quinta-feira, 28 de junho de 2012

Bando de loucos [2]

O fato senhoras e senhores é que o Corinthians tem a maior torcida do Paraná. A maior parte no interior. Aí fizeram uma matéria em que um dirigente rancoroso de um time local diz que isso acontece basicamente porque só Curitiba e Região Metropolitana são habitados por gente com orgulho do Paraná e que dá valor ao próprio estado, os outros são "fãs" de São Paulo. Hahahahaah. 

Bem, eu sou corinthiana porque meu pai, catarinense de nascimento, pontagrossense de criação, era corinthiano roxo. Lembro bem naquela fatídica final de 1976, o pai expulsando, lá do portão, o melhor amigo momentos antes do jogo, porque era pé-frio. Corinthiano que quebrava rádios quando o time perdia (tínhamos um pequeno cemitério de rádios no fundo do quintal). 

E por que seu Cassiano era corinthiano? Ele que tinha verdadeiro ódio das viagens a São Paulo, a trabalho? Bem, porque quando era criança, no interior do Paraná, gostava de ouvir jogos de futebol pelo rádio. E naquele tempo, anos 50-60, só as emissoras de São Paulo chegavam até o interior - rádio Globo, rádio Clube - ao contrário das fracas emissoras da capital. Simples assim. Meu pai se apaixonou pelo Corinthians ouvindo os lances dos campeonatos paulistas. Aí o bicho do sofrimento-paixão pegou. 


E pegou a mim, também, que tive o pôster do Dr. Sócrates dividindo espaço com o do Michael Jackson. Que quando entendi, tive orgulho da Democracia Corinthiana. Que esqueço qual era mesmo o título que estava em jogo no dia seguinte. Que tenho saudade dos tempos do Gamarra e das escalações dos anos 90 (menos aquela com Mirandinha e Índio, pelamor), quando eu "gravava" os jogos na cabeça pra depois contá-los, em detalhes, ao Mr. Lopes, que perdia porque dava aulas às quartas-feiras. Amo ser corinthiana porque meu time nunca teve um "santo" - pelo contrário, só tivemos capetas.


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Outro dia a tarefa da escola da Nina era registrar uma lembrança muito marcante da infância de um adulto - eu. "Escreve aí, meu amor, Brasil x Itália na Copa de 1982". 


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Vai ser lindo ganhar a Libertadores. Ontem assistimos o jogo bebendo um vinho uruguaio.

3 comentários:

Cristiane Rangel disse...

Uruguaio lógico! Pq argentino ontem, nem pensar!
Meu pai é torcedor atleticano, mas tem no Corinthians o ideal de time. Tem foto minha em casa, aos dois anos, andando no quintal segurando a bandeira do Corinthians. Meu pai tem as camisas, sabe todas as escalações, já sofreu e já sorriu com esse time.
Que venha então a Libertadores pro meu pai, aos 65, ver o time campeão!

André T. disse...

Neymar é moda, Romarinho é foda. Sem mais.

Luciana Nepomuceno disse...

Eu entendo, embora minhas cores sejam outras. ;-)