Outro dia, ao me ouvir contando um causo (acho que o da briga na padaria), algumas amigas comentaram que eu pareço ter vivido 1001 vidas. Virou piadinha recorrente e adorei. Como se eu fosse chegar ao fim cantando My Way por ter feito de tudo e do jeito que quis. Mas enfim. Emendando com isso, algumas vezes atendi a telefonemas de arrobas – pessoal do twitter – com meu codinome civil Cristina. “Alô, é a Cris” quando esperavam a Tina Lopes. Tina é a minha persona de internet. Quando fiz teatro, biodança e escrevi poesias, também me fiz conhecer por Tina. E é como tias e primos do interior ainda me chamam.
Mas este é um exemplo raso (como promete o título do blog) para refletir sobre uma implicância que identifiquei recentemente. O fato de que não gosto de encontrar pessoas “antigas”. Gente que me conheceu em outros momentos da vida. A impressão que tenho é de que elas carregam consigo um pedaço meu, do meu eu que já fui e não sou mais. O amigo da fase junkie, a prima companheira da timidez adolescente, o colega de trabalho que presenciou um momento de mau-caratismo. Encontrar com essas pessoas significa voltar a mim e àquela impressão que lhes deixei. Voltar àquela Cristina de então. Ou Tina.
Não sei quanto a vocês, mas ainda me acho distante de um ideal – na verdade, não tenho um ideal de mim, só quero que cada dia passe sem me trazer nenhum motivo pra uma crise nervosa amém. Porém também não tenho saudades. Outro dia até tive uma nostalgiazinha da infância, rápida.
Fato é que às vezes todas essas 1001 vidas, por medíocres, desimportantes, grãozinho de areia que tenham sido, pesam. As burradas, os erros, as grosserias. Só eu lembro de tudo, absolutamente tudo? Não se trata de culpa. Aliás, não adianta a culpa. Assim como não servem de nada as desculpas. O perdão é superestimado, sorry cristãos. Hoje em dia uma pessoa tem o filho assassinado barbaramente, o repórter (ai, colegas) vai lá e e pergunta em rede nacional: “o senhor conseguirá um dia perdoar quem fez isso?”. Ora. Se eu não me perdôo, de que adianta?
Não que eu tenha cometido grandes desatinos ou maus passos. É que viver – bem, zen, tranquila, dormindo as oito horas necessárias – me parece exigir um grau de auto-indulgência do qual não sou capaz. Também não falo de arrependimentos. Mas de “eus”, de pessoas que fui, das quais hoje discordo, ou me penalizo, desprezo, ou ainda, detesto. Gosto de mim hoje, do mundo, hoje. Mas acho que amanhã vou ser e estar melhor.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Freud bombando
*enquanto não crio vergonha na cara de fazer o Blog da Nina
Hoje pela manhã, arrumando-a para ir à aula, me deu uma nostalgia e comentei com ela:
- Ai, que delícia, colocar uniforme, ir pra escola encontrar as amigas, brincar no parquinho, ter aula de educação física... eu queria ser você!
- E eu queria ser você. Mandar em todo mundo, fazer o que eu quiser, ser namoradinha do papai...
Hoje pela manhã, arrumando-a para ir à aula, me deu uma nostalgia e comentei com ela:
- Ai, que delícia, colocar uniforme, ir pra escola encontrar as amigas, brincar no parquinho, ter aula de educação física... eu queria ser você!
- E eu queria ser você. Mandar em todo mundo, fazer o que eu quiser, ser namoradinha do papai...
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