quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Hipocondríacos não beijam

Pessoal que vem de fora pra Curitiba tem mania de dar 2 beijinhos, aí ficam com o beiço ao vento, porque aqui se cumprimenta com um só e olhe lá. Mas é claro que há exceções. Gente que abraça, apalpa, aperta, encoxa e não desgruda. Marido encontrou uma colega desse tipo na semana passada e é essa que quero contar hoje.

Fato é que casei com o Jerry Lewis de O Bagunceiro Arrumadinho, lembram? Aquele filme em que ele faz um enfermeiro hipocondríaco que sente as dores e males dos pacientes. É o psicopata do álcool-gel. Você mal entra no carro, na saída do cinema, do mercado, do trabalho, ele já te espirra álcool nas mãos.

- Ai vai me estragar as unhas!
- Mas e a gripe A! É um perigo!
- Eu já me vacinei pra não ter que destruir as mãos com essa porcaria!

E assim levamos. Daí Marido encontrou, ou melhor, foi encontrado por essa ex-colega, pra quem havia prestado um favor um tempo atrás, substituindo-a em aulas ou coisa parecida. A senhora (Marido não tem amigas jovens e bonitas, segundo ele, todas as professoras são sempre senhoras feias e matronas, aham) o viu de longe, deu uma corridinha e o agarrou. Ela já tem fama de agarradeira e ele já sabia o que o esperava. E ela caprichou. Abraçou, encoxou, apertou as bochechas, chegou pertinho pra falar, ficou de ladinho segurando a cintura do Marido.

- Ai, professor, tenho tanto pra te agradecer, me ajudou tanto com aquelas aulas ano passado!
- Imagina, professora, foram só umas aulinhas, não foi nada!
- NÃÃÃOOO, foi muito importante, você não soube o que me aconteceu?
- Não...

Aí ela chegou bem perto, apontando para os membros que ainda estavam em função do abraço, e gritou no ouvido do Marido:

- Passei 3 meses em coma! Perdi o movimento deste lado todo! Quase morri!
- É mesmo? Que horror? E teve o quê?
- HERPES CEREBRAL!

Visualiza agora um balãozinho de pensamento sobre a cabeça do Marido.

- MEU DEUS SERÁ QUE ISSO É TRANSMISSÍVEL???


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Rosa-claro ao Rosa-choque

Há tempos que tento escrever um post sobre os filmes de Barbie. Isso mesmo. Os açucarados, bregas, cor-de-rosados filmes de Barbie. Porque a Nina não somente tem e gosta de Barbies, como também assiste aos filmes. E sendo obrigada a acompanhar a tortura - pra conferir se o conteúdo é adequado à idade e tals - eu acabei concluindo que se tratam de material feminista e totalmente Girl Power - pra não dizer Lesbian Power mesmo. Duvida? Pois assista e confira: os príncipes são sempre bundas-moles, dominados bruxas vingativas, que acabam salvos por Barbies boas e inteligentes. Claro que há problemas - a Barbie loira sempre é a personagem principal, apesar de haver negras, morenas, latinas, até azuis e todas são cabeludas, lisas, magras: mesmo as más. Além da chatice insuportável das músicas plagiadas dos clássicos mais clichês. No final, são as amigas (mosqueteiras, borboletas, sereias, toda uma fauna) unidas que resolvem todas as paradas e se dão bem - ganham asas, mudam as cores dos cabelos, viram princesas. Não sei de algum que acabe em casamento.

Mas não era sobre isso que eu queria fazer ESTE post. O das Barbies ainda vai sair completinho, com fotos e defesa da tese bem arredondada. Me cobrem. Tá, eu também vou comentar sobre o surto consumista gerado pelos filmes de Barbie.

Eu queria dar continuidade à conversinha via twitter iniciada com a Mari Biddle e que resultou num post muito bacana sobre as tais emulações da infância - quando as crianças copiam o comportamento que vêem. Queria falar nisso porque eu percebo os olhares e os narizes torcidos quando as pessoas vêem o quarto rosa da Nina, ou ela toda vestida de rosa, ou o fato de ela gostar de Barbies, ou ainda de brincar de mamãe-e-filhinho com as bonecas. Porque eu sou metidinha a moderna, né? Não devia permitir que ela fosse tão "girlie", cedendo aos apelos do mercado e tal.

Entendo. Mas não concordo. Não acredito que sua personalidade e seu comportamento virão a ser moldados pelos brinquedos e pelas cores de roupas que usa. Claro que estou falando de uma criança normal, que passa a manhã vendo Bob Esponja e infernizando as gatas, a tarde vai à escola, brinca de correr, pular, polícia e ladrão, pique, passa-anel, faz as aulinhas lúdicas de balé com tanto empenho quanto as de judô etc. Que assusta o primo contando histórias de fantasmas e é louca por gibis. Estou falando da Nina, não de aberraçõezinhas que andam de saltinho e cabelos alisados por aí. Essas são filhas de mães loucas, judiação.

Corta pra uma cena recente. Reuniãozinha com um grupo de colegas do marido, lá em casa. Entre eles, um casal de namorados e a filha da moça. Bebíamos vinho, o namorado quis cerveja. Os copos de vidro estavam em outro cômodo, não me fiz de rogada e servi a cerveja num dos de acrílico (novos, grandes, da Camicado, pô!). Não, eu não sou grande coisa como anfitriã. Dali a 5 segundos a moça me cutucou e pediu, toda discreta: "Cris, arranja um copo de vidro? Fulano não bebe em copo de plástico". A filha dela ali, ouvindo. O Fulano sentadão no sofá. Fiquei choquê. Adianta a moça ser médica com especialidade complicadíssima e ter salário melhor que do namorado, se o comportamento afetivo data de 1956? E a menina que estuda num colégio moderno e tals, mas presencia a mãe fazendo a amélia* pro namorado. Quando penso na cena, me dá um desgosto. Mas não lembro se ela estava de cor-de-rosa.



*Update: acreditem quando afirmo que não se tratou de mera gentileza - atire o primeiro copo quem nunca levou uma cerveja pro folgado no sofá. Neste caso, infelizmente, critico a postura servil.