O cara publica meia dúzia de livros, dos quais nem todos são traduzidos em todo canto (no Brasil falta alguma coisa, eu mesma só tenho 3 - e olha que procurei) e se torna, simplesmente, fundamental. De minha parte, espero ansiosa o dia em que a Nina começar a ler O Apanhador no Campo de Centeio.
Quem não gosta, ok. Só não negue a genialidade, porque aí é bater o pezinho, é birra.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Redação: Minhas Férias & diálogos infantis
Segunda-feira eu ainda passei no trampo pra organizar umas coisinhas. Mas, te contei? Tô de férias até a quarta-feira de Cinzas. Oh fuckyeah. Arranjando coisas pra fazer. Organizando, agora, coisas da casa - entre hoje e amanhã, a tarefa será replantar a mini-horta (não sei se chama horta, pois só terá ervas) em vasinhos - tem que ser em vasos, se planto no chão, as gatas destróem. Ou pior, fazem cocô em cima.
Falar em gatas, a Mimi arranhou feio a Nina. Tadinha, tá com uma cruz desenhada na carne do bracinho. Mimi anda revoltada porque não dorme mais na cama. Lola, que nunca foi acostumada a isso, não liga muito. As duas ficam esperando a gente abrir a porta do corredor, de manhã, e saem se picando pra disputar as camas. Outra tarefa das férias será levar as duas pra tomar banho - será o primeiro de suas vidinhas porcas: um dos motivos pelo qual as camas estão proibidas - passar remédio anti-pulgas, cortar as unhas etc.
Eu ia pra praia, mas a mãe vai subir, o sobrinho também, e só eu e a Nina numa praia sem atrações é covardia. Mesmo porque, todos sabemos, eu não sou Tempestade Ororo, mas faço chover. A não ser que decida, justamente, não ir à praia. Daí abre um solzão, o que aconteceu right now neste minuto.
Isso me lembra quando eu fumava e pegava ônibus; se o ônibus tava demorando, era só acender um cigarro pra ele aparecer. E só quem teve dinheiro contado pra uns cigarrinhos soltos sabe o quanto dói ter que jogar uma bituca inteira ainda. Mas quando eu estava atrasada e queria que o ônibus chegasse logo, e propositalmente - pra provocar a Lei de Murphy - acendia um cigarro, daí que ele não vinha mesmo. Parei de fumar mas minha relação com o sol nas férias é mais ou menos a mesma.
Daí que ontem, dia de chuva, levei a Nina no shopping porque tem lá um estande com atividades do programa Art Atack - aos sábados e domingos o próprio apresentador coordena as atividades, mas tem que chegar uma hora antes, fazer inscrições e tals. E confirmei algo que venho observando há meses: a Nina é uma matraca mesmo. Não só em casa. Ela simplesmente não consegue parar de falar. Ficou ao lado de uma menininha tão faladeira quanto, mas ao longe, pra lá do cercadinho que separa as crianças concentradas fazendo petecas ou pintando caixas, era só a vozinha dela que eu ouvia:
- Tia, acabei primeiro!
- Sabia que na praia minha mãe brigou com uns moços que tavam tacando pedra no casal de quero-quero que estava cuidando de um filhinho?
- Carne de carneiro é muito gordurosa!
- Minha gata me arranhou, olha só.
- Eu tenho um primo chamado Ricardo que briga comigo!
Etc.
Agora de manhã ela teve um pesadelo e, em vez de me chamar simplesmente gritando "mamãe", acordo com todo um questionamento filosófico: - "Por que eu estou aqui?"
Levei-a pra minha cama e se matem as pedagogas que acham que isso impede o amadurecimento blabla; 3 horas depois ela acorda e não me dá bom dia:
- Mãe, eu tenho uma notícia muito importante e que você não sabe pra te contar.
- ZZZZZzzzzz O quê?
- Água tem gosto. Tem sim. Tem gosto de água.
Pior foi no final de semana, que ela passou umas horas com os primos, cujos pais recentemente separaram. Eles passaram a morar com o pai e a avó, e vêem a mãe nos finais de semana (sim, é de pasmar, e é escolha dela).
- Mãe, você e o papai vão se separar?
- Não, não vamos, por que você pergunta isso?
- Porque se separarem eu vou ter que morar com você a semana toda e passar só uns dias com o papai e isso vai ser chato.
- Não se preocupe, isso não vai acontecer, mas por que você está perguntando isso? Você acha que a gente vai separar?
- É que você briga muito com o papai.
E foi assim que eu perdi a moral, definitivamente.
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