aqui. :-)

Anônimo disse...

Tina,
quanto ao rosa e as barbies não tem jeito, as meninas gostam, não entendo a implicância. Quando criança eu gostava de bonecas não importa se eram barbies , susis ou moranguinhos, etc(sei lá, hoje em dia é diferente, e posso estar falando besteira, porque não tenho filhas, só meninos). Outro dia mesmo, meu filho de 5 anos falando que não gosta de rosa, porque é cor de menina, mas eu falei que o pai usa cor rosa, ele pensou e concordou: não é cor de menina, rs.
não importa o rosa, a boneca , o ´´buraco ´´ é mais embaixo.
bjs
madoka

Caso me esqueçam disse...

tenho um otimo exemplar de menina que usa rosa e tem o juizo no lugar: minha irma. daquele tipo de menina que aos 3 anos usava maquiagem. o quarto eh rosa, o caderno eh rosa, as roupas etc. mas sustenta isso com naturalidade, sem deixar que isso domine a vida dela. nao eh futil, nao eh tapada. e nao eh porque eh minha irma. acredite, eu morria de preocupacao quanto ao estilo dela, ainda mais depois que ela entrou num colegio caro, daqueles que se voce nao tiver um caderno de 100 reais, voce nao eh ninguem. mas sabe, deu tudo certo. nao poderia nunca relacionar o comportamento dela a cor das roupas, gracas!

Mari Biddle disse...

Tenho horror desses hominhos aleijados que nao podem mover uma palha. Acho tao depre esse comportamento. Esses filhos de 'mae italiana' turn me off completamente. A boa noticia e' que essas atitudes causam questionamento em muitas mulheres. Minha amiga ligou de PA braba demais da conta porque a mae que estava visitando ela, sugeriu que ela passasse a fazer 'o prato do marido'. E olha que o marido e' daqui e ia estranhar demais se ela fizesse isso de servi-lo. Ou ia gostar e pensar 'ah, deve ser coisa de brasileira submissa...la deve ser assim e eu vou e' aproveitar a mordomia'. Porque se folgar, vcs ja sabem, neh?

Eu fui tomboy e passava mais tempo tomando banho de rio na fazenda no tempo das ferias do que brincando de boneca. Lembro de brincar de paneladinha com os primos e primas. As familias das tais paneladinhas eram bem 'anos 50'. Pai, mae e filhinho e nada de casal gay. Uma pena! Hihihi. Emular um comportamento nao traz conseguencias negativas. Eu acho. O que deixa crianca e maes malucas e' essa paranoia com cor rosa e azul. Tai um arco iris todinho e gente endoidando com menina ninando bebes e menino 'dirigindo' carrinhos.

Por hora, comecei a presentear minhas sobrinhas com carros. So' para mudar um pouco o disco.

Tina Lopes disse...

Madoka, a Nina também quase caiu da cadeira o dia que viu o pai de camisa rosa! "Mas pai, é de menina!", ahahahah, daí argumentamos que não e pronto. Quanto às bonecas, eu só tive uma Susi e umas tipo bebês que não gostava. A Susi era desquitada do Feijãozinho, hahahahaah. Era estilista e morava sozinha. Bjk!

Caso Me Esqueçam: cada um é cada um, né? Claro que há ex-paquitas-wannabe pra me desmentir. Bjk!

Mari, eu era tão pouco feminina, cor-de-rosa, que meu pai me achava "esquisita", tipo macho demais, hahahaaha. Bjk

Rubão disse...

Tenho a impressão de que Meguilda compartilha a opinião sobre os filmes da Barbie.

Mas, de resto, tô de acordo contigo. Com o lance da visita afrescalhada e da influência dos brinquedos serem de mínima pra nula na infância de pessoas normais.

Infelizmente, este não é o meu caso, e o tiro saiu pela culatra. Tive um poster do Rambo no quarto quando era criança e, veja, hoje sou um panaca.

Abraço,

r

ditavonclaire disse...

já sei então o que levar pra nina quando for aí pra curitiba afofar ela. hohoho. eu sou tinhosa. adoro rosa e laços e fitas e moças bonitas.
*
*
ah, tina, minha cerveja eu também prefiro em copo de vidro, tá?
beijo, beijo.

Jan disse...

Depois da Nina dançando com uma menina numa festa e, feliz e inocentemente dizendo ´olha, mãe, sou gay", tenho certeza de q qquer cor que ela vista não vai ter influência nenhuma sobre o que está por baixo daqueles cachinhos. ;o)

Carol disse...

Me identifico demais com suas histórias! Tenho um Caetano em casa que adora Ben10, atual ídolo enlatado da piazada. Lembro da primeira vez que ele voltou da escola apertando o relógio e dizendo que iria virar o “Quatro Braços”. Mas como? Em casa eu só comprava gibis e DVDs da Turma da Mônica. Fazer o que? Pelo menos ele tem seus momentos de “Homem Chama” mas equilibra com meu herói favorito, o capitão Cebolinha.

Denise disse...

ótimo post, Tina, como sempre!
=)
Eu brinquei de Barbie durante anos e anos e em toda data especial (aniversário, dia das crianças, natal), ganhava um novo item para a 'casa da barbie'. Eu tinha tudo: desde mesa, sala de jantar, fogão e geladeira a vaso sanitário, cama, roupinhas... meu pai, inclusive, me deu uma casa da barbie, feita por um marceneiro da cidade, em que cabia tudo o que eu tinha... era maior do que eu na época!

O que acho diferente hoje é que este lance todo de princesa continua sendo transmitido para as meninas e vejo nas lojas de departamento somente paleta de cores que variam do rosa e do lilás. Meio sem graça, mas... quem somos nós pra dizer alguma coisa? No meio da vida, vamos aprender mil coisas, ter as nossas próprias escolhas, ver ainda que não escolheu certo e por aí vai, quebrando a cara e aprendendo, sempre...

Então, tem que aproveitar o que quiser aproveitar. Eu não sou uma super mulherzinha hoje, nem sou uma queimadora de sutiã. E vamo que vamo! heheheh